Médio Oriente/Irã segue retaliando e expandindo a guerra para países do Golfo
Bissau, 17 Mar 26(ANG) - O lançamento de drones e mísseis
causou mais mortes e destruição nesta terça-feira (17) na região.
A guerra já
está na terceira semana e não há qualquer indício de que vá terminar nos
próximos dias. Neste décimo oitavo dia de confronto no Oriente Médio, a
embaixada dos Estados Unidos em Bagdá, no Iraque, foi novamente atingida por
mísseis e drones.
De acordo com fontes de segurança
iraquianas, o ataque foi o mais intenso desde o início da guerra. Apesar da
destruição, dois oficiais dos Estados Unidos afirmaram que não houve feridos.
Em Abu Dhabi, destroços de um míssil
balístico que foi interceptado caíram no distrito de Bani Yas e mataram um
paquistanês. Ainda nos Emirados Árabes Unidos, um incêndio causado por um
ataque de drones atingiu um grande campo de gás de Shah, administrado por
uma joint venture entre a Abu Dhabi National Oil Company e a
Occidental Petroleum. De acordo com autoridades locais, ninguém se feriu.
Uma instalação petrolífera em Fujairah,
importante terminal de exportações de petróleo dos Emirados Árabes Unidos, foi
atingida pelo segundo dia consecutivo por drones lançados pelo Irã, que também
demonstrou mais uma vez a capacidade de lançar mísseis de longo alcance. Um
ataque iraniano obrigou o fechamento por algumas horas do espaço aéreo dos
Emirados Árabes Unidos, rota de diversas linhas aéreas.
A agência de notícias iraniana Tasnim
informou que dez estrangeiros foram presos pelo serviço de inteligência da
Guarda Revolucionária iraniana. O grupo é acusado de coletar informações
sobre locais estratégicos e também de preparar operações em campo no nordeste
do Irã. A agência Tasnim não revelou as nacionalidades dos presos.
Nesta terça, Israel promoveu novos
ataques contra o sul do Líbano e Teerã. O ministro da Defesa de Israel,
Israel Katz, anunciou a eliminação de Ali Larijani, um dos dirigentes mais
influentes do Irã, e do general Gholamreza Soleimani, comandante da milícia
Basij, em ataques aéreos realizados durante a madrugada em território iraniano.
As
Forças de Defesa de Israel (IDF) revelaram que continuam a realizar incursões
“limitadas e direcionadas” no sul do Líbano. Estas ações, segundo a IDF, são
parte do reforço de suas operações terrestres contra o Hezbollah.
As autoridades libanesas informaram que
quase um milhão de pessoas já foram deslocadas desde o início do conflito na
região. Já o governo israelense alertou que esse deslocamento forçado não
terminará até que a segurança dos cidadãos israelenses seja garantida.
No Catar, o Ministério do Interior
informou que os destroços de um míssil interceptado provocaram um incêndio numa
zona industrial sem deixar feridos.
Diante da continuidade do conflito no
Oriente Médio, o Estreito de Ormuz permanece parcialmente bloqueado. O Irã, que
controla o tráfego no canal, tem deixado passar navios de países aliados. Esta
importante via marítima é utilizada as exportações de 20% do petróleo e gás
natural liquefeito que abastece o mundo.
A consequência da interrupção de boa
parte do tráfego de petroleiros provoca alta nos preços do petróleo, que chegou
à marca de US$ 104 por barril.
Em entrevista ao jornal britânico Financial
Times, o chefe da Organização Marítima Internacional (IMO), Arsenio
Dominguez, afirmou que a escolta naval no Estreito de Ormuz não garante “100%
da segurança” dos navios. Segundo Dominguez, o apoio militar “não é uma solução
viável” para desbloquear o canal. A IMO também teme que navios fundeados no
Golfo fiquem sem alimentos e demais suprimentos para as tripulações.
O presidente dos Estados Unidos, Donald
Trump, foi alertado pelo serviço de inteligência de que atacar o Irã poderia
provocar uma retaliação de Teerã contra seus aliados no Golfo. A informação foi
revelada por um funcionário e duas fontes familiarizadas com relatórios de
inteligência dos EUA. De acordo com essas fontes, a resposta de Teerã não era
esperada pelo governo, mas relatórios preparados pelos serviços de inteligência
antes do início da guerra observaram que tais ataques iranianos “estavam entre
as principais consequências potenciais”.
Donald Trump afirmou que os ataques
retaliatórios de Teerã contra o Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos
foram uma surpresa. “Os iranianos não deveriam ter atacado todos esses outros
países do Oriente Médio”, declarou o presidente. “Ninguém esperava por isso.
Ficamos chocados”, completou.
Para justificar sua intervenção militar, o líder dos Estados Unidos citou o perigo de o Irã adquirir um míssil capaz de atingir o território americano e de Teerã desenvolver uma arma nuclear dentro de duas a quatro semanas. As alegações feitas por Trump não foram corroboradas pelos relatórios de inteligência dos EUA. ANG/RFI/Com agências internacionais

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