Bélgica/Chefe da UE convida o Canadá a ser 'membro associado' e busca proibir redes sociais para menores de 13 anos
Bissau, 17 Set 26 (ANG) - A presidente da Comissão Europeia, Ursula von
der Leyen, propôs que o Canadá se torne o primeiro "membro associado"
da União Europeia, em seu discurso sobre o Estado da União, proferido na
terça-feira (16), na presença do primeiro-ministro canadense, Mark Carney.
Ela também anunciou propostas para proteger crianças e
adolescentes no ambiente digital, incluindo a proibição do uso de redes sociais
por menores de 13 anos.
Em seu discurso, a presidente da Comissão Europeia apresentou
medidas para mitigar os efeitos da crise climática, após um período de calor
recorde no continente, além de propostas para garantir a segurança de menores
nas redes e ouras questões ligadas à defesa.
Mas uma ideia se destacou: o convite para o Canadá se tornar o
primeiro Estado associado do bloco. O objetivo, ao anunciar uma nova parceria
com o país, é colaborar em projetos-chave nas áreas de tecnologia e economia,
além de iniciativas relacionadas ao Ártico e ao acesso a matérias-primas.
"Gostaria de trabalhar com o senhor para abrir as portas
para que o Canadá seja o primeiro membro associado da UE", declarou Von
der Leyen, diante do primeiro-ministro canadense, provocando uma ovação de pé
no plenário.
Canadá e UE estreitaram os vínculos nos últimos meses, em
resposta à crescente hostilidade do presidente dos Estados Unidos, Donald
Trump, em relação àqueles que costumavam ser seus aliados tradicionais.
O status de membro associado não está juridicamente definido
pelos tratados da UE. No entanto, a Alemanha propôs essa condição para a
Ucrânia e sugeriu que ela permitiria a participação em reuniões e cúpulas
europeias, embora sem direito a voto.
Carney foi o primeiro chefe de governo estrangeiro a assistir a
um discurso sobre o Estado da União do bloco. Ele também deve discursar na quinta-feira
diante dos eurodeputados, no Parlamento Europeu, em Estrasburgo.
Além disso, foi proposto
um novo Conselho Europeu de Segurança para tratar de questões de defesa com o
Canadá,a Ucrânia, o Reino Unido e a Noruega, visando reforçara segurança no continente
diante das ameaças da Rússia.
A proposta prevê
reuniões para consultas caso um Estado-Membro solicite, de forma semelhante ao
modelo utilizado pela OTAN.
Por fim, Von der Leyen anunciou uma
medida muito aguardada sobre o acesso de menores às redes sociais. Adolescentes
entre 13 e 15 anos só poderão utilizá-las com controle parental e por apenas
uma hora por dia.
Além disso, até os 18 anos, as
plataformas serão obrigadas a alterar seus sistemas para evitar funções
consideradas viciantes.
"Nada de redes sociais antes dos 13
anos" e "nada de contas pessoais antes dos 15 anos", declarou a
presidente do Executivo comunitário em discurso no Parlamento.
"Dessa forma, crianças entre 13 e
15 anos terão acesso apenas a minicontas, instaladas e supervisionadas pelos
pais, com funções restritas e tempo de uso limitado. E, para os jovens entre 15
e 18 anos, as plataformas serão obrigadas a adotar um design seguro",
acrescentou.
Essas medidas, que precisam ser
aprovadas no Parlamento Europeu e pelos 27 países da UE, fazem parte de um
projeto de lei europeu chamado "EU Kids Act".
Von der Leyen apresentará a proposta na
quinta-feira, o que deve abrir um novo braço de ferro com as grandes empresas
de tecnologia.
"Chegou a hora de a Europa
agir", enfatizou a chefe do Executivo europeu, lembrando que é a UE quem
dita suas próprias regras, e não as gigantes da tecnologia.
Algumas informações sobre o teor do
documento foram adiantadas pela AFP.
As restrições de idade, válidas em toda
a UE, virão acompanhadas de novas exigências para as operadoras, caso queiram
manter seus serviços acessíveis a menores de 18 anos. O descumprimento poderá acarretar
multas de até 6% do faturamento global das empresas.
Entre essas obrigações, as plataformas
deverão eliminar suas funções mais "viciantes" (como a rolagem
infinita de conteúdo e recomendações ultra-personalizadas) e verificar
sistematicamente a idade dos novos usuários.
O
sistema proposto pela Comissão Europeia parece mais flexível do que a proibição
total de redes sociais para menores de 16 anos implementada no ano passado na
Austrália, medida amplamente contornada pelos adolescentes.
Por
outro lado, ele se assemelha muito ao novo projecto de lei francês, anunciado
na segunda-feira pelo presidente Emmanuel Macron.
O novo texto francês, submetido a
Bruxelas para garantir a conformidade com o direito europeu, visa proibir o
acesso de menores de 15 anos a redes sociais que apresentem funcionalidades
nocivas, prevendo, no entanto, exceções a partir dos 13 anos.
Muitos outros países seguiram o exemplo
da Austrália e anunciaram ou implementaram restrições de acesso às redes
sociais para jovens, ou até mesmo proibições. Entre eles está o Canadá. ANG/RFI

Sem comentários:
Enviar um comentário