Coreia do Norte/Para Kim Jong‑un, 'boas relações' com EUA dependem de reconhecer Coreia do Norte como potência nuclear
Bissau, 27 Fev 26 (ANG) - O líder norte‑coreano Kim
Jong‑un afirmou que Pyongyang poderia “ter boas relações” com os Estados Unidos
caso Washington reconheça o país como potência nuclear.
A informação foi divulgada nesta quinta‑feira (26)
pela mídia estatal norte-coreana.
Se Washington “respeitar
o status atual de potência nuclear do nosso país, conforme estipulado na
Constituição e abandonar sua política hostil, não há razão para que não
possamos nos dar bem com os Estados Unidos”, declarou Kim Jong‑un, segundo a
agência oficial KCNA.
Em 2021, Kim designou os EUA como o “maior inimigo” de sua nação
durante o congresso do partido, mas o presidente americano Donald Trump vem
multiplicando elogios ao líder norte‑coreano. Durante uma viagem pela Ásia no
ano passado, Trump afirmou estar “100% aberto” a um encontro com Kim Jong‑un e
chegou a admitir que a Coreia do Norte é, “de certa forma, uma potência
nuclear”.
Há especulações sobre a possibilidade de uma reunião entre ambos
à margem da visita de Trump à China, prevista para abril. Em seu primeiro mandato,
o presidente americano se encontrou três vezes com Kim Jong‑un na tentativa de
alcançar um acordo de desnuclearização, sem sucesso.
Kim passou a considerar
a vizinha Coreia do Sul como seu “pior inimigo”. No fim do 9º congresso do
Partido dos Trabalhadores, que terminou na noite de quarta‑feira (25), Kim Jong‑un
rejeitou as ofertas de diálogo de Seul, aliada de Washington em segurança.
A Coreia do Norte “não tem absolutamente nada a ver com a Coreia
do Sul, seu inimigo mais hostil, e excluirá para sempre a Coreia do Sul da
categoria de compatriotas”, afirmou Kim, segundo a KCNA. O presidente sul‑coreano
Lee Jae Myung trabalha, desde sua posse em junho, para retomar o diálogo
bilateral — até agora sem resposta do regime norte‑coreano.
Em janeiro, Pyongyang anunciou ter abatido um drone vindo do sul
perto da cidade de Kaesong, próxima da fronteira entre os dois países, e cobrou
explicações de Seul. Lee condenou o episódio, alertando que ações desse tipo
podem desencadear uma guerra entre países que nunca assinaram um tratado de paz
após o conflito de 1950–1953.
A Coreia do Norte, que possui armas nucleares, é alvo de várias
séries de sanções por seus programas militares. Pyongyang produz, inclusive,
material nuclear suficiente para montar até 20 armas atômicas por ano, segundo
estimativas da presidência sul‑coreana divulgadas em Janeiro.
Fontes diplomáticas sul‑coreanas afirmam
que o Comitê de Sanções da ONU sobre a Coreia do Norte planejava conceder
isenções para projetos de ajuda humanitária — medida que permitiria a
Washington e Seul retirar o pretexto usado por Pyongyang para evitar o diálogo,
segundo analistas.
Pyongyang alterou sua Constituição em
2024 para definir a Coreia do Sul como um “Estado hostil”, pela primeira vez. O
congresso do partido único, que ocorre tradicionalmente a cada cinco anos,
começou em 19 de fevereiro. É o evento político mais importante da Coreia do
Norte, destinado a reforçar a autoridade do regime.
Kim
Jong‑un foi reconduzido por unanimidade ao posto máximo de secretário‑geral do
partido, que dirige o país comunista desde os anos 1940. Altos oficiais do
Exército prestaram a ele “um juramento de lealdade”, segundo a agência estatal.
A influente Kim Yo Jong, irmã de Kim Jong‑un, foi promovida pelo partido
durante o congresso quinquenal, tornando‑se diretora de departamento plena — e
não mais diretora‑adjunta.ANG/RFI/Agências

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