Israel/Exército inicia operação terrestre no Líbano e mantém bombardeios em Teerã
Bissau, 16 Mar 26 (ANG) - O Exército israelense anunciou nesta segunda-feira (16) que lançou “operações terrestres limitadas e direcionadas” contra redutos do movimento pró-Irã Hezbollah no Líbano.
O objetivo é “reforçar a zona de defesa avançada” ao
longo da fronteira entre o norte de Israel e o sul do país.
Segundo comunicado, as ações “fazem parte de esforços para
estabelecer e fortalecer uma postura defensiva avançada, que incluem o desmonte
da infraestrutura terrorista e a eliminação de terroristas que operam na área”.
A meta é “trazer mais segurança para os habitantes do norte de Israel”,
acrescenta o texto.
Antes da entrada de seus
soldados na região, o Exército israelense informou ter realizado ataques aéreos
e de artilharia contra vários alvos terroristas. O Líbano entrouna guerra no
Oriente Médio em 2 de Março, após o ataque do Hezbollah contra Israel, em
resposta ao assassinato do guia supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei. O
líder morreu em 28 de Fevereiro após um ataqueisraelense em Teerã.
Israel respondeu
com bombaideios aéreos massivos no Líbano, que já deixaram cerca de 850
mortos. Mais de 830 mil pessoas foram deslocadas, e 130 mil ficaram
desabrigadas, segundo autoridades do país. No conflito anterior entre Israel e
Hezbollah, em 2023 e 2024, 60 mil habitantes do norte de Israel foram
deslocados pelos combates.
Neste domingo (15), um bombardeio israelense matou um dirigente
do Hamas palestino no sul do Líbano, segundo o movimento, aliado ao Hezbollah
libanês. O grupo afirma ter atingido uma base aérea no centro de Israel com um
“míssil sofisticado”.
O Exército israelense voltou a bombardear, na noite de domingo,
a periferia sul de Beirute, depois de emitir pela manhã uma ordem de retirada
em vários bairros da região. No sul do país, capacetes azuis foram alvos de disparos,
informou a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Finul), dois dias após
ataques israelenses contra outra base.
Nesta segunda-feira, Israel também
continuou bombardeando Teerã, onde novas explosões foram ouvidas ao meio-dia,
após vários ataques noturnos. Os bombardeios contra depósitos de combustível na
capital “violam o direito internacional e constituem um ecocídio”, denunciou o
ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi.
Em resposta, o Irã mantém ataques contra
bases militares e interesses económicos dos Estados Unidos em países vizinhos
do Golfo, além de infraestruturas civis como aeroportos, portos e instalações
petrolíferas.
Nos Emirados Árabes Unidos, o aeroporto
de Dubai — um dos principais centros do tráfego aéreo mundial — reabriu após
suspender por várias horas suas operações devido a um ataque com drone e ao
incêndio de um tanque de combustível. Outro ataque com drone provocou um
incêndio na zona industrial petrolífera de Fujairah, localizada na costa do Golfo
de Omã, além do Estreito de Ormuz.
A Arábia Saudita afirmou ter
interceptado nesta segunda-feira 61 drones no leste do país. Os preços do
petróleo, que dispararam desde o início da guerra, mostram sinais de
estabilização, em torno de 100 dólares o barril.
Os países-membros da Agência
Internacional de Energia (AIE) decidiram na semana passada liberar 400 milhões
de barris de suas reservas estratégicas — uma medida sem precedentes em 50 anos
de existência da instituição. Nesta segunda-feira, o Japão, que depende do
Oriente Médio para 95% de suas importações de petróleo, começou a usar parte de
suas reservas, entre as maiores do mundo, liberando o equivalente a 15 dias de
consumo nacional.
Em
entrevista ao Financial Times,Donald Trump pediu que a Otan,
assim como Pequim, envie navios de guerra ao Estreito de Ormuz, por onde
transita um quinto do tráfego mundial de petróleo e gás liquefeito.
“É perfeitamente normal que aqueles que
se beneficiam desse estreito contribuam para garantir que nada de grave aconteça
ali”, declarou o presidente, que havia prometido que a Marinha americana
começaria “muito em breve” a escoltar petroleiros na região. Em tom de ameaça,
ele previu “consequências muito ruins para o futuro da Otan” caso os países da
aliança se recusassem a "obedecer".
O presidente americano também ameaçou
adiar uma viagem à China, prevista para 31 de março a 2 de abril, se Pequim
relutasse em se envolver, destacando que o país “importa 90% de seu petróleo
via o estreito”. Pequim afirmou permanecer “em comunicação” com Washington
sobre a visita de Trump, mas sem mencionar o tema. Japão e Austrália
descartaram qualquer envio de navios.
Donald
Trump disse ainda estar discutindo com o Irã um possível fim da gerra . “Não acho que eles estejam totalmente
prontos, embora já não estejam tão longe disso”, afirmou à imprensa na noite de
domingo. Segundo ele, o país foi “dizimado” após duas semanas de bombardeios.
Teerã não confirmou negociações.
Neste domingo, o presidente francês
Emmanuel Macron disse que conversou com o iraniano Massoud Pezeshkian e pediu
que Teerã “ponha fim imediatamente” a seus “ataques inaceitáveis”, diretos ou
realizados por milícias aliadas, contra países da região.
“A escalada descontrolada à qual estamos
assistindo mergulha toda a região em um caos com consequências graves, hoje e
nos anos que virão”, escreveu o presidente francês no X. Ele acrescentou ter
solicitado também que o Irã restabeleça o mais rápido possível a liberdade de
navegação no estreito de Ormuz. ANG/RFI/ com agências

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