Brasil/ Governo acusa EUA de escalada hostil após revogação de visto de embaixadora em Washington
Brasília,
05 Ago 26(ANG) – O Governo brasileiro repudiou na terça-feira, a decisão dos
Estados Unidos de revogarem o visto da embaixadora do Brasil em Washington,
Maria Luiza Ribeiro Viotti, classificando como "falsas" as
justificações apresentadas.
O
Palácio do Planalto sustentou ainda que a decisão "faz parte de uma
escalada deliberada de medidas hostis ao Brasil", motivadas por
"razões ideológicas incompatíveis com uma parceria bilateral"
historicamente pautada pelo respeito mútuo.
“Fica
óbvio também o interesse descabido de interferir na próxima eleição para
presidente”, informa o comunicado.
O
Governo brasileiro acrescentou que o processo de concessão do aprovação é
confidencial, recordando que os EUA divulgaram publicamente o nome do seu
candidato à embaixada em Brasília, Daniel Perez, antes de apresentarem
formalmente o pedido ao Brasil.
Brasília
acrescentou na nota que segue "estritamente o direito internacional"
e sublinhou que a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas não estabelece
qualquer prazo para a concessão da aprovação, indicando que o pedido
norte-americano continua em análise.
O
Departamento de Estado norte-americano anunciou na terça-feira a revogação do
visto da embaixadora do Brasil em Washington e sinalizou que a medida pode
ser revertida caso o Brasil conceda o aval diplomático para que o indicado do
Presidente Donald Trump assuma a embaixada dos EUA em Brasília.
Daniel
Perez foi indicado para o cargo em junho deste ano, sendo que a sua aprovação
ainda não foi referendada pelo Congresso norte-americano.
A
revogação do visto da embaixadora brasileira não significa a expulsão de Maria
Luiza Ribeiro Viotti dos Estados Unidos, segundo esclareceu anteriormente o
Departamento de Estado.
Washington
indicou que adotou a medida contra a embaixadora após autoridades brasileiras
sinalizarem que apenas concederiam a aprovação de Daniel Perez depois das
eleições gerais brasileiras, o que considerou inaceitável.
O
Departamento de Estado referiu ainda ter agido com reciprocidade por Brasília
negar vistos a dois diplomatas norte-americanos há duas semanas, alegando que a
visita poderia ser utilizada para descredibilizar o sistema eleitoral
brasileiro.
Sobre
este ponto, o Governo brasileiro acrescentou que os dois funcionários
pretendiam visitar o país para "colocar em dúvida a integridade do sistema
eleitoral brasileiro", classificando a iniciativa como uma tentativa
"inaceitável de interferir no processo político nacional".
O
Planalto recordou também que continuam em vigor sanções individuais impostas
pelos EUA a autoridades brasileiras, incluindo o cancelamento de vistos de
juízes do Supremo Tribunal Federal e membros do primeiro escalão do Executivo.
Segundo
a nota, o Presidente Lula da Silva pediu diretamente ao Presidente Donald
Trump, durante a visita a Washington em maio, o levantamento dessas sanções.
“A
decisão de hoje [terça-feira] não é um fato isolado. Faz parte de uma escalada
deliberada de medidas hostis ao Brasil, motivadas por razões ideológicas
incompatíveis com uma parceria bilateral que sempre foi pautada pelo respeito
mútuo”, informa Brasília.
“Em
linha com sua tradição diplomática, o Governo brasileiro opõe-se à lógica de
confrontação e reitera a defesa do diálogo e da negociação em todas as suas
relações internacionais”, conclui o comunicado do Palácio do Planalto.
A
Casa Branca e o Palácio do Planalto vivem tensões diplomáticas desde o ano
passado, quando Trump anunciou a imposição das primeiras tarifas alfandegárias
ao Brasil. Em julho, Washington aplicou novas sobretaxas a produtos
brasileiros.
No
mês passado, os EUA decidiram também prolongar por um ano o estado de
emergência para o Brasil, classificando o Governo brasileiro como uma ameaça
"incomum e extraordinária" à segurança nacional, à política externa e
à economia norte-americana.
Washington
classificou ainda recentemente como organizações terroristas globais as duas
maiores fações criminosas do país sul-americano, o Primeiro Comando da Capital
(PCC) e o Comando Vermelho (CV). ANG/Inforpress/Lusa

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