Zimbabué/ Autoridades se preparam para enfrentar maior crise alimentar desde 1950
Bissau, 02 Set 26 (ANG) - O Zimbabué se
prepara para sofrer outro choque climático potencialmente severo, à medida que
o fenómeno El Niño se intensifica e pode atingir uma "intensidade
excepcional", ameaçando mergulhar o país em seu maior déficit alimentar
desde 1950, alertaram organizações humanitárias.
De acordo com o último alerta regional
de preparação, publicado em 28 de agosto, prevê-se que o fenómeno climático
persista de julho de 2026 a março de 2027, com uma probabilidade superior a 90%
de atingir uma intensidade muito elevada.
Essas previsões estão causando
preocupação entre os pequenos agricultores do Zimbábue, já que a seca prevista
deve se intensificar durante a estação chuvosa, de outubro a abril, que é o
principal período de plantio e cultivo no país.
O Escritório das Nações Unidas para a
Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), em colaboração com parceiros
regionais especializados em clima, estima em 70% a probabilidade de que o déficit
de chuvas registado entre Outubro e Dezembro seja maior do que o observado em
qualquer outro ano marcado pelo El Niño desde 1950.
Este alerta surge num momento em que o
Zimbabué continua a recuperar da devastadora seca de 2023/24, que levou o
governo a declarar estado de calamidade pública.
Embora as melhores colheitas durante a
temporada agrícola de 2025/2026 tenham trazido algum alívio, as organizações
humanitárias acreditam que ainda persistem vulnerabilidades significativas.
O OCHA classificou o Zimbabué como um
país de "grande preocupação" em seu sistema regional de monitoramento
de riscos.
Em toda a África Austral, cerca de 13,3
milhões de pessoas já enfrentam grave insegurança alimentar, alimentando os
receios de que outro grande choque climático possa pôr em risco os recentes
progressos na recuperação.
As autoridades e as organizações humanitárias
já estão implementando medidas para limitar o impacto da seca prevista.
No entanto, as organizações humanitárias
enfrentam uma lacuna significativa de financiamento, com aproximadamente 80%
das atividades de prevenção planejadas atualmente sem financiamento.
Especialistas acreditam que os próximos
dois a três meses são um período crucial para o Zimbabué e outros países da
região reforçarem suas reservas de grãos e água e implementarem medidas
preventivas.
Enquanto as comunidades rurais em todo o
país continuam a sofrer as consequências da seca anterior, as últimas previsões
do El Niño reforçam as preocupações com a segurança alimentar, a
disponibilidade de água e os meios de subsistência rurais à medida que se
aproxima a temporada agrícola de 2026/2027. ANG/Faapa

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