terça-feira, 6 de outubro de 2026

Finanças/BAD considera “remessas de emigrantes”  ferramenta financeira crucial para a Guiné-Bissau

Bissau, 06 Out 26( ANG) – O Banco Africano de Desenvolvimento(BAD) indica  em relatório  que  “Remessas de Emigrantes” são  “ferramenta financeira crucial” para a Guiné-Bissau.

No seu relatório sobre Perspectivas Económicas Africana 2026, à que a ANG teve acesso, o BAD apela a criação de "títulos da diáspora" (diáspora bonds) e mecanismos de partilha de risco para captar e canalizar os fluxos  financeiros provenientes de Emigrantes para o financiamento do desenvolvimento a longo prazo.

Recomenda a Guiné-Bissau a diversificação das suas fontes de financiamento.

O relatório sugere a rentabilização do envio de remessas através de . emissão de obrigações ou títulos destinados especificamente aos emigrantes guineenses no exterior, convertendo a ajuda familiar direta em investimento público estrutural.

O BAD e relatórios parceiros da ONU sublinham que a Guiné-Bissau tem um acesso quase inexistente aos mercados privados internacionais de capitais,  que eleva a importância das remessas como uma das poucas fontes de moeda externa estável e previsível que entra no país.

Apesar da fragilidade institucional, o BAD prevê um crescimento económico para a Guiné-Bissau de 4,9% em 2026 e 5,1% em 2027.Acrescenta  que esse crescimento é impulsionado pelos setores primário (campanha do caju) e secundário, mas que o consumo interno que sustenta estes números continua fortemente dependente do dinheiro enviado pelos emigrantes.

O BAD refere  que uma percentagem significativa das remessas para a Guiné-Bissau flui através de canais informais (mão em mão ou redes não registadas).

 O relatório de 2026 destaca  a necessidade de aprofundar o setor financeiro nacional e acelerar a digitalização para trazer estes fundos para o circuito bancário formal.

Segundo o relatório, as remessas enviadas pela diáspora guineense representam uma parcela estrutural profunda, equivalendo a perto de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) da Guiné-Bissau.

“Isto coloca o país entre as pequenas economias lusófonas mais dependentes deste fluxo de capital externo para a sobrevivência das famílias e entrada de divisas”, refere o relatório do BAD..ANG/ÂC//SG

 

 

 

 

 

 

Dia Mundial do Professor/ Primeiro-ministro  reafirma compromisso com valorização dos professores e melhoria da qualidade do ensino no país

Bissau, 06 Out 26 (ANG) – O Primeiro-ministro, Ilídio Vieira Té reafirmou, por ocasião  do Dia Mundial do Professor, o compromisso do Governo de colocar a educação como prioridade efetiva da ação governativa.

Numa  mensagem dirigida aos professor
es e profissionais da educação, divulgada a 5 de Outubro -”Dia Mundial do Professor”, o chefe do governo destacou o papel dos docentes na formação das crianças e jovens e na construção de uma sociedade mais consciente, justa e mais solidária.

Ilídio Vieira Té reconheceu as dificuldades enfrentadas pelos professores no exercício das suas actividades profissões e defendeu que a dedicação dos docentes deve encontrar uma resposta por parte do Estado.

Entre as prioridades apontadas pelo chefe do Executivo estão a regularidade do pagamento salarial, a valorização das carreiras,  formação continua e a melhoria das condições de trabalho.

O Primeiro-ministro afirmou ainda que o compromisso com a educação exige decisões responsáveis, acompanhamento  e perseverança.

Aos professores, pediu rigor, dedicação e respeito pelos alunos, incentivando-os a contribuir para a formação de novas gerações capazes de pensar livremente, valorizar o conhecimento e servir o país com honestidade.

Nessa mensagem, o chefe do Governo defendeu que todas as crianças guineenses, independentemente da regiões onde vivem, devem ter oportunidade de aprender e desenvolver plenamente as suas capacidades.

Ainda apelou a  transformação da educação  numa causa nacional que envolva o Governo, professores, alunos, famílias, comunidades e parceiros da Guiné-Bissau.

No final da mensagem, Ilídio Vieira Té agradeceu aos professores pelo trabalho desenvolvido e sublinhou que valorizar aos docentes significa fortalecer a escola e contribuir para a construção do futuro da Guiné-Bissau. ANG/LPG/ÂC//SG

Ambiente/ Mulheres dos Bijagós partilham experiências com MULEIDE sobre governação comunitária e conservação marinha

Bissau, 6 Out 26 (ANG) – As mulheres do Arquipélago de Bijagós participaram num intercâmbio com uma delegação da Associação Mulher, Lei e Desenvolvimento (MULEIDE), de Moçambique, no âmbito do projeto Ação Climática Feminista.

A informação foi publicada na página da ONG Tiniguna na Facebook, segundo a qual  o encontro realizado na ilha de Formosa centrou-se na partilha de experiências sobre governação comunitária, gestão inclusiva das áreas marinhas protegidas e desenvolvimento sustentável das comunidades.

Trata-se de uma  iniciativa de promoção de  trocas de conhecimentos, estratégias e ferramentas entre organizações e comunidades da Guiné-Bissau e de Moçambique.

Numa incursão pelas  diferentes localidades do Arquipélago, as participantes percorreram diferentes ilhas, bancas de moluscos e perímetros hortícolas para  conhecer experiências relacionadas com agroecologia comunitária, resiliência às alterações climáticas, conservação de áreas comunitárias, igualdade de género, governação e empoderamento económico.

Mércia Fabião Chitinze, representante da MULEIDE destacou a importância da visita para o conhecimento da realidade guineense, sublinhando a produção de arroz, a preservação dos mangais e a força da identidade cultural africana nas comunidades bijagós.

Segundo Chitinze, Moçambique também desenvolve esforços para recuperar os mangais e preservar elementos culturais que se encontram em risco de desaparecimento.

Por seu turno, Sharon Truzão, coordenadora do projeto RESEA em Moçambique, considerou positivas as trocas de experiências estabelecidas com as comunidades bijagós e a Tiniguena, destacando a articulação entre a organização e as comunidades locais na preservação ambiental e cultural.

Naentrem Sanca, responsável pela área de Género da Tiniguena no projeto Ação Climática Feminista, salientou a importância da partilha de experiências sobre o funcionamento das bancas de moluscos e sobre os processos que têm permitido aumentar a participação das mulheres em posições de liderança nas estruturas comunitárias.

O projeto Ação Climática Feminista na África Ocidental (ACF-AO) é implementado na Guiné-Bissau pela Tiniguena, em parceria com a ONG internacional Inter Pares. a iniciativa pretende reforçar as respostas comunitárias às alterações climáticas e aumentar a participação das mulheres rurais e dos jovens na proteção da biodiversidade e na promoção da justiça climática.ANG/MI/ÂC//SG

 

Côte D`Ivoire/ Cinco novos juízes do Tribunal de Justiça da CEDEAO tomam posse esta terça-feira

Bissau, 06 Out 26 (ANG) - O Presidente da Autoridade dos Chefes de Estado e de Governo da CEDEAO e Presidente da República do Senegal, Sua Excelência Bassirou Diomaye Faye, participa hoje  da cerimónia de posse de cinco novos juízes do Tribunal de Justiça da Comunidade da CEDEAO.

Segundo a AIP que cita um comunicado à imprensa do Tribunal,  são eles o Sr. Désiré Henri AIHOU (Benin), o Meritíssimo Juiz Awa BAH (Gâmbia), a Sra. Charlyne M. BRUMSKINE (Libéria), a Sra. Henrietta Uzoamaka DIDIGU (Nigéria) e o Dr. Yaouza OURO-SAMA (Togo).

Os novos juízes foram nomeados para um mandato não renovável de quatro anos pela Autoridade dos Chefes de Estado e de Governo na 69ª Sessão Ordinária da Autoridade dos Chefes de Estado e de Governo da CEDEAO, realizada em Lungi, República da Serra Leoa, em 19 de julho de 2026, em conformidade com as disposições da Lei Suplementar SA. 1/12/25 de 14 de Dezembro de 2025 relativa ao Tribunal de Justiça da Comunidade.

O artigo 3.º desta Lei estipula que o Tribunal é composto por cinco juízes independentes, escolhidos entre pessoas de elevada integridade moral, nacionais de Estados-Membros, que possuam as qualificações exigidas para o exercício de funções judiciais no Supremo Tribunal ou em qualquer tribunal de hierarquia equivalente, ou que sejam, de outra forma, consultores jurídicos experientes cuja especialização em direito internacional seja reconhecida, em particular em direito comunitário ou direito da integração regional. Qualquer candidato à nomeação deve demonstrar, pelo menos, 20 anos de experiência profissional.

Nos termos do Artigo 5.º da Lei Complementar, cada juiz é obrigado a prestar juramento ou fazer uma declaração solene perante o Presidente da Autoridade dos Chefes de Estado e de Governo antes de assumir as suas funções.

Os novos juízes sucedem o Juiz Ricardo Cláudio Monteiro Gonçalves (Cabo Verde), o Juiz Sengu Mohamed Koroma (Serra Leoa), o Juiz Dupe Atoki (Nigéria), o Juiz Gberi-Bè Ouattara (Costa do Marfim) e o Juiz Edward Amoako Asante (Gana), cujo mandato de quatro anos chegou ao fim.

Ao assumirem o cargo, os novos juízes do Tribunal terão de eleger entre si um presidente e um vice-presidente para um mandato de dois anos. ANG/Faapa

   

 

  Macau/Exportações lusófonas para a China fixam novo recorde até Agosto

Bissau,  06 Out 26(ANG) – As exportações lusófonas para a China registaram o melhor arranque de ano de sempre, ao subirem 22,1% para 105,8 mil milhões de dólares (94,3 mil milhões de euros) entre Janeiro e Agosto.

 

Este é o valor mais elevado para os primeiros oito meses de um ano desde que o Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum de Macau) começou a compilar estes dados dos Serviços de Alfândega da China, em 2013.

 

As exportações aumentaram sobretudo devido ao Brasil, de longe o maior fornecedor lusófono do mercado chinês, cujas vendas cresceram 25,1%, para 90,9 mil milhões de dólares (81 mil milhões de euros), um novo máximo para o período entre Janeiro e Agosto.

 

As vendas de mercadorias de Angola para a China aumentaram 9,8% para 11,5 mil milhões de dólares (10,2 mil milhões de euros), enquanto as exportações de Portugal subiram 1,1% para 1,97 mil milhões de dólares (1,75 mil milhões de euros).

 

Os dados mostram que a maioria dos países de língua portuguesa exportou mais para a China, incluindo a Guiné Equatorial, cujas vendas subiram 24,2%, para 577,4 milhões de dólares (514,8 milhões de euros).

 

As exceções foram Moçambique, cujas exportações para o mercado chinês desceram 19,3%, para 883,6 milhões de dólares (787,8 milhões de euros), enquanto as vendas de São Tomé e Príncipe também caíram 89,5% em comparação com o período entre Janeiro e agosto de 2025.

 

Pelo contrário, o maior aumento foi registado nas exportações de Timor-Leste, que passaram de apenas 44 mil dólares (39 mil euros) para 2,23 milhões de dólares (1,97 milhões de euros).

 

As vendas de Cabo Verde mais do que duplicaram, embora o país não tenha enviado mais de quatro mil dólares (3.600 euros) para a China nos primeiros oito meses do ano.

 

Na direção oposta, os países lusófonos importaram mercadorias no valor de 69,9 mil milhões de dólares (62,3 mil milhões de euros) da China, um aumento anual de 21,3% e também um novo recorde para o período entre Janeiro e Agosto.

 

O Brasil foi o maior parceiro comercial chinês no bloco lusófono, com importações a subirem 22,4% para 57,4 mil milhões de dólares (51,1 mil milhões de euros), seguido de Portugal, que comprou à China mercadorias no valor de 5,5 mil milhões de dólares (4,91 mil milhões de euros), mais 21,1% do que nos primeiros oito meses de 2025.

 

Ao todo, as trocas comerciais entre os países de língua portuguesa e a China atingiram 175,7 mil milhões de dólares (156,7 mil milhões de euros) entre Janeiro e Agosto, um aumento homólogo de 21,8% e um novo máximo para os primeiros oito meses do ano.

 

A China registou um défice comercial de 35,9 mil milhões de dólares (32 mil milhões de euros) com o bloco lusófono no período entre Janeiro e Agosto. ANG/Inforpress/Lusa

 

 

 

     Nigéria/Vinte e três pessoas morreram em acidente com avião militar

Bissau, 06 Out 26 (ANG) - Os 23 passageiros a bordo de um avião da Força Aérea Nigeriana (NAF) que caiu na segunda-feira no sul da Nigéria perderam a vida no acidente, anunciou o presidente nigeriano Bola Tinubu.

O presidente, que confirmou a queda do avião militar ATR-42 na região de Igbokoda, no estado de Ondo, com 32 pessoas a bordo, incluindo sete tripulantes, ofereceu suas condolências às famílias das vítimas, segundo relatos da mídia que citam um comunicado de seu gabinete.

"Rezo pelo descanso das almas desses valentes oficiais e para que Deus Todo-Poderoso conceda às suas famílias e à Força Aérea Nigeriana (NAF) a força para suportar essa infeliz perda", disse o Sr. Tinubu, segundo o comunicado.

Da mesma forma, ele ordenou uma investigação imediata e minuciosa sobre a causa do acidente.

A aeronave estava em um voo de rotina entre Benin City e Lagos quando o acidente ocorreu, informou a Força Aérea Nigeriana.

Segundo o ministro da Aviação, Festus Keyamo, que anunciou no canal X que os destroços haviam sido localizados, a aeronave caiu perto da base naval de Igbokoda. ANG/Faapa

 

Canadá/Independentistas de Quebec voltam ao poder e recolocam a separação do Canadá em discussão

Bissau, 06 Out 26 (ANG) - O Parti québécois (PQ), partido independentista que não governava o Quebec desde 2014, venceu as eleições provinciais realizadas na segunda-feira (5), e recolocou no centro da política canadense a possibilidade de uma nova consulta sobre a independência da província que tem o francês como língua oficial.

Com cerca de 28% dos votos, segundo os resultados quase definitivos, o partido liderado por Paul St-Pierre Plamondon, conhecido como PSPP, não conquistou a maioria absoluta e deverá governar em minoria.

Seu retorno ao poder abre uma nova frente de tensão com Ottawa, capital do Canadá e sede do governo federal, em um país oficialmente bilíngue, mas cuja esfera política e administrativa é predominantemente anglófona, em um momento particularmente delicado, marcado pelo conflito comercial com os Estados Unidos e pelo avanço de movimentos separatistas também em Alberta.

A derrota mais contundente foi a da Coalition Avenir Québec (CAQ), partido de centro-direita que governava a província desde 2018.

 A legenda obteve apenas 14% dos votos e perdeu todos os seus deputados. A chefe de governo em exercício, Christine Fréchette, foi derrotada inclusive em sua própria circunscrição. Os liberais ficaram em segundo lugar, com 23%, seguidos pelos conservadores, com 21%.

A vitória do PQ, porém, não pode ser interpretada como uma decisão dos quebequenses pela independência. A questão soberanista foi uma das bandeiras do partido, mas a insatisfação com o governo anterior, especialmente em relação ao custo de vida e à saúde, também pesou no resultado.

Segundo um levantamento recente citado pela AFP, apenas 31% dos quebequenses afirmam que votariam pela separação do Canadá.

Essa diferença entre a vitória eleitoral e o apoio à independência deverá marcar os próximos anos.

PSPP prometeu organizar uma nova consulta sobre a independência, que seria a terceira da história da província, depois das realizadas em 1980 e 1995. Na última, o campo do “sim” foi derrotado por uma margem estreita.

O novo primeiro-ministro da província, no entanto, não pretende precipitar o processo. Ele afirmou que esperará o fim do mandato de Donald Trump, em Janeiro de 2029.

Para PSPP, a escalada do conflito comercial entre Estados unidos e Canadá não cria um ambiente suficientemente sereno para que os quebequenses decidam sobre seu futuro nacional.

“Le Québec, un pays” (O Quebec, um país), cantaram os apoiantes do PQ em Montreal após a confirmação da vitória. Diante dos militantes, PSPP afirmou que os francófonos da América do Norte têm o direito de constituir seu próprio país e apresentou a independência como uma questão de sobrevivência cultural.

“Um referendo é uma oportunidade de decidir por si mesmo”, afirmou. Para o líder independentista, cabe aos próprios quebequenses determinar seu futuro nacional.

O discurso, porém, enfrenta uma realidade eleitoral menos favorável. O PQ venceu com menos de um terço dos votos e deverá governar sem maioria absoluta. Para colocar em prática seu programa, PSPP precisará negociar com outras forças políticas e construir apoio além da base tradicional do movimento soberanista.

A chegada de um governo independentista ao Quebec representa um novo desafio para o primeiro-ministro canadense, Mark Carney.

A província, com cerca de nove milhões de habitantes e amplas competências dentro da federação canadense, é uma das principais forças económicas e políticas do país.

PSPP já sinalizou que pretende estabelecer uma relação de força com Ottawa. Na semana anterior à eleição, afirmou que não aceitaria que os interesses do Quebec fossem desconsiderados pelo governo federal.

Carney evitou confrontar o novo governo. Em mensagem publicada nas redes sociais, afirmou que construir um Quebec mais forte faz parte do esforço para construir um Canadá mais forte e disse estar disposto a trabalhar com o novo primeiro-ministro de Quebec para apoiar empresas e trabalhadores da província afetados pelas tarifas americanas.

A questão económica pode ser decisiva. O Canadá continua enfrentando um conflito comercial com Washington, enquanto o governo federal tenta preservar a unidade do país diante das pressões externas. Nesse contexto, a emergência de um governo que defende abertamente a soberania do Quebec acrescenta uma nova dificuldade à agenda de Carney.

O problema para Ottawa não termina no Quebec.

Em Alberta, província rica em petróleo no oeste canadense, está prevista para 19 de Outubro uma votação sobre a possibilidade de realizar futuramente uma consulta sobre a independência.

O movimento separatista de Alberta tem características políticas e históricas diferentes do nacionalismo quebequense, mas a coincidência dos dois processos coloca a questão territorial novamente no centro da política canadense.

Se o Quebec avançar na preparação de sua consulta enquanto Alberta decide se abre caminho para seu próprio processo, Ottawa poderá enfrentar simultaneamente dois movimentos de contestação à estrutura federativa canadense.

Outro ponto de tensão entre Quebec e Ottawa será a relação com a monarquia canadense. O Canadá é uma monarquia constitucional: o chefe de Estado é o rei Charles III, representado em cada província por um vice-governador. No Quebec, essa função inclui, entre outras atribuições constitucionais, a sanção das leis aprovadas pela Assembleia Nacional.

 

PSPP prometeu acabar com a representação da Coroa na província e classificou a monarquia como uma “farsa que custa dinheiro”. Sua proposta é retirar o financiamento destinado ao cargo de vice-governador e redirecionar esses recursos para políticas sociais, como o combate à falta de moradia.

A questão, porém, vai além de uma decisão administrativa sobre despesas públicas. O cargo de vice-governador e a própria estrutura da monarquia fazem parte da Constituição canadense. Por isso, uma ruptura unilateral do Quebec com a Coroa poderia provocar uma disputa constitucional com o governo federal e exigiria, dependendo da mudança pretendida, procedimentos previstos na própria Constituição.

Apesar da força simbólica da vitória, o Quebec não votou pela independência em 5 de Outubro. Votou em um partido que pretende oferecer novamente essa escolha à população.

O Parti québécois terá agora de governar em minoria, enfrentar problemas concretos como custo de vida e saúde e, ao mesmo tempo, tentar ampliar um apoio à independência que permanece minoritário.

Três décadas depois da última consulta popular, a questão retorna à agenda política em circunstâncias diferentes: o apoio à independência ainda não constitui maioria e o resultado eleitoral do PQ mostra um eleitorado dividido entre várias forças políticas.

O que mudou, portanto, não é o status do Quebec dentro do Canadá, mas o lugar da independência no debate público. Pela primeira vez desde 1995, um governo provincial tem novamente como objetivo declarado preparar o terreno para uma nova decisão sobre o futuro da província.

Até 2029, Paul St-Pierre Plamondon terá de transformar uma vitória eleitoral minoritária em apoio suficiente para convencer os quebequenses de que deixar o Canadá é não apenas possível, mas desejável. ANG/RFI

 

CEDEAO/Guiné-Bissau participa no ateliê sobre Liderança e Gestão Estatística em Monróvia

Bissau 06 Out 26 (ANG) - O Presidente do Instituto Nacional de Estatística (INE), Roberto Vieira está a representar a Guiné-Bissau no Ateliê de Formação em Liderança e Gestão Estatística, organizado pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), que decorre de 5 à 9 de Outubro , em Monróvia, Libéria.

De acordo com o Gabinete de Comunicação da CEDEAO, o ateliê reúne quadros intermédios e dirigentes dos Sistemas Estatísticos Nacionais dos 15 Estados-Membros da CEDEAO, além de especialistas da Comissão da CEDEAO, da ANSADE, da União Africana, da UEMOA, da AMAO, da IMAO e da OCDE.

“A presença  guineense visa o reforço da liderança do INE  num momento crucial para a produção de dados estatísticos fiáveis, fundamentais para o desenvolvimento nacional e para o acompanhamento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030”,refere a nota.

A formação, segundo o comunicado, tem como objetivo dotar os dirigentes dos Institutos Nacionais de Estatística de competências modernas de liderança e gestão, permitindo-lhes passar de profissionais técnicos competentes para líderes/gestores capazes de coordenar equipas, garantir a qualidade dos dados e assegurar a independência profissional dos institutos.

Durante o ateliê, os participantes vão trabalham sobre os temas como liderança estratégica, inteligência emocional, gestão ágil de prioridades, Inteligência Artificial aplicada às estatísticas oficiais e proteção da integridade estatística.


O comunicado refere que a
 participação da Guiné-Bissau se insere nos esforços de modernização do sistema estatístico nacional e de melhoria da produção e disseminação de dados oficiais, em linha com os Princípios Fundamentais das Nações Unidas e com os compromissos da Agenda 2030.

ANG/MSC/ÂC//SG

 

 

Cultura/ Poeta guineense Bacari Sanó apresenta livro “Paixão & Revolta em Lisboa

Bissau, 06 out 26 (ANG) – O poeta, escritor e ator guineense Bacari Sanó apresenta, no dia 17 de Outubro, no anfiteatro da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, o seu primeiro livro, intitulado Paixão & Revolta: Slfa-Tikaba.

Segundo uma nota de imprensa, publicada na página de Facebook da Diretora Executiva da Casa das Letras- Vasco Cabral Suaila Fonseca Cá, o livro foi editado pela Kanafistra Editora, a obra é escrita em crioulo, mandiga e português e propõe uma abordagem literária centrada no amor, na indignação, na memória e na realidade social da Guiné-Bissau.

A nota acrescenta que o livro traça uma cartografia afetiva da Guiné-Bissau e aborda episódios de violência e instabilidade que marcaram a história do país, aumentando, contudo, uma perspetiva de esperança.

“Paixão & Revolta: Slfa- Tikaba é apresentado como uma obra que procura unir memória, luta e esperança, refletindo desafios da Guiné-Bissau e do mundo através da poesia”, refere o comunicado..

A apresentação do livro  contará com a co-apresentação de Noémia Monteiro e Edson Incopté, devendo ainda reunir escritores, académicos, leitores e membros da diáspora lusófona.

A iniciativa conta com apoio da Associação dos Estudantes da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, e patrocínio  institucional da Plataforma Nô Sta Djunto e o Clube Amor à leitura e da Casa da Cultura da Guiné-Bissau em Lisboa.

 Bacri Sanó, também é conhecido como “rapacinhu de Gã-Tauda”, nasceu a 12 de Março de 2001, em Bafatá, iniciou os primeiros contactos com a escrita aos sete anos, na escola corânica, e desenvolveu posteriormente atividades ligadas ao teatro, rádio, poesia e declamação.

Em 2013, destacou-se como ator na Associação de Artistas e Humoristas da Guiné-Bissau Antoninho” e passou também pela Rádio Makaré, onde exerceu funções de apresentador e em Portugal formou-se em processamento e Controlo da Qualidade Alimentar pela Escola Agrícola D.Dinis, em Lisboa.ANG/LPG/ÂC//SG

Comércio/”O país dispõe de mais de 112 mil toneladas de arroz em stock para abastecer o mercado nacional”, garante o DG do Comércio Interno

Bissau, 06 Out 26 (ANG) - O Director-geral do Comércio Interno anunciou, segunda-feira, através da RDN que existe  um stock de mais de 112.314 toneladas de arroz no mercado nacional para garantir o abastecimento da população até  2027 .

Abulai Mané falava numa conferência de imprensa sobre  o abastecimento do mercado em produtos de primeira necessidade e a redução do preço do arroz no mercado nacional.

Mané destacou uma redução considerável nos preços de alguns produtos de primeira necessidade, nomeadamente o arroz., explicando que um saco de 50 quilos de arroz “Supremo” custa atualmente 19.500 francos CFA, enquanto o saco de 25 quilos custa 9.000 francos CFA.

O Diretor-geral do Comércio Interno garantiu ainda que as autoridades vão reforçar o acompanhamento e a fiscalização dos produtos comercializados pelas empresas importadoras e exportadoras.

Abdulai Mané apelou aos importadores e exportadores para que contribuam para a criação de um ambiente favorável aos negócios, de modo a facilitar o acesso das populações, sobretudo das famílias mais desfavorecidas, aos produtos de primeira necessidade.

Por seu lado, o Diretor-geral do Comércio Externo, Lássana Fati afirmou que o mercado internacional apresenta atualmente uma situação estável, sobretudo no que diz respeito aos preços do arroz.

Segundo Lássana Fati, o preço do arroz no mercado internacional, que anteriormente era de  cerca de 500 dólares por tonelada, baixou para cerca de 400 dólares por tonelada, uma redução que, segundo diz, poderá contribuir para maior tranquilidade dos consumidores no mercado nacional.


Fati acrescentou que existe uma oferta significativa de arroz de diferentes qualidades e garantiu que, nos próximos sete meses, não deverá haver aumento do preço do arroz no mercado nacional.
ANG/MSC/ÂC//SG

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Recursos Naturais/ KUBOL prevê construção de  infra-estruturas mineiras e unidade de transformação de fosfato em Farim

Bissau, 5 Out 26 (ANG) - O ministro dos Recursos Naturais, Júlio Baldé recebeu hoje em audiência, uma delegação da Empresa de Singapura de Exploração Mineira, KUBOL, S.A., que apresentou as perspetivas de desenvolvimento de projetos mineiros que a empresa pretende implementar, a curto prazo, no sector de Farim.

A informação foi publicada na página do Ministério dos Recursos Naturais no Facebook, segundo a qual , durante o encontro, a delegação da  empresa apresentou as principais linhas do projeto, que prevê a construção de infraestruturas mineiras, num período de cerca de 18 meses.

Entre as infraestruturas previstas está uma unidade destinada a transformação local do fosfato antes da sua exportação.

Segundo a KUBOL, a aposta na transformação e valorização local do fosfato deverá permitir o fornecimento de produtos derivados do fosfato ao mercado nacional, contribuindo para a criação de valor acrescentado, geração de emprego e dinamização da economia guineense.

No domínio social, a empresa apresentou igualmente projetos de infraestruturas destinados a beneficiar as comunidades de Farim, e solicitou  a colaboração do Governo nos futuros processos de deslocamento e reassentamento das comunidades que eventualmente possam ser afetadas pela implementação do projeto.

Na ocasião, o ministro dos Recursos Naturais, Júlio Mamadú Baldé destacou a necessidade de as futuras infraestruturas rodoviárias, portuárias, mineiras e outras associadas ao projeto estarem articuladas com os instrumentos nacionais de ordenamento do território e de desenvolvimento do país,

Sublinhou que a referida articulação deverá contribuir para garantir benefícios duradouros para as populações e para a economia nacional.

O governante manifestou, por outro lado, a disponibilidade do Ministério dos Recursos Naturais para acompanhar e apoiar, dentro das suas competências, a exploração responsável dos recursos minerais, a transformação local e o desenvolvimento sustentável da Guiné-Bissau.ANG/MI/ÂC//SG



Desporto-futebol/Duque Djú revela que o prémio da  equipa feminina de Sub-15 da escola Congresso de Cassacá será utilizado na reabilitação desta escola

Bissau, 05 Set 26 (ANG) -  O Ponto Focal do Ministério da Educação para a Federação de Futebol da Guiné-Bissau (FFGB) Duque Djú, revelou hoje que  o prémio de  75 mil dólares dado a  equipa feminina Sub-15 da escola Congresso de Cassacá do Sector Autónomo de Bissau(SAB), será utilizado na reabilitação desta escola conforme projeto aprovado pela CAF.

Em entrevista exclusiva à Agência de Notícias da Guiné (ANG), Duque Djú disse que este prémio foi conquistado no torneio escolar Sub-15 “Pana-Africano” organizado  em 2002 em Cabo Verde, e que no evento a  Guiné-Bissau foi representada por duas escolas, nomeadamente “Congresso de Cassaca” do SAB na categoria feminina, e em termos regionais, a escola  “Montessori” de Bolama, na categoria masculina.

“Sobre os critérios usados para a participação da primeira Edição do Torneio Pana-Africano 2002, em Cabo Verde, o Ministério da Educação Nacional e a FFGB, promoveram um torneio a nível regional, e as escolas apuradas concentraram em Bissau, para participar na fase final de apuramento, tendo o Setor Autónomo de Bissau e Bolama-Bijagós, saídos como  vencedores, e foram os justos representantes do país em Cabo Verde”, disse Djú.

Segundo aquele responsável, para participar no torneio, a FFGB tinha que tratar de documentação de cada criança, desde o registo, até  outros documentos.

“Durante a nossa participação na categoria feminina, a escola Congresso de Cassacá conquistou a 2º lugar, e recebeu  como  prémio o valor de 75 mil dólares. Mas, de acordo com as orientações dadas pelos agentes da CAF, o prémio só pode ser entregue através de um projeto apresentado para sua utilização”, disse Duque Djú.

Acrescentou  que, em 2003, elaboraram um projeto com o objetivo de reabilitar a escola “Congresso de Cassacá”, e criação de uma sala de informática para os estudantes, que foi  aprovado pela CAF.

De acordo com as suas explicações, o seu departamento continua em contacto com a CAF, inclusive, um agente da organização esteve no país, para constatar no terreno, o que é preciso fazer, para a reabilitação da escola Congresso de Cassacá, e conhecer de perto as empresas vencedoras do concurso para o efeito do início das obras.

“Peço que tenhamos
todos calma, caso a execução do projeto acontecer, um dia, a vossa imagem, assim como os vossos nomes, não serão esquecidos, e a própria escola pode beneficiar um ou outro familiar vosso”, disse. Duque Djú.

Disse que até presentemente , o Ministério da Educação assim como a FFGB,  não receberam nenhum valor relacionado a .premiação da equipa feminina de sub-15 da escola Congresso de Cassacá.

Segundo Djú que cita a CAF, o montante será gasto nas despesas  relacionadas ao projecto aprovado e executado por empresas vencedoras do concurso para reabilitação da escola e abertura de uma sala de informática na mesma escola. ANG/LLA/ÂC//SG         

Regiões/ Centro de Formação Casa do Sol de Canchungo lança para mercado de trabalho mais  88 jovens profissionais

Cacheu, 05 Out 26 (ANG) – O Centro de Formação Profissional do sector de  Canchungo, região de Cacheu, denominado “Casa do Sol”,  entregou no passado fim-de-semana diplomas à 88 jovens dos cursos de canalização, construção civil e eletricidade.

De acordo com o Correspondente da ANG na região de Cacheu, no ato da entrega, o Diretor deste Centro, Fredérico Mancundala Correia Nanjã, disse que, com esta formatura, atingiu um dos objetivos da criação do Centro em Canchungo.

Disse  que conseguiram resgatar os jovens com XII ano concluído  que viviam em silêncio nas bancadas e dar-lhes oportunidades para terem formação profissional e fazer desta um instrumento de luta contra a fome,  pobreza e para a promoção do desenvolvimento harmonioso e sustentável da Guiné-Bissau.

Freérico Nanjã pediu aos formados para irem ao encontro  do trabalho para que possam pôr na prática os conhecimentos adquiridos ao longo dos sete meses, para o bem-estar social das populações das zonas urbanas e rurais da Guiné-Bissau.

Por sua vez,  o  representante do Diretor Regional dos Serviços da Educação da região de  Cacheu, António da Silva pediu aos formados para aplicarem na prática os conhecimentos adquiridos, com a honestidade, humildade, dignidade, pontualidade e competência, para o bem da sociedade.

Em nome dos finalistas, Negado Indjai, disse que estão preparados para entrarem no mercado de trabalho e pediu aos colegas para serem profissionais honestos e determinados nos trabalhos de construção civil, canalização e eletricidade para o desenvolvimento da Guiné-Bissau.

Dos 88 finalistas graduados, 35 são da área de eletricidade, sendo 25 rapazes e 10 meninas, 25 de canalização, sendo 21 rapazes e 04 meninas, e 28 de construção civil, todos eles  rapazes. ANG/AG/JD/ÂC//SG

Brasil/Flávio Bolsonaro e Lula disputarão segundo turno; desafio da esquerda é mobilizar abstencionistas

Bissau, 05 Out 26 (ANG) - O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disputarão o segundo turno das eleições presidenciais em 25 de outubro. Com 99,92% das urnas apuradas, Flávio somava 47,05% dos votos (56,1 milhões), enquanto Lula registrava 45,14% (53,8 milhões).

A diferença apertada reforça a polarização que marca o cenário político brasileiro e evidencia o avanço institucional do PL, que conquistou as maiores bancadas no Senado e na Câmara dos Deputados, além de eleger cinco governadores já no primeiro turno.

A abstenção recorde, de 33,4 milhões de eleitores, revela os limites da capacidade de mobilização dos dois campos e desponta como um dos fatores potencialmente decisivos para o resultado da disputa.

O primeiro turno das eleições gerais de 2026 parece ter produzido, num primeiro balanço, mais confirmações do que rupturas.

A manutenção da polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro, a força do petismo no Nordeste, o avanço da direita nos governos estaduais e a definição da disputa presidencial em dois turnos já figuravam entre os cenários considerados plausíveis por pesquisas e analistas ao longo da campanha.

Embora tenha trazido resultados relevantes em algumas disputas estaduais, o pleito não parece ter alterado substancialmente a geografia política do país, consolidada desde a década passada.

 Com 99,92% das urnas apuradas, Flávio Bolsonaro somava 47,05% dos votos (56,1 milhões), contra 45,14% (53,8 milhões) de Lula. A distância relativamente estreita entre os dois indica uma segunda etapa de alta competitividade, na qual cada ponto percentual tende a ganhar importância decisiva.

Mas, se a disputa presidencial terminou indefinida e empurrou o país para o segundo turno, a eleição para o Senado produziu um resultado muito mais claro.

O grande vencedor político da noite foi o PL, partido de Flávio Bolsonaro, que ampliou sua força e passará a controlar a maior bancada da Casa, transformando o Senado em um dos principais centros de poder do próximo ciclo político.

A eleição renovou dois terços do Senado e definiu quem terá influência sobre pautas estratégicas pelos próximos oito anos, incluindo indicações ao Supremo Tribunal Federal, sabatinas de ministros, autoridades do Banco Central, procuradores-gerais e pedidos de impeachment de integrantes de tribunais superiores.

O partido elegeu 19 senadores e passará a ter 28 das 81 cadeiras da Casa, tornando-se, com ampla margem, a maior bancada do Senado. O resultado sugere que a direita não apenas manteve seus redutos eleitorais, mas aprofundou sua representação institucional em Brasília.

A abstenção foi, sem sombra de dúvida, um dos pontos mais significativos. A eleição de 2026 registou mais de 33 milhões de eleitores ausentes, cerca de 21% do eleitorado, o maior contingente absoluto de abstenções já observado em uma eleição presidencial brasileira. O comparecimento foi de 78,16% do eleitorado, o equivalente a 124 milhões de votantes.

Esses 33 milhões de ausentes superam largamente a votação de qualquer candidatura fora dos dois polos dominantes da disputa, transformando a não participação em uma das principais forças silenciosas da eleição de 2026. O dado indica que a polarização entre Flávio Bolsonaro e Lula, embora mobilize amplas parcelas do eleitorado, não foi suficiente para reduzir significativamente o contingente de brasileiros que optaram por não comparecer às urnas.

O primeiro turno consolidou um mapa eleitoral dividido. Enquanto Flávio Bolsonaro dominou o Sul, os principais colégios do Sudeste e o Centro-Oeste, Lula voltou a registar votações expressivas no Nordeste.

O resultado reproduziu clivagens observadas nas eleições anteriores e revelou um país repartido entre áreas de forte influência conservadora e redutos historicamente ligados ao petismo.

De um lado, Flávio Bolsonaro venceu com folga em Santa Catarina, onde obteve 66,66% dos votos válidos; no Paraná, 59,91%; no Rio Grande do Sul, 55,64%; em São Paulo, 51,93%; e no Rio de Janeiro, 53,02%. Do outro, Lula manteve ampla vantagem no Nordeste, vencendo com percentuais elevados na Bahia (65,80%), no Piauí (70,86%), em Pernambuco (63,31%), no Ceará (62,98%) e no Maranhão (63,78%). 

O resultado para os governos estaduais sugere que a força eleitoral de Flávio Bolsonaro não ficou restrita à disputa presidencial. A direita ampliou presença territorial ao conquistar ou manter governos estaduais importantes, consolidando estruturas administrativas, orçamentárias e partidárias que permanecerão ativas até 2030 e a força da direita, nestas eleições, emergiu como um dos principais contrapontos ao desempenho nacional do campo lulista. 

Dos 20 governos definidos já no primeiro turno, 10 ficaram com candidatos de direita ou centro-direita, incluindo vitórias em estados estratégicos como São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Rondónia, Roraima, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Ao mesmo tempo, Lula preservou seus principais bastiões no Nordeste, com as reeleições de Jerónimo Rodrigues (PT) na Bahia, Elmano de Freitas (PT) no Ceará e Rafael Fonteles (PT) no Piauí. 

Por outro lado, o sucesso de candidatos de centro, PSD, MDB, União Brasil e outras forças regionais sugere que uma parcela relevante do eleitorado continuou separando a avaliação nacional da escolha local. Foi uma votação menos ideológica do que o debate das redes sociais costuma sugerir. As urnas revelaram em 2026 um país dividido, mas também surpreendentemente previsível em suas lealdades territoriais e políticas. 

A largada para o segundo turno sugere uma disputa aberta, embora Flávio Bolsonaro entre na nova etapa com alguns trunfos políticos relevantes. O resultado fortalece o discurso de que a direita saiu das urnas com maior capilaridade territorial e legislativa, criando um ambiente politicamente favorável para a reta final da campanha. 

Por outro lado, Lula preservou seu principal ativo eleitoral: a ampla vantagem no Nordeste. Estados como Bahia, Piauí, Pernambuco e Ceará mantiveram votações expressivas para o petista, garantindo uma base robusta de apoio para a segunda rodada da disputa.

Além disso, a diferença entre os dois candidatos permaneceu relativamente estreita em estados decisivos, especialmente em Minas Gerais, indicando que há espaço para crescimento dos dois lados e reduzindo a possibilidade de qualquer favoritismo amplo neste momento.

O próximo capítulo da disputa será escrito em 25 de Outubro. Após um primeiro turno sem definição para o Palácio do Planalto e para o governo de alguns estados, os brasileiros voltarão às urnas para escolher quem comandará o país a partir de 2027. ANG/RFI