São Tomé e Príncipe/Patrice Trovoada diz-se "disponível" para voltar ao Governo após decisão do Tribunal Constitucional
Bissau, 21 Jan 26 (ANG) - O antigo-primeiro ministro são-tomenses, Patrice Trovoada, diz-se disposto a voltar à governação do país, após o Tribunal Constitucional ter declarado que é inconstitucional a demissão do seu Governo pelo Presidente Carlos Vila Nova em Janeiro de 2025.
Perante a decisão do Tribunal Constitucional de ter considerado
a sua demissão em Janeiro de 2025 inconstitucional, o ex-primeiro-ministro de
São Tomé e Príncipe, Patrice Trovoada, diz estar "disponível" para
voltar à governação do país tendo em conta a grave situação que o arquipélago
atravessa.
“A
situação de São Tomé e Príncipe hoje é tão grave a nível económico, a nível
social, a nível até do funcionamento das instituições, que estou disponível a
assumir qualquer responsabilidade que me for atribuída pelo partido”, declarou ao antigo líder do Governo.
Trovoada considera que mesmo após um ano afastado do poder, esta
decisão é importante e “mais vale tarde que nunca”. O líder da ADI disse ainda
que se se tratou de “uma decisão ilegal", "de um golpe de Estado
palaciano", houve consequências para a população e que terá de haver
consequências.
“Quem tem que tomar as
decisões e assumir com as consequências, se é que têm a dignidade moral para o
fazer, são os responsáveis disso tudo, que é o Presidente da República, em
primeiro lugar, e o Governo que ele nomeou, o Governo da sua iniciativa, que
decorre também de uma ilegalidade e, por isso, não é legítimo”, disse em declarações à Agência Lusa.
O actual primeiro-ministro, Américo Ramos, reagiu nesta
segunda-feira ao acórdão do Tribunal Constitucional que considerou como
anti-constitucional a demissão há um ano do governo de Patrice Trovoada.
Reagindo à imprensa o chefe do executivo apelou a que fosse o próprio Tribunal
a explicar a decisão agora tornada pública, precisando porém que ela não tem
efeitos retroactivos.
“Eu acho que era
preciso ler o acórdão, que diz claramente que o efeito é para o futuro, daí que
eu não vejo espaço para essa posição neste momento”, disse Américo Ramos, questionado
pela imprensa à saída da cerimónia de tomada de posse do novo Chefe de estado
Maior das Forças Armadas, na Presidência da República.
Na segunda-feira, o Tribunal Constitucional são-tomense
declarou inconstitucional a demissão do Governo do ex-PM Patrice Trovoada,
justificando que o Decreto Presidencial de Janeiro de 2025 fundamentava a
demissão em “motivos abstractos”, como uma ”suposta crise política” ou um
“clima de desconfiança”, sem apresentar “provas ou uma
conexão clara com a ameaça ao funcionamento das instituições democráticas”,
pelo que “tal acto pode ser
considerado inconstitucional”, face à exigência da Constituição “onde determina que
as decisões dos órgãos de soberania sejam fundamentadas e proporcionais”. ANG/RFI

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