Mianmar /Parlamento aprova pena de morte para chefes de redes de golpes online
Bissau, 29 Jul 26 (ANG) - O Parlamento de Mianmar aprovou na terça-feira (28) um projeto de lei que estabelece punições mais severas, entre elas a pena de morte, para criminosos que utilizam mão de obra forçada em centros de golpes online, uma indústria clandestina amplamente disseminada na região.
O chamado "projeto de lei contra
fraudes online" foi aprovado após parlamentares validarem emendas
discutidas entre as duas casas legislativas, anunciou ao vivo pela televisão o
presidente do Parlamento, Aung Lin Dwe.
A
guerra civil desencadeada pelo golpe militar de 2021 mergulhou Mianmar em
uma instabilidade que favoreceu o crescimento do crime organizado, abrigado em
complexos fortificados.
O Sudeste Asiático, especialmente
Mianmar e Camboja, tornou-se um dos principais polos dessa indústria criminosa.
Sob pressão de países como Estados Unidos, Reino Unido e China, os governos da
região afirmam querer intensificar o combate a essas redes.
Ao longo do último ano, várias pessoas
suspeitas de comandar esquemas de fraude foram extraditadas do Camboja para a
China.
Segundo um relatório das Nações Unidas,
vítimas de golpes virtuais no Leste e Sudeste Asiático, além da Austrália e da
Nova Zelândia, perderam até US$ 114,1 bilhões no ano passado, o triplo do valor
registado em 2023.
Em
Mianmar, onde a junta militar derrubou o governo eleito de Aung San Suu
Kyi em fevereiro de 2021, um projeto de lei divulgado em maio previa penas que
variam de dez anos de prisão à prisão perpétua para crimes como violência,
tortura, prisão ilegal e tratamento cruel contra pessoas forçadas a participar
de esquemas de fraude online.
O texto também determinava que, se essas práticas resultarem na morte da vítima, a pena aplicada será a de morte. O deputado Aye Chan confirmou à AFP que a pena de morte foi mantida na versão final da lei aprovada pelo Parlamento.
O
projeto prevê ainda pena máxima de prisão perpétua para pessoas que operem
centros de golpes online ou que promovam fraudes envolvendo criptomoedas .
"Não houve mudanças significativas
após as discussões entre a Câmara Baixa e a Câmara Alta. Os elementos
essenciais do texto permaneceram inalterados", afirmou Aye Chan.
Trata-se da primeira medida importante
do novo governo formado após um processo eleitoral criticado internacionalmente
como uma tentativa da junta militar de prolongar seu poder sob uma aparência de
governo civil.
Os
candidatos pró-militares obtiveram ampla vitória nas eleições realizadas em Janeiro.
Aung San Suu Kyi, vencedora do Prémio Nobel da Paz e atualmente presa, não
pôde participar do pleito, nem seu partido.
Amplamente criticadas por países ocidentais e organizações de defesa da democracia, as eleições foram classificadas por opositores como uma encenação destinada a melhorar a imagem da junta militar. Em abril, o ex-chefe da junta, Min Aung Hlaing, assumiu a Presidência do país. ANG/RFI/AFP

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