terça-feira, 21 de abril de 2026

    Administração Pública/ Lançada Rede de Gestores dos Recursos Humanos

Bissau, 21 Abr 26 (ANG) – O Ministério da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social lançou, oficialmente,  segunda-feira, uma Rede de Gestores dos Recursos Humanos.

De acordo com uma nota do Gabinete de Comunicação do Ministério da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social, no ato de  lançamento, a ministra da Administração Pública, Assucénia Donate de Barros avançou que a visão do Executivo até 2028 é consolidar a Rede numa referência nacional e sub-regional.

Disse que a Rede é reconhecida institucionalmente como comunidade de prática de excelência e como principal promotora da reforma da Administração Pública, através da profissionalização da gestão,  liderança da transformação digital e da promoção ativa da ética, do mérito e da motivação no serviço público.

Assucénia de Barros disse  que o caminho será duro, os gestores de recursos humanos encontrarão resistências, mas que devem lembrar-se que não há reforma do Estado sem cuidar das pessoas do Estado e que não há Estado forte sem uma Administração Pública presente, competente, íntegra e motivada.

Disse que os responsáveis de serviços de recursos humanos são os primeiros soldados da reforma e modernização da Administração Pública.

“A Rede dos Gestores de Recursos Humanos oficializada tem de ser a espinha dorsal da transformação do Estado guineense e essa transformação assenta em três compromissos: Profissionalização e unidade de ação, Motor da modernização e Guardiã da ética pública e agentes ativos da motivação no serviço público” referiu a ministra.

Por sua vez, o Coordenador do Projeto de Reforço do Sector Público II, Malam Banjai reafirmou a sua determinação e engajamento no projeto para que os objetivos da rede sejam alcançados, mas que ,para tal, conta com a colaboração de Executivo.

Para  o Director-geral da Reforma Administrativa, Augusto da Silva, o Ministério da Administração Pública é o pulmão da Administração Pública guineense e o seu compromisso é dar exemplo aos outros ministérios enquanto gestores dos recursos humanos centrais e locais.

A Rede de Recursos Humanos da Administração Pública integra todos os responsáveis de Recursos Humanos dos ministérios e secretarias de Estado sob coordenação do Ministério da Administração Pública.


A Rede é criada no âmbito do fortalecimento da gestão do pessoal na Administração Pública, e é uma estrutura destinada a promover a boa governação dos recursos humanos, a incentivar o intercâmbio de experiências e reforçar as capacidades técnicas dos seus membros.
ANG/JD/ÂC//SG

Cultura/Primeiro-ministro baptiza Rua de Entrada de Cabana em Mindara com o nome do músico “Patcheco de Gumbé”

Bissau, 21 Abr 26 (ANG) – O Primeiro-ministro de Transição baptizou segunda-feira a  rua anteriormente conhecida por entrada de Cabana, no Bairro de Mindara, com o nome do falecido músico, José Carlos Gomes da Silva, vulgo “Patcheco di Gumbé”.

Trata-se de uma  iniciativa do Governo da Guiné-Bissau , levada a cabo em em reconhecimento do legado do malogrado músico guineense, Patcheco de Gumbé..

 “É com grande orgulho que o Governo e a Câmara Municipal de Bissau (CMB), rendem  homenagem ao malogrado cantor guineense Patcheco di Gumbé, dando assim à rua anteriormente conhecida por entrada de Cabana o seu nome, como forma de reconhecer e lembrar do legado deixado pelo músico, durante a vida”, disse Ilídio Vieira Té ao presidir a cerimónia de inauguração dessa rua.

.Segundo o governante, iniciativas idênticas serão levas a cabo em relação a outros músicos nacionais, que também contribuíram muito para o desenvolvimento da cultura guineense.

“Porque os músicos nacionais devem ser reconhecidos e dados os seus devidos valores, ainda vivos”, defendeu Vieira Té.

Patcheco de Gumbé foi homenageado no passado dia 17 com um concerto musical realizado no Centro Cultural Franco,Bissau-Guineense, em Bissau.

O evento ficou  marcado pela narração da vida e obra do músico, pelo filho mais novo  Baltazar e por alguns músicos da  geração do Patcheco e Gumbé.

“O desfecho da cerimónia aconteceu no bairro natal do cantor, onde foi atribuído a rua que liga entrada de Cabana à Feira de Carvão, o nome de Patcheco di Gumbé, o cantor que marcou a nossa infância e deu muita alegria ao seu povo”, disse Ilídio Vieira Té.

José Carlos Gomes da Silva, vulgo Patcheco di Gumbé, nasceu à 20 de Janeiro de 1970, no bairro de Mindará, em Bissau. Iniciou a sua carreira musical em 1980, sob influência de outro  músico, também falecido José Augusto  Queita, de Nkassa Cobra. É o autor do hitt “Catchur tá Missa só que um Pé” dos anos 90, lançou vários álbuns e single no mercado, antes  da  sua morte em Janeiro de 2010.ANG/LLA/ÂC//SG

Regiões/Inspeção Regional de Saúde de Gabu incinera dois mil quilogramas de medicamentos fora do prazo

Gabu, 21 Abr 26 (ANG) - A Inspeção Regional de Saúde de Gabu, leste do país,  incinerou no passado fim-de-semana dois mil quilogramas de medicamentos fora do prazo, no âmbito do trabalho de fiscalização e promoção de melhor qualidade de saúde pública na Guiné-Bissau.

De acordo com o despacho do Correspondente da ANG na Região de Gabu,  os  produtos incinerados foram  apreendidos recentemente pela Inspeção Regional de Saúde daquela zona Leste do país.

Na ocasião, o Delegado Regional de Saúde de Gabu, Ronízio Gomes reconheceu o esforço da Inspeção Regional, tendo considerado a apreensão dos medicamentos fora do prazo de um sinal de empenho na defesa pública.

Por sua vez, o Delegado Provincial de Saúde Ussumane Barbosa Embaló manifestou a sua satisfação pela colaboração  dos proprietários das farmácias  na recolha de medicamentos fora de prazo de validade.

O Chefe da operação de apreensão dos medicamentos, Danar Bari disse que, quase todas as farmácias e clinicas instaladas na cidade de Gabu não reúnem as condições exigidas para funcionamento , e que por isso, terão que fechar as suas portas nos próximos dias até que resolvessem  as suas situações em termos de organizações e normais de funcionamento estabelecidas para as farmácias. ANG/SS/AALS/ÂC//SG

 Guines-Liga/ Portos de Bissau e FC Canchungo empatam sem golos e FC Cupelum segue líder isolado


Bissau, 21 Abr 26(ANG) - A 14.ª jornada do Campeonato Nacional de Futebol da Primeira Divisão (Guines-Liga) encerrou no passado fim de semana com um grande duelo entre os Portos de Bissau e o FC Canchungo.

As duas equipas empataram a zero, num jogo intenso, marcado por forte rivalidade, muitas disputas físicas e várias ocasiões de golo desperdiçadas por ambas as formações.

A partida foi disputada no Estádio Lino Correia, em Bissau, na presença de diversas personalidades ligadas ao futebol nacional. Apesar da elevada expectativa, o jogo ficou caracterizado por duelos físicos, algumas expulsões e lesões, sem que nenhuma das equipas conseguisse desbloquear o marcador.

Num confronto entre Estivadores e Lobos de Canchungo — ambos na perseguição ao líder Cupelum FC — a primeira parte terminou sem grandes oportunidades claras de golo, num equilíbrio tático evidente entre os dois vice-líderes da prova.

Na segunda parte, os treinadores, Ata e Casaco, promoveram alterações táticas que trouxeram mais emoção ao jogo. Logo aos 47 minutos, os Portos de Bissau estiveram muito perto de inaugurar o marcador, através de Camnate, mas a bola não entrou graças a uma enorme defesa do guarda-redes do Canchungo, Eugénio.

Com elevada intensidade no meio-campo do relvado sintético, o encontro tornou-se ainda mais físico. Aos 60 minutos, o jogador do Canchungo, Hamed Camará, foi expulso por acumulação de cartões amarelos.

Mesmo a jogar com menos um jogador, os Lobos de Canchungo não baixaram os braços e mantiveram-se determinados na procura do golo.

Nos minutos finais da partida,  83 e 87, o FC Canchungo desperdiçou duas oportunidades flagrantes para garantir os três pontos e aproximar-se do líder Cupelum FC. Jean-Pier e Bacar Demba falharam em momentos decisivos.

Com essas ocasiões desperdiçadas, o encontro terminou com um empate a zero. A partida ficou ainda marcada pela lesão de Mohamed Sané.

Com este resultado, Portos de Bissau e FC Canchungo não conseguiram tirar proveito do empate do Cupelum FC (1-1) na deslocação à Mansôa, perdendo a oportunidade de somar três pontos e encurtar a distância para a liderança da tabela classificativa.

Os Portos de Bissau, apontados como um dos principais candidatos ao título, atravessam agora uma série negativa, somando quatro jogos consecutivos sem vencer na Guines-Liga. Após a vitória frente ao FC Cuntum, os Estivadores perderam diante do FC Pelundo e do Háfia de Bafatá, e empataram com o Flamengo de Pefine e o FC Canchungo. A formação de Bissau ocupa o segundo lugar, com 26 pontos.

Já o FC Canchungo também vive um momento menos positivo, uma vez que não vence há três partidas. O clube nortenho soma igualmente 26 pontos e partilha a vice-liderança da tabela com os Portos de Bissau.

Quem saiu beneficiado com este empate foi o Cupelum FC, que continua isolado na liderança da Guines-Liga, com 29 pontos. Apesar disso, o líder já não vence há duas jornadas e viu o Sport Bissau e Benfica aproximar-se.

O clube encarnado, bicampeão nacional, ocupa o quarto lugar com 23 pontos, estando agora a seis pontos da liderança. Na próxima jornada, que encerra a primeira volta da competição, o Cupelum FC recebe a visita do Benfica.

Na outra partida que encerrou a 14.ª jornada da Guines-Liga, o Clube Desportivo e Recreativo de Gabú empatou 1-1 com o Arados de Nhacra, em jogo realizado no Campo Corca Sow, na cidade de Mansoa.

Devido à suspensão do seu recinto pelo Conselho de Disciplina da Federação de Futebol da Guiné-Bissau, o Arados de Nhacra teve de atuar fora da sua região. O empate acabou por não satisfazer totalmente nenhuma das equipas, que perseguem objetivos distintos na competição.

Os Arados de Nhacra encontram-se numa zona crítica da tabela classificativa e luta pela permanência na primeira divisão, enquanto o CDR Gabu, que investiu fortemente no reforço do plantel, procura conquistar o seu primeiro título nacional.

Com este resultado, o CDR Gabu passa a somar 21 pontos, enquanto o Arados de Nhacra alcança 13 pontos.

Resultados completos da 14.ª jornada da Guines-Liga:

Sporting CGB-1/ FC Pelundo-1 

SB Benfica-9 /São Domingos-0

Massaf de Cacine-0/ FC Cuntum-0

CFB Mansoa -1/ Cupelum FC -1

FC Cumura-1/ Háfia de Bafatá-1 

UDIB-2/ F.Pefine-0 

Portos de Bissau-0/ CF Canchungo-0

Arados de Nhacra-1/ CDR Gabu- 1

Classificação:

1 – Cupelum FC - 29 pts;

2 – Portos de Bissau - 26 pts;

3 – FC Canchungo - 26 pts;

4 – SB Benfica -  23 pts; 

5 – CDR Gabu - 21 pts; 

6 – Massaf de Cacine -  21 pts;

7 – Háfia de Bafatá  - 21 pts; 

8 – Sporting CGB  - 20 pts

9 – CFB Mansoa  - 20 pts; 

10 – FC Cumura -  19 pts; 

11 – UDIB  - 18 pts; 

12 – FC Pelundo -  16 pts; 

13 – FC Cuntum  -  15 pts;

14 – Arados de Nhacra  -  13 pts;

15 – Tigres de São Domingos  -  10 pts;

16 – Flamengo de Pefine  - 9 pts. ANG/O Democrata

ONU/Começa sabatina dos quatro candidatos à sucessão de António Guterres

Bissau, 21 Abr 26 (ANG) - O segundo mandato de António Guterres como secretário-geral da ONU termina no fim deste ano, mas a corrida por sua sucessão já começou.

As audiências públicas com os quatro candidatos têm início nesta terça-feira (21), em Nova York, e acontecerão ao longo de dois dias.

Esta é a segunda vez que a ONU organiza uma sabatina dos candidatos ao cargo de secretário-geral. As audiências públicas foram implementadas em 2016 com o objetivo de dar mais transparência ao processo.

Cada candidato terá três horas para responder às perguntas de representantes dos 193 Estados-membros das Nações Unidas e da sociedade civil. Até o momento, quatro concorrentes já se declararam: a chilena Michelle Bachelet, o argentino Rafael Grossi, a costarriquenha Rebecca Grynspan e o senegalês Macky Sall.

Eles têm em comum a ambição de reformar a estrutura da ONU, que atravessa um período de crise do multilateralismo, com a confiança abalada e à beira de dificuldades financeiras.

Muitos Estados defendem que, pela primeira vez, uma mulher assuma o comando da ONU, e a América Latina reivindica o cargo com base na tradição de rotação geográfica, que nem sempre é respeitada.

No entanto, são os integrantes do Conselho de Segurança, mais precisamente os cinco membros permanentes com poder de veto (Estados Unidos, China, Rússia, Reino Unido e França), que realmente detêm o futuro dos candidatos em suas mãos.

O próximo secretário-geral deverá estar alinhado com “os valores e os interesses americanos”, advertiu o embaixador dos Estados Unidos, Mike Waltz.

Michele Bachelet é uma das candidatas favoritas.. A ex-presidente socialista do Chile tem ampla experiência no sistema das Nações Unidas. Ela foi a primeira diretora-executiva da ONU Mulheres entre 2010 e 2013 e, posteriormente, atuou como alta-comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, de 2018 a 2022.

No entanto, essa experiência pode ser tanto uma vantagem quanto um obstáculo. A atuação de Bachelet à frente do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos foi alvo de críticas.

A China reagiu duramente à publicação de um relatório contundente sobre a situação da minoria uigur e poderia vetar sua nomeação.

A candidatura de Bachelet conta com o apoio do México e do Brasil, mas seu próprio país, o Chile, retirou o apoio após a posse do novo presidente de extrema direita, José Antonio Kast.

Em seguida, aparece o argentino Rafael Grossi, atual diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), um dos principais especialistas do dossiê sobre o programa nuclear iraniano. Ele também se destacou durante a guerra na Ucrânia ao lidar com questões de segurança relacionadas à usina nuclear de Zaporizhzhia.

Aos 65 anos, o diretor-geral da AIEA afirma ter a ambição de reformar a ONU. “As Nações Unidas perderam sua razão de existir”, lamenta. Para ele, a instituição tornou-se “invisível” em muitos conflitos.

A segunda mulher na disputa, Rebecca Grynspan, afirma conhecer bem as crises, inclusive as financeiras. A economista de 70 anos, ex-ministra da Fazenda e ex-vice-presidente da Costa Rica, dirige desde 2021 a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento.

Ao citar sua história pessoal, como filha de pais judeus sobreviventes do Holocausto que emigraram para a América Central, ela destaca seu apego à Carta da ONU, fundada após a Segunda Guerra Mundial. Segundo Grynspan, o documento é “um alerta permanente contra os perigos da desumanização, da desconfiança e da fragmentação”.

Por fim, Macky Sall, de 64 anos, será o último a ser sabatinado. O ex-presidente do Senegal é o único candidato que não vem do sistema das Nações Unidas. Em termos de experiência, ele ocupou, durante seu mandato, a presidência rotativa da União Africana.

Sall afirma manter contatos com líderes dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança. No entanto, não é unanimidade dentro do continente africano. O ex-presidente senegalês não conta com o apoio da União Africana nem de seu próprio país.

O vencedor irá assumir o comando da ONU em 1º de Janeiro de 2027,no lugar do português António Guterres.ANG/RFI

 

                   Japão/Governo decide liberar exportações de armas

Bissau, 21 Abr 26 (ANG) - O Japão eliminou nesta terça-feira (21) as últimas barreiras que existiam há décadas e impediam a exportação de armas pelo país.

 A mudança histórica divide a opinião pública ao romper com a tradição pacifista do país, inscrita na Constituição japonesa desde a Segunda Guerra Mundial.

 A decisão provocou reação imediata da China, que se disse “preocupada” e declarou que resistirá à “militarização imprudente” de Tóquio.

O Japão decidiu acabar com 60 anos de restrições à venda de armamentos e permitir a entrada plena do país no mercado internacional da indústria de defesa. 

A mudança foi aprovada pelo governo e pelo Conselho de Segurança Nacional, segundo a agência de notícias Kyodo. “A revisão é parcial e autoriza, em princípio, a transferência de equipamentos de defesa”, declarou o porta‑voz do governo japonês, Minoru Kihara.

A primeira‑ministra ultranacionalista Sanae Takaichi,no cargo desde Outubro, fez dessa reforma uma bandeira. Segundo ela, a medida permitirá ao Japão reforçar sua defesa nacional, ao mesmo tempo em que impulsionará a indústria de armamentos para transformá‑la em um motor económico.

Essas novas regras se inserem na flexibilização progressiva da proibição geral de exportações instituída em 1976. No passado, o Japão exportava munições e equipamentos militares, especialmente durante a Guerra da Coreia, na década de 1950. Em 1967, adotou a proibição parcial, seguida de uma proibição total das exportações uma década depois.

Nas últimas décadas, Tóquio aprovou algumas exceções, antes de abrir o caminho em 2014 para exportações de cinco categorias de produtos militares não letais, ligados aos setores de resgate, transporte, alerta, vigilância e desminagem.

Segundo seus defensores, a revisão fortalecerá os laços defensivos, diplomáticos e económicos do Japão com países aliados, em um contexto de crescente instabilidade regional diante do fortalecimento militar da China e das ameaças da Coreia do Norte.

“Nenhum país pode preservar sua paz e sua segurança apenas com suas próprias forças. No setor de equipamentos de defesa, é preciso contar com nações parceiras”, afirmou Takaichi nesta terça‑feira na rede X.

A China reagiu imediatamente ao anúncio. Pequim disse estar “muito preocupada”, garantindo que resistirá “firmemente” a uma “militarização imprudente” do Japão.

Heigo Sato, especialista em questões de defesa da Universidade Takushoku, afirmou à AFP que o Japão precisa estabelecer “um sistema que assegure a fluidez das trocas de armas e munições” entre aliados. O especialista indica que isso aumenta as chances do país receber ajuda em caso de conflito.

Quando a Ucrânia fez um apelo às nações amigas em busca de armas para enfrentar a Rússia, o Japão se absteve de enviar armamentos, fornecendo apenas coletes à prova de balas e veículos.

O ativista pacifista Koji Sugihara lamenta “uma virada histórica”. Ele considera que a reputação pacifista do Japão havia, no passado, favorecido suas relações diplomáticas e comerciais. “As pessoas não querem que produtos fabricados no Japão sejam usados para matar pessoas em países estrangeiros”, declarou ele à AFP.

Segundo uma pesquisa realizada em março pela emissora NHK, 53% dos japoneses se opõem à flexibilização das exportações de armas, enquanto apenas 32% a aprovam.

“Nascido em Hiroshima, cresci impregnado da importância da paz (…) Espero que o Japão ,único país atingido por uma bomba nuclear continue mantendo a renúncia às armas e a oposição à guerra”, afirmou nesta terça‑feira Junichi Kikuta, trabalhador autônomo de 56 anos, entrevistado em Tóquio.

Os críticos acusam Sanae Takaichi de minar o pacifismo da nação.

A Constituição japonesa, adotada no pós-guerra limita a capacidade militar do arquipélago a medidas defensivas.

“Nosso apego ao caminho e aos princípios fundamentais que seguimos há mais de 80 anos como nação pacifista permanece absolutamente inalterado”, tentou tranquilizar a primeira-ministra nesta terça‑feira. Takaichi promete “análises rigorosas caso a caso” para as exportações.

Cinco grupos japoneses – Mitsubishi Heavy Industries, Kawasaki Heavy Industries, Fujitsu, Mitsubishi Electric e NEC – já figuram entre as 100 maiores empresas globais de armamento e defesa em termos de faturamento, segundo o Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (Sipri).

Os fluxos globais de armas aumentaram quase 10% nos últimos cinco anos, com a Europa tendo mais que triplicado suas importações, devido à compra de armas para a Ucrânia e em reação à ameaça russa, segundo um relatório recente do Supri. ANG/RFI/AFP

 

Marrocos/Lançamento do 5º ciclo de formação para Observadores Eleitorais da União Africana

Bissau, 21 Abr 26 (ANG).– A 5ª edição do Ciclo de Treinamento de Observadores Eleitorais da União Africana (UA) teve início , segunda-feira, em Rabat, sob a copresidência do Ministro das Relações Exteriores de Marrocos, Nasser Bourita, e do Comissário da UA para Assuntos Políticos, Paz e Segurança, Bankolé Adeoye, com a presença do corpo diplomático africano.

Este programa emblemático, reconhecido em toda a África, marca um marco histórico ao celebrar meia década de parceria estratégica entre Marrocos e o Departamento de Assuntos Políticos, Paz e Segurança da UA (D-PAPS).

Lançada em conjunto em 2022, esta iniciativa consolidou-se como um instrumento fundamental para o fortalecimento das capacidades eleitorais e a promoção da governança transparente no continente.

Este ciclo, que se estenderá até 25 de Abril, ilustra o compromisso constante de Marrocos com uma África estável e democrática, consolidando as bases de um diálogo político inclusivo e pacífico.

Fiel à sua abordagem inovadora, o programa alcançou um novo marco este ano em termos de inclusão, com forte participação de mulheres e jovens. Este progresso garante que a observação eleitoral africana reflita com precisão a diversidade das sociedades africanas.

Nessa ocasião, o Sr. Bourita afirmou que a credibilidade de um processo eleitoral não pode ser totalmente garantida se excluir parte da população, ressaltando que "nossas mulheres, nossos jovens, as pessoas com deficiência, todas essas vozes devem estar presentes, não por obrigação simbólica, mas porque sua inclusão é garantia de excelência e legitimidade".

"A força deste ciclo reside na sua capacidade de refletir a realidade das nossas sociedades", acrescentou, salientando que a inauguração desta 5.ª edição reflete a "tenacidade de uma visão e a maturidade de uma ambição continental", assinalando meia década de parceria exemplar entre o Reino e a UA.

O ministro observou que o "ciclo continua a trabalhar em direção a uma África estável e pacífica, resolutamente no controle de seu destino", destacando que essa formação "nasceu de uma convicção profunda e inabalável" de que "a democracia africana só se consolidará se for conduzida por mãos africanas, capacitadas, independentes e totalmente comprometidas".

A este respeito, ele observou que, dos quase 400 observadores treinados em Rabat, provenientes dos 53 países do continente e representando as cinco regiões africanas, 65% são mulheres e 85% são jovens.

Diante das ameaças emergentes na era digital, incluindo deepfakes, desinformação algorítmica e o uso indevido de IA, o Sr. Bourita enfatizou a necessidade de adaptação e de antecipação de riscos, a fim de equipar os observadores africanos com as ferramentas necessárias para enfrentar esses desafios.

Nesse sentido, o ciclo de treinamento inclui, este ano, um módulo inovador sobre a conscientização a respeito de "deepfakes", com foco em eleições digitais, integridade e capacitação de observadores para identificar desinformação ou documentos "deepfake" gerados por IA a respeito de candidatos, que podem ser disseminados no dia da eleição para influenciar os eleitores.

Esta 5ª edição reúne cerca de 90 participantes de 53 países membros da UA, incluindo delegações do Mali, Níger, Burkina Faso, Guiné-Bissau, Sudão e Madagascar.

Até o momento, aproximadamente 95% dos observadores eleitorais treinados em Rabat foram destacados para missões de observação eleitoral lideradas pela UA, contribuindo para a credibilidade e transparência das eleições. ANG/Faapa

Angola/ Papa Leão XIV adverte para injustiça que corrompe corações e para comércio supersticioso

Bissau, 21Abr 26(ANG.) - O Papa Leão XIV apelou hoje, em Saurimo, no Leste de Angola, à fé em Cristo, alertando que “quando a injustiça corrompe os corações, o pão de todos torna-se propriedade de poucos”.

 

“Com efeito, hoje vemos que muitos desejos das pessoas são frustrados pelos violentos, explorados pelos prepotentes e enganados pela riqueza. Quando a injustiça corrompe os corações, o pão de todos torna-se propriedade de poucos”, declarou, na homília que está a proferir na missa que reúne milhares de pessoas na esplanada de Saurimo.

 

Leão XIV, que se referiu ao “comércio supersticioso, no qual Deus se torna um ídolo que se procura apenas quando nos serve e enquanto nos serve”, salientou que Cristo “não rejeita esta procura insincera, mas incentiva a sua conversão”.

 

“Não manda embora a multidão, mas convida todos a examinar o que palpita no nosso coração. Cristo chama-nos à liberdade: não quer servos nem clientes, mas procura irmãos e irmãs a quem se dedicar com todo o seu ser. Para corresponder com fé a este amor, não basta ouvir falar de Jesus: é preciso acolher o sentido das suas palavras. Nem basta sequer ver o que Jesus faz: é preciso seguir e imitar a sua iniciativa”, apelou.

 

A Igreja Católica angolana tem manifestado a sua preocupação com o crescimento de rituais associados a superstições, questão muito presente no Leste de Angola, região onde a evangelização cristã foi mais tardia.

 

 

“Até os mais belos dons do Senhor, que cuida sempre do seu povo, se tornam então uma exigência, um prémio ou uma chantagem, e são mal compreendidos precisamente por quem os recebe. O relato evangélico faz-nos, portanto, compreender que existem motivos errados para procurar Cristo, sobretudo quando é considerado um guru ou um amuleto da sorte”, advertiu.

 

O Papa citou o Evangelho – “Vós procurais-me, não por terdes visto sinais miraculosos, mas porque comestes dos pães e vos saciastes” – para afirmar que Cristo pergunta se é procurado “por gratidão ou por interesse, por cálculo ou por amor”.

 

Falando em português, Leão XIV afirmou que o que o trouxe até aqui, para estar com a população de Saurimo, foi a “Boa Nova, o Evangelho que corre como sangue nas veias”. 

 

“Não viemos ao mundo para morrer. Não nascemos para nos tornarmos escravos nem da corrupção da carne, nem da corrupção da alma: toda a forma de opressão, violência, exploração e mentira nega a ressurreição de Cristo, dom supremo da nossa liberdade. Na verdade, esta libertação do mal e da morte não acontece apenas no fim dos tempos, mas na história de todos os dias”, declarou.

 

A celebração da missa foi o último ato do Papa em Saurimo, onde chegou cerca das 09:00, tendo-se, de seguida, deslocado ao Centro de Idosos em Muanguene e visitado a Sé Catedral da capital da Lunda Sul.

 

Leão XIV foi o único dos três Papas que visitaram Angola – João Paulo II, em 1992, e Bento XVI, em 2009 – a deslocar-se à zona Leste do país, aquela que teve uma evangelização mais tardia e onde o catolicismo tem menor impacto junto da população.

 

A igreja tem denunciado as gritantes desigualdades, numa região rica em recursos, sobretudo diamantes, e marcada por elevadas taxas de desemprego e analfabetismo.

No lar de idosos, Leão XIV recebeu uma estatueta do Pensador – Samanhonga, que, em chokwe significa “Pensamento do Coração”, a mesma imagem que está nas camisolas das mulheres que o aguardavam no aeroporto e que integram o coro que entoou os cânticos durante a missa.

 

Vestidas com panos africanos alusivos à Igreja Católica em Angola, têm inscritas na t-shirt a expressão chokwé que significa Bem-Vindo a Saurimo – Tambwokeno Um Saurimo – a imagem de Mwana Po (mulher jovem) e os tradicionais batuques chokwe, que, lamentaram à Lusa, ficaram de fora da celebração.

 

Numa cidade que não se enfeitou para receber o Papa, a festa aconteceu no recinto onde se realizou a missa, com milhares de pessoas, protegidas do sol por chapéus de chuva, saudaram efusivamente Leão XIV, que percorreu o recinto no papamóvel.

 

Leão XIV parte ao princípio da tarde para Luanda, onde fará o último discurso em Angola, num encontro com bispos e religiosos, partindo na terça-feira de manhã para Malabo, na Guiné Equatorial, onde termina a visita pastoral a África que se iniciou na Argélia e incluiu também os Camarões.

ANG/Inforpress/Lusa

 

Senegal/ Desafios de segurança em África no centro do 10º Fórum de Dacar

Bissau, 21 Abr 26(ANG) – Os desafios persistentes relacionados à estabilidade e o ressurgimento das ameaças à segurança são os temas escolhidos para a 10ª edição do Fórum Internacional sobre Paz e Segurança na África, que teve início  segunda-feira em Dakar, no Senegal.

Inserida no tema "África enfrentando os desafios da estabilidade, integração e soberania: que soluções sustentáveis?", esta edição visa explorar respostas concertadas e sustentáveis ​​aos desafios de segurança em África.

Em seu discurso na ocasião, o presidente senegalês Bassirou Diomaye Faye destacou a necessidade de o continente africano assumir plenamente sua soberania, defendendo um papel mais relevante na reestruturação dos equilíbrios globais e maior autonomia na definição das prioridades de segurança.

Ele observou ainda que a África continua exposta às repercussões das crises internacionais, num contexto caracterizado pela multiplicação de ameaças, incluindo terrorismo, conflitos armados, criminalidade transfronteiriça, desinformação e cibercrime.

Por sua vez, o presidente da Mauritânia, Mohamed Ould Cheikh El Ghazouani, defendeu a priorização de soluções africanas para os desafios de segurança e institucionais do continente, enfatizando a necessidade de fortalecer a soberania, melhorar a governança e investir mais na juventude em um contexto marcado pela persistência da ameaça terrorista.

O presidente de Serra Leoa, Julius Maada Bio, por sua vez, enfatizou a necessidade de concluir os projetos políticos e socioeconómicos do continente.

Ele considerou a boa governança uma alavanca essencial para a segurança diante das causas do extremismo ligadas à exclusão, ao mesmo tempo que defendeu respostas baseadas no fortalecimento das instituições e no empoderamento de jovens e mulheres, bem como parcerias equilibradas baseadas em soluções africanas.

O Fórum Internacional de Dakar sobre Paz e Segurança na África é uma iniciativa franco-senegalesa, lançada em 2013 na Cúpula do Eliseu, que reúne anualmente desde 2014 chefes de Estado e de governo, parceiros económicos e industriais e representantes da sociedade civil. ANG/Faapa

 

China/ “China e Moçambique são dois países irmãos”, diz Presidente  Moçambicano

Bissau, 21 Abr 26(ANG) - "A China e Moçambique são dois países irmãos", e Moçambique está disposto a reforçar ainda mais os laços com a China por meio da promoção de intercâmbios políticos, económicos, sociais e culturais, declarou  o presidente moçambicano, Daniel Chapo.

Em uma entrevista exclusiva recente concedida à Agência de Notícias da República Popular da China(Xinhua), antes de sua visita de Estado à China, de 16 a 22  de Abril, Chapo destacou que o ano passado marcou o 50º aniversário da independência de Moçambique e o 50º aniversário do estabelecimento das relações diplomáticas entre os dois países.

Os dois países mantêm uma profunda relação política e diplomática, com uma amizade tradicional que remonta ao período em que a China apoiou a luta de Moçambique por sua independência nacional, disse ele.

O chefe de Estado de Moçambique referiu que e
m 25 de Junho de 1975, data em que Moçambique declarou a sua independência nacional, o país estabeleceu relações diplomáticas com a China, e que nos últimos anos, as relações políticas e diplomáticas bilaterais tornaram-se cada vez mais estreitas e consolidadas.

Ao observar que este ano marca o início do 15º Plano Quinquenal da China, Chapo disse que o plano é importante para Moçambique, pois está alinhado com os planos quinquenais e as estratégias de longo prazo do país.

Disse que a  economia de Moçambique depende fortemente das indústrias extrativas e de gás natural, e que prevê o reforço da  cooperação estratégica com a China em áreas como agricultura, turismo, infraestrutura, industrialização e digitalização, no âmbito da cooperação Sul-Sul e da Iniciativa Cinturão e Rota.

"Eu gosto muito de uma expressão chinesa que diz que se quer desenvolver algum sítio, faz a estrada", disse Chapo, observando que, desde o estabelecimento das relações diplomáticas, vários projetos emblemáticos de infraestrutura realizados pela China foram implementados em Moçambique.

A Ponte Maputo-Katembe, construída por uma empresa chinesa, é a ponte suspensa mais longa da África. Antes de sua construção, levava-se, pelo menos,  quatro a cinco horas para atravessar o mar por balsa. Atualmente, o trajeto entre Maputo e Katembe leva apenas cinco a dez minutos de carro.

Projetos de infraestrutura realizados em cooperação com a China, como a própria Ponte Maputo-Katembe, a Estrada Circular de Maputo, o Aeroporto Internacional de Maputo e a Ponte-Cais da Ilha de Inhaca, foram apontados por Chapo como estando a gerar resultados notáveis no desenvolvimento socioeconómico deste país lusófono.

No que diz respeito à agricultura, Chapo destacou que Moçambique possui vastas áreas de terra, oferecendo grande potencial para a cooperação com a China.

Declarou  que Moçambique  está disposto a explorar oportunidades de cooperação em diversos produtos agrícolas, incluindo o arroz, e a criar mais projetos bem-sucedidos como a fazenda de arroz Wanbao.

Disse que Moçambique também aproveitará a política de tarifa zero da China para aumentar as exportações de bens e serviços, especialmente produtos agrícolas.

Chapo defendeu que a visão da China da cooperação Sul-Sul enfatiza a necessidade de os países cooperarem em pé de igualdade e com ajuda mútua, para alcançar benefícios mútuos e resultados ganha-ganha, destacando a importância estratégica da cooperação Sul-Sul.

Sustenta que os intercâmbios culturais entre Moçambique e China têm uma longa história e refletem a amizade fraterna entre os dois países,  acrescentando que o Centro Cultural Moçambique-China, construído conjuntamente, não é apenas o maior centro cultural do país, mas também um importante símbolo das relações culturais bilaterais.

O  2026 marca o Ano de Intercâmbios Interpessoais China-África. Chapo afirmou que Moçambique aproveitará essa oportunidade para reforçar ainda mais os intercâmbios culturais, aprofundar a amizade entre os dois povos e promover o desenvolvimento estável das relações bilaterais.ANG/ Xinhua

Comunicação Social/Ministro Abduramane Turé de visita  à Portugal à convite da empresa gráfica Copivarela

Bissau, 21 Abr 26(ANG) – O ministro da Comunicação Social, Abduramhane Turé se encontra desde o dia 18 do corrente mês, em Lisboa(Portugal), à convite da empresa Copivarela, especializada em fornecimento de equipamentos gráficos de alta qualidade.

Segundo a RDN, que cita  uma nota do Gabinete do ministro da Comunicação Social, a deslocação de Abduramane Turé se enquadra na estratégia do Governo de modernização e capacitação da Imprensa Nacional (INACEP), a única gráfica estatal, visando a  diversificação   das parcerias desta empresa,  e   maior autonomia, eficiência e segurança na produção de documentos , com destaque para boletins de voto e cadernos eleitorais.

Em matéria de parcerias, até aqui a Inacep, empresa pública tutelada pelo Ministério da Comunicação Social tem desenvolvido as suas ações no quadro de cooperação com a empresa portuguesa Casa da Moeda, inclusive para a produção dos boletins de voto e outros assessórios para as eleições gerais de 2025.

A Nota do Gabinete do Ministro citada pela RDN ainda refere que a missão de Abduramane Turé tem outro objectivo relacionado as possibilidades de  aquisição de equipamentos gráficos de última geração. ANG/RDN