Tailândia/Diretora-geral do FMI diz que IA poderá transformar 40% dos empregos a nível global
Bissau, 12 Out 26(ANG) - A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, afirmou hoje, em Banguecoque, que a inteligência artificial (IA) deverá afetar cerca de 40% dos empregos no mundo, com os jovens entre os mais expostos à disrupção.
Ao
falar na abertura das Reuniões Anuais do Fundo Monetário Internacional (FMI) e
do Banco Mundial, que decorrem este ano em Banguecoque, na Tailândia, de 12 a
18 de Outubro, Banga destacou que, “nos países de baixo rendimento e de
rendimento médio inferior, a oportunidade para a pequena IA criar empregos e
aumentar a produtividade é enorme”.
Como
exemplo citou casos no seu país natal, a Índia, onde ferramentas de IA ajudam
agricultores a escolher melhores sementes, utilizar fertilizantes mais eficazes
ou obter informação mais precisa sobre condições de produção, permitindo
aumentar rendimentos e produtividade.
Banga
afirmou que a promoção dessas aplicações práticas constitui uma das prioridades
do Banco Mundial e do Conselho Global para o Emprego, um grupo criado para
analisar o impacto das transformações económicas e tecnológicas no mercado de
trabalho.
A
diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, afirmou hoje, no mesmo evento, que
a IA deverá afetar cerca de 60% dos empregos nas economias avançadas, contra
23% nos países de baixo rendimento, mas com essa diferença apenas porque a
tecnologia ainda não se difundiu plenamente por muitas economias de menor
rendimento.
Para
Banga, nos países em desenvolvimento o desafio imediato não é a “substituição
de trabalhadores por algoritmos”, mas antes garantir que a tecnologia chegue a
escolas, hospitais, explorações agrícolas e pequenas empresas, permitindo
aumentar a produtividade e criar novas oportunidades económicas.
“A
questão é particularmente relevante numa altura em que muitas economias
emergentes enfrentam o rápido crescimento da população jovem e a necessidade de
criar milhões de empregos nos próximos anos”, alertou.
Nesse
contexto, o presidente do Banco Mundial argumentou que a inteligência artificial
poderá tornar-se uma ferramenta importante para acelerar o desenvolvimento
económico, desde que seja aplicada de forma prática e acessível às necessidades
do mundo em desenvolvimento.
“A
criação de empregos deve estar no centro das estratégias de desenvolvimento,
argumentando que o crescimento económico só produz benefícios duradouros quando
é acompanhado de oportunidades de trabalho para uma população cada vez mais
jovem”, afirmou.
Segundo
Banga, os governos podem garantir acesso a educação, saúde, água potável e
formação profissional durante a infância e juventude, mas a verdadeira
integração económica depende da capacidade de encontrar trabalho e contribuir
para a sociedade.
“Quando
as pessoas crescem, precisam da oportunidade de ter um emprego e de ser uma
parte produtiva da sociedade”, disse.
Banga
sublinhou que a criação de postos de trabalho depende sobretudo do investimento
privado e não apenas da ação governamental. “O setor privado gera entre 75% e
85% dos empregos em qualquer país”, afirmou. “Os governos criam as condições, e
o setor privado cria os empregos”.
Nesse
contexto, defendeu que uma das principais funções dos governos e das
instituições de desenvolvimento é reduzir os riscos para que o capital privado
possa investir em larga escala.
A
inteligência artificial surge como uma ferramenta potencialmente importante
nesse esforço, mas Banga destacou que as prioridades dos países emergentes
diferem das das economias mais avançadas.
Ao
contrário dos debates centrados na automação de empregos de escritório e nas
capacidades dos modelos avançados de IA, Banga argumentou que muitos países em
desenvolvimento poderão beneficiar sobretudo da chamada “pequena IA” (‘small
AI’), ou seja, soluções tecnológicas mais simples e direcionadas para problemas
concretos.
“Nos
mercados emergentes, a conversa não é sobre grandes modelos de linguagem. Em
vez disso, os responsáveis políticos e económicos concentram-se em aplicações
práticas da tecnologia capazes de melhorar a produtividade em áreas essenciais,
incluindo educação, saúde e agricultura” destacou.
“A
oportunidade para criar empregos e produtividade é enorme”, concluiu. ANG/Inforpress/Lusa

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