quinta-feira, 13 de novembro de 2025


Eleições gerais
/Presidente da Plataforma Política das Mulheres defende maior inclusão feminina na vida política nacional

Bissau, 13 Nov 25 (ANG) - A Presidente da Plataforma Política das Mulheres da Guiné-Bissau, Silvina Tavares, defendeu hoje  a necessidade de uma mudança de estratégia para garantir uma participação mais efetiva das mulheres na vida política e nos espaços de decisão do país.

Em entrevista exclusiva ANG, sobre o papel das Mulheres no atual processo eleitoral em curso no país,  Tavares sublinhou que a presença feminina é fundamental para a consolidação da democracia,  promoção da igualdade de gênero e o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

“A ausência da mulher em qualquer ato torna o processo muito mais complicado, porque elas são dinamizadoras e protagonistas em qualquer sociedade. Está cientificamente provado que a presença da mulher impulsiona qualquer atividade”, afirmou.

Apesar do papel ativo das mulheres nas campanhas eleitorais, a dirigente da Plataforma lamentou que o seu esforço nem sempre seja recompensado. “As mulheres participam massivamente e redobram os seus esforços, mas, no final, não são nomeadas nem colocadas como cabeças de lista. Alegam que não têm capacidade financeira, mas há partidos que financiam candidatos homens. O mesmo deveria acontecer com as mulheres”, criticou.

Silvina Tavares defendeu  que as mulheres devem demonstrar internamente, dentro dos seus partidos, as suas competências e capacidade de liderança, para ocupar cargos de destaque.

“É preciso mudar a estratégia. As mulheres têm que mostrar que merecem estar nos lugares-chave”, frisou, lamentando que, embora representem a maioria da população, continuam a ser marginalizadas.

A líder da Plataforma Politica das Mulheres da Guiné-Bissau recordou que, após a aprovação da Lei da Paridade em 2018, o número de deputadas no parlamento nas eleições de 2019 aumentou.

“Tínhamos 11 deputadas, mas em 2023 o número reduziu. E nas eleições de 2025, o cenário é ainda mais preocupante: num total de 102 deputados, apenas uma mulher, Adja Satu Câmara Pinto é cabeça de lista”, destacou.

Tavares considerou “inadmissível” que muitas mulheres sejam colocadas como suplentes e acabam por não exercer funções diretivas.

A Presidente da Plataforma Politica das Mulheres defendeu, por isso, a revisão da Lei da Paridade, para que esta defina, claramente, a posição das mulheres nos cargos eletivos e também nas nomeações públicas e privadas.

Apesar das dificuldades, a presidente da Plataforma Política das Mulheres garantiu que a luta pela igualdade de gênero vai continuar.

“Promover a mulher é promover uma geração e uma sociedade. Tudo o que uma mulher faz, ela pensa nos seus filhos, irmãos e no país. É por isso que as mulheres devem ser colocadas nos lugares-chave, para caminhar, lado a lado, com os homens rumo ao desenvolvimento nacional”, concluiu.ANG/LPG//SG

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