quarta-feira, 4 de junho de 2025

                 ONU/ Timor-Leste eleito 'vice' da 80º sessão da AG

Bissau, 04 Jun 25 (ANG) - Timor-Leste foi eleito como um dos vice-presidentes da 80.ª sessão da Assembleia Geral da ONU, anunciou hoje o Governo timorense, que considerou a eleição como um "feito histórico" e um marco "significativo no percurso diplomático" do país.

 

a primeira vez que Timor-Leste assume uma posição de tão alto nível na Assembleia Geral das Nações Unidas, simbolizando o reconhecimento, por parte da comunidade internacional, do compromisso do país com a paz, o diálogo e os princípios consagrados na Carta das Nações Unidas", refere, num comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros timorense.

A nova liderança do principal órgão deliberativo das Nações Unidas foi eleita na segunda-feira, com a antiga chefe da diplomacia alemã, Annalena Baerbock, a assumir a presidência.

"O Governo de Timor-Leste expressa a sua sincera gratidão a todos os estados-membros pelo voto de confiança e apoio, e felicita calorosamente a Missão Permanente de Timor-Leste junto das Nações Unidas, sob a liderança do embaixador Dionísio Babo Soares, por este sucesso diplomático", acrescenta o comunicado.

A diplomacia timorense destaca que a eleição do seu vice-presidente "reflete anos de empenho consistente e participação crescente de Timor-Leste nos principais processos internacionais".

Além de Timor-Leste, Cabo Verde também foi eleito para a vice-presidência da 80.ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas.

Os restantes países foram Andorra, Argentina, Bangladeche, República Democrática do Congo, Quénia, Líbano, Lesoto, Maldivas, Montenegro, São Cristóvão e Neves, Arábia Saudita, Tunísia e Venezuela.

A vice-presidência é ainda integrada automaticamente pelos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU.ANG/Lusa

 

   EUA/Gravidez obrigou-a deixar universidade aos 88 anos, licenciou-se

 Bissau, 04 Jun 25 (ANG) - Uma mulher de New Hampshire, Estados Unidos, que teve de deixar a universidade há mais de seis décadas por ter engravidado, conseguiu, finalmente, licenciar-se, aos 88 anos. 


Joan Alexander recebeu o diploma da Universidade do Maine no mês passado.  É agora licenciada em Ciências da Educação. 

A mulher estudava na Universidade do Maine no final da década de 1950 com o objetivo de se tornar professora - um objetivo muito perto de ser cumprido. Contudo, segundo explicou a instituição em comunicado, foi impedida de obter o seu diploma porque não lhe era permitido vir a dar aulas enquanto estava grávida e, além disso, este viria também a ser o seu primeiro filho com o marido, Jim.

"Se Alexander tivesse sido autorizada a dar aulas, teria obtido seu diploma em 1959", apontou a instituição.

Entretanto, a mais nova das quatro filhas da mulher, Tracy, decidiu ajudar a mãe e contactou a instituição para encontrar uma solução. Justin Dimmel, reitor adjunto, analisou o processo e, após uma série de conversas e pesquisas, descobriu que Joan tinha cumprido o requisito de ensino em 1980-81 - trabalhou como assistente a tempo inteiro num programa pré-escolar ao domicílio. 

Assim, a universidade reconheceu que um ano de trabalho a tempo inteiro com crianças em idade pré-escolar era comparável ao ensino de estudantes, satisfazendo assim o requisito final necessário para a obtenção do diploma. 

"Fiquei comovido com a história da Joan e fiquei entusiasmado por fazer tudo o que fosse necessário para garantir que ela fosse reconhecida pelo trabalho que fez, tanto como estudante universitária na Universidade do Maine como ao longo da sua vida", afirmou Justin Dimmel.

Mais de 60 anos depois, a 11 de maio, Joan Alexander obteve a sua licenciatura em Ciências da Educação. "Com 88 anos de idade, é provavelmente a mais velha a receber um diploma de licenciatura nos 160 anos de história da Universidade do Maine", referiu a nota.

Joan sente que "um buraco" no seu "coração foi curado". "Os meus pais não concluíram o ensino superior, pelo que isto foi importante para mim", afirmou.

Ao longo da sua vida, Joan Alexander dedicou-se a criar as quatro filhas - Bonnie, Cindy, Jessie e Tracy - e em fazer voluntariado - ajudava uma igreja, uma biblioteca local e, ocasionalmente, uma escola primária. 

Atualmente, vive em New Hampshire com o marido e uma das filhas.ANG/Lusa

 

terça-feira, 3 de junho de 2025

     Justiça/ Magistrados observam  greve de três dias nos tribunais

Bissau, 03 Jun 25(Ang) - Os tribunais estão paralisados a partir desta terça-feira e durante três dias, devido a greve decretada pelo Coletivo das Organizações Sindicais dos Magistrados Judiciais e do Ministério Público.

Citado pela Rádio Djumbai, o porta-voz da Comissão Negocial do Coletivo das Organizações Sindicais dos Magistrados Judiciais e do Ministério Público Henrique Pinhel, disse que o protesto é contra o incumprimento de acordos assinados com o Governo, incluindo a implementação do Estatuto Remuneratório aprovado em 2018 e a falta de pagamento de salários atrasados.

Pinhel disse  que a adesão à greve é quase total e que  os serviços dos tribunais estão paralisados.

Trata-se da quarta vaga de greve no setor judiciário guineense, desde o início deste ano, 2025.

Numa frente única, a Associação Sindical do Magistrados Judiciais (ASMAGUI), Associação Sindical Livre dos Magistrados do Ministério Público (ASSILMAMP) e Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SIMAMP), acusam o governo de "falta de vontade".

Os magistrados judiciais dizem na base de tudo isso, figura uma reivindicação de interesse social, frisando que "há falta de colaboração do Governo com o poder judicial" e apontam  como prova, as negociações que tiveram lugar recentemente com o Governo e que terminaram sem sucesso.

Além do pagamento de salários atrasados, os magistrados reclamam aplicação do Estatuto Remuneratório, reabertura de tribunais regionais, entre outras.

O Porta-Voz da Comissão Negocial do Coletivo das Organizações Sindicais dos Magistrados Judiciais e do Ministério Público Henrique Pinhel, afirmou que a greve dos magistrados afeta diretamente a população, com adiamentos de julgamentos e suspensão de serviços judiciais essenciais.

Há relatos de que os tribunais, Regional de Bissau e o de Família, estão desertos. ANG/Rádio Djumbai

 

Ambiente/Governo e parceiros promovem Workshop para uma “abordagem sensível” às crianças e adolescentes

Bissau, 03 Jun 25 (ANG) – O Governo, através do Ministério do Ambiente, Biodiversidade e Ação Climática (MABAC),  em parceria com o Fundo das Nações Unidas para Infância (UNICEF) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), promoveram, hoje, um Workshop Nacional, para uma “abordagem sensível” às crianças e adolescentes.

Ao presidir a cerimónia de abertura do evento, João Lona Tchedna, em representação do ministro do Ambiente, Biodiversidade e Ação Climática, disse  que o  encontro é um marco significativo no processo de construção coletiva da nova Contribuição Nacionalmente Determinada da Guiné-Bissau, a (NDC3.0), que será apresentado na COP30, em Brasília.

Lona Tchedna disse ainda que o referido encontro visa a atualização  técnica dos compromissos climáticos e  também  uma oportunidade histórica para reafirmar que nenhuma estratégia climática será verdadeiramente eficaz se não integrar a dimensão humana, e em particular, o futuro das crianças e adolescentes.

Defendeu que  o impacto das alterações climáticas sobre os mais jovens é profundo e desproporcional.

“Eles enfrentam os riscos de insegurança alimentar, doenças agravadas pelo clima, deslocamentos forçados e interrupções na educação, no entanto, raramente são ouvidos ou considerados nos processos decisórios, e é a responsabilidade do Governo corrigir esse desequilíbrio”, disse Tjedna.

João Lona Tchedná reiterou  que o  Ministério do Ambiente, Biodiversidade  e Ação Climática, com apoio dos seus parceiros de desenvolvimento, está firme e comprometido em fazer do NDC3.0 um instrumento sensível à infância, garantindo que a participação das crianças e adolescentes seja assegurada nos processos de escuta e consulta.

As ações climáticas, diz Tchedna , contemplam, explicitamente, a proteção dos direitos da criança, como a educação, saúde e o ambiente saudável e  o financiamento climático contempla  investimentos dedicados à infância, especialmente nas comunidades mais vulneráveis.

Em representação do UNICEF, Sandra Matias disse ser  com grande honra que a organização se junta ao momento de reflexão e construção coletiva  da Atualização da Contribuição Nacionalmente Determinada (CDN3.0, da Guiné-Bissau para 2025).

Felicitou  o engajamento do ministro do Ambiente, Biodiversidade e Ação Climática, por liderar o referido Workshop, que diz ser uma oportunidade única de integrar vozes influentes e não tradicionais, tais  como de professores, médicos, enfermeiros, académicos, e grupos de paz, no processo de formulação de políticas climáticas mais inclusivas e sensíveis à crianças.

“A crise climática é acima de tudo, uma crise dos direitos das crianças, as crianças e adolescentes
da Guiné-Bissau, que representam mais da metade de população deste país estão entre as mais vulneráveis aos impactos das ações climáticas, apesar de serem os que menos contribuem para as estratégias”, sublinhou Sandra Matiasp

Para aquela responsável, uma CDN3.0 sensível à crianças, não é uma opção, mas sim  uma obrigação moral e estratégica.

“Significa integrar a resiliência climática nos setores sociais, como a saúde, educação,  água, saneamento e a higiene. O UNICEF, em colaboração com o PNUD, tem um grande prazer de apoiar o Governo da Guiné-Bissau neste domínio.

Neste encontro de um dia prevê-se a apresentação do relatório  sobre o impacto das alterações climáticas sobre as crianças, debate sobre desafios, oportunidades e preparação da CDN 2025, entre outros temas. ANG/LLA/ÂC//SG      

 

Regiões/República Popular da China oferece materiais diversos e medicamentos  ao Hospital Regional de Cacheu 

Canchungo, 03 Jun 25 (ANG) - O Governo da República Popular da China ofereceu este fim-de-semana diversos materiais e medicamentos ao Hospital Regional “Buota Na Fantchamna”, de Cacheu, situado em Canchungo.

De acordo com o Correspondente da ANG na região de Cacheu,  o ministro da Saúde Pública, Pedro Tipote agradeceu, na ocasião, o gesto da República Popular da China e lançou um apelo aos médicos chineses no sentido de formarem os técnicos de saúde com a finalidade de estarem aptos para usar os equipamentos modernos que se encontram no Hospital Regional de Canchungo.

Os medicamentos doados pela China são: ceftriaxona, Cloreto de Sódio, Betadine, Bicarbonato de sódio, álcool gel e Soluto de Dakin. Também foram oferecidos  materiais hospitalares: Estetoscópio, Luvas Esteres, Máscaras e Lâmpada de Ultravioleta.

O vice-Diretor da Comissão de Saúde da Província de Sichuan, da China Li Bing garantiu que o seu país vai continuar a apoiar o povo irmão da Guiné-Bissau com o objetivo de melhorar a situação de saúde pública guineense.

“Durante os últimos 25 anos, o Governo da República Popular da China enviou para Hospital de Canchungo 13 equipas médicas que correspondem 360 médicos no total”, referiu Li Bing. ANG/AG/AALS/ÂC//SG

Regiões/Comunidade do Bairro de Quartel em Canchungo beneficia de água potável

Canchungo, 03 Jun 25 (ANG) - A Comunidade do Bairro de Quartel em Batucar, setor de Canchungo, região de Cacheu, norte do país, já dispõe  de água potável canalizada, graças ao esforço e contribuição da população local que vivia desde 2020 sem acesso à esse líquido precioso para vida humana.

De acordo com o despacho do Correspondente da ANG na região de Cacheu, a informação é do representante da Comunidade de Quartel, Lino Pereira que diz estar satisfeito com o fornecimento da água potável aos moradores dessa localidade.

Pereira pediu aos moradores para utilizarem a água potável de forma racional, e por outro lado, pede aos moradores desse Bairro  para se desfazerem do lixo que toma conta do bairro.

Os moradores do Bairro de Quartel abordados abordados pelo  correspondente da Agência de Notícias da Guiné para região de Cacheu,  expressam de forma unânime  o sentimento de alegria, e se comprometeram usar a água potável de forma correta e económica para o benefício de todos.

A Comunidade de Quartel em Batucar se depara com crise de água potável desde  2020 e por  iniciativa da comunidade local foi construído um reservatório de água para o uso diário da população. ANG/AG/AALS/ÂC//SG

 

China/ Governo vai continuar a alargar política de isenção de vistos a mais países

Bissau, 03 Jun 25 (ANG) - A China afirmou hoje que vai continuar a alargar a sua política de isenção de vistos a mais países, destacando a recente inclusão, pela primeira vez, de países da América Latina, incluindo o Brasil.


"Vamos continuar a otimizar as nossas políticas de entrada, a alargar o número de países isentos de vistos e a convidar mais amigos internacionais a experimentar os produtos, serviços e ofertas de consumo de qualidade da China", afirmou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Lin Jian, em conferência de imprensa.

Desde 01 de junho, os cidadãos do Brasil, Argentina, Chile, Peru e Uruguai podem entrar na China sem visto até 30 dias, no âmbito de uma iniciativa-piloto anunciada durante a última cimeira China - Comunidade dos Estados Latino-Americanos e das Caraíbas (CELAC).

Com a entrada em vigor, a 09 de junho, da isenção de visto para os cidadãos da Arábia Saudita, Omã, Kuwait e Barém, o número de países com acesso à China com isenção de visto aumentará para 43.

A política abrange também Portugal desde o ano passado.

Esta expansão reflete o compromisso de Pequim com uma "abertura de alto nível" e com a construção de uma "economia mundial aberta", disse Lin.

O porta-voz sublinhou que as medidas de facilitação da entrada "já estão a produzir resultados concretos": no primeiro trimestre de 2025, mais de nove milhões de estrangeiros entraram na China, um aumento de mais de 40%, em relação ao mesmo período do ano passado.

Além disso, mais de 18.000 novas empresas com investimento estrangeiro foram criadas na China entre janeiro e abril, um aumento homólogo de 12,1%, de acordo com dados oficiais citados por Lin.

Pequim acredita que estas políticas ajudarão a impulsionar o turismo, a reforçar os laços com os países parceiros e a projetar uma imagem moderna e acessível da China, após anos de restrições fronteiriças devido à pandemia da covid-19.ANG/Lusa

 

            Coreia do Sul/Candidato da oposição  vence presidenciais

Bissau, 03 Jun 25 (ANG) - O candidato da oposição Lee Jae-myung (centro-esquerda) é dado como vencedor das eleições presidenciais na Coreia do Sul, com 51,7% dos votos, segundo as projeções divulgadas após o encerramento desta votação com uma única volta.


De acordo com as sondagens à boca das urnas, Lee Jae-myung (Partido Democrata) obteve 51,7% dos votos, contra 39,3% do seu principal adversário, o conservador Kim Moon-soo (PPP, direita), informaram as três maiores emissoras de televisão sul-coreanas.

Esta votação, cujo resultado ainda precisa de ser confirmado pela Comissão Eleitoral Nacional, deve permitir que a Coreia do Sul recupere um líder e a estabilidade política, após seis meses de crise desencadeada pelo anterior chefe de Estado, Yoon Suk Yeol.

No início de dezembro, Yoon declarou surpreendentemente a lei marcial e enviou o exército para assumir o controlo do parlamento, amplamente dominado pela oposição, a fim de silenciá-lo.

Na ocasião, um número suficiente de deputados conseguiu reunir-se para votar uma moção e rapidamente fazer fracassar a iniciativa do então Presidente, que foi classificada como um golpe de força.

Seguiram-se seis meses de profundo caos político, entre manifestações maciças, prisão e destituição de Yoon Suk Yeol, sucessão inédita de presidentes interinos e outras reviravoltas, nomeadamente judiciais.

Devido ao vazio na chefia do Estado, o vencedor da eleição assumirá as suas funções assim que o resultado for validado, o que está previsto para quarta-feira de manhã.

Se a sua vitória for homologada, Lee Jae-myung, um antigo operário de 61 anos, terá a difícil tarefa de enfrentar a ameaça representada pelo imprevisível vizinho norte-coreano, ao mesmo tempo que se posiciona entre a China, principal parceiro comercial da Coreia do Sul, e os Estados Unidos, aliado e protetor histórico.

O futuro governante também enfrenta sérios desafios nacionais, incluindo uma das taxas de natalidade mais baixas do mundo e o aumento do custo de vida.ANG/Lusa

      ONU/ Denunciados crimes de guerra nos centros de ajuda em Gaza

Bissau, 03 Jun 25 (ANG) - O Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Turk, classificou hoje como "crimes de guerra" os ataques israelitas contra civis perto de centros de ajuda humanitária na Faixa de Gaza.

 

"Pelo terceiro dia consecutivo, foram mortas pessoas nas imediações de um local de distribuição de ajuda gerido pela Fundação Humanitária de Gaza", afirmou Turk num comunicado citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).

Turk referia-se à morte de 27 palestinianos que a Defesa Civil de Gaza disse que foram abatidos pelas forças israelitas quando se dirigiam para um local de distribuição de ajuda da fundação apoiada pelos Estados Unidos e por Israel.

Segundo relatórios recebidos pelo alto-comissariado da ONU, os ataques israelitas contra palestinianos que tentavam aceder a ajuda alimentar causaram pelo menos 62 mortos e centenas de feridos nos últimos três dias.

Os dados referem 32 mortos no domingo, três na segunda-feira e 27 hoje de manhã, disse o porta-voz do alto-comissariado, Jeremy Laurence, aos jornalistas em Genebra, Suíça, segundo a agência de notícias espanhola EFE.

"Os ataques assassinos contra civis desesperados que tentam aceder a quantidades insignificantes de ajuda alimentar em Gaza são inaceitáveis", afirmou Turk.

Tais "ataques contra civis constituem uma grave violação do direito internacional e um crime de guerra", disse o chefe dos direitos humanos da ONU.

A Fundação Humanitária de Gaza (GHF, na sigla em inglês) começou a distribuir ajuda em três pontos de Gaza há uma semana, dois no sul e um no centro.

A decisão deixou a população do norte sem abastecimento, sendo a ajuda fornecida considerada insuficiente para os de 2,1 milhões de habitantes de Gaza.

A organização, com um financiamento opaco, segundo a AFP, afirmou hoje ter distribuído sete milhões de refeições desde que iniciou as operações.

A atuação da GHF tem sido marcada por cenas caóticas e relatos de disparos israelitas perto dos centros de distribuição.

As Nações Unidas recusaram-se a trabalhar com a GHF devido a preocupações sobre procedimentos e neutralidade.

"Os palestinianos são confrontados com a mais terrível das escolhas: morrer à fome ou arriscar-se a ser mortos ao tentar aceder aos escassos alimentos fornecidos pelo mecanismo militarizado de assistência humanitária de Israel", afirmou Turk.

O alto-comissário austríaco afirmou que cada ataque perto de centros de ajuda humanitária "deve ser investigado de forma rápida e imparcial".

"Os responsáveis devem ser chamados a prestar contas", afirmou.

O grupo radical Hamas, que governa Gaza desde 2007, denunciou hoje que 102 pessoas já foram mortas nos centros de distribuição de ajuda criados por Israel.

O grupo palestiniano qualificou a situação como "um dos crimes mais hediondos de assassínio em massa".

"A ocupação [israelita] está a utilizar o 'mecanismo israelo-americano' como uma armadilha mortal para matar à fome, matar e deslocar à força o nosso povo", declarou o Hamas num comunicado.

A GHF declarou num comunicado que não assume qualquer responsabilidade "pela área fora" dos centros de distribuição, "que continua a ser uma zona de guerra ativa".

O exército israelita admitiu ter disparado "perto de alguns suspeitos" que deixaram a rota designada, que abordaram as suas forças ou ignoraram os tiros de aviso.

O conflito em curso em Gaza foi desencadeado pelos ataques do Hamas em 07 de outubro de 2023 no sul de Israel, que causaram cerca de 1.200 mortos e mais de duas centenas de reféns.

Em retaliação, Israel lançou uma operação militar na Faixa de Gaza que já provocou mais de 54 mil mortos, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação forçada de centenas de milhares de pessoas.ANG/Lusa

 

Bélgica/Fundação quer António Costa e João Lourenço a relançar parceria UE-África

Bissau, 03 Jun 25 (ANG) - A diretora executiva adjunta da Fundação África-Europa, Holy Ranaivozanany, considera que as presidências de António Costa no Conselho Europeu e do Presidente angolano, João Lourenço, na União Africana são uma oportunidade para relançar a parceria afro-europeia. 


dirigente admite que, nos últimos dois anos, registou-se um "decréscimo em termos de confiança na relação" da parte dos países africanos relativamente à União Europeia (UE). 

A pandemia de covid-19, a guerra na Ucrânia e, mais recentemente, a redução da ajuda externa, são fatores que contribuíram para esta amargura, explicou. 

"Penso que existe uma perceção de dois pesos e duas medidas, de que não cumprimos os nossos compromissos e de que, no novo contexto geopolítico, África, não é vista como uma prioridade para a Europa", afirmou à agência Lusa, à margem da conferência Ibrahim Governance Weekend, a decorrer em Marraquexe. 

Na cimeira UE-África em fevereiro de 2022, recordou, "sentia-se uma grande energia e foram feitos compromissos, mas algumas semanas depois começou a guerra na Ucrânia e, obviamente, houve uma mudança e a Europa começou a prestar mais atenção ao Leste". 

Mais recentemente, a redução da ajuda externa europeia para investir no rearmamento acentuou o sentimento de abandono pelos africanos. 

No entanto, Ranaivozanany tem esperança que possa ser dado um novo impulso à relação, e que a lusofonia possa desempenhar um papel. 

"Contamos com a nova liderança da UE para reformular uma nova dinâmica, com pessoas como António Costa, que tem interesse nos países [africanos] lusófonos, e a nova liderança também na União Africana, de modo a definir uma nova direção e a reiniciar a relação", afirmou à Lusa.

A diretora executiva adjunta da Fundação África-Europa sugeriu a possibilidade de uma nova cimeira UE-África ainda em 2025, "que poderá ter lugar em Angola".

O desenvolvimento de projetos ligados à energia, o combate aos fluxos financeiros ilícitos e o investimento na capacidade industrial em África são alguns dos setores que considera ser de interesse mútuo. 

"Têm-se registado progressos. Por exemplo, desde 2022, a Europa assumiu o compromisso de ajudar na instalação de fábricas de vacinas em África e isso foi feito em oito países até agora", exemplificou.

A UE tem também a Estratégia 'Global Gateway', que prevê a mobilização de 150 mil milhões de euros para investir em setores estratégicos em África. 

"É um montante considerável de dinheiro para investimento em diferentes questões, desde a agricultura, à tecnologia e às infraestruturas. Temos é de monitorizar o impacto para saber se realmente mudou alguma coisa, quantos empregos criou e tornar esta contribuição mais visível para que as pessoas compreendam o resultado da parceria efetiva da Europa com África", salientou Holy Ranaivozanany.

A conferência Ibrahim Governance Weekend (IGW) 2025, organizada pela Fundação Mo Ibrahim, termina hoje em Marraquexe com uma série de encontros promovidos por diversas organizações independentes. 

A Fundação África-Europa, criada em 2020 para promover e reforçar as relações entre os dois continentes, tem uma sessão intitulada "Renovar a Cooperação África-Europa nos Minerais de Transição: uma oportunidade benéfica para ambos".  

Durante três dias, entre 01 de junho e hoje, políticos, académicos e ativistas debateram sob o tema "Alavancar os recursos de África para colmatar o défice financeiro", sobre como podem os países africanos mobilizar-se para acelerar o desenvolvimento social e económico num contexto internacional de declínio da ajuda externa.ANG/Lusa

 

Noruega/ Moçambique entra em lista dos mais negligenciados em crises de deslocados

Bissau, 03 Jun 25 (ANG) - Moçambique entrou pela primeira vez na lista dos dez países com as mais negligenciadas crises de deslocados, elaborada anualmente pelo Conselho Norueguês para Refugiados (NRC, na sigla em inglês), que identifica 600.000 afetados pela violência e desastres naturais.


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Em 2024, Moçambique enfrentou uma tempestade perfeita de conflito armado, turbulência política e desastres climáticos. Esses choques sobrepostos criaram uma emergência humanitária volátil e profundamente complexa, tornando Moçambique uma das crises de deslocados mais negligenciadas do mundo pela primeira vez", refere-se no relatório da NRC, divulgado hoje, em que o país africano aparece em terceiro lugar.

No relatório sublinha-se que a violência armada na província de Cabo Delgado, no norte do país, continuou "a desarraigar comunidades, enquanto as tensões se intensificaram em todo o país", após as eleições gerais de 09 de outubro, seguindo-se, poucas semanas depois, o ciclone tropical Chido, que provocou "estragos em infraestruturas já frágeis e afundando ainda mais a população em crises".

"Até o final do ano, quase 600.000 pessoas foram deslocadas por uma combinação de violência e desastre. O acesso a alimentos era uma grande preocupação, e 2,8 milhões enfrentaram insegurança alimentar aguda entre abril e setembro", aponta-se no documento.

Apesar de "necessidades crescentes", no relatório de 2024 do NRC refere-se que "a resposta humanitária teve dificuldades" na mobilização de apoio em Moçambique e que o "financiamento foi drasticamente insuficiente".

"O Plano de Resposta Humanitária de 2024 teve apenas 41% de financiamento -- o menor nível de todos os tempos. A assistência alimentar foi particularmente afetada, cobrindo apenas 13% das necessidades em Cabo Delgado", lê-se ainda no documento, no qual se acrescenta que os primeiros números para 2025 "indicam mais um ano de necessidades não atendidas".

Aponta-se também que o financiamento garantido até o momento "tem sido extremamente limitado, sinalizando uma tendência preocupante e potencialmente agravando a crise".

"A crise em Moçambique desenrolou-se em grande parte fora dos holofotes. A cobertura limitada dos 'media', agravada por crises globais concorrentes, desviou a atenção e os recursos. À medida que o mundo olha para outros lugares, a crise multifacetada de Moçambique está a tornar-se cada vez mais invisível e perigosa", alerta o NRC.

O Conselho Norueguês para Refugiados publica anualmente um relatório sobre as dez crises de deslocamento mais negligenciadas do mundo, com o objetivo de "focar na situação das pessoas cujo sofrimento raramente chega às manchetes internacionais", que "recebem pouca ou nenhuma assistência" e crises "que nunca se tornam o centro das atenções dos esforços da diplomacia internacional".

A lista de 2024 é liderada pela tripla crise de deslocados nos Camarões, nomeadamente a decorrente do longo conflito armado, com 3,4 milhões de pessoas que necessitavam de apoio urgente e proteção, seguindo-se a Etiópia, com 2,3 milhões de pessoas deslocadas, e depois Moçambique.

O número de pessoas deslocadas em todo o mundo duplicou nos últimos dez anos, mas que, ao mesmo tempo, o financiamento humanitário "cobriu apenas metade das crescentes necessidades", acrescenta.

"A mudança de prioridades domésticas, a incerteza económica e a fadiga política levaram a cortes severos no apoio às pessoas afetadas pela crise e pelo deslocamento. O mundo está em transição, mas não devemos aceitar esse abandono como algo inevitável", apela-se.

A lista integra ainda a crise de deslocados no Burkina Faso, no quarto lugar, seguindo-se Mali, Uganda, Irão, República Democrática do Congo, Honduras e Somália.

Alerta-se ainda para o crescente impacto das alterações climáticas nas crises de deslocados, mas também para a "escassez de financiamento", que tem vindo a "tornar-se a norma", necessitando os planos de resposta de pelo menos 50% de financiamento.ANG/Lusa

 

Pescas/ Navio de fiscalização N´djamba Mané zarpou para manutenção em Espanha

Bissau, 03 jun 25 (ANG) – O  navio de fiscalização marítima denominado Djamba Mané, lançou-se, segunda-feira ao mar para uma longa viagem até Espanha para efeitos de manutenção.

Segundo o ministro das Pescas e Economia Marítima, Mário Mussante,  a  manutenção de NDjamba Mané deverá atingir os seus cascos e estruturas metálicas para identificação de corrosões e fissuras que possam comprometer a  integridade do navio.

Mário Mussante da Silva   falava à imprensa no momento da partida do  navio do Instituto Nacional de Fiscalização e Controlo das Actividades das Pescas, ”FISCAP-IP),com cinco marinheiros a bordo para  reparação  em Espanha.

 “Na ausência de estaleiros e uma doca seca no país que possa receber os navios para reparações,  o barco teve que deslocar para ir sofrer essa manutenção nas terras espanholas”, disse o ministro que no entanto evoca outras razões para o estado de degradação em que o Djamba Mané  e Ubuno, outro navio que aguarda o dia de seguir  a mesma rota, se encontram.

“Tem a ver com a capacidade de gerir a embarcação, e de seguir as normas do fabricante e, muitas vezes, a falta de peças subsalentes locais, levam a este estado de degradação acentuada em que se encontram as embarcações. Havendo espaço no Estaleiro em Espanha o outro navio de fiscalização, Ubuno deve deixar brevemente o país para  manutenção”, disse o Mussante.

Djamba Mané, Ubuntu e Rainha foram adquiridos no quadro do apoio setorial da União Europeia, e Mário Mussante disse que sofreram desgaste com o tempo e chegou-se a conclusão de que ainda podem ser reparados ao invés de se andar a procura ou aquisição de novos navios. ANG/LPG/ÂC//SG

       Religião/ Primeira-Dama doa materiais de som à Sé Catedral de Bissau

Bissau,03 Jun 25(ANG) – A Primeira-Dama, Dinísia Reis Embaló ofereceu , segunda-feira, um conjunto de materiais de som à Sé Catedral de Bissau, nomeadamente colunas, microfones e mesa de mistura e amplificador.

Segundo a Rádio Sol Mansi, a entrega dos materiais foi feita pela Diretora do Gabinete do Presidente da República, Gilda Lobo de Pina, que disse que o gesto representa uma surpresa desejada pela Primeira-dama.

O Pároco da Sé Catedral, Frei Armando Cossa, após  receber a doação manifestou o desejo de  todos os guineenses colaborassem  para o “bem comum” do país.

Cossa, na qualidade de Custódio Franciscano, referiu que a Primeira-Dama já havia feito doações  ao Hospital de Cumura e apelou à todos para que façam gestos concretos de solidariedade e caridade.

Aquele responsável religioso afirmou que continuará a rezar para que a Guiné-Bissau encontre o caminho do desenvolvimento, em que todos possam viver em paz.

Os equipamentos de son doados a Igreja Nossa Senhora de Candelária constituem-se de duas colunas Electro-Voice de 120W, quatro microfones dinâmicos Shure, quatro microfones para salas de conferência, uma mesa de som YamahMG16XU, um amplificador Peavey de 2000W, 29 cabos XLR, 20 Colunas entre 40 e 60 W, e quatro microfones d
e lapela. ANG/RSM

segunda-feira, 2 de junho de 2025

Justiça/Ex- Comandante da GN Victor Tchongo condenado a oito anos de prisão efetiva

Bissau, 02 Jun 25(ANG) - O antigo Comandante Geral da Guarda Nacional (GN), Victor Tchongo, foi condenado esta segunda-feira, a oito anos de prisão efetiva, pelo Tribunal Militar Regional, por "crime de sequestro", tipificado no Código Penal Militar.

De acordo com a Capital FM, sob os ombros do operacional das forças armadas, pendiam vários crimes, nomeadamente de Comando Ilegítimo, Movimento Injustificado, Uso Ilegítimo de Armas, Desobediência, Desmando e Desobediência Coletiva, todos do Código de Justiça Militar. Mas esses delitos acabaram por ser desconsiderados pela acusação.

Quem também foi condenado pelo Tribunal Militar Regional, mas a nove anos de prisão efetiva, é Ramalhano Mendes, antigo chefe das operações da GN, enquanto o seu braço-direito, Lamine Camará foi sentenciado a sete anos.

Todos os condenados neste caso foram, por ordem do coletivo de juízes, expulsos das forças armadas, após o cumprimento das respetivas penas.

31 pessoas tiveram sortes diferentes e foram absolvidos pelo Tribunal Militar Regional, por falta de provas.

Os três oficiais foram detidos na manhã de 1 de dezembro de 2023, após uma noite agitada em Bissau, na sequência de retirada, à força, das celas da Polícia Judiciária (PJ), do então ministro das Finanças, Suleimane Seidi, e do secretário de Estado do Tesouro, António Monteiro, acusados da prática de corrupção, pelo Ministério Público guineense, num caso que ficou conhecido por "seis bilhões".

O Presidente Umaro Sissoco Embaló considerou o ato uma tentativa de golpe de Estado e acusou a GN, dirigida por Victor Tchongo, na altura, de ser responsável pela retirada dos dois governantes das celas. A noite de 30 de novembro e manhã de 1 de dezembro de 2023 foram marcadas por trocas de tiro entre o batalhão da Presidência da República e os elementos da Guarda Nacional.

Suleimane Seidi e António Monteiro, agora em liberdade, foram devolvidos às celas após o batalhão da Presidência da República controlar a situação e deter vários elementos da Guarda Nacional.

O coletivo de advogados dos condenados, na pessoa de Wilqueia  Semenate, já fez saber  que vai interpor um recurso junto do Tribunal Superior Militar, e sustenta  que “o crime está desenquadrado da condenação”, nomeadamente por falta de confirmação do sequestro por parte dos  sequestrados, e ainda de provas, segundo as quais, os dois ex-governantes estiveram sequestrados durante pelo menos 72 horas de tempo. ANG/CFM