RDC/ OMS pede reforço no combate ao ébola
Bissau, 05 Ago 26 (ANG) - A Organização Mundial da Saúde (OMS) pediu terça-feira (4) um aumento da ajuda da comunidade internacional em todos os níveis para combater a epidemia de ebola na República Democrática do Congo (RDC).
A doença está se propagando mais rapidamente do que a
resposta sanitária. De acordo com um estudo recente divulgado pela
revista Science, o surto pode ter começado quatro meses antes de
quando foi detectado.
Declarada
oficialmente em 15 de Maio — após um atraso de várias semanas —, a epidemia
atual é causada pela variante Bundibugyo, para a qual não existe nem
vacina nem tratamento no momento.
Pelo menos três imunizantes, um deles descrito pela OMS como o “mais promissor”, estão em desenvolvimento por diferentes laboratórios.
Este é o maior surto de ebola já registrado na RDC. A doença afeta regiões onde a presença do Estado é frágil e a infraestrutura de saúde é extremamente precária. "Infelizmente, a epidemia continua a se espalhar a um ritmo que supera as capacidades de resposta", disse o porta-voz da OMS, Tarik Jasarevic, durante uma coletiva de imprensa em Genebra.
"Precisamos de mais apoio
financeiro, bem como de outros recursos para fortalecer todos os aspectos da
resposta: capacidades de tratamento, equipes de investigação em campo, equipes
de sepultamento seguro e agentes comunitários de saúde", explicou ele.
No total, foram registados 3.802
casos confirmados e 1.707 mortes na RDC. A doença é transmitida pelo contato
com fluidos corporais e causa febre hemorrágica.
Nos
últimos dois meses, epidemia em curso se espalhou para cinco províncias
(Ituri, Kivu do Norte, Kivu do Sul, Haut-Uélé e Tshopo). No entanto, 87% dos
casos foram registados em Ituri.
Quando
o surto foi declarado oficialmente em 15 de Maio, as autoridades já haviam
notado um atraso na detecção da doença. Agora, um relatório de uma investigação
científica divulgado pela revista Science levanta a hipótese
de que os primeiros casos ocorreram ainda em Janeiro.
Três pesquisadores passaram quase um mês em Mongbwalu. Foi nessa cidade mineira, localizada a cerca de 80 quilómetros de Bunia, que a epidemia surgiu. Os cientistas conduziram uma investigação, e suas conclusões preliminares apontam para prováveis casos que remontam a Janeiro.
A hipótese deles concentra-se em um
morador de uma área rural que viajou para Mongbwalu em busca de tratamento
médico, levando o vírus consigo; inicialmente, a doença afetou os arredores da
cidade. Consequentemente, quando as autoridades identificaram oficialmente o
ébola em Maio, uma "epidemia generalizada e em expansão" já estava em
curso.
A investigação também levou à descoberta
de um caso específico: uma mulher de 50 anos que morreu em 25 de Janeiro após
vomitar sangue. Posteriormente, vários membros de sua família e de seu círculo
social adoeceram.
Para os autores do relatório, surge uma
questão crucial: como a doença passou despercebida por tanto tempo? Vários
fatores são citados: uma cultura de sigilo, crenças místicas, a consideração de
outras possíveis doenças e sintomas atípicos que não despertaram alertas entre
os profissionais de saúde.
Nesta terça-feira, Jean Kaseya, chefe do
África CDC (Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças), é esperado
em Bunia para se reunir com as equipes de resposta. ANG/Faapa
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