quinta-feira, 13 de agosto de 2026


Referendo 30 de Agosto
/CNE anuncia início da Campanha em todo território nacional

Bissau 13 Ago 26 (ANG) – A Comissão Nacional de Eleições (CNE), anunciou hoje o inicio da Campanha para o Referendo Nacional marcada para o dia 30 de mês em curso, sob o lema, “a Decisão Pertence aos Guineenses”, e que terá lugar em todo território nacional.

Falando numa conferência de imprensa para assinalar o ato, a Presidente da CNE,  Carmem Lobo de Pina realçou que o Referendo é um ato de consulta popular e que se trata dum instrumento fundamental da democracia direta, através do qual os cidadãos eleitores são chamados a pronunciar-se sobre  matérias de relevante interesse nacional.

Segundo ela,  a campanha lançada é uma  oportunidade para cada cidadão conhecer as propostas em discussão, ouvir diferentes opiniões e formar a sua própria decisão de maneira livre, consciente e responsável.

“A campanha para o Referendo consiste na justificação e esclarecimento da questão submetida à consulta popular, neste caso concreto, se concorda com a entrada em vigor da Nova Constituição da República, aprovada pelo Conselho Nacional de Transição”, explica.

Segundo Lobo de Pina, em conformidade com a Lei do Referendo de 16 de Julho, lei nº12/2026, a campanha deve ser levada ao efeito pelos Conselheiros, pela Sociedade Civil e por Grupos de Cidadãos Eleitorais.

A CNE na voz da sua Presidente, salienta que a campanha do Referendo que inicia hoje convida aos cidadãos a reforçar a cultura de tolerância e de sã convivência, privilegiar a solução do diferendo por via de diálogo, de forma honesta, franca e em respeito pelas diferenças.

Apela ainda aos cidadãos eleitores a se absterem de linguagens ou práticas de atos que possam incitar o ódio, a violência, desordem, injúria, difamação ou contra a honra e a dignidade da pessoa humana, e se empenhar e contribuir para que tudo decorra num ambiente de festa da democracia.

Aos órgãos de comunicação social, Carmem Lobo de Pina frisou que devem vincular-se ao  dever de tratamento jornalístico, não discriminatório ,observando os princípios e valores da Deontologia Profissional .

“A CNE, enquanto órgão de administração do Referendo, lembra aos atores de que devem cingir as suas actuações dentro das balizas eticamente consagradas e assentes no comportamento, atitude e respeito pelas leis da República, para  que esta campanha seja marcada pelo respeito, diálogo e pela verdade,. Que  saibamos ouvir quem pensa diferente e colocar o interesse nacional acima das nossas diferenças”, disse. ANG/MSC/ÂC//SG


Regiões
/Lançada  Campanha de Educação Cívica para o Referendo de 30 de Agosto na cidade de Bolama

Bolama 13 Ago 26 (ANG) – A Campanha para Educação Cívica com vista a realização do Referendo de 30 de Agosto  foi, quarta-feira, lançada na cidade de Bolama, Sul do país.

Segundo o  Correspondente da ANG na Região de Bolama/Bijagós, o evento cívico contou com a participação de animadores cívicos, formadores, delegados das quatro seções administrativas que compõem o setor administrativo de Bolama, e ocorreu com as ausências do Governo Regional e da Administração Setorial de Bolama.

O ato de abertura foi presidida pelo Delegado coordenador da Comissão Regional de Eleições, do setor de Bolama, José Pedro Correia, que lamentou as ausências destas duas personalidades de Bolama no lançamento oficial da campanha para educação cívica.

“Deviam estar presentes para servir de proteção dos animadores cívicos assim como todos os intervenientes do processo do referendo no setor de Bolama”, disse Correia.

Acrescentou  que o Referendo é um processo novo na Guiné-Bissau, por isso, há muito trabalho a fazer e afirmou que além dos animadores cívicos há grupos organizados, membros do Conselho Nacional de Transição e da Sociedade Civil que também vão estar no terreno, para transmitir  mensagens importantes  aos eleitores.

“O referendo é um assunto do povo não de partidos políticos por isso quem vai decidir por sim ou não é o próprio povo “, disse.

José Correia considera poucos os 17 dias previstos para a campanha.

Para ele, a campanha da educação cívica devia durar  30 ou 45 dias devido a sua importância no processo.

Por seu turno, o responsável administrativo da Comissão Regional de Eleições (CRE), de Bolama, João Pereira disse que o Referendo é um assunto desconhecido nas tabancas por isso exige muita paciência para fazer  entender o seu significado.

Adulai Djaló que falou em nome dos formadores, encorajou os animadores cívicos e disse que apesar das muitas dificuldades no Arquipélago dos Bijagós, sobretudo neste mês de Agosto, em que chove de forma intensa, devem fazer  todos os  esforços para se alcançar  os objetivos traçados.

Djaló pediu aos responsáveis da CRE no sentido de diligenciarem  junto da CNE para equipar os animadores cívicos com materiais necessários para poderem ser protegidos de muitos riscos tendo em conta a época chuvosa.

Em nome dos animadores cívicos, Ivair Lopes garantiu que vão aplicar todos os conhecimentos adquiridos durante a formação e trabalhar com muita responsabilidade para o bem do país e pediu aos responsáveis da CRE que levem as suas preocupações de arranjar materiais de proteção como­: botas , capas de proteção da chuva, lâmpadas e outros.

Lopes alertou aos responsáveis sobre a necessidade  de disponibilização de meios de transporte, que diz dever ser. resolvida de imediato para que no futuro não venha a criar problemas nos trabalhos de sensibilização.

O setor de Bolama tem quatro seções administrativas :  São-João, cidade de Bolama Bolama de Baixo e  Ilhas das Galinhas para as quais foram  designados nove animadores cívicos. ANG/LC/MSC/ÂC//SG

                                                

 

Florestas/Diretor-geral revela  repovoamento com  14 mil árvores durante mês de árvore

Bissau, 13 Ago 26(ANG) – O Director-geral das Florestas e Fauna, do Ministério de Agricultura e Desenvolvimento Rural, disse que aquela instituição  plantou 14 mil árvores das 50 mil previstas durante o ano em curso no quadro de repovoamento florestal.

Diamantino Hortis Quadé, em entrevista exclusiva concedida hoje à ANG no âmbito do balanço do Mês de Árvore, que decorreu em Julho passado, qualificou de positivo o balanço do repovoamento florestal.

“Podemos considerar de positivo os trabalhos de repovoamento, porque em todas as localidades onde passamos, concretamente na Região de Oio e nas fronteiras entre as regiões de Gabu e Bafatá, houve apoios e engajamento da população”, frisou.

Aquele responsável afirmou que os trabalhos de repovoamento contaram ainda com a colaboração de chefes de tabancas, associações de Jovens e mulheres, e que todos se envolveram ativamente no processo.

“O que nos mais motiva tem a ver com uma tabanca da região de Gabu em que a própria população decidiu conservar uma parte, que denominaram de Floresta Comunitária”, salientou.

O Diretor-geral das Florestas e fauna sublinhou que muitas comunidades locais, tendo em conta as ameaças de desertificação, e enquanto populares que dependem muito das florestas, decidiram se abdicar das  desmatações habituais.

 “Acho que, se tudo correr bem, daqui há alguns anos, teremos  Floresta Comunitária naquela localidade para servir a população local”, disse.

Perguntado sobre o que têm em carteira para a realização de um Inventário Florestal do país, que não foi feito desde o período colonial, Diamantino Quadé disse tratar-se de  um projecto que acarreta muito custo.

 “É um projecto muito grande e que exige um orçamento de milhões de dólares é por isso que não foi realizado desde o período colonial”, disse.

Hortís Quadé disse que  algumas  organizações internacionais parceiras  manifestaram o interesse em apoio essa iniciativa  mas que até agora   estão a ser estudadas as possibilidades para tradução prática dessa intenção.

No que tem a ver com a recente decisão do Governo de suspender as atividades de exploração madeireira no país,  Quadé disse que saúda a  medida do executivo.

“No período de transição em 2012, houve um descontrolo total da ação humana em relação as nossas florestas. Mas,  desde que o atual Governo de Transição liderado por Ilídio Vieira Té entrou em acção, sempre se acautelou em termos  de exploração madeireira.

Segundo Hortís, antes deste  período de transição  quatro empresas  já estavam a explorar a madeira com  licenças emitidas pelo próprio Governo , e as actividades dessas  empresas madeireiras estão a ser seguidas pela Direcção Geral das Florestas e Fauna, com apoio do Ministério do Interior através de Brigada de Proteção do Meio Ambiente, Polícia Judiciária e outras instituições.

Informou que, na semana passada, foi feito  o levantamento de stock de troncos já cortados por cada empresa, de forma a constatar “in loco” se a quantidade de madeira cortada corresponde com o que foi autorizada pelo Governo.

Perguntado sobre se o país ainda dispõe de reservas madeireiras suficientes para explorar, Diamantino Quadé disse que, não, salientando que o stock já é muito preocupante.

Disse que, quando se fala da preservação da floresta, todos se pensam logo na acção dos madeireiros, quando não é assim, porque os camponeses são os que mais devastam as matas.

“As acções das empresas madeireiras têm pouca influência na devastação das florestas, em relação ação
dos . camponesas que praticam queimadas em grandes proporções de terrenos, causando danos, não só para as florestas como para a fauna”, disse Diamantino Hortís Quadé.ANG/ÂC//SG

 

Regiões/ Governadora de Cacheu pede paciência  aos animadores cívicos na sensibilização das populações sobre Referendo Popular

Cacheu, 13 Ago 26 (ANG) – A governadora da região de Cacheu, norte do país, Honorina Vasconcelos pediu aos 38 animadores cívicos para terem paciência e coragem nas explicações a população sobre a forma correta de votar, durante os 16 dias da  campanha de sensibilização no terreno.

 O pedido da governadora foi feito no sector de  Canchungo, no ato de lançamento regional da Campanha de Educação Cívica para o Referendo Constitucional de 30 de Agosto.

Em nome da Comissão Regional de Eleições-CRE de Cacheu, o Chefe de Serviço da Instituição eleitoral, Eduino Felipe Baticã Ferreira, disse que se trata de mais  um ato cívico, apesar do Referendo Popular ser um dos casos não habituais, mas que a Constituição guineense prevê quatro eleições, nomeadamente, Presidenciais, Legislativas, Autárquicas e Referendo Popular.

Baticã Ferreira   pediu aos animadores cívicos para sensibilizarem aos eleitores sobre a necessidade de exercerem o seu direito de voto relativamente a nova Constituição da República da Guiné-Bissau, aprovada pelo Conselho Nacional de Transição-CNT.

A Presidente da Organização da Sociedade Civil da região de Cacheu, Dulceneia Pereira, exortou aos animadores cívicos para porem na prática os conhecimentos adquiridos durante a formação sobre a forma de votar, dobrar o b
oletim e introduzir na urna.  ANG/AG/LPG/ÂC//SG

Regiões / Delegado Regional do Comércio de Biombo considera de positivo o balanço  da campanha de comercialização de caju

Biombo, 13 Ago 26 (ANG) - O Delegado Regional do Comércio, da região de Biombo, norte do país, Adriano da Costa, considerou de positivo o balanço da campanha de comercialização da castanha de caju do presente ano.

Segundo o responsável, conforme o despacho do correspondente regional da ANG, o Governo tinha inicialmente previsto uma produção de 200 mil toneladas, tendo em conta as dificuldades provocadas pela praga que tem afectado os cajueiros.

Adriano disse que a campanha conseguiu ultrapassar as expectativas, com uma produção de cerca de 235 mil toneladas, que foram transferidas .  para  Bissau.

Informou que, na região de Biombo, foram registadas a produção 6.055 toneladas de castanha de caju, nos setores de Prabis, Ondame, Quinhamel e Safim.

Informou que o posto de Safim dispõe de uma estrutura de monitorização que, de acordo com o delegado, acompanha os dados a nível nacional.

Adriano da Costa apontou algumas dificuldades enfrentadas durante a campanha, entre as quais a redução gradual dos pomares de cajueiros devido a sua substituição por construções habitacionais.

Disse que esta situação se  verifica em várias zonas da região de Biombo, com exceção da secção de Bijimita, devido às suas particularidades.

O Delegado Regional do Comércio destacou ainda as limitações enfrentadas pela instituição na fiscalização da campanha.

Segundo Adriano da Costa, a Delegacia não dispõe de uma viatura para realizar as ações de fiscalização, contando apenas com duas motorizadas, consideradas insuficientes para garantir a cobertura de toda a região.

Apesar dessas limitações, o responsável afirmou que a Delegacia conseguiu fiscalizar  a campanha de comercialização da castanha de caju.

ANG/MN/LPG/ÂC//SG

 

Suíça/Rotas migratórias em África estão a mudar, mas riscos permanecem elevados - OIM

Bissau,13 Ago 26 (ANG) - A Organização Internacional para as Migrações (OIM) apontou hoje num relatório que as rotas migratórias em África estão a alterar-se, devido ao reforço dos controlos fronteiriços, mas que se mantêm elevados os riscos de morte, exploração e tráfico.

 

De acordo com o relatório "Visão Global das Rotas Migratórias (janeiro a abril de 2026)", na Rota Atlântica da África Ocidental, que liga as costas africanas às ilhas Canárias - território espanhol - as chegadas caíram 78% entre Janeiro e Abril, para 2.276, a maior diminuição entre as rotas monitorizadas pela OIM para a Europa.

 

A organização alertou, contudo, que a redução das chegadas não significa necessariamente uma diminuição dos riscos enfrentados pelos migrantes, uma vez que os pontos de partida se têm deslocado progressivamente para sul, para a Guiné-Conacri, Guiné-Bissau e Gâmbia.

 

A mudança, explicou, surge como resposta ao reforço dos controlos fronteiriços em países como Marrocos, Mauritânia e Senegal.

 

Espanha e a União Europeia têm reforçado parcerias com países de origem e trânsito da África Ocidental, através de financiamento, apoio ao reforço de capacidades e medidas de vigilância costeira e controlo migratório para ajudar a conter os fluxos.

 

No entanto, segundo a agência das Nações Unidas, essas medidas contribuíram para deslocar as partidas marítimas para zonas costeiras mais remotas, onde os migrantes ficam "mais expostos a traficantes, condições precárias, desinformação, extorsão, interceção e acesso limitado a assistência".

 

Entre Janeiro e Abril, foram registados 1.364 retornos provenientes da Gâmbia, Mauritânia e Senegal. No mesmo período, foram contabilizadas 155 mortes e desaparecimentos na Rota Atlântica da África Ocidental, menos 48% do que no período anterior, com o afogamento a continuar a ser a principal causa de morte.

 

Os traficantes recorrem frequentemente a embarcações sobrelotadas e sem condições de navegabilidade, enquanto falhas nos equipamentos de navegação ou condições adversas podem levar as embarcações para Cabo Verde ou para zonas mais afastadas do Atlântico.

 

Sobre a Rota Oriental do Corno de África, que liga sobretudo a Etiópia e a Somália à Península Arábica, registaram-se 70.200 chegadas ao Iémen, um aumento de 9% em termos homólogos. A maioria das travessias teve origem no Djibuti. Uuma proporção menor partiu da Somália.

 

A rota, utilizada sobretudo por migrantes etíopes, permanece particularmente perigosa devido ao conflito no Iémen, em curso desde 2014, alertou.

 

Durante o período analisado, foram registadas cerca de 33.000 devoluções de migrantes para a Etiópia organizadas pela Arábia Saudita, menos 9% do que no final de 2025.

 

A OIM contabilizou ainda 105 mortes e desaparecimentos de migrantes nesta rota, com o afogamento a ser novamente a principal causa de morte.

 

"Os migrantes enfrentam riscos persistentes e generalizados nesta rota", incluindo detenção, extorsão, violência física e exploração por redes de tráfico de pessoas, alertou a OIM.

Por fim, sobre a Rota da África Oriental e Austral, que parte sobretudo do sul da Etiópia e da Somália e atravessa vários países - nomeadamente Moçambique - até à África do Sul, os movimentos registados em direção ao país diminuíram 39%, de 39.800 entre Janeiro e Abril de 2025 para 24.200 no mesmo período deste ano.

 

A diminuição foi particularmente expressiva entre os cidadãos do Zimbabué, com menos 69%, e da Etiópia, com menos 62%. Já os movimentos provenientes de Moçambique referidos pela OIM diminuíram 7%.

 

A organização associou parte desta redução ao reforço do controlo migratório na África do Sul.

 

Os retornos, por sua vez, aumentaram 27%. A maioria na África do Sul, responsável por 72% dos casos, seguida de Moçambique, com 21%, e do Zimbabué, com 6%.

 

A OIM apontou o desemprego, falta de acesso a terras e a procura de trabalho como alguns dos fatores que impulsionam estes movimentos.

 

As viagens nesta rota são marcadas por "transportes inseguros e sobrelotados", exposição às condições meteorológicas, animais selvagens e abusos associados à ação de traficantes.

ANG/Inforpress/Lusa

 

Rússia/Putin visita pela primeira vez as ilhas Curilas e reacende disputa territorial com o Japão

Bissau,13 Ago 26 (ANG) - A visita do presidente da Rússia, Vladimir Putin, às ilhas Curilas, território reivindicado pelo Japão, provocou forte reação de Tóquio e voltou a expor uma das mais antigas disputas territoriais da região.

Foi a primeira vez que o líder russo esteve no arquipélago, localizado entre a península de Kamchatka e a ilha japonesa de Hokkaido.

A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, classificou a visita como "absolutamente inaceitável" e afirmou que ela "ofende os sentimentos do povo japonês". O governo japonês também apresentou um protesto formal a Moscou.

Em comunicado, o ministro das Relações Exteriores do Japão, Toshimitsu Motegi, reiterou que os chamados "Territórios do Norte", como o arquipélago é conhecido no país, constituem parte integrante do território japonês tanto do ponto de vista histórico quanto do direito internacional.

A disputa envolve as ilhas de Iturup, Kunashir e Shikotan, além do grupo de ilhotas Habomai, ocupados pela União Soviética nos dias finais da Segunda Guerra Mundial e administrados pela Rússia desde 1945. O impasse impede até hoje que Moscou e Tóquio assinem um tratado formal de paz que encerre definitivamente as hostilidades do conflito.

Em sua primeira visita ao arquipélago, Putin esteve em Iturup, onde visitou a indústria pesqueira Yasny, um dos principais empreendimentos da ilha, e conversou com moradores.

Antes de seguir para as Curilas, o presidente russo passou pela região de Sacalina, no extremo leste do país, onde acompanhou exercícios da Frota do Pacífico e participou de uma reunião sobre a segurança das fronteiras orientais da Rússia, segundo a agência estatal RIA Novosti.

Estratégicas para Moscou, as Curilas abrigam bases militares e ocupam posição-chave no Pacífico Norte. O arquipélago tem cerca de 20 mil habitantes e reúne importantes recursos naturais, como jazidas de ouro e prata, além de algumas das áreas de pesca mais produtivas da região.

A disputa territorial se tornou ainda mais sensível após a invasão russa da Ucrânia, em 2022. Desde então, o Japãi aderiu a sanções contra Moscovo e as relações bilaterais se deterioraram.

Paralelamente,a Rússia aprofundou sua aproximação política e militar com a China e a Coreia do Norte.

A tensão em torno das Curilas atravessa décadas. Em 2010, o então presidente Dmitri Medvedev tornou-se o primeiro líder russo a visitar o território disputado. Posteriormente, retornou diversas vezes à região quando ocupava o cargo de primeiro-ministro.

Ao longo dos anos, Moscou e Tóquio tentaram negociar uma solução para o impasse. Em 1956, durante o restabelecimento das relações diplomáticas entre os dois países, o líder soviético Nikita Khrushchev chegou a sugerir a devolução de duas das quatro ilhas em troca da assinatura de um tratado de paz.

As negociações foram retomadas após o fim da União Soviética, em 1991, mas não avançaram. ANG/RFI/Com agências

 

               
                Copa Feminina Marrocos2026
/ Camarões e Malawi na final

Bissau, 13 Ago 26 (ANG) – Camarões enfrentará o Malawi na final da Copa Africana de Nações Feminina (Marrocos-2026), após eliminar as Leoas do Atlas nos penáltis (3-1), na noite de quarta-feira, no Estádio Moulay El Hassan, em Rabat, ao final de uma semifinal que permaneceu indefinida por 120 minutos (0-0).

Diante de 19.912 torcedores, a seleção marroquina tomou a iniciativa desde o início, impondo uma pressão alta e forte posse de bola, principalmente através de Sanaa Mssoudy, Sakina Ouzraoui e da capitã Ghizlane Chebbak.
Dominando os primeiros 20 minutos, as jogadoras de Jorge Vilda tentaram repetidamente furar a compacta defesa camaronesa, mas não conseguiram capitalizar o controle da partida.

Ao retornar do vestiário, Camarões aumentou gradualmente sua força, enquanto enfrentava uma equipe marroquina determinada a encontrar uma brecha.

Sanaa Mssoudy quase marcou aos 60 minutos, com seu chute acertando a rede lateral, antes de uma resposta camaronesa quatro minutos depois, com Marie Gisèle Manga defendendo o chute da goleira Khadija Er-Rmichi.

Jorge Vilda fez duas alterações aos 68 minutos, com Najat Badri e Imane Saoud entrando nos lugares de Elodie Nakkach e Ibtissam Jraidi, respectivamente.

As mulheres camaronesas pareceram mais ameaçadoras durante esse segundo período, principalmente Michaela-Batya Abam e Yvana Makana.

A entrada de Fátima Tagnaout no lugar de Ghizlane Chebbak aos 82 minutos revitalizou o ataque marroquino. Tagnaout, Hanane Ait El Haj, Sanaa Mssoudy e Sakina Ouzraoui tentaram então fazer a diferença nos minutos finais do tempo regulamentar.

Como nenhuma das equipes conseguiu marcar, a partida foi para a prorrogação. Marrocos teve um pênalti a seu favor aos 117 minutos, mas Fátima Tagnaout desperdiçou a cobrança.

A decisão final foi tomada durante a disputa de pênaltis, que Camarões venceu por 3 a 1.

A seleção feminina camaronesa disputará a final contra o Malawi no domingo, no Estádio Moulay El Hassan.ANG/Faapa

 

Colômbia/Após críticas, Governo abre operações de resgate apenas a aliados políticos

Bissau, 13 Ago 26 (ANG) - Após dias de críticas pela recusa em aceitar ajuda internacional, o governo de Abelardo De La Espriella anunciou, enfim, a abertura do país para equipes estrangeiras de resgate que atuarão nas áreas atingidas pelo terramoto.

A medida, porém, tem forte componente ideológico: apenas socorristas dos Estados Unidos, Israel, Equador e El Salvador, países governados por líderes de direita, poderão participar das operações.

 Segundo balanço divulgado na quarta-feira (12), o número de mortos subiu para 265 vítimas.

O governo justificou a escolha afirmando que apenas países com capacidade comprovada de mobilizar equipes de busca e resgate reconhecidas oficialmente e com padrão internacional de atuação foram autorizados a participar da operação.

A explicação foi dada por David Tamayo, diretor da Unidade Nacional de Gestão de Riscos.

Ao lado dele, na mesma coletiva de imprensa, o chanceler Omar Bula, negou que o governo colombiano tenha feito escolhas ideológicas. “Não excluímos absolutamente nenhum país. Em relação às ofertas que nos foram feitas, trabalhamos com países sem qualquer consideração ideológica ou política e aceitamos e agradecemos profundamente sua ajuda.”

Ainda nesta quarta-feira, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, conversou por telefone com o chanceler colombiano.

 “O governo brasileiro está tomando medidas para o envio célere de ajuda humanitária para apoiar as ações de resposta do governo colombiano”, diz uma publicação nas redes sociais do Itamaraty.

O Brasil deve enviar à Colômbia purificadores de ar, medicamentos e alimentos, mas ainda não há data nem quantidades definidas, segundo um diplomata do Itamaraty.

Questionado sobre a possibilidade de uma missão de socorristas, como a enviada recentemente à Venezuela, ele afirmou que a ajuda é definida conforme a demanda do governo colombiano, que não solicitou equipes de busca e resgate.

Na terça (12), o presidente salvadorenho, Nayib Bukele, havia dito que a Colômbia “solicitou ajuda humanitária exclusivamente na forma de insumos” e que o país agora comandado por De La Espriella “não requer apoio de pessoal”.

A limitada mudança de postura do governo colombiano ocorre de forma tardia. A janela inicial de 72 horas é o período em que há mais possibilidade de se encontrar um sobrevivente debaixo dos escombros. Esse prazo se encerra na manhã desta quinta (13).

Há, em todo o país, 496 pessoas desaparecidas, segundo o último balanço divulgado, na quarta-feira, pelopresidente Abelardo de La Espriella .

 

 Ainda de acordo com o governo federal, o terramoto de magnitude 7,4 que atingiu a Colômbia na manhã desta segunda-feira (10) já deixou 265 mortos. A tendência, conforme os trabalhos de busca e resgate continuem, é que os números ainda cresçam.

O Instituto Nacional de Medicina Legal identificou, até o momento, 205 corpos. Parte dos que ainda não foram reconhecidos estão localizados na cidade de Pereira, uma das mais atingidas pelos terramotos, que registava quase 90 vítimas no último balanço divulgado pela prefeitura da cidade.

Milhares de voluntários lideram as operações de busca e resgate no município e trabalham diariamente na tentativa de encontrar sobreviventes ou localizar os corpos das vítimas. Mas são poucos os que buscam por algum parente ou amigo. A região central, a área mais afetada da cidade, era frequentada, sobretudo, por prostitutas, moradores de rua e dependentes químicos, que já não tinham mais contato com suas famílias.

No Instituto de Medicina Legal do município, para onde os cadáveres encontrados são levados, há 22 corpos de vítimas identificadas que ainda não foram reclamados por nenhum parente. As autoridades locais não divulgaram o número de mortos não identificados.

Além de atualizar os números da tragédia, Abelardo de La Espriella também anunciou que vai declarar um estado de emergência no país para enfrentar a tragédia. “Decidi fazer uso da emergência económica, mecanismo previsto em nossa Constituição para poder enfrentar esta crise”, afirmou.

O chamado “Fundo Milagre” deverá concentrar recursos nacionais e internacionais destinados à reconstrução das áreas atingidas pelo terramoto. A proposta prevê financiar a recuperação de hospitais, escolas, imóveis, estradas e aeroportos danificados pelo sismo.

O pacote também prevê medidas para aliviar os impactos económicos sobre a população, como subsídios para o aluguel de famílias que perderam suas casas, pagamento temporário de serviços públicos, benefícios tributários e auxílio a famílias vulneráveis. ANG/Faapa

 

 

Níger/Juventude do Shael exige maior igualdade de oportunidades e participação nas políticas de segurança

Bissau, 13 Ago 26 (ANG) - Representantes de governos, parceiros técnicos e financeiros, instituições regionais e jovens do Sahel uniram suas vozes para exigir mais igualdade de oportunidades e maior envolvimento dos jovens nos processos de desenvolvimento de políticas de segurança nos países da região.


Este apelo foi lançado através de uma chamada declaração "Niamey", que sancionou o encerramento da 3ª edição do Fórum YouthConnekt Sahel, realizada
  de 10 a 12 de Agosto  no Centro Internacional Mahatma Gandhi em Niamey.

Segundo seus autores, esta declaração constitui um roteiro estratégico que visa fazer deste encontro uma dinâmica de ações coletivas imediatas e concretas em torno das prioridades da juventude do Sahel, estruturadas em cinco eixos estratégicos.

Uma dessas cinco áreas relaciona-se com a paz, a segurança, a prevenção do extremismo violento e a coesão social.

Neste ponto, os autores desta declaração apelam, entre outras coisas, à "criação de um fundo saheliano para a juventude, a paz e a coesão social, destinado a institucionalizar e financiar a participação dos jovens nas políticas e nos mecanismos de prevenção de conflitos e do extremismo violento".

Eles instam todas as partes interessadas a "rejeitar o discurso de ódio, a estigmatização e as divisões baseadas na origem, comunidade ou religião", a "estabelecer programas adequados para a reintegração socioeconómica de jovens vulneráveis ​​ou afetados por conflitos armados" e a "promover uma distribuição mais equitativa de riqueza e oportunidades para fortalecer a coesão social e a confiança no Sahel".

Em termos de inovação, transformação económica e soberania digital no Sahel, a Declaração de Niamey apela para a facilitação do "acesso não discriminatório de jovens empreendedores ao crédito bancário e para a garantia da sustentabilidade de suas microempresas", bem como para o fortalecimento da "cooperação entre jovens nos países do Sahel para reunir habilidades, compartilhar inovações e criar negócios capazes de operar em escala regional", e também para a promoção dos "talentos da diáspora saheliana, criando mecanismos que permitam a transferência de habilidades, investimentos, tecnologias e experiências para os países da região".

No terceiro eixo, o da resiliência climática, territórios sustentáveis ​​e segurança alimentar, os autores desta declaração da reunião de Niamey desejam que seja criado

"Um Corpo de Jovens do Sahel para a resiliência digital e cívica, encarregado de recrutar, treinar, certificar e mobilizar jovens em missões remuneradas de seis a doze meses em comunidades, escolas, serviços públicos, PMEs e organizações comunitárias."

Em termos de emprego, empregabilidade e empreendedorismo juvenil, os jovens do Sahel, apoiados pelas autoridades dos seus respectivos países e por parceiros de desenvolvimento, solicitaram que o empreendedorismo juvenil seja promovido através do "incentivo à criação de pequenas e médias empresas, startups, cooperativas e atividades geradoras de renda".

No que diz respeito à cooperação regional, à integração do Sahel e à construção de uma visão comum, os participantes da 3ª edição do YouthConnekt Sahel 2026 expressaram o desejo de "reforçar a igualdade de oportunidades, reduzindo as disparidades entre os jovens das zonas urbanas e rurais, integrando simultaneamente a dimensão de género, a fim de construir um Sahel mais justo, inclusivo e resiliente", mas também de optar "por uma profunda revisão dos sistemas educativos, de forma a integrar os nossos valores sociais, base para a formação de um cidadão do Sahel unido, corajoso e que ame a sua pátria".

Além disso, apelam aos vários países para que "superem as divisões nacionais, comunitárias e culturais e promovam uma identidade saheliana baseada em valores comuns, fraternidade e solidariedade", para que iniciem "encontros de diálogo permanentes e fóruns da juventude saheliana para apresentar uma voz unificada" e para que criem "um Prémio de Inovação Digital para a Juventude Saheliana, que premie anualmente as melhores soluções digitais desenvolvidas por jovens do Sahel (agricultura inteligente, saúde, educação, paz e segurança)".

"Por meio da Declaração de Niamey, os participantes do Fórum YouthConnekt Sahel reafirmam seu compromisso de colocar a juventude no centro da dinâmica de transformação no Sahel e apelam para uma mobilização coletiva de Estados, instituições regionais, parceiros de desenvolvimento e atores privados para apoiar soluções concretas, inclusivas e sustentáveis", conclui o documento.

Organizado pelo Ministério da Juventude, Desportos e Cultura, em parceria com a Youth Connekt Africa, o PNUD, o UNFPA e o UNICEF, este encontro em Niamey contou com o alto patrocínio do Presidente da República, Chefe de Estado do Níger, General Abdourahamane Tiani.

De acordo com os organizadores, cerca de 400 jovens de 8 países do Sahel viajaram para a capital nigerina, enquanto outros 2.500 jovens puderam acompanhar as diversas atividades ao vivo por meio de plataformas digitais.

Este evento de três dias teve como tema central: "A juventude do Sahel no centro da segurança e da inovação e por um Sahel soberano, resiliente e próspero".ANG/Faapa

 

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Comunicação Social/”Governo autoriza criação do programa “Governação Aberta” na TGB para informar a opinião pública”, diz Abduramane Turé

Bissau, 12 Ago 26 (ANG) – O ministro da Comunicação Social (MCS), revelou hoje que, recentemente, o Governo aprovou no Conselho de Ministros (CM), a criação do programa “Governação Aberta”, na TGB, para que os governantes do atual Executivo passassem a falar  a opinião pública sobre o funcionamento dos ministérios que dirigem.

Abduramene Turé que falava à imprensa no final da visita de trabalho que efetuou esta manhã as instalações da Televisão da Guiné-Bissau (TGB), disse que o referido programa terá início no próximo dia 28  com  retransmissão para todas as rádios ao nível nacional através das emissões da TGB.

De acordo com o governante, o programa será produzido pela  TGB, para depois ser emitido para as diferentes rádios do país.

“Tínhamos que estar aqui hoje, para verificar o Estúdio da TGB e saber dos aspetos que devem ser melhorados, para permitir que o programa seja conduzido em perfeitas condições”, disse o ministro.

Turé disse ter sido informado pela Diretora-geral da instituição que a TGB necessita de apoio do Governo para melhorar certos aspectos, nomeadamente o estúdio que precisa  ser melhorado em termos de condições e cenário, para permitir uma boa receção dos ministros convidados para o programa.

“O primeiro convidado para dar abertura ao programa “Governação Aberta”, será o Primeiro-ministro Ilídio Vieira Té, e de seguida será a vez dos membros do Governo Durante a entrevista, o ministro entrevistado estará aberto para  questões colocadas pelos jornalistas e pelos  telespetadores em casa”, disse Abduramane Turé.

Aquele responsável anunciou que a   TGB deve iniciar hoje  entrevistas com pessoas ligadas ao processo do Referendo Nacional,  agendado para o próximo dia 30 de Agosto.

O ministro mostrou-se  ainda preocupado com a situação de atraso salarial de cinco meses, que afetam o pessoal  contratado da TGB, e promete que o assunto será resolvido, porque o processo já estava  em andamento.

Sobre a taxa audiovisual para os órgãos públicos da Comunicação Social, Abduramane Turé disse que tudo já estava acertado, e que desconhece a razão que levou a não entrada desta verba no passado mês, na conta destes órgãos.

“Vamos diligenciar para se inteirar do que, de facto, está a acontecer. E penso que o assunto será resolvido”, garantiu Turé.

Abduramane Turé também  garantiu aos jornalistas que a questão de retroativos a serem pagos aos mais recentes jornalistas e técnicos admitidos nos órgãos públicos de comunicação Social está num bom pé, e diz que o documento já deu entrada na Função Pública (FP), e que os procedimentos administrativos darão  continuidade para o desfecho do processo. ANG/LLA/ÂC//SG 

Regiões/ Ministério da Mulher em colaboração com PNUD promovem Fórum Regional de Cacheu sobre  liderança feminina

Cacheu, 12 Ago 26 (ANG) – O Ministério da Mulher e Solidariedade Social em colaboração com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento- (PNUD),promoveram, terça-feira, em Canchungo, o Fórum Regional de Cacheu sobre a Liderança Feminina e Empoderamento das Mulheres, sob o lema: "Participação, Liderança e Transformação Social".

De acordo com o despacho do Correspondente da ANG na Região de Cacheu, no ato de abertura oficial o Administrador do setor de Canchungo, Albino Camepilim Mendes, pediu aos participantes para ajudarem com denúncias de casos de violência doméstica e promoção de  ações à favor das mulheres na sociedade, e nas políticas partidárias na região de Cacheu.

Em representação da ministra da Mulher e Solidariedade Social, a Diretora Geral da Família e Promoção da Mulher, Maria Vitória Correia disse que o Fórum é um meio de criação de um Programa de Trabalho através do diálogo e partilha de ideias entre os participantes, para a promoção dos direitos humanos das mulheres.

A representação do PNUD, Catarina Gomes Jao, pediu o combate as barreiras sociais e culturais que limitam a participação de mulheres e integração de preocupações sobre  género  nas políticas públicas e nos programas de trabalho de governança  do país e de criação de condições para aumentar a presença das mulheres no espaço político, económico, social e nas diferentes instituições.

No evento participaram cerca de 70 pessoas em representação da administração local,organizações da Sociedade Civil, líderes tradicionais, religiosos e jovens. ANG/AG/JD/ÂC//SG

Suíça/OMS critica ofensiva de Trump contra vacinas e alerta para riscos a crianças nos EUA

Bissau, 12 Ago 26 (ANG) - A Organização Mundial da Saúde (OMS) manifestou preocupação nesta quarta-feira (12) com a nova ofensiva do presidente dos EUA, Donald Trump, contra as recomendações vacinais adotadas há décadas no país.

Em meio ao maior surto de sarampo registado em 35 anos em território norte-americano, a entidade afirmou que as mudanças anunciadas pela Casa Branca não se baseiam em evidências científicas consolidadas e alertou que o adiamento das doses pode deixar milhões de crianças desprotegidas.

A Organização Mundial da Saúde elevou o tom nesta quarta-feira (12) contra as novas recomendações sobre vacinação anunciadas pelo presidente dos EUA, Donald Trump.

A agência das Nações Unidas afirmou que as alterações defendidas pelo governo norte-americano não estão alinhadas com o conhecimento científico acumulado ao longo de décadas e podem comprometer a proteção de crianças contra doenças evitáveis.

A reação ocorreu dois dias depois de Trump assinar um decreto que propõe mudanças na forma como vacinas infantis são administradas.

O texto recomenda, entre outras medidas, ampliar o intervalo entre determinadas aplicações e separar imunizantes que atualmente são oferecidos de forma combinada.

Ao apresentar a medida na segunda-feira (10), o presidente voltou a mencionar o autismo, tema frequentemente associado por setores antivacina à imunização infantil, apesar da ausência de evidências científicas que sustentem essa relação.

Para o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, decisões sobre vacinação devem permanecer ancoradas em avaliações técnicas independentes. Em mensagem publicada na rede social X, ele afirmou que políticas públicas nessa área precisam ser definidas a partir das melhores evidências disponíveis, e não de considerações políticas.

Segundo Tedros, os calendários vacinais atualmente adotados por diversos países são resultado de décadas de pesquisa, monitoramento epidemiológico e revisão permanente de dados obtidos em diferentes regiões do mundo.

Esses estudos, ressaltou o dirigente, indicam com precisão os períodos em que as crianças estão mais vulneráveis a determinadas doenças, os momentos em que as vacinas oferecem proteção mais eficaz, a quantidade de doses necessária e quais imunizantes podem ser administrados simultaneamente com segurança.

Um dos principais pontos de atrito entre a comunidade científica e integrantes do governo Trump diz respeito à associação entre vacinas e autismo.

Tedros reafirmou que as evidências científicas disponíveis são inequívocas ao demonstrar a segurança dos imunizantes, incluindo a vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola. Segundo ele, não existe relação causal entre a vacinação e o desenvolvimento do transtorno.

A OMS já havia abordado a questão em diversas ocasiões nos últimos anos.

Grandes estudos epidemiológicos realizados em diferentes países tampouco identificaram ligação entre vacinas e autismo, conclusão compartilhada pelas principais instituições médicas e científicas do mundo.

Apesar disso, Trump e o secretário de Saúde dos EUA, Robert F. Kennedy Jr., seguem sugerindo que a hipótese merece novas investigações.

Kennedy assumiu o comando do Departamento de Saúde carregando um histórico de críticas aos programas de imunização.

Desde que chegou ao cargo, promoveu uma ampla revisão das políticas vacinais do país, incluindo imunizantes utilizados há décadas e considerados fundamentais pelos órgãos de saúde pública.

As iniciativas incluem alterações no calendário de vacinação infantil e cortes de financiamento para pesquisas voltadas ao desenvolvimento de novos imunizantes.

As medidas provocaram forte reação de associações médicas, pesquisadores e especialistas em saúde pública, que acusam o governo de enfraquecer estratégias historicamente responsáveis pela redução da mortalidade infantil.

As discussões sobre vacinação ganham peso adicional porque ocorrem em um momento particularmente delicado para os EUA.

O país enfrenta atualmente seu pior surto de sarampo em 35 anos, fenómeno que especialistas associam à queda da cobertura vacinal observada em diferentes estados nos últimos anos.

Nesse contexto, o decreto assinado por Trump recomenda especificamente que as vacinas contra sarampo, caxumba e rubéola deixem de ser aplicadas em uma única injeção, prática amplamente adotada por autoridades sanitárias internacionais. A proposta é que elas sejam administradas separadamente.

Embora o texto tenha forte peso político, o governo federal não possui autoridade para impor diretamente mudanças nos programas estaduais de vacinação.

Na prática, a Casa Branca orienta os estados a reverem suas exigências de imunização para matrícula e frequência de estudantes em escolas.

O momento também é simbólico porque a medida foi anunciada justamente quando milhões de crianças se preparam para retornar às salas de aula após as férias de verão no hemisfério norte.

A disputa em torno da vacinação já havia alcançado os tribunais anteriormente. Mais cedo neste ano, a Justiça norte-americana suspendeu uma reformulação da política vacinal conduzida por Robert F. Kennedy Jr., impondo limites à implementação de mudanças defendidas pelo secretário de Saúde.

Ao mesmo tempo em que criticou o novo direcionamento adotado pelo governo norte-americano, a OMS procurou transmitir uma mensagem de tranquilidade às famílias.

Tedros afirmou que a preocupação dos pais com a segurança dos filhos é legítima, mas ressaltou que a vacinação continua sendo uma das ferramentas mais eficazes já desenvolvidas para prevenir doenças graves e mortes evitáveis.

"O objetivo de todos os pais é manter seus filhos em segurança, e as vacinas estão entre os instrumentos mais poderosos para alcançar isso, ajudando a evitar doenças potencialmente fatais", escreveu o diretor-geral da organização.

A declaração evidencia a crescente distância entre as recomendações defendidas pela OMS e o rumo adotado pela atual administração norte-americana. Desde o retorno de Trump à Casa Branca, a relação entre Washington e organismos multilaterais de saúde tornou-se mais tensa, incluindo a decisão do presidente de retirar os EUA da organização.

Para a entidade, entretanto, a discussão sobre vacinas permanece uma questão essencialmente científica.

Diante do avanço do sarampo e da persistência de dúvidas alimentadas por movimentos antivacina, a OMS deixou claro que pretende continuar defendendo os protocolos construídos a partir das evidências acumuladas pela pesquisa médica internacional. ANG/RFI/AFP