Justiça/Ordem dos Advogados assinala 35.º aniversário com debate sobre o estado da justiça na Guiné-Bissau
Bissau, 30 Jul 26 (ANG) - A Ordem dos Advogados da Guiné-Bissau (OAGB) vai celebrar, entre os dias 6 e 8 de Agosto, o seu 35.º aniversário e o IV Dia Nacional dos Advogados, com um conjunto de atividades centradas na formação contínua da classe e reflexão sobre os desafios do sistema judicial guineense.
As
celebrações decorrerão sob o lema "Para uma Justiça Mais Próxima e
Inclusiva", tendo como tema central "Advocacia ética, moderna,
responsável e segura em defesa do cidadão e da justiça".
O programa
inclui ainda mesa-redonda sobre igualdade de género na advocacia e o papel da
advocacia no combate à violência baseada no género.
Segundo o
bastonário da Ordem dos Advogados, Januário Pedro Correia, as comemorações
deste ano pretendem conciliar a celebração da data com o cumprimento das
obrigações estatutárias de formação contínua dos advogados.
Januário
Correia apela à participação de todos os
profissionais, independentemente da experiência ou na função que desempenham,
destacando que a atualização profissional constitui um dever estatutário.
O programa
culminará, no dia 8 de Agosto, com a cerimónia solene do aniversário da
instituição e do Dia Nacional dos Advogados, de acordo com o bastonário, todos
os advogados deverão comparecer com o traje oficial, conforme determinam os
estatutos da Ordem.
Uma das
principais novidades das comemorações será a realização de um debate em formato
de podcast e mesa-redonda subordinado ao tema "Estado da Justiça".
Este ato vai
reunir representantes da sociedade civil, jornalistas, autoridades judiciais,
associações de advogados, com o objetivo de promover uma reflexão alargada
sobre os principais problemas que afetam a justiça guineense e recolher
contributos de diferentes setores da sociedade.
Durante a
apresentação do programa, o bastonário manifestou preocupação com a situação do
setor judicial, afirmando que a justiça na Guiné-Bissau atravessa um período de
profundo descrédito, marcado pela falta de independência e pela crescente
fragilidade das instituições.
Segundo o
responsável, os relatórios anuais revelam um agravamento contínuo da situação.
O dirigente
disse que os advogados continuam a assegurar assistência jurídica em todo o
território nacional, apesar da escassez de juízes e magistrados do Ministério
Público em várias regiões do país
Acrescentou
que muitos magistrados manifestam interesse em abandonar a magistratura para
exercer a advocacia, alegando falta de segurança e de condições para o
desempenho das suas funções.
O bastonário
disse que a recuperação da confiança dos cidadãos na justiça exige reformas
profundas e o respeito pela independência do poder judicial.
“O tribunal
constitui um dos pilares fundamentais do Estado de Direito. A fragilidade da
justiça compromete o equilíbrio entre os poderes e o funcionamento da
democracia. ANG/MI//SG

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