EU-Mercosul/Brasil, Uruguai e Argentina aceleram ratificação do acordo
Bissau, 26 Fev 26 (ANG) - O processo de ratificação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia avançou nesta quarta-feira (25), com votações no Brasil e no Uruguai, além da antecipação, para esta quinta-feira (26), da etapa final de tramitação na Argentina.
Em Brasília, a Câmara
dos Deputados aprovou o tratado na noite de quarta-feira (25). O texto segue
agora para análise no Senado. O relator, Marcos Pereira, articulou a votação
com o vice-presidente Geraldo Alckmin e com o presidente da Câmara, Hugo Motta.
O governo deve publicar nos próximos dias um decreto com medidas de proteção ao
agronegócio, uma demanda antiga do setor, antes da apreciação pelos senadores.
A Câmara acelerou a
pauta após o nervosismo causado pelo anúncio do presidente Donald Trump de
aumentar de 10% para 15% as tarifas globais de importação dos Estados Unidos.
“Chegou a hora de o Brasil confirmar sua vocação exportadora”, afirmou o
presidente da Casa, Hugo Motta, que disse ver no país “o grande protagonista”
da implementação do acordo. A proposta foi aprovada por ampla maioria, apesar
da oposição de alguns parlamentares de esquerda.
No Uruguai, o Senado aprovou por unanimidade, na quarta, o projeto de lei
que ratifica o acordo comercial assinado em 17 de Janeiro no Paraguai,
após 25 anos de negociações. A matéria segue agora para a Câmara dos Deputados,
onde a votação final está prevista para esta quinta-feira (26).
A Argentina, que já havia se antecipado aos demais parceiros ao aprovar o texto na Câmara dos Deputados em 12 de Fevereiro, decidiu também antecipar para esta quinta-feira a votação definitiva no Senado. O governo de Javier Milei quer garantir que o país seja o primeiro a acessar as cotas de exportação de produtos agro-pecuários previstas no acordo, o que daria vantagem competitiva sobre o Brasil.
Na Europa, embora o Parlamento Europeu tenha enviado o tratado para análise do Tribunal de Justiça da União Europeia – processo que pode levar até dois anos –, o capítulo comercial pode ser aplicado provisoriamente pela Comissão Europeia. O órgão tem autoridade para avançar com a implementação interina enquanto aguarda o parecer jurídico da Corte.
Entretanto, a
tramitação continua enfrentando resistência política em vários países europeus.
França, Polónia, Irlanda e Áustria permanecem contrárias ao acordo, sobretudo
devido à forte pressão de seus agricultores, que temem a concorrência de
produtos sul-americanos mais baratos. Além do setor agrícola, representantes do
agronegócio europeu e organizações ambientalistas também manifestam críticas,
argumentando que o tratado poderia incentivar práticas consideradas
prejudiciais ao meio ambiente e à produção local.
Por outro lado,
Alemanha, Espanha e Portugal veem mais oportunidades do que perdas no
estreitamento do comércio entre os dois blocos.
O acordo prevê
redução gradual de tarifas, regras comuns para o comércio de produtos
industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios, criando uma das
maiores áreas de livre comércio do mundo, que reunirá um mercado de mais de 700
milhões de pessoas. ANG/RFI

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