Congo/ Apelo para melhor alinhar políticas públicas à criação de empregos para jovens africanos
Bissau, 29 Mai 26 (ANG) – Autoridades institucionais e especialistas internacionais destacaram na quinta-feira, em Brazzaville, a necessidade de melhor alinhar políticas públicas, investimentos e necessidades do mercado de trabalho para transformar o dividendo demográfico africano em um motor de crescimento e geração de empregos.
Em um evento de compartilhamento de
conhecimento realizado sob o tema "Aproveitando o Dividendo Demográfico da
África para uma Transformação Económica Acelerada", à margem das Reuniões
Anuais de 2026 do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), esses funcionários e
especialistas enfatizaram a urgência de se adotar abordagens integradas para
emprego, treinamento e investimento.
Nesse sentido, a Ministra das Finanças
da Namíbia, Ericah Shafudah, defendeu uma maior coerência entre as políticas,
as ações e os orçamentos públicos para transformar o potencial da juventude
africana em oportunidades concretas de emprego.
Ela considerou imprescindível vincular
os quadros orçamentais do governo a indicadores relacionados ao emprego, às
competências e ao desenvolvimento de pequenas e médias empresas (PMEs).
Por sua vez, Federica Diamanti,
Vice-Presidente Associada do Departamento de Relações Externas do Fundo
Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA), indicou que a juventude
constitui "o recurso mais importante e poderoso" do continente,
observando, porém, que os sistemas económicos atuais não criam empregos
suficientes na escala necessária.
A Sra. Diamanti defendeu, a este
respeito, que se vá além da simples produção agrícola, investindo mais em
infraestrutura, energia, armazenamento e processamento local, ao mesmo tempo
que se fortalecem as parcerias com o setor privado.
Ela também enfatizou a necessidade de
dar atenção especial às mulheres e meninas, que enfrentam maiores barreiras no
acesso ao emprego e às oportunidades económicas.
Por sua vez, a representante do
Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS) para a República
Democrática do Congo (RDC), a República do Congo, o Burundi e Ruanda, Mouna El
Jaouhari, destacou a existência de lacunas significativas em infraestrutura e
conectividade, bem como uma discrepância entre as habilidades disponíveis e as
necessidades do mercado de trabalho, o que limita o potencial do setor privado.
Segundo ela, os projetos de
desenvolvimento devem ser concebidos mais em torno das necessidades dos jovens,
com indicadores precisos para medir sua integração em grandes programas de
investimento.
O economista-chefe da Organização
Internacional do Trabalho, Sangheon Lee, defendeu que a questão do emprego seja
colocada no centro das estratégias económicas e que os vínculos entre capital
humano, transformação produtiva, industrialização e digitalização sejam
fortalecidos.
Ele enfatizou a importância de
fortalecer as instituições do mercado de trabalho e os mecanismos de proteção
social, especialmente em benefício das mulheres jovens.
As Reuniões Anuais do AfDB de 2026 estão
sendo realizadas até 29 de Maio, sob o tema "Mobilizando recursos em larga
escala para financiar o desenvolvimento da África em um mundo
fragmentado". ANG/Faapa

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