Suíça/Em Davos, o Presidente francês apela a "recusar a lei do mais forte"
Bissau, 21 jan 26 (ANG) - O Presidente francês respondeu às ameaças
de Trump de aumentar as taxas aduaneiras americanas aos países que se opõem ao
seu projecto de tomar o controlo da Gronelândia, ao discursar ,terça-feira, no
Fórum Económico Mundial em Davos, nos Alpes Suíços.
Ao defender o multilateralismo e a necessidade de a
Europa se tornar mais forte, Emmanuel Macron lançou um apelo à rejeição
"da lei do mais forte".
Ao denunciar "as
ambições imperiais que voltam à superfície", incluindo a guerra travada pela
Rússia contra a Ucrânia, bem como uma "instabilidade sem precedentes", lamentando "uma evolução para um mundo sem
regras" em
que "o direito internacional é violado e a
única lei que parece contar é o mais forte", o Presidente francês que estava a
discursar em inglês perante os participantes do Fórum, considerou que "estamos a destruir as estruturas que nos
permitem resolver a situação e os desafios comuns que enfrentamos".
"Sem governação colectiva, a cooperação deixa o lugar à competição
implacável. A concorrência dos Estados Unidos da América que exige o máximo de
concessões e visa abertamente enfraquecer e subordinar a Europa, combinada com
uma acumulação interminável de novas tarifas que são fundamentalmente
inaceitáveis, ainda mais quando são usadas como alavanca contra a soberania
territorial", disse ainda Macron
referindo-se designadamente às recentes ameaças de Donald Trump de aumentar em
10% as taxas aduaneiras aplicadas sobre os produtos de oito países que se opõem
abertamente à anexação da Gronelândia.
"Neste contexto, quero excluir duas abordagens. A primeira
abordagem seria, eu diria, aceitar passivamente a lei do mais forte, levando à
'vassalização'. A segunda abordagem seria adoptar uma postura puramente moral,
limitando-nos ao comentário", declarou ainda o
Presidente francês ao considerar que "face à brutalização do mundo, a
França e a Europa devem defender um multilateralismo eficaz, porque serve os
nossos interesses e os de todos aqueles que se recusam a submeter-se ao domínio
da força."
Ao insistir sobre a necessidade de se defender o
multilateralismo e "reter as lições da segunda guerra
mundial",
Emmanuel Macron recordou que a França assume este ano a presidência rotativa do
G7, o grupo dos sete países mais industrializados, "com uma clara ambição de restabelecer o
G7 como um fórum para um diálogo franco entre as principais economias e para
soluções colectivas e cooperativas".
"Nós acreditamos que precisamos de mais crescimento, precisamos de
mais estabilidade neste mundo. Mas nós preferimos o respeito à intimidação. Nós
preferimos a ciência à teoria da conspiração, e nós preferimos o Estado de
direito à brutalidade", concluiu o Presidente
francês cuja agenda não prevê qualquer encontro com Trump à margem do Fórum, já
que ele deixa Davos ainda esta terça-feira antes da chegada do seu homólogo
americano amanhã.
Respondendo a jornalistas, o chefe de Estado francês afastou
igualmente a hipótese de uma "reunião" do G7 nesta
quinta-feira em Paris, um encontro que tinha inicialmente proposto numa
mensagem enviada a Donald Trump.
O Presidente americano que entretanto divulgou ontem à noite estas trocas, criticou o seu interlocutor francês por recusar integrar o "Conselho da Paz" que Washington pretende criar, uma entidade que do ponto de vista francês visaria ser uma ONU paralela. ANG/RFI

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