Guerra/ONU alerta para uso de violência sexual como arma de guerra na Ucrânia
Bissau, 22 Set 26 (ANG) - A violência sexual é mais uma das armas de guerra utilizadas na Ucrânia, e a ONU alerta para seu uso generalizado pelas forças russas nos territórios ocupados. De acordo com a organização, mais de mil vítimas foram registadas desde o início da guerra.
Segundo
dados da ONU, 1.004casos de violência sexual foram documentados entre 24 de Fevereiro
de 2022, data do início da ofensiva russa contra a Ucrânia, e o fim de Julho.
Desse total, 89% foram atribuídos ao lado russo, especialmente a integrantes das Forças Armadas, da administração penitenciária e dos serviços de segurança nacional.
Apenas 11% foram atribuídos aos ucranianos, de acordo com dados divulgados na sexta-feira (18) pela organização. O relatório da ONU se baseou em entrevistas confidenciais realizadas com centenas de vítimas de abusos, em documentos judiciais e registos oficiais.
“Esses atos ocorrem em todos os lugares
e a qualquer momento”, explica Danielle Bell, chefe da missão de monitoramento
dos direitos humanos na Ucrânia. “Desde a captura até a admissão em
centros de detenção, durante as transferências, os interrogatórios, nas celas,
nos chuveiros e até antes da libertação ou da troca de prisioneiros”,
diz.
De acordo com ela, houve relatos de
estupros, estupros coletivos, espancamentos de prisioneiros nus, choques
elétricos nos órgãos genitais, tratamentos degradantes e nudez forçada. Entre
as vítimas, ressalta, estão civis e combatentes. A vítima mais jovem desses
abusos sexuais tinha 4 anos, e a mais velha, 82.
Essas
violações também foram documentadas do lado ucraniano, mas em menor proporção e
gravidade. “São acusações graves, mas a situação é muito diferente.
Quase metade dos 112 casos que documentamos do lado ucraniano consiste, na verdade, em ameaças. Além disso, a Ucrânia nos concede acesso total aos campos de prisioneiros e aos centros de detenção”, ressalta a representante da ONU.
O número real de vítimas é provavelmente muito maior do que o registado pela agência. Os investigadores puderam entrevistar apenas cerca de 10% dos prisioneiros libertados pelos dois lados do conflito e nunca tiveram acesso ao território russo.
Esse número “representa apenas uma
pequena fração da realidade”, ressaltou Bell à imprensa. Segundo ela, os
investigadores conseguiram entrevistar apenas cerca de 10% dos prisioneiros
libertados pelos dois lados e não tiveram acesso aos territórios ucranianos
controlados pela Rússia.
Essas violências “se inserem em um
padrão alarmante de tortura, intimidação e coerção desde o início” do conflito,
alertou o Alto Comissariado.
Muitos homens que sobreviveram relataram
ter sofrido choques elétricos nos órgãos genitais com o uso de um telefone
militar de campanha da era soviética.
Um prisioneiro de guerra ucraniano
afirmou ter sido violentado com um cassetete, enquanto outro relatou ter
sofrido penetração forçada com chaves de cela, segundo o relatório.
Uma
mulher contou que um soldado russo se instalou em sua casa, em Zaporíjia, no
sul da Ucrânia, e a estuprou várias vezes por semana durante um mês.
O agressor prometia, em troca, garantir que seu marido, então detido, fosse tratado de forma mais adequada.
Quase metade das violações atribuídas às autoridades ucranianas contra prisioneiros de guerra russos ou cidadãos de países terceiros consistia em ameaças de violência sexual. ANG/RFI

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