EUA/Trump defende
ataques ao Irã e sinaliza mais mortes de soldados americanos em meio à escalada
Bissau,02 Mar 26 (ANG) - No terceiro dia da operação militar conjunta dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, o conflito se estende ao Líbano e a outros países da região que abrigam bases militares americanas.
Essas localidades passaram a ser alvo de retaliações do regime islâmico
e de aliados como o Hezbollah. No domingo (1), Donald Trump tentou justificar
os ataques ao Irã, criticados por um terço dos americanos, afirmando que a
ofensiva aérea busca garantir a segurança de longo prazo dos Estados Unidos.
Trump também preparou o terreno para a possibilidade de novas mortes de militares americanos e prometeu reagir às primeiras baixas. Em entrevista ao New York Times, o presidente declarou ter “três boas opções” para direcionar o Irã, sem revelar quais seriam. Em outra entrevista, à CBS News, afirmou que os bombardeios foram eficazes e abriram espaço para a diplomacia. Segundo ele, um acordo agora seria “muito mais fácil” porque, em suas palavras, o Irã estaria sendo “duramente atingido”. O presidente classificou os ataques como “um grande dia para os Estados Unidos e para o mundo” e disse que os iranianos demonstraram interesse em dialogar.
Teerã, porém, descarta qualquer
negociação com Washington para encerrar o conflito. O chanceler Abbas Araqchi
rebateu a narrativa americana, afirmando à Al Jazeera que o Irã sempre esteve
aberto ao diálogo, mas acusou os Estados Unidos de atacarem justamente durante
negociações em andamento. Ele lembrou que, em 2015, Teerã firmou um acordo
nuclear com grandes potências globais, posteriormente abandonado por
Washington. Segundo Araqchi, esse histórico coloca em dúvida a credibilidade
dos EUA quando se trata de negociações.
O
governo americano informou que o secretário de Defesa, Pete Hegseth, e o chefe
do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine,concederão uma entrevista colectiva
nestea segunda-feira pela manhã em Washington para detalhar a operação militar
contra o Irã. A coletiva ocorrerá às 8h (10h no horário de Brasília).
Na terça-feira, Hegseth e Caine se
reunirão com parlamentares do Congresso, acompanhados do secretário de Estado
Marco Rubio e do diretor da CIA John Ratcliffe, para prestar esclarecimentos
sobre os ataques. Rubio, inclusive, cancelou uma viagem que faria a Israel
nesta semana devido à escalada do conflito.
Além dos protestos contrários à ação
militar americana, ocorreram manifestações em apoio à ofensiva e à morte do
líder supremo do Irã. No sábado, iranianos-americanos foram às ruas em cidades
como Los Angeles e Nova York para celebrar a morte do aiatolá Ali Khamenei,
atribuída a ataques conduzidos pelos Estados Unidos e por Israel. Para parte da
diáspora iraniana, o episódio representa um momento histórico que pode abrir
caminho para uma mudança profunda no regime em Teerã.
Em Los Angeles, manifestantes exibiram
bandeiras da era monárquica, cartazes agradecendo Donald Trump e slogans
pedindo a libertação do Irã. Em Nova York, centenas se reuniram perto da sede
da ONU e marcharam até a Times Square. Muitos relataram emoção e esperança de
que a morte do líder supremo marque o início de uma nova fase política no país.
O governo britânico confirmou no domingo
que autorizou os Estados Unidos a utilizarem bases militares do Reino Unido
para ações de defesa contra o Irã. O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro
Keir Starmer, que afirmou que a medida busca impedir o lançamento de mísseis
iranianos, proteger civis e evitar riscos a vidas britânicas e de países não
diretamente envolvidos no conflito.
Pouco depois, o Ministério da Defesa do
Reino Unido informou que um drone suspeito atingiu a base aérea de RAF
Akrotiri, no Chipre, principal centro de operações britânico na região. Não
houve vítimas. O secretário da Defesa, John Healey, declarou que mísseis
balísticos teriam sido disparados em direção ao Chipre, informação negada pelo
governo cipriota.
O
impacto mais imediato ocorreu no mercado de petróleo. Diante do temor de
interrupções no Estreito de Hormuz — rota de cerca de um quinto do petróleo
comercializado globalmente — o barril do Brent chegou a subir 13%,
ultrapassando US$ 82, o maior nível em mais de um ano.
A tensão também atingiu os mercados financeiros. As bolsas asiáticas abriram em queda nesta segunda-feira, com investidores reagindo ao risco de um conflito prolongado no Oriente Médio, após Trump declarar que os ataques podem continuar por semanas. ANG/RFI

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