quarta-feira, 4 de março de 2026

Economia/ Governo reafirma compromisso com reformas estruturais na abertura da Jornada de Difusão das Contas Externas 2024

Bissau, 04 Mar 26 (ANG) – O Governo, na voz do Primeiro-ministro reafirmou o compromisso com a consolidação macroeconómica e  transformação estrutural da economia nacional,  na abertura da Jornada de Difusão das Contas Externas da Guiné-Bissau  de 2024.

Ilídio Vieira Té, para responder aos desafios que essa consolidação impõe, revelou que o Governo está a implementar um conjunto de reformas estruturais orientadas para a sustentabilidade das finanças públicas, melhoria do ambiente de negócios, modernização das infraestruturas económicas e reforço da competitividade externa.

Neste quadro, acrescentou que  o programa trienal apoiado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), ao abrigo da Facilidade Alargada de Crédito (FEC), tem sido apontado como instrumento determinante na consolidação orçamental, na melhoria da gestão da dívida pública e no reforço dos fundamentos macroeconómicos.

Apontou  entre os principais projetos estruturantes em curso, a construção e reabilitação de estradas estratégicas, a expansão da electrificação nacional no âmbito da OMVG, a modernização do Aeroporto Internacional Osvaldo Vieira, a implementação do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA), a operacionalização do sistema aduaneiro SYDONIA World e o início dos trabalhos de dragagem do Porto de Bissau.

O chefe de governo  destacou ainda o projecto estratégico do Porto de Buba, associado a uma futura ligação ferroviária sub-regional, bem como a construção de um porto comercial e de pesca em Pikil, no sector de Biombo, iniciativas inseridas numa visão integrada de transformação estrutural da economia.

Disse que, as projeções apontam para um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) real na ordem de 5,5 por cento em 2026, sustentado pela recuperação da actividade agrícola, aumento do investimento público e privado e reforço da confiança dos parceiros internacionais.

O Primeiro-ministro do Governo de Transição  agradeceu ao Banco Central dos Estados da África Ocidental (BCEAO) pela promoção do evento.

Ilidio Vieira Té  destacou o profissionalismo e rigor técnico na compilação e divulgação dos dados, bem como o contributo das instituições públicas e privadas envolvidas na recolha de informações estatísticas.

Segundo os dados apresentados pelo Primeiro-ministro,  a economia guineense cresceu 4,1 por cento em 2024, abaixo dos 5,8 por cento registados em 2023, e essa desaceleração se deve , sobretudo, à evolução do sector agrícola e aos constrangimentos externos que afectaram as exportações.

Ainda assim,
 disse que o desempenho ocorreu num contexto internacional adverso, marcado por tensões geopolíticas, volatilidade dos preços das matérias-primas e condições financeiras restritivas, num ano em que a economia mundial cresceu cerca de 3,3 por cento.

No capítulo da estabilidade de preços, destacou o  registou de uma evolução positiva, com a inflação média anual a desacelerar para 3,5 por cento, contra 7,2 por cento no ano anterior, contribuindo para aliviar a pressão sobre o rendimento das famílias.

Relativamente às contas externas, Ilídio Vieira Té salientou  a  concentração nas exportações na castanha de caju, situação que mantém a economia vulnerável à choques externos de preços e de procura de mercados internacionais, e que reforça a necessidade de diversificação produtiva e de transformação local da produção agrícola.

Outro feito económico destacado pelo PM se relaciona a visita da missão do FMI decorrida entre 3 e 13 de Fevereiro deste ano, no âmbito da 9.ª e 10.ª avaliações do programa apoiado pela FEC, terminada com  acordo técnico (staff-level agreement) que permitirá a prorrogação do programa por cinco meses, (até 29 de Dezembro de 2026), assegurando o alinhamento das políticas económicas com a execução integral do Orçamento do Estado de 2026 e a preservação da sustentabilidade da dívida pública.

Para Vieira Té  a consolidação macroeconómica, por si só, não é suficiente, é necessário a redução da vulnerabilidade  externa, o aumento do  valor acrescentado nacional, o estímulo ao investimento na produção, em sectores estratégicos tais como oa agro-indústria, pescas, turismo e serviços logísticos.

ANG/LPG/ÂC//SG

Agricultura/Direcção Geral de Florestas e Fauna prevê plantação de 50 mil árvores no presente ano 2026

Bissau, 04 Mar 26(ANG) – A Direção Geral de Florestas e Fauna, do Ministério de Agricultura e Desenvolvimento Rural, tem em carteira o repovoamento de 50 mil árvores de diferentes espécies durante o período chuvoso do presente ano 2026.

A revelação é do Diretor-geral de Florestas e Fauna, Diamantino Ortis Quadé em entrevista concedida hoje à ANG e Rádio Pindjiguiti.

Aquele responsável disse que no ano passado, plantaram cerca de 15 mil árvores numa previsão inicial de 30 mil, quer dizer que  não atingiram o objectivo traçado, devido ao inicio tardio dos trabalhos.

Informou que, para o presente ano, perspectivam plantar uma quantia de 50 mil árvores, em conformidade com os campos identificados pelos técnicos do sector, em diferentes localidades do país.

“Mas, para o esclarecimento público, o repovoamento das áreas florestais disponíveis não é tudo.  O mais importante  tem a ver com o seguimento das áreas  repovoadas”, disse.

Aquele responsável sublinhou que o seguimento é o componente mais importante do processo de repovoamento e diz que exige a presença dos técnicos de três em três meses.

“Infelizmente, na Guiné-Bissau não acontece esse trabalho de seguimento. Seria bom tê-lo tendo em conta que o país dispõe de superfície muito pequeno em comparação com as outras partes do mundo”, afirmou.

O Diretor-geral de Florestas e Fauna referiu após o golpe de Estado de 26 de Novembro do ano passado, o Alto Comando Militar e o Governo de Transição adoptaram um Plano  para controlar a exploração dos recursos florestais, para evitar o que aconteceu em 2012, em que as pessoas fizeram o desmatamento nas florestas  de uma forma desorganizada.

Disse  que foram interditas, durante muito tempo,   actividades de cortes de árvores .

“Neste momento, essas atividades são permitidas apenas  à  empresas legalmente constituídas e autorizadas a fazer  cortes e exploração de madeiras”, salientou.

Diamantino Ortis Quadé disse  que atualmente apenas quatro empresas  são autorizadas a operar ,fazendo cortes e exploração de madeiras no país.

Aquele responsável disse que existem  requisitos que as referidas empresas devem respeitar, dentre os quais, a solicitação da quantia de metros cúbicos de árvores de que precisa,   requisição de corte junto a Direcçáo Geral de Florestas bem como fazer o pagamento das licenças de corte.

Afirmou que, por sua vez, a DG das Florestas constitui uma equipa que  acompanha a empresa nas matas, desde corte até carregamento dos contentores.

Ortis Quadé disse que participam no controlo da exploração florestal, representantes da  Brigada Nacional de Proteção de  Meio Ambiente e Natureza, Polícia Judiciária, Inspeção das Florestas. ANG/ÂC//SG

Saúde Pública/Bissau acolhe “Reunião Regional” sobre  uso de drogas nos países de língua portuguesa

Bissau, 04 Mar 26 (ANG) – Bissau acolheu hoje, uma “Reunião Regional”, sobre o uso excessivo de drogas, nos países de Língua Oficial Portuguesa.

O encontro que decorre sob o lema, “Trabalhar em Conjunto para a Saúde Pública. Minimizar os Danos e os Riscos do Uso de Drogas Ilícitas nos Países da Língua Portuguesa, é promovido pela ONG ENDA Santé  e o Grupo de Ativistas e Tratamento (GAT).

Ao presidir a cerimónia de abertura da reunião, o Embaixador de Portugal no país, Miguel Cruz Silvestre revelou que a experiência de Portugal sobre esta matéria resulta de estudos efetuados, há mais de duas décadas, e que  representam um contributo técnico humano de especial relevância para reflexão conjunta que irão efetuar.

Miguel Silvestre realçou  que a problemática da saúde tem sido, desde muitas  décadas, um dos pilares centrais de cooperação entre Portugal e a Guiné-Bissau.

“E é neste domínio que temos procurado atuar, de forma consistente e estruturada, com o propósito de melhorar as condições de vida das pessoas, e fortalecer um  sistema de saúde sustentável”, sublinhou o Embaixador.

Para o Coordenador do Conselho Nacional do Combate a Droga(CNCD), Francisco Sanha, o assunto da droga nestes países que participam no  encontro não é apenas uma questão de saúde pública, mas também  da segurança, desenvolvimento e justiça social.

“As drogas ilícitas afetam a educação,  segurança,  economia e, sobretudo, os futuros das nossas juventudes, porque cada vida perdida pela dependência química, representa um talento desperdiçado, uma família fragilizada e uma comunidade enfraquecida”, alertou Sanhá.

Acrescenta  que a reunião se revela oportuna, na medida em que vai acordar as autoridades nacionais para a necessidade de incluir nas suas estratégias e planos emergentes a problemática do consumo de drogas, com vista a evitar situações de colapsos deste fenómeno muito sensível, que afeta a sociedade em geral.

Segundo Francisco Sanhá
, para minimizar o impacto do uso de drogas nos Países da Língua Portuguesa, a liderança comunitária deve assumir o seu papel tal como se deve privilegiar realizações de trabalhos em conjunto.

“São as comunidades que conhecem de perto a realidade, e que percebem os sinais de vulnerabilidade, e que também podem oferecer apoios imediatos e construir alternativas concretas nesta matéria”, defendeu Sanhã.ANG/LLA/ÂC//SG          

Proteção Civil/Comandante da Corporação dos Bombeiros diz que a urbanização não é um favor mas sim uma obrigação do Estado

Bissau, 04 Mar 26 (ANG) - O Comandante do Serviço Nacional da Proteção Civil e Bombeiros disse que a urbanização não é um favor, mas sim, uma obrigação do Estado, sublinhando que o país ainda está longe de cumprir plenamente esse  dever.

Francisco Correia fez esta declaração no programa “Nô Segurança” da Rádio Sol Mansi que abordava o tema “Consequências da Falta de Urbanização na Guiné-Bissau”.

Defendeu  que não é possível falar de desenvolvimento sem urbanização, uma vez que a falta de planeamento urbano afeta tanto as instituições públicas como a própria população.

"Não podemos falar de desenvolvimento sem urbanização, a ausência de planeamento urbano cria dificuldades para as instituições e traz vários problemas para a população", salientou.

Aquele responsável acrescentou  que a urbanização traz várias vantagens, sobretudo na prevenção e na resposta aos fenómenos naturais, frisando que o país deve apostar seriamente na organização e no planeamento das cidades.

“A urbanização ajuda também na prevenção e na gestão de fenómenos naturais, permitindo uma melhor organização dos espaços e maior segurança para as pessoas”, disse acrescentando  que muitos bairros do país não estão urbanizados, situação que dificulta a atuação dos serviços de socorro e segurança, devido à falta de acessos e organização urbanística, destacando o exemplo dos bairros de Ajuda e Antula, que apresentam condições de uma urbanização perfeita, contrariamente aos de Reino e Chão de Papel/Varela.

 A falta de urbanização não é apenas um problema de construção ou infra-estrutura, mas também  uma questão de saúde pública, economia, ambiente e qualidade de vida.

Francisco Correia afirmou que,  apesar dos desafios, especialistas defendem que, com o planeamento adequado, responsabilidade institucional e participação ativa dos cidadãos, é possível transformar as cidades em espaços mais organizados, seguros e sustentáveis. ANG/MI/ÂC//SG

Ensino Superior/Escola Nacional Tchico Té abre curso de Mestrado em Matemática

Bissau, 04 Mar 26 (ANG) - A Escola Nacional Superior Tchico Té abriu oficialmente,  segunda-feira, o curso de Mestrado em Matemática, com a finalidade de contribuir para a redução da necessidade de formação no exterior e  reforçar a autonomia científica no país.

A informação foi avançada pela Assessoria de Imprensa do Ministério da Educação Nacional e Ensino Superior, na sua página de Facebook, consultada pela ANG.

Informa que, o ministro da Educação Nacional, Ensino Superior e Investigação Científica, Mamadu Badji ao presidir a cerimónia da abertura do referido curso, afirmou que  constitui “um marco importante para o Ensino Superior Guineense”.

Mamadu Badji sublinhou  que o Governo está empenhado na criação de condições para elevar o nível de qualificação dos quadros nacionais.

“A implementação do mestrado em matemática traduz, de forma concreta, a visão estratégica do Executivo de reforço da formação avançada, de promoção da investigação científica e de consolidação de um ensino de qualidade na Guiné-Bissau”, disse o governante.

Badji considerou de fundamental investir em ciência e  formação especializada, de forma a responder aos desafios de desenvolvimento nacional.

Disse que a  Matemática desempenha um papel central em diversas áreas do conhecimento, desde as engenharias às ciências económicas e tecnológicas, sendo por isso essencial apostar na capacitação de docentes e investigadores nessa área.

Destacou que a  iniciativa de abertura do curso de mestrado em Matemática se realiza  no quadro das reformas em curso no sector do ensino superior, orientadas para a melhoria da qualidade pedagógica, o estímulo à investigação e a valorização dos recursos humanos nacionais.

O acto de abertura do curso de mestrado em Matemática, contou com a presença de membros do Governo, corpo docente, estudantes e convidados. ANG/AALS/ÂC//SG

Comunicação Social/Cotonou acolhe segunda reunião dos Dirtores-gerais de Televisões dos Estados membros da CEDEAO

Bissau, 04 Mar 26 (ANG) – A capital do Benin, Cotonou acolhe desde  terça-feira,  a 2ª reunião dos Diretores-gerais das emissoras de televisões nacionais dos Estados-Membros da Comunidade dos Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO ).

De acordo com um comunicado do gabinete de imprensa da Comissão da CEDEAO em Abuja(Nigéria), à que a ANG teve acesso, a reunião visa reforçar o compromisso e a contribuição dos meios de comunicação públicos na luta contra a desinformação relativa à organização, melhorando simultaneamente a visibilidade dos programas, atividades e realizações da Comunidade.

No seu discurso ,segundo o comunicado, o Presidente da Comissão da CEDEAO, Omar Alieu Touray, representado pelo seu Conselheiro Especial Abdoulie Gassama, salientou o papel essencial das emissoras nacionais como intermediárias fundamentais para comunicar as iniciativas da CEDEAO aos cidadãos de todos os Estados-Membros.

Ao declarar aberta a reunião, o Presidente do Comité Administrativo e Financeiro (CAF) da CEDEAO,  Komba MOMOH, representado pela Diretora Adjunta do Gabinete Nacional da CEDEAO na Serra Leoa, Laygbay Lilian AMADU, salientou a necessidade de passar do diálogo à ação através de compromissos concretos, recomendações práticas e parcerias reforçadas que promovam uma programação regular e uma cobertura mediática sustentada com atividades da CEDEAO.

O encontro de Benim foi organizado pela Direção de Comunicação da Comissão da CEDEAO, com o apoio do governo alemão.

A reunião de dois dias reúne os diretores das emissoras de televisão nacionais e os chefes dos Gabinetes Nacionais dos 12 Estados-Membros da CEDEAO.ANG/MSC/ÂC//SG


Côte D`Ivoire/CEDEAO inicia  consultas regionais para redefinir prioridades de integração

Bissau, 04 Mar 26 (ANG) – A Comissão da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) iniciou, na terça-feira,  em Abidjan, uma consulta regional dedicada ao futuro do comércio, da integração económica e do desenvolvimento sustentável na África Ocidental.

Com duração prevista até sexta-feira, 6 de Março, esta reunião serve de prelúdio para a Cúpula Especial sobre o futuro da organização. Seu objetivo é coletar contribuições dos Estados-membros, do setor privado e da sociedade civil sobre questões de governança, segurança e transformação económica.

No início dos trabalhos, os participantes apelaram a uma integração mais concreta e inclusiva.

Falando em nome da Rede de Organizações de Agricultores e Produtores da África Ocidental (ROPPA), Cheikh Moumouni Sissoko enfatizou que "os agricultores constituem o maior setor privado da região". Ele afirmou que os produtores agrícolas fornecem "85% dos investimentos produtivos, assumem 100% dos riscos e geram quase 60% dos empregos".

Ele defendeu um maior reconhecimento das organizações camponesas, enfatizando a importância da preservação dos recursos naturais, da integração das questões ambientais nas políticas regionais e do ensino de projetos comunitários nas escolas.

Por sua vez, o Ministro Delegado para a Integração Africana e os Marfinenses no Exterior, Adama Dosso, elogiou "cinquenta anos de um espaço de liberdade e solidariedade do qual a região pode se orgulhar", observando, porém, que o comércio intrarregional permanece baixo, em torno de 5 a 7%. Ele mencionou diversos desafios, incluindo a dependência de matérias-primas e as barreiras não tarifárias, propondo uma agenda com o objetivo de aumentar o comércio intrarregional para 10% até 2028 e 15% até 2030.

Falando em nome do Parlamento da CEDEAO, a Vice-Presidente Adjaratou Traoré afirmou que a integração "não pode permanecer uma questão puramente técnica" e deve refletir-se no quotidiano dos cidadãos. Ela defendeu um Parlamento Comunitário reforçado com poderes legislativos reais.

Apesar dos progressos em matéria de livre circulação e paz, o comércio intrarregional permanece abaixo de 15%, enquanto as economias da África Ocidental continuam vulneráveis ​​a choques externos. No centro dessas discussões está a Visão 2050, que visa construir uma região pacífica, próspera e plenamente integrada. ANG/Faapa

Cabo Verde/ CEDEAO envia 100 observadores para legislativas de 17 de Maio

Bissau, 04 Mar 26 (ANG) – A CEDEAO anunciou terça-feira, na cidade da Praia, o envio de até 100 observadores para as legislativas de 17 de Maio, no âmbito de uma missão que avalia a preparação do país e eventuais fragilidades do processo.

O anúncio foi feito pelo Comissário para Assuntos Políticos, Paz e Segurança da Organização Regional, Abdel-Fatau Musah, à margem do encontro de trabalho entre a Comissão Nacional de Eleições (CNE) e a missão da Comunidade dos Estados da África Ocidental, CEDEAO.

Segundo Abdel-Fatau Musah a equipa vai integrar especialistas da comissão regional, membros da rede de comissões eleitorais africanas e representantes da sociedade civil, com a tarefa de reunir-se com os principais intervenientes do processo eleitoral, incluindo Governo, partidos políticos, órgãos eleitorais, justiça, comunicação social e comunidade internacional.

O responsável explicou que a missão irá elaborar um relatório a ser submetido ao presidente da Comissão da CEDEAO, podendo recomendar o envio de apoio adicional caso sejam identificadas lacunas técnicas, financeiras ou riscos susceptíveis de afectar a estabilidade do processo.

No âmbito do acompanhamento, a organização prevê o destacamento de uma missão de observação eleitoral de longo prazo, pelo menos três semanas antes do escrutínio, seguida de uma missão de curto prazo, com um contingente não inferior a 100 observadores.

Sobre o ambiente político, o comissário considerou Cabo Verde um exemplo na sub-região, realçando a estabilidade institucional e a ausência de histórico de violência eleitoral, embora tenha apontado desafios ligados à logística, à participação da diáspora e à condição arquipelágica do país.

Por seu turno, a presidente da Comissão Nacional de Eleições (CNE), Maria do Rosário Gonçalves, classificou a visita como “oportuna”, sublinhando que a qualidade e a credibilidade do processo eleitoral devem ser permanentemente monitorizadas.

A responsável indicou que, do ponto de vista logístico e operacional, os preparativos decorrem de forma “positiva”, com material eleitoral já adquirido e formação de delegados em curso, apontando o recenseamento eleitoral, sobretudo no estrangeiro, como principal desafio nesta fase.

Maria do Rosário Gonçalves admitiu ainda a possibilidade de recurso ao fundo de apoio eleitoral da CEDEAO, previsto no protocolo regional sobre paz, segurança e democracia, para reforçar o orçamento do Estado destinado às duas eleições. ANG/Faapa

  

Israel/Com ataques simultâneos contra Irã e Líbano, Telavive prevê guerra por mais dez dias

Bissau, 04 Mar 26 (ANG) - A guerra no Oriente Médio entra em seu quinto dia e o  Exército israelense afirmou, nesta quarta-feira (4), ter lançado “uma ampla onda de ataques” no Irã, mirando “locais de lançamento, sistemas de defesa aérea e outras infraestruturas” do regime iraniano.

Os bombardeios israelenses também se intensificam em direção ao Líbano. Um membro do alto escalão de Israel, citado pela imprensa local, disse acreditar que a guerra deve se estender por mais sete a dez dias.

Segundo a mesma fonte israelense, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, será quem determinará o momento de encerrar os confrontos. 

Com o objetivo de reduzir a capacidade de resposta iraniana, as ações militares de Estados Unidos e Israel têm se concentrado em alvos estratégicos do regime e do programa nuclear. Durante a madrugada, Israel voltou a realizar ataques aéreos contra o Irã, direcionando as operações principalmente a instalações governamentais e forças policiais. 

Mais cedo, o Exército israelense havia informado ter atingido um centro militar subterrâneo secreto na região de Teerã, destruindo “um elemento-chave da capacidade do regime iraniano de desenvolver armas atômicas”. 

Os militares israelenses também anunciaram ter abatido um avião de combate iraniano sobre a capital iraniana. “Um avião Adir (F-35) da Força Aérea Israelense abateu recentemente um avião de combate iraniano (YAK-130) sobre Teerã”, declarou o exército em um comunicado.

O Irã também disparou mísseis contra Israel. Parte de um míssil iraniano caiu nas proximidades de Beit Shemesh, cidade israelense a cerca de 20 quilômetros de Jerusalém que já havia sido atingida e onde morreram nove pessoas, mas desta vez não houve feridos.  

Segundo o comandante do Centcom, o Comando Central dos Estados Unidos, almirante Brad Cooper, até agora os norte-americanos atacaram cerca de dois mil alvos no Irã, afundaram 17 navios e um submarino. De acordo com Cooper, o Irã disparou 500 mísseis balísticos e dois mil drones.  

A maior parte dos mísseis iranianos foi lançada contra os Emirados Árabes Unidos. Segundo o Ministério da Defesa do país, o território foi alvo de 200 mísseis e mais de 800 drones iranianos. Pelo menos três pessoas morreram e 78 ficaram feridas. 

A Sociedade do Crescente Vermelho do Irã informou que, até agora, cerca de 800 pessoas morreram e 740 ficaram feridas no país. A ONG iraniana Hrana, sediada nos Estados Unidos, estima que cerca de mil pessoas ficaram feridas. Ao todo, 153 cidades e mais de 500 locais foram atingidos até agora. 

Com a entrada do Hezbollah no conflito, a milícia xiita disparou 30 foguetes contra Israel entre a noite e a madrugada. 

Os Guardiões da Revolução, força militar e ideológica de elite do regime, anunciaram nesta quarta-feira que têm “controle total” sobre o estreito de Ormuz, ponto estratégico para o comércio global de petróleo e inúmeros outros produtos na entrada do Golfo Pérsico. 

O Irã está “em estado de guerra” e agirá com “firmeza” contra aqueles que agirem contra a República Islâmica, alertou na quarta-feira o Poder Judiciário.

“Estamos em estado de guerra”, declarou o chefe do Poder Judiciário, Gholamhossein Mohseni Ejei, citado pela agência Mizan.

“Portanto, aqueles que agirem de qualquer forma, em palavras ou ações, de acordo com os interesses ilegítimos do inimigo agressor, serão tratados com firmeza e severidade, de acordo com as leis e regulamentos em vigor”, acrescentou.

No Líbano, ao menos 11 pessoas morreram em ataques israelenses que atingiram a área do palácio presidencial, próximo a Beirute, e outras regiões ao sul da capital. 

O Exército israelense pediu nesta quarta-feira a evacuação imediata de 13 cidades e vilarejos no sul do Líbano antes de novos ataques contra o Hezbollah.. Um aviso semelhante havia sido feito mais cedo para outras 16 localidades. Segundo as autoridades libanesas, mais de 58 mil pessoas já foram deslocadas pela guerra. 

Desde sábado, 28 de fevereiro, Israel e os Estados Unidos realizam ataques contra Teerã. O guia supremo iraniano, Ali Khamenei teve  sua morte confirmada no dia seguinte. A República Islâmica decretou 40 dias de luto e sete dias de feriado nacional. O funeral de Khamenei foi marcado para a noite desta quarta-feira. ANG/RFI

 

Médio Oriente/EUA ampliam ação militar contra o Irã e Congresso cobra explicações sobre estratégia de guerra

Bissau, 04 Mar 26 (ANG) - A mobilização militar dos Estados Unidos contra o Irã atingiu uma escala que autoridades americanas descrevem como a maior no Oriente Médio em uma geração, em meio a sinais de que o conflito pode avançar para uma nova fase e aumentar ainda mais o envolvimento das Forças Armadas na região.

Mais de 50 mil militares americanos, cerca de 200 aeronaves de combate, dois porta-aviões e bombardeiros estratégicos já participam das operações, segundo o almirante Brad Cooper, chefe do Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos.

O aumento rápido da presença militar ocorre poucos dias depois dos ataques coordenados realizados no sábado (28) por forças americanas e sraelenses contra alvos estratégicos no Irã, que abriram uma nova etapa na escalada bélica entre os países. Segundo Cooper, o deslocamento representa o maior reforço de efetivos americanos no Oriente Médio em décadas. 

“Em termos simples, estamos focados em neutralizar tudo o que pode disparar contra nós”, afirmou o comandante.

De acordo com Cooper, as unidades dos EUA já destruíram pelo menos 17 embarcações iranianas, incluindo um submarino, considerado um dos mais operacionais da marinha do país.

Os Estados Unidos também mantêm investidas contínuas contra alvos iranianos “24 horas por dia”, em operações que combinam ações militares “do fundo do mar ao espaço e ao ciberespaço”, disse o almirante.

Apesar da intensidade da ofensiva, parlamentares em Washington dizem que ainda não receberam explicações claras sobre os objetivos estratégicos da campanha.

Nesta terça-feira (3), integrantes do alto escalão do governo participaram de encontros fechados com membros do Congresso para discutir a ofensiva contra o Irã. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, realizou um briefing com senadores e também se reuniu com deputados da Câmara dos Representantes.

Após o encontro, parlamentares democratas disseram que o governo não apresentou um plano claro sobre a duração da guerra ou sobre quais seriam os objetivos finais da operação. O senador democrata Ed Markey afirmou que a reunião apenas reforçou preocupações já existentes no Congresso.

“Donald Trump está travando uma guerra ilegal e não tem um plano para encerrá-la”, escreveu o senador nas redes sociais.

“Eu já estava preocupada antes, mas agora estou ainda mais apreensiva", disse a senadora democrata Elizabeth Warren em um vídeo após participar da reunião.

Nos bastidores do Capitólio até mesmo alguns republicanos demonstram inquietação com o rumo do conflito. Um parlamentar ouvido pela imprensa americana comparou a justificativa apresentada pela Casa Branca com a retórica usada pelo ex-presidente Lyndon Johnson durante a escalada da guerra do Vietnã nos anos 1960. Congressistas também avaliam que o governo poderá solicitar recursos emergenciais para financiar as operações militares.

Autoridades do Pentágono trabalham em um pedido de orçamento suplementar que pode chegar a US$ 50 bilhões, destinado a recompor estoques de armas utilizados em missões recentes. Paralelamente às operações aéreas e navais, surgem sinais de que o conflito pode abrir uma nova frente terrestre.

Segundo informações divulgadas pela CNN, a CIA estaria trabalhando para armar forças curdas opositoras ao regime iraniano, que poderiam participar de uma operação no oeste do país nos próximos dias com apoio americano e israelense.

A estratégia teria como objetivo ampliar a pressão militar sobre Teerã e estimular um levante interno contra o governo iraniano. A Casa Branca não comentou oficialmente as informações.

O Pentágono deve realizar um novo briefing público nesta quarta-feira (4), quando autoridades militares devem apresentar atualizações sobre a ofensiva e responder a questionamentos sobre a dimensão da mobilização militar americana e os próximos passos da operação.

Antes do início da operação, entre 20% e 25% dos americanos aprovavam os ataques. Essa proporção subiu para quase 40% na última pesquisa da CNN, realizada após o anúncio da morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei. O resultado está em consonância com a popularidade de Trump.

Cerca de seis em cada dez americanos se opõem aos ataques, e um número semelhante acredita que o governo não tem um objetivo claro em relação ao Irã e que o presidente deveria buscar a aprovação do Congresso para continuar as operações. Apenas 12% apoiam o envio de tropas terrestres, mas a maioria dos americanos se resigna à possibilidade de outro conflito interminável, com 56% acreditando que o resultado mais provável é uma guerra prolongada.ANG/RFI

RPC/“Europa precisa da China e China precisa da Europa” - órgão legislativo chinês

Bissau, 04 Mar 26(ANG) – O porta-voz da Assembleia Nacional Popular da China, Lou Qinjian, afirmou hoje que “a Europa precisa da China e a China precisa da Europa”, defendendo o caráter complementar da relação entre ambas as partes, face a tensões crescentes comerciais.

Durante uma conferência de imprensa realizada na véspera da sessão anual do órgão legislativo da China, que arranca na quinta-feira, Lou recordou que no ano passado se assinalou o 50.º aniversário do estabelecimento de relações diplomáticas entre a China e a União Europeia e destacou que os contactos de alto nível foram “frequentes”.

Segundo o responsável, a relação económica e comercial entre Pequim e Bruxelas baseia-se na “complementaridade de vantagens e no benefício mútuo”, acrescentando que a cooperação com a China contribui para o desenvolvimento económico europeu e para a melhoria do bem-estar social no continente.

Lou afirmou ainda que entre as duas partes “não existem conflitos fundamentais de interesses nem contradições geopolíticas” e manifestou a disponibilidade de Pequim para “gerir adequadamente as diferenças comerciais”.

O porta-voz salientou também que, no ano passado, a China e o Parlamento Europeu levantaram de forma recíproca restrições aos seus intercâmbios, permitindo retomar mecanismos de diálogo legislativo.

Ele indicou que a Assembleia Popular Nacional está disposta a reforçar os contactos com o Parlamento Europeu e com os parlamentos nacionais dos Estados-membros da União Europeia, com o objectivo de “aumentar o entendimento, ampliar consensos e promover a cooperação”, de forma a impulsionar um desenvolvimento estável e sustentado das relações entre China e Europa.

As declarações surgem num contexto de fricções comerciais entre a China e a União Europeia, relacionadas com medidas como as tarifas europeias sobre veículos elétricos chineses, os controlos chineses à exportação de terras raras e outros materiais estratégicos, as queixas de empresas europeias sobre restrições de acesso ao mercado chinês e disputas em torno das cadeias de abastecimento globais. ANG/Inforpress/Lusa

 

          
      Irão
/Teerão avisa que ainda não usou armamento mais avançado

|Bissau,04 Mar 26(ANG) - O Ministério da Defesa do Irão avisou hoje que ainda não recorreu ao seu armamento mais avançado e insistiu que a República Islâmica está preparada para uma guerra prolongada contra os Estados Unidos e Israel.

"Não pretendemos empregar todas as nossas armas e equipamentos avançados nos primeiros dias", declarou o porta-voz do Ministério da Defesa, citado pela agência de notícias IRNA.

Reza Talai-Nik acrescentou que Teerão tem “capacidade para resistir e manter uma defesa ofensiva durante mais tempo” do que o planeado para esta guerra por Washington e Telavive.

A Guarda Revolucionária Islâmica, o exército ideológico do regime, afirmou que o Irão lançou hoje mais uma vaga de mísseis contra Israel, num comunicado divulgado pela agência de notícias Fars.

"A décima sexta vaga da Operação Promessa Honesta-4 começou com uma série de mísseis e drones da Força Aeroespacial da Guarda Revolucionária Islâmica contra o coração dos territórios ocupados", indicou o comunicado, referindo-se a Israel.

A nova guerra no Médio Oriente entrou hoje no seu quarto dia, desde que Israel e Estados Unidos lançaram centenas de ataques aéreos contra a República Islâmica e mataram o líder supremo iraniano, Ali Khamenei.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que a operação visa “eliminar ameaças iminentes” do Irão, e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, justificou a ação conjunta contra o que classificou como uma “ameaça existencial” ao seu país.

Pelo menos 787 pessoas morreram desde sábado no Irão, segundo o Crescente Vermelho iraniano, a que se adicionam 10 mortos em Israel e outros seis nas forças norte-americanas, de acordo com números oficiais.

O actual conflito agravou também as hostilidades entre Israel e o grupo xiita libanês Hezbollah, apoiado por Teerão, que já causaram pelo menos 40 mortes no Líbano desde o fim de semana e quase 60 mil deslocados. ANG/Inforpress/Lusa


terça-feira, 3 de março de 2026

Transição/Governo autoriza concessão de 100 mil hectares de terras para fins agrícolas

Bissau, 03 Mar 26 (ANG) – O Governo autorizou, em sessão ordinária do Conselho de Ministros, a concessão rural de 100 mil hectares de terra destinados a fins agrícolas, ao abrigo do n.º 4 do artigo 15.º da Lei n.º 5/1998, de 23 de abril (Lei da Terra).

A decisão foi revelado pelo comunicado da Sessão Ordinária do Conselho de Ministros, realizada hoje,  em Bissau, sob a presidência do Presidente da República de Transição, Horta Inta-a.

No início da sessão, o coletivo governamental observou um minuto de silêncio em memória dos alunos da Escola Attadamum, vítimas de um acidente de viação ocorrido na segunda-feira, na capital, à saída das aulas.

No capítulo das informações gerais, a ministra da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social anunciou o lançamento de um projeto de reforço das capacidades profissionais, financiado pelo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) e pelo Fundo Africano de Desenvolvimento. A iniciativa é destinada a 340 agentes da Administração Pública.

O Executivo decidiu ainda adiar, após análise e discussão, o pacote legislativo apresentado pelo Ministério dos Transportes, Telecomunicações e Economia Digital.

No que diz respeito às nomeações, o Conselho de Ministros deu anuência para que, por despacho do Primeiro-ministro, seja efetuado o movimento de pessoal dirigente da Administração Pública.

No Ministério dos Negócios Estrangeiros, Cooperação Internacional e das Comunidades, foi nomeado Quessangue Alamara Quessangue para as funções de  Diretor-geral dos Assuntos Jurídicos e Tratados.

No Ministério das Pescas e Economia Marítima, Antonieta Khadidiatu Daramé Sanhá assume o cargo de Diretora-geral de Formação e Apoio ao Desenvolvimento, já no Ministério da Comunicação Social, Lesmes Mutna Freire Monteiro foi nomeado Diretor-geral do INACEP.

Com estas nomeações, cessam as comissões de serviço dos anteriores titulares nas respetivas funções.ANG/MI/ÂC//SG

Regiões/ Técnicos de Saúde da Região de Gabu iniciam formação sobre prevenção da corrupção no sector  

Gabu, 03 Mar 26 (ANG) – A Rede das Organizações da Sociedade Civil para a Prevenção da Corrupção, Promoção da Transparência e Integridade no Sector da Saúde iniciou,  segunda-feira, na região de Gabu, uma ação de formação sobre prevenção de corrupção no setor.

De acordo com o despacho do Correspondente da ANG na Região de Gabu,  a formação é destinada aos técnicos de saúde, jornalistas e representantes da sociedade civil.

A iniciativa, com a duração de uma semana, conta  com a participação de 40 técnicos do sistema regional de saúde de Gabu.

De acordo com a organização, as sessões estão divididas em três grupos. Na segunda e terça-feira, a formação é dirigida aos técnicos de saúde. Na quarta e quinta-feira, participam organizações da sociedade civil e representantes do poder tradicional. Já na sexta-feira e sábado, a ação será dedicada a jornalistas das rádios comunitárias de Gabu e a associações de base.

Segundo o ponto focal da Rede em Gabu, Adulai Baldé, a formação visa reforçar a capacidade dos participantes na identificação e denúncia de práticas de corrupção no sector, nomeadamente a venda ilegal de medicamentos, cobranças ilícitas, falta de transparência na gestão de fundos e o baixo nível de informação da população.

Adulai Baldé afirmou que, entre os objetivos da Rede, está o aumento do número de aderentes, maior visibilidade nos órgãos de comunicação social e a criação de multiplicadores capazes de promover a prevenção e denúncia da corrupção no sector da saúde.

No total, cerca de 120 pessoas deverão ser formadas ao longo da semana em estratégias de luta contra a corrupção.

 A formação é promovida pela Rede das Organizações da Sociedade Civil para a Prevenção da Corrupção, com financiamento do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e da ONG VIDA. ANG/SS/LPG/ÂC//SG



   Somália/CICV alerta para o risco iminente de agravamento da crise alimentar

Bissau, 03 Mar 26 (ANG) – O Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) alertou para o risco de uma grande escalada da crise humanitária na Somália, onde aproximadamente 6,5 milhões de pessoas enfrentam grave insegurança alimentar em decorrência de uma seca prolongada que está devastando os meios de subsistência em todo o país.

Após duas temporadas de chuvas insuficientes consecutivas, os temores de um retorno aos níveis catastróficos de fome observados em 2022 são elevados, afirmou a organização humanitária em um comunicado divulgado na terça-feira.

O pastoralismo, pilar da economia somali e fonte de renda para mais de 60% da população, está entrando em colapso sob o efeito de repetidos choques climáticos, com perdas massivas de gado privando famílias de alimentos e recursos e empurrando milhares de pessoas para campos de deslocados.

Em Dhusamareb, um agricultor de 61 anos afirma ter perdido 90% de suas cabras e mais de dois terços de seus camelos em menos de um ano, temendo agora que "as pessoas sigam" o mesmo destino dos animais.

Na região de Nugal, perto de Dangoroyo, uma mãe de 19 anos fugiu para um campo de deslocados internos depois que seu rebanho morreu, temendo pela sobrevivência de seus filhos.

Segundo o CICV, mais de meio milhão de pessoas foram deslocadas em 2025 devido aos efeitos combinados do conflito e da seca, particularmente nas colinas de Al-Miskat, na região de Bari, em Puntlândia, enquanto a acentuada redução do financiamento humanitário está forçando muitas organizações a diminuir seus programas de assistência alimentar, acesso à água e cuidados de saúde, mesmo com o aumento das necessidades.

Desde Novembro de 2025, o CICV relata ter fornecido assistência financeira a mais de 5.000 famílias deslocadas, apoiado o acesso à água nas regiões de Bari e Sanaag através da reabilitação de poços artesianos em cooperação com a Agência de Desenvolvimento de Água de Puntland e fornecido equipamentos eletromecânicos para a reativação de poços.

A organização também presta cuidados a crianças menores de cinco anos que sofrem de desnutrição grave no centro de estabilização que administra no Hospital Geral de Kismayo e apoia serviços nutricionais em 11 clínicas da Cruz Vermelha Somali.

Sem chuvas rápidas e um fortalecimento significativo da resposta humanitária, alerta o CICV, milhões de pessoas podem cair ainda mais em níveis de emergência alimentar. ANG/Faapa