Líbano/Sul devastado por incêndios e moradores da região acusam Israel de queimadas deliberadas
Bissau, 26 Ago 26 (ANG) - Enquanto o Exército israelense continua realizando ataques diários no sul do Líbano – os bombardeios do fim de semana deixaram 11 mortos, entre eles crianças –, a região também vem sendo devastada por numerosos incêndios.
Moradores, ONGs
e integrantes da Defesa Civil acusam Israel de ser responsável pelas queimadas
e de adotar uma estratégia de destruição sistemática.
No
início desta semana, o Exército israelense bombardeou cerca de dez localidades,
na segunda-feira (17), entre elas o vilarejo de Kfar Remmane, nos arredores de
Nabatiyeh. Os ataques provocaram grandes incêndios, registrados pela ONG
ambiental Green Southerners e por vários veículos de comunicação locais.
O vilarejo fronteiriço de Yaroun também
foi atingido por grandes incêndios há algumas semanas. Segundo moradores, o
Exército israelense teria provocado deliberadamente as queimadas depois de
destruir praticamente toda a localidade: casas, locais de culto e sítios
arqueológicos.
O prefeito, Hafez Ghasham, acompanha a
situação por imagens de satélite. Segundo ele, não restou praticamente nada. As
árvores que haviam sobrevivido foram queimadas, incluindo oliveiras e árvores
frutíferas. Para o prefeito, a destruição busca transformar a região em uma
terra “imprópria para a vida”, apagando os vestígios da população que vivia
ali.
Segundo Hussein Fakih, chefe da Defesa
Civil de Nabatiyeh, 90% dos incêndios são provocados pelo Exército israelense.
Em áreas ocupadas, as equipes de emergência precisam obter autorização do
mecanismo responsável pela supervisão do cessar-fogo – e, portanto, da própria
parte israelense – para poder atuar.
Essa autorização, segundo Fakih, às
vezes não é concedida ou demora várias horas, quando o fogo já se espalhou.
Mesmo quando conseguem chegar ao local, os bombeiros podem ser obrigados a
abandonar a área por causa de novos ataques.
“Às vezes ocorrem bombardeios em áreas
próximas aos bombeiros para obrigá-los a deixar o local e impedir que avancem”,
denunciou. Segundo ele, também são registados disparos e lançamento de bombas
sonoras nas proximidades das equipes de emergência.
Em Kfarchouba, vilarejo de maioria
sunita situado oficialmente na fronteira da área ocupada, moradores relataram
um incêndio de grande intensidade que atingiu a parte norte da localidade no
início do mês. Vários hectares de carvalhos foram destruídos depois que
munições israelenses teriam provocado as queimadas.
Os moradores também denunciam a
destruição de terras agrícolas. A agricultora Ferial Abdel Aal afirma que
possuía uma área com 120 oliveiras, todas arrancadas durante o conflito.
“Com esta guerra, que já dura um ano e
meio, eu tinha uma parcela de terra onde havia 120 oliveiras. Israel as
arrancou, todas elas”, afirmou.
Entre
incêndios e destruição, mais de 50 hectares de terras foram devastados por
ações atribuídas ao Exército israelense no sul do Líbano, segundo as
informações reunidas pela reportagem.
O
governo libanês, moradores e organizações ambientais acusam Israel de adotar
uma 'política de terra arrasada', método de guerra que visa destruir tudo
em um território, inclusive recursos naturais, e esperam que o país seja
responsabilizado pelos danos ambientais.
Procurado pela RFI, o
Exército israelense não respondeu às acusações.
A ministra libanesa do Meio Ambiente,
Tamara el-Zein, afirmou em meados de agosto que Israel teria queimado
deliberadamente mais de 16 mil hectares de terras no Líbano desde Outubro de
2023. Segundo ela, foram 8 mil hectares entre 2023 e 2024 e outros 8 mil entre
Março e julho de 2026. A estimativa inclui florestas, áreas arborizadas, terras
agrícolas e plantações de oliveiras.
ANG/RFI
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