Moçambique/Surto de cólera continua a crescer com mais seis mortos em 24 horas
Bissau, 02 Fev 26 (ANG) - Moçambique registou 95 novos casos de cólera e seis mortos em 24 horas, somando 55 óbitos desde o início do atual surto, em Setembro, agravando-se ainda a situação em Cabo Delgado, com novos surtos, indicam dados oficiais.
Segundo
o último boletim da doença, da Direção Nacional de Saúde Pública, com dados de
03 de Setembro a 30 de Janeiro, do total de 3.725 casos de cólera
contabilizados neste período, 1.621 foram na província de Nampula, com um
acumulado de 21 mortos, 1.481 em Tete, com 28 óbitos, e 566 em Cabo Delgado,
com seis mortos.
No
balanço anterior, até 28 de Janeiro, registavam-se 3.449 casos de cólera neste
surto, com 48 óbitos, em todo o país, sendo 135 novos doentes e 12 mortos só
nas 24 horas anteriores.
Neste
balanço é referido que no dia 30 de janeiro, além de mais seis mortos e 95
casos, a taxa letalidade nacional da doença tinhap passado para 1,5%.
O
epicentro do surto é a província de Tete, centro do país, com uma taxa de
letalidade em 1,9%, e 87 novos doentes nas 24 horas anteriores, segundo os
mesmos dados. O surto está ativo, nesta província, nos distritos de Marara,
Tsangano, Moatize, Changara, Cahora Bassa e Tete, mas também em Morrumbala,
distrito da província vizinha da Zambézia.
Contudo,
em 24 horas, em Cabo Delgado, foram notificados cinco dos seis mortos por
cólera e "declarado um novo surto nos distritos de Mecufi e
Montepuez", refere-se no boletim, além de Pemba e Metuge.
No
surto de cólera anterior, com dados da Direção Nacional de Saúde Pública de 17
de outubro de 2024 a 20 de julho de 2025, registaram-se 4.420 infetados, dos
quais 3.590 na província de Nampula, e um total de 64 mortos.
Pelo
menos 169 pessoas morreram em 2025 em Moçambique devido à cólera, entre cerca
de 40 mil casos, avançou em 10 de Dezembro último o ministro da Saúde, ao
responder a perguntas dos deputados, pedindo às comunidades respeito pelas
medidas de higiene individual e coletiva, referindo tratar-se de um problema de
saúde pública.
"Recebemos
cerca de 3,5 milhões de doses de vacinas para poder tratar e prevenir a cólera
e aqui há um aspeto que gostaria de mencionar: É que desses 169 óbitos por
cólera, cerca de 70% destes ocorreram na comunidade, o que significa que há um
problema sério de informação e comunicação ao nível das comunidades",
disse Ussene Isse.
O
Governo de Moçambique quer eliminar a cólera "como um problema de saúde
pública" no país até 2030, conforme o plano aprovado em 16 de Setembro em
Conselho de Ministros e avaliado em 31 mil milhões de meticais (418,5 milhões
de euros).
O
objetivo é "ter um Moçambique livre da cólera como um problema de saúde
pública até 2030, onde as comunidades têm acesso à água segura, saneamento e
cuidados de saúde de qualidade, alcançados através de ações multissetoriais,
coordenadas e informadas por evidências científicas", disse o porta-voz do
Governo, Inocêncio Impissa.
ANG/Inforpresss/Lusa

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