Portugal/Presidente do Conselho Europeu e líderes do Brasil, Canadá e Quénia lançam iniciativa para reformar ONU
Bissau,
21 Set 26(ANG) – O presidente do
Conselho Europeu, os Presidentes do Brasil e do Quénia e o primeiro-ministro do
Canadá anunciaram uma iniciativa para reformar a Organização das Nações Unidas
(ONU) e outras instituições multilaterais, num artigo de opinião conjunto publicado
hoje.
"Partners
for Multilateralism" (P4M) é a iniciativa lançada num artigo conjunto de
António Costa, Lula da Silva, William Ruto e Mark Carney publicado no jornal
Financial Times.
O
multilateralismo não é idealismo, é uma necessidade, defendem, mostrando ao
longo do texto a interligação a nível mundial e defendendo que "é preciso
reforçar o sistema de cooperação, não de o substituir".
Para
sustentar a sua posição, contrapõem a crescente integração económica ao agravamento
das tensões geopolíticas, apresentando valores.
"O
comércio global atingiu um recorde (...) quase três quartos da humanidade estão
ligadas à internet. No entanto, a geopolítica está a andar no sentido
contrário.
Em
2025 houve 65 conflitos armados entre Estados em 35 países, o número mais alto
registado desde 1946, e os gastos militares globais aumentaram para um recorde
de 2,9 biliões de dólares" (cerca de 2,45 biliões de euros), escrevem.
Os
quatro defendem instituições mais representativas e eficazes, e propõem uma
estrutura aberta que reúna governos que divergem em várias matérias, mas
partilham os princípios da Carta das Nações Unidas.
A
necessidade de cooperação multilateral é "mais evidente do que
nunca", insistem, referindo outras áreas que entendem mostrar essa
necessidade.
"A
emergência climática está a ultrapassar até as previsões mais alarmantes. A IA
[Inteligência Artificial] está a avançar mais rápido do que a nossa capacidade
de a controlar.
As
pandemias podem espalhar-se por continentes em semanas, enquanto os choques
financeiros podem desestabilizar os mercados em horas", escrevem.
Os
promotores da iniciativa lançam um apelo a outros líderes internacionais para
se lhe juntarem "na escolha da cooperação em vez da fragmentação, da lei
em vez do poder e da responsabilidade partilhada em vez da divisão".
A
iniciativa é divulgada quando os líderes mundiais vão participar na Assembleia
Geral da ONU, esta semana, em Nova Iorque.
ANG/Inforpress/Lusa

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