terça-feira, 14 de abril de 2026

Regiões /Centro de Saúde de Prabis enfrenta escassez de técnicos e  aumento de casos de diarreia

Biombo, 14 Abr 26 (ANG) - O Centro de Saúde do setor de Prábis, Região  de Biombo,  enfrenta  dificuldades operacionais devido à falta de recursos humanos, situação que compromete o funcionamento de vários serviços essenciais.

A informação foi avançada ao Correspondente regional da ANG, pela responsável da área sanitária local, Maria Sábado Sá Indi, também conhecida por Celeste.

Ela disse  que a insuficiência de técnicos afeta, diretamente, vários serviços:  laboratório, a maternidade e a farmácia.

“No laboratório, por exemplo, há apenas um técnico, que não consegue assegurar o serviço todos os dias, o que dificulta o atendimento”, explicou, sublinhando a necessidade urgente de reforço da equipa para colmatar as lacunas existentes.

Maria Sábado Sá Indi,  acrescentou que, nas últimas semanas, o centro tem registado um aumento significativo de casos de diarreia e vómitos, tanto em crianças como em adultos.

De acordo com os dados, citados pela  Maria Sábado
Sá Indi, estas patologias têm sido as mais frequentes no final do mês de Fevereiro e ao longo de Março.

Sobre o relacionamento com os utentes, garantiu que o atendimento decorre de forma normal, respeitando a ordem de chegada dos pacientes.

A responsável assumiu recentemente funções no Centro de Saúde de Prábis, após transferência do Centro de Saúde de Safim, oficializada no dia 2 de Janeiro do ano em curso. ANG/LPG/ÂC//SG


Regiões
/ Governador da Região de Biombo entrega viatura ao Comité de Estado de Prábis

Biombo, 14 Abr 26 (ANG) – O Governador da Região de Biombo, norte do país,  procedeu, segunda-feira, a entrega de uma viatura de marca Toyota dupla cabine ao Comité de Estado do setor de Prábis.

De acordo com o Correspondente da ANG na Região de Biombo, no ato da entrega, Aldo José Lima elogiou os esforços do administrador do setor por ter minimizado as dificuldades que a administração local estava a enfrentar.

José Lima disse que a Região de Biombo, especificamente o setor de Prábis, se confronta  com problemas relacionados com os efeitos do  alargamento da cidade de Bissau, e diz  que, em consequência, estão a  diminuir, cada vez mais, a superfície administrativa da Região de Biombo.

O governador de Biombo declarou que  está determinado  a manter e proteger o limite territorial da Região de Biombo  e aponta como  os mais afectados  os  sectores de Biombo e Safim.

 “São dois setores  com problemas devido a  extensão do Setor Autónomo de Bissau, e o assunto já é de conhecimento do Estado. Decidimos rever o Boletim Oficial de 1997, que fixava o setor de Prábis na  Região de Biombo, mas, neste momento são considerados bairros periféricos de Bissau,  não de forma oficial”, disse.

Aldo José Lima  sustenta que  o Boletim Oficial de 1997 que determina que o setor de Prábis é  parte da Região de Biombo, indica que este sector  inicia no bairro de Quelélé concretamente do hotel Hala, passando por  Enterramento, Bôr até Prábis.

Por sua vez, o Administrador de setor de Prábis, Mamadú Turé vulgo Baba, disse que a viatura ora recebida vai minimizar dificuldades com que debatia a administração e facilitará nos trabalhos da fiscalização e arrecadação das receitas.

Turé, prometeu que vai mandar reparar a ambulância do hospital setorial, tal como já se fez em relação à  algumas escolas. ANG//MN /JD/ÂC//SG

Cabo Verde/ Cidade da Praia acolhe encontro da Aviação Civil para harmonização da regulação económica em África

Bissau, 14 Abr 26(ANG) – Cabo Verde acolheu hoje, na Praia, um workshop para socialização de um conjunto de modelos legislativos desenvolvidos com o desígnio de assegurar a viabilidade e a regularidade das operações aéreas em solo africano.

O coordenador de Regulação Económica e Direitos do Consumidor da Agência de Aviação Civil (AAC), Carlos Monteiro, realçou que um dos pontos críticos a ser abordado vai ser a proteção dos consumidores.

Monteiro falava à imprensa à margem da abertura do workshop sobre a regulação económica do transporte aéreo em África, promovido pela Comissão Africana de Aviação Civil (AFCAC).

Apesar de Cabo Verde possuir legislação sobre o tema desde 2005, Carlos Monteiro reconheceu que os direitos dos passageiros são frequentemente violados, especialmente em situações de cancelamentos ou atrasos prolongados.

«O que se visa com um sistema consistente e robusto de Regulação Económica é precisamente fazer valer os direitos quando estes são violados pelas transportadoras”, afirmou o coordenador, que precisou que as operadoras falham muitas vezes no dever de assistência e informação aos clientes.

A nível continental, o cenário é desafiante e Carlos Monteiro revelou dados alarmantes sobre o custo do transporte aéreo na África Central e Ocidental, classificando-os como os mais caros do mundo.

“Para cada 100 dólares de um bilhete, cerca de 86 a 90 dólares podem ser taxas de Estado”, explicou, sublinhando que o sector ainda é “fraturado e descontínuo”.

“O encontro procura precisamente mitigar esta realidade através da harmonização legislativa, com a criação de quadros legais homogéneos que facilitem a atividade comercial e o turismo”, disse, afirmando que a intenção é conseguir maior acessibilidade e tornar o transporte aéreo mais barato, alinhando-o com a Agenda 2063 da União Africana.

A conectividade, segundo referiu, consta também do modelo em debate, que visa melhorar as infraestruturas para garantir serviços mais pontuais e seguros entre as diversas latitudes do continente.

A disparidade económica entre os estados africanos é assumida como um dos maiores entraves à implementação destas medidas.

“Por isso, as ferramentas agora apresentadas servem como base de referência que cada país deverá ajustar à sua realidade específica, garantindo que o mercado único de transporte aéreo africano se torne, finalmente, uma realidade sustentável”, concluiu.

Cabo Verde, através da Agência de Aviação Civil, acolhe o Workshop sobre o Modelo Africano de Regulação Económica das Companhias Aéreas e dos Prestadores de Serviços de Navegação Aérea (ANSP), que decorre até quinta-feira, 16.

O evento reúne, na Praia, mais de 50 especialistas e representantes de estados africanos. 

O objetivo é a partilha de ferramentas que permitam aos países adaptar e implementar sistemas de regulação mais robustos, protegendo os direitos dos passageiros e reduzindo os elevados custos das tarifas aéreas no continente.ANG/Inforpress

 

França/ Governo e Reino Unido articulam missão multinacional pacífica para proteger navegação em Ormuz

Bissau, 14 Abr 26 (ANG) - França vai organizar uma conferência conjunta com o Reino Unido e com países “dispostos a contribuir” para “uma missão multinacional pacífica com o objetivo de restaurar a liberdade de navegação” no Estreito de Ormuz, anunciou o presidente Emmanuel Macron nesta segunda-feira (13).

O bloqueio americano do canal aumenta a possibilidade de um confronto direto entre os Estados Unidos e o Irã, segundo especialista. 

"Esta missão estritamente defensiva, separada dos países envolvidos na guerra, será implantada assim que a situação permitir", acrescentou o presidente francês no X, indicando implicitamente que a missão não se destina a ser diretamente integrada aos esforços dos Estados Unidos no estreito Emmanuel Macron, que conversou com o primeiro-ministro britânico Keir Starmer no domingo, não comentou a decisão americana de impor um bloqueio naval nesta via nevegavel do Golfo, anunciada por Donald Trump após o fracasso das negociações entre os Estados Unidos e o Irã e com entrada em vigor nesta segunda-feira.

Em sua mensagem na rede social, o presidente francês pediu que "nenhum esforço" seja poupado para "alcançar rapidamente uma solução sólida e duradoura para o conflito no Oriente Médio por meio da diplomacia", "uma solução que proporcione à região uma estrutura robusta que permita a todos viver em paz e segurança".

“Para alcançar esse objetivo, todas as questões substantivas devem ser abordadas com soluções duradouras, tanto em relação às atividades nucleares e de mísseis balísticos do Irã quanto às suas ações desestabilizadoras na região, mas também para permitir a retomada, o mais rápido possível, da navegação livre e desimpedida no Estreito de Ormuz e garantir que o Líbano retorne ao caminho da paz, respeitando plenamente sua soberania e integridade territorial”, insistiu ele. Keir Starmer, por sua vez, afirmou na segunda-feira que não apoiava o bloqueio naval americano.

“O fechamento prolongado do Estreito de Ormuz é extremamente prejudicial. A retomada do tráfego marítimo global é essencial para aliviar as pressões sobre o custo de vida”, declarou o premiê britânico no X, confirmando que uma cúpula seria realizada para desenvolver um “plano coordenado, independente e multinacional para proteger a navegação internacional após o fim do conflito”.

Em 2 de abril, representantes de cerca de 40 países pediram a “reabertura imediata e incondicional” do estreito e ameaçaram o Irã com novas sanções durante uma reunião virtual presidida pela ministra das Relações Exteriores britânica, Yvette Cooper.

Para Jean Christophe Charles, ex-oficial da Marinha francesa e pesquisador associado da Fundação Mediterrânea para Estudos Estratégicos, o risco de um confronto direto entre os Estados Unidos e o Irã no estreito de Ormuz existe.

“Houve um vídeo dos dois destróieres (americanos) passando pelo estreito de Ormuz, mostrando embarcações (iranianas) passando em alta velocidade pelos navios americanos. Isso ocorreu durante o período de cessar-fogo, então obviamente não houve confronto direto”, disse o especialista à RFI. O Exército dos EUA afirma ter posicionado dois destróieres no estreito de Ormuz. 

“Existe sim o risco de um confronto direto. Agora, acho que qualquer iraniano que queira correr esse risco estará cometendo um ato suicida. As capacidades militares americanas são tão poderosas que isso não duraria muito tempo”, afirmou.

A ideia é usar essas capacidades para permitir a passagem de navios, sabendo que o Irã já permite a passagem de cargueiros chineses. “O bloqueio é um ato de guerra. Portanto, dessa perspectiva, não podemos dizer que houve uma escalada; é apenas mais uma tática”, disse.

“Em última análise, é uma ameaça, mas Trump sempre opera dessa maneira: ele usa ameaças, levanta questões, atrasa os navios. O que ele quer é atrasar os iranianos, não deixá-los operar livremente”, analisa Charles. “Então, se ele conseguir atrasar um certo número de navios, particularmente os navios iranianos, que, neste caso, podem ser neutralizados com relativa facilidade, se ele quiser neutralizar esses navios e deixar os outros passarem, então, no geral, ele terá vencido. Porque o importante é permitir o tráfego que não seja controlado pelo Irã. Isso é o mais importante, eu acho, nesta situação”.

O chefe da agência marítima da ONU declarou nesta segunda-feira que nenhum país tem o direito legal de bloquear a navegação no Estreito de Ormuz. "De acordo com o direito internacional, nenhum país tem o direito de proibir o direito de passagem pacífico ou a liberdade de navegação em estreitos usados para trânsito internacional", disse o Secretário-Geral da Organização Marítima Internacional (OMI), Arsénio Dominguez, em uma coletiva de imprensa. 

O tráfego por essa via navegável estratégica, que normalmente transporta quase 20% da produção mundial de petróleo e gás natural liquefeito, foi reduzido em aproximadamente 90% desde o início da guerra, de acordo com a empresa de dados marítimos Lloyd's List Intelligence. ANG/RFI/AFP

 

Médio Oriente/Guerra no Irã testa a supremacia do dólar e reconfigura o sistema financeiro internacional

Bissau, 14 Abr 26 (ANG) - Nas reuniões de primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial — realizadas entre Abril e Maio, no calendário do hemisfério norte —, a guerra no Irã emergiu como um tema central.

Além das tensões geopolíticas, o conflito revela um fenómeno importante: o enfraquecimento gradual do papel do dólar no sistema financeiro internacional.

Um evento crucial está em curso em Washington: as reuniões do FMI e do Banco Mundial. Neste ano, porém, o contexto é particularmente tenso em razão da guerra no Oriente Médio. Uma questão domina as discussões: estamos testemunhando uma mudança no sistema financeiro internacional?

Isso ocorre porque o dólar não é uma moeda como qualquer outra. Trata-se da moeda dominante em todo o mundo. Ele é usado para liquidar grande parte do comércio internacional, especialmente nas transações de petróleo, e funciona como referência para os mercados. Bancos centrais de todo o mundo também o utilizam como reserva de valor.

Essa posição confere aos Estados Unidos um poder considerável, especialmente no setor financeiro. Graças ao dólar, Washington pode excluir certos países do sistema financeiro internacional, por exemplo, por meio de sanções. Por muito tempo, essa ferramenta foi eficiente. Ser privado do dólar significava ficar economicamente isolado.

Mas hoje esse mecanismo mostra suas limitações. A guerra no Irã é uma ilustração expressiva desse processo. Apesar das sanções extremamente severas, o país continuou vendendo seu petróleo. Mais importante ainda, com as tensões no Estreito de Ormuz Teerã conseguiu impor suas condições para a passagem pela área estratégica.

Em outras palavras, mesmo excluído do sistema dominado pelo dólar, um país pode continuar funcionando. Isso revela uma mudança significativa: a aparente onipotência do dólar está se desgastando gradualmente.

Por quê? Porque os países sancionados aprenderam a se adaptar e estão desenvolvendo alternativas.

 O Irã, por exemplo, vende parte de seu petróleo em yuans, a moeda chinesa. Ao mesmo tempo, redes financeiras alternativas passaram a se expandir — menos visíveis, às vezes ilegais, mas eficazes.

Acima de tudo, uma nova tendência está ganhando força: a ascensão das criptomoedas. Elas permitem que o dinheiro seja transferido sem passar pelos canais tradicionais, sem um banco central e, portanto, sem depender diretamente do dólar dos Estados Unidos.

Essa situação pode ter consequências duradouras. Ao usar o dólar como instrumento de pressão, os Estados Unidos desencadearam um efeito inesperado: incentivaram outros países a se afastarem dele. Esse processo é conhecido como desdolarização. Não se trata de um colapso repentino do dólar, mas de uma transformação gradual do sistema.

O mundo financeiro está se tornando mais fragmentado. De um lado, há um sistema ocidental centrado no dólar; de outro, circuitos alternativos, muitas vezes ligados à China. Outras soluções também estão surgindo, como as criptomoedas. O resultado é um cenário com menos regras comuns, mais tensões e maior incerteza — um ambiente que enfraquece a estabilidade da economia global. ANG/RFI

 

República Popular da China/Xi pede cessar-fogo abrangente e duradouro no Médio Oriente face à escalada em Ormuz

Bissau,14 Abr 26(ANG) – O Presidente chinês, Xi Jinping, defendeu hoje um cessar-fogo “abrangente e duradouro” no Médio Oriente, durante um encontro em Pequim com o príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Khaled bin Mohamed bin Zayed Al Nahyan.

A reunião decorreu no Grande Palácio do Povo, na capital chinesa, num contexto de agravamento da crise no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas energéticas globais.

Durante o encontro, Xi sublinhou que a resolução da situação deve passar por vias políticas e diplomáticas e garantiu que a China continuará a desempenhar um "papel construtivo" e a "trabalhar ativamente" para promover a paz, segundo um comunicado divulgado pela agência noticiosa oficial Xinhua.

O líder chinês defendeu ainda o respeito pela soberania, segurança e integridade territorial dos países do Médio Oriente e do Golfo, alertando contra a aplicação seletiva do direito internacional, que, afirmou, não pode ser usado "quando convém e descartado quando não".

Xi apresentou quatro princípios para avançar na estabilidade regional, incluindo a coexistência pacífica entre os países da região, o respeito pelo direito internacional e a articulação entre desenvolvimento e segurança, numa altura em que o conflito aumenta a incerteza sobre rotas energéticas e o comércio global.

Nesse contexto, defendeu o reforço da coordenação em fóruns multilaterais como a ONU e os BRICS, acrescentando que a estabilidade das relações entre a China e os Emirados Árabes Unidos pode ajudar a mitigar a incerteza internacional.

As duas partes trocaram ainda pontos de vista sobre a situação no Médio Oriente e no Golfo, marcada por restrições ao tráfego marítimo no Estreito de Ormuz e pelo anúncio dos Estados Unidos de bloquear e intercetar determinados navios, após o fracasso das negociações com o Irão no Paquistão.

Xi alertou também para o risco de prevalecer a "lei da selva" no sistema internacional, expressão que utilizou igualmente horas antes num encontro com o chefe do Governo espanhol, Pedro Sánchez.

Segundo a Xinhua, o príncipe herdeiro dos Emirados Árabes Unidos destacou o papel "responsável e construtivo" da China e manifestou disponibilidade para reforçar a coordenação com Pequim, com vista a promover um cessar-fogo, garantir a segurança da navegação e evitar um maior impacto na economia global e nos mercados energéticos.

A visita de Al Nahyan ocorre num momento de elevada tensão no Médio Oriente, com o Estreito de Ormuz sujeito a restrições ao tráfego impostas pelo Irão, em resposta ao conflito com os Estados Unidos e Israel e ao anúncio de Washington de bloquear e intercetar determinados navios. ANG/Inforpress/Lusa

 

EUA/Israel e Líbano se preparam para negociações diretas e sob forte tensão em Washington

Bissau, 14 Abr 26 8ANG) - Representantes libaneses e israelenses se reúnem nesta terça‑feira (14) em Washington, sob mediação do secretário de Estado americano, Marco Rubio, para a primeira rodada de negociações diretas de paz entre os dois países em décadas.

O momento pode marcar a história do Oriente Médio e abrir caminho o estabelecimento de relações diplomáticas entre Israel e Líbano. No entanto, o clima é de tensão: na véspera, o líder do Hezbollah, Naim Qassem, pediu o cancelamento do encontro, classificando a iniciativa de “capitulação”.

Pela primeira vez desde os anos 1980 representantes oficiais do Líbano e de Israel estarão frente a frente. Paralelamente, as forças israelenses e o Hezbollah continuam se enfrentando em uma guerra que matou mais de dois mil libaneses, deslocando mais de um milhão de pessoas.

 

Nesta primeira rodada de negociações em Washington, Israel será representado pelo embaixador no país, Yechiel Leiter. O Líbano será representado pela embaixadora nos Estados Unidos, Nada Hamadeh Moawad.

A delegação dos Estados Unidos será liderada pelo secretário de Estado Marco Rubio. O grupo ainda conta com a participação do embaixador americano no Líbano, Michel Issa, e o funcionário do Departamento de Estado Mike Needham.

Segundo fontes citadas pelo portal israelense Ynet, a estratégia do país é “conduzir negociações com o Líbano como se o Hezbollah não existisse e seguir com as operações militares contra o Hezbollah como se não houvesse negociações de paz”.

O foco das vponversas é o desarmamento do grupo xiita libanês. Segundo informações apuradas pela RFI, oficiais israelenses têm pouca expectativa de que o governo do Líbano tenha capacidade ou obtenha sucesso prático nesta missão.

Ao mesmo tempo, o regime iraniano, principal aliado do Hezbollah, deixa claro que se opõe a este processo. Ali Akbar Velayati, assessor do líder supremo do Irã, declarou nas redes sociais que o primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, "deveria saber que ignorar o papel singular da resistência e do heroico Hezbollah vai expor o Líbano a riscos de segurança irreparáveis".

"A estabilidade do Líbano depende exclusivamente da coesão entre o governo e a resistência", declarou Akbar.

Em resposta ao fracasso das negociações entre os Estados Unidos e o Irã em Islamabad, no Paquistão, uma fonte oficial do governo libanês declarou ao jornal Nida al-Watan: "A questão não afetará as negociações diretas entre o Líbano e Israel em Washington".

Segundo esta fonte, "a presidência do Líbano e o primeiro-ministro libanês conseguiram separar a questão libanesa da iraniana e impediram que seus destinos se entrelaçassem. O Irã não terá permissão para intervir e retomar o controle da situação no Líbano".

O governo libanês tem buscado se afastar do Hezbollah, o que pode facilitar algum tipo de acordo com Israel, apesar do ceticismo das autoridades israelenses.

O chefe do Estado-Maior do Exército de Israel, Eyal Zamir, garante que não há cessar-fogo no Líbano.O posicionamento é apoiado pelo primeiro-ministro israelenses, Benjamin Netanyahu, e seu ministro da Defesa, Israel Katz.

As declarações podem ter relação também com questões internas de Israel. A população do norte do país mostra insatisfação com o gerenciamento da guerra pelo governo.

Uma pesquisa realizada com os moradores da cidade de Haifa e dos distritos do norte – aqueles mais afetados pelos confrontos com o Hezbollah – mostra que 70% dão uma nota “ruim” ao governo em relação à guerra. Apenas um quarto faz uma avaliação favorável.

Os moradores do norte do país representam cerca de 25% da população de Israel e seu poder político é estimado em 35 das 120 cadeiras do Knesset, o parlamento israelense.

Ao mesmo tempo, depois de ataques intensos contra o Líbano na última semana, Netanyahu determinou moderação, após sofrer grande pressão internacional, inclusive por parte do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Após a grande destruição causada pelos ataques israelenses em Beirute, com a morte de centenas civis, agora, ao contrário das semanas anteriores da guerra, um ataque contra a capital libanesa ou a Dahyieh, considerado o reduto do Hezbollah, requer a aprovação do próprio Netanyahu.

Segundo o Ministério da Saúde do Líbano, desde a retomada dos combates em 2 de março, os ataques israelenses mataram 2.055 pessoas, incluindo 167 desde a última sexta-feira. Doze soldados israelenses e dois civis foram mortos pelo Hezbollah no mesmo período, segundo as autoridades israelenses.

Durante a guerra contra o Irã, colonos israelenses mataram a tiros seis palestinos na região. Outros cinco foram mortos por soldados.

A organização de direitos humanos israelense Yesh Din (“Há lei”, em hebraico) documenta esses casos e monitora crimes com motivação ideológica cometidos por israelenses contra palestinos na Cisjordânia.

Segundo a organização, entre 2005 e 2025, 93,6% dos inquéritos abertos pela polícia israelense para investigar atos de violência cometidos por colonos israelenses foram encerrados sem indiciamento.

Entre 2016 e 2024, foram registadas 2.427 denúncias de crimes cometidos por soldados contra palestinos ou suas propriedades na Cisjordânia. Deste total, apenas 552 investigações (22,7%) foram abertas e 23 acusações (0,9%) foram formalizadas.ANG/RFI

 

Senegal/Senegalesa Fatou Dieng Thiam entre candidatos pré-seleccionados para cargo de SG da União Interparlamentar(UIP)

Bissau, 14  Abr 26 (ANG) – Fatou Dieng Thiam, do Senegal, está entre os quatro candidatos pré-selecionados para suceder ao Martin Chungong, o camaronês que ocupa o cargo de Secretário-Geral da União Interparlamentar (UIP), segundo informações obtidas pela organização.

A eleição ocorrerá durante uma assembleia geral agendada para ocorrer de quarta a domingo da próxima semana, na Turquia.

A Sra. Thiam é a atual Diretora de Assuntos Políticos do Gabinete do Representante Especial do Secretário-Geral das Nações Unidas para a Região dos Grandes Lagos Africanos.

A grega Dionísia-Theodora Avgerinopoulou, a romena Anda Filip e a sueca Cecilia Widegren são suas oponentes.

Na rede social LinkedIn, a candidata, de nacionalidade senegalesa, afirma estar feliz em anunciar que está entre as quatro pessoas selecionadas para o cargo.

Formada em Estudos Árabes pela Universidade Cheikh Anta Diop em Dakar e com mestrado em Ciência Política pela Universidade de Genebra, Fatou Dieng Thiam trabalha nas Nações Unidas há quase três décadas.

Ela chefiou o escritório regional em Mopti (região central do Mali) da Missão Multidimensional Integrada de Estabilização das Nações Unidas no Mali, antes de ser nomeada conselheira sênior das Nações Unidas para a proteção das mulheres no Sudão do Sul e chefe de logística eleitoral da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti.

Ela trabalhou para os serviços de assistência técnica do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos na Suíça, Congo e Camarões.

Em sua assembleia geral, agendada para ocorrer na Turquia, a UIP adotará uma "nova estratégia" para sua política no período de 2027 a 2032. Também examinará as indicações para o Prêmio Cremer-Passy de 2026. Este prêmio é concedido a parlamentares que se destacaram por iniciativas na defesa dos direitos humanos.

Com sede em Genebra, a UIP é composta por 183 parlamentos membros. ANG/Faapa

    

 

Diplomacia/Liga dos Embaixadores Africanos entra em fase operacional com posse de novos comités

Bissau, 14 Abr 26 (ANG)  – Novos comités operacionais da Liga dos Embaixadores Africanos(LAA) tomaram posse segunda-feira em Banjul, na República da Gâmbia, em cerimónia assistida pelo  Embaixador da Guiné-Bissau neste país, Luís Camará de Barros.

Segundo a página da Embaixada da Guiné-Bissau na Gâmbia no Facebook,  consultada pela ANG, , a sessão realizada por videoconferência, serviu para assinalar a transição da Liga de uma fase funcional para uma estrutura de ação coordenada no cenário internacional.

No seu discurso perante os colegas, o Embaixador Luís Camará de Barros manifestou a sua "profunda gratidão" à Direção da Liga, elogiando a visão estratégica que orienta os objetivos comuns da organização.

"Assumo o compromisso de contribuir ativamente para o sucesso da nossa missão coletiva", disse o diplomata guineense, sublinhando o espírito de solidariedade e cooperação entre os membros, para comprimentos dos objectivos que nortearam a criação da organização.

São oito os comités estratégicos empossados e  abrangem áreas como Tratados e Convenções, Orçamento, e  organização da Cimeira de Embaixadores Africanos.

O Presidente da Liga, o Embaixador Nwannebuike Ominyi Eze destacou que  desde o   lançamento oficial da instituição, no ano passado, em Lusaka, Zâmbia, até a data presente, a Liga já conseguiu estabelecer  parcerias relevantes, incluindo com o Grupo Dangote e a consultora Moharram & Partners.

A Liga dos Embaixadores Africanos consolida-se como uma plataforma estratégica que reúne embaixadores no ativo e eméritos, com o objetivo de reforçar a presença de África  nos assuntos globais, para que  seja “ mais forte, coordenada e impactante".

Para o Presidente Nwannebuike Eze, a ativação destes comités  marca o fim do período de formação e o início da "execução mensurável".

Entre as metas prioritárias definidas para 2026 estão o reforço da unidade diplomática, a promoção da estabilidade regional e o fomento da diplomacia económica e integração industrial no continente.

A reunião, segundo a página de Facebook
da Embaixada da Guiné-Bissau na Gâmbia, reafirmou o papel contínuo da diplomacia enquanto instrumento essencial para o desenvolvimento de África. ANG/ LPG/ÂC//SG

Regiões/”Estudos sobre Situação das Mulheres apresentam indicadores preocupantes”, diz  Coordenadora da AMPROCS

Quinará, 14 abr 26 (ANG) – A Coordenadora da Associação das Mulheres Profissionais da Comunicação Social (AMPROCS), qualificou de “preocupantes”, os dados apresentados no Estudo sobre Situação das Mulheres na Guiné-Bissau.

De acordo com o Correspondente da ANG na região de Quinara, sul do país, Paula Melo falava , segunda-feira, no sector Buba, na apresentação de resultados do inquérito sobre a situação das mulheres na Guiné-Bissau, no  quadro do Projeto Observatório das Mulheres.

Na ocasião, aquela responsável destacou diversas preocupações relacionadas com a realidade das mulheres no país.

“A situação das mulheres continua a apresentar indicadores preocupantes em vários aspetos, nomeadamente na saúde, educação, ambiente, habitação, acesso à justiça e violência baseada no género”, salientou.

Paula Melo disse que as mulheres continuam a enfrentar múltiplos desafios, incluindo violência doméstica, mutilação genital feminina (MGF), restrições nas atividades económicas e riscos associados à desintegração familiar

Disse. que as mudanças climáticas têm impacto direto na vida das mulheres, agravando dificuldades como o acesso à alimentação, à educação dos filhos e às condições financeiras.

No plano político, denunciou a persistência de discriminação contra as mulheres, sobretudo na constituição de listas de candidatura à cargos de deputados e no acesso á posições de decisão.

Segundo afirmou, muitas mulheres são excluídas ou colocadas em posições não elegíveis, ficando afastadas dos altos cargos do país, especialmente no governo.

Disse que, apesar dos esforços de organizações da sociedade civil, que propuseram uma lei de paridade com 40 por cento de representação feminina, o parlamento acabou por aprovar uma percentagem de 36 porcento.

“Ainda assim,  as mulheres continuam sub-representadas", disse Paula Melo, jornalista  profissão.

A coordenadora de AMPROCS defendeu que as mulheres devem ocupar cargos de maior responsabilidade, incluindo a Presidência da República, argumentando que, ao longo de mais de 50 anos de governação, os homens não conseguiram responder adequadamente aos desafios do país.

Para concluir, a ativista destacou a necessidade urgente de ouvir as mulheres e responder de forma eficaz às suas preocupações.

O projeto Observatório das Mulheres é promovido pela Casa dos Direitos, em parceria com várias organizações, nomeadamente LGDH, AMPROCS, MIDJILAN e ACEP. No âmbito deste estudo, foi também publicado um livro sobre a situação das mulheres na Guiné-Bissau.

A apresentação do relatório contou com a participação de mulheres e meninas da Região de Quinará, que manifestaram preocupações sobre  a fraca produção de caju, a persistência da mutilação genital feminina e a elevada taxa de gravidez precoce, que dizem ser fatores que contribuem para o abandono escolar.

Entre as recomendações deixadas pelas participantes, destaca-se a necessidade de maior representação feminina no parlamento e no governo, de forma a garantir que as vozes das mulheres sejam ouvidas. ANG/RC/JD/ÂC//SG

Regiões/Presidente do FIDESMA alerta para desafios que podem comprometer o avanço do Setor de Mansabá

Oio, 14 abr 26 (ANG) – O Presidente do Fórum de Intervenção para o Desenvolvimento do Setor de Mansabá (FIDESMA), afirmou , segunda-feira, que aquela localidade enfrenta diversas dificuldades em diferentes áreas que comprometem o desenvolvimento local.

Tcherno Quadé que falava ao Correspondente da ANG na Região de Oio, norte do país,  destacou a degradação das infraestruturas escolares, falta de professores e a baixa qualidade de docentes, a insuficiência da segurança,  desvalorização cultural e a fraca inclusão da população local na Administração Pública sectorial como os males que devem ser combatidos.

Quadé aproveitou a ocasião de Balanço da Primeira Conferência de Quadros do Setor de Mansabá, realizada de 10 à 12 de Abril, em Djalicunda, para lamentar a falta de um hospital, contando com três áreas sanitárias para atender uma população de mais  63 mil pessoas.

Tcherno Quadé pede maior envolvimento das autoridades regionais na resolução dos problemas que a população enfrenta, e apela aos  quadros locais a participarem, activamente, no desenvolvimento do setor de Mansabá.ANG/MSC/ÂC//SG

Regiões /Coordenador da Carta -21 de Oio alerta para o abandono escolar dos alunos durante Campanha de Caju

Oio, 14 Abr 26 (ANG) – O Coordenador Regional do Movimento Estudantil denominado de “Carta-21” na região de Oio, norte do pais, alertou no Domingo para o impacto negativo da retirada das crianças da escola durante a campanha de comercialização da castanha de caju.

Siaca Cissé manifestou a sua inquietação numa entrevista ao Correspondente da ANG na Região de Oio, afirmando que esta prática, que já está sendo uma tradição, compromete o futuro educacional da nova geração.

Segundo ele, quando os pais e encarregados de educação priorizassem o trabalho nos pomares de caju em detrimento da educação, estão a contribuir para a formação de uma geração com dificuldades básicas de aprendizagem, formando uma geração que sabe contar quilos de caju, mas que não sabe ler nem escrever.

Cissé apelou aos pais e encarregados de educação dos alunos para  não retirarem seus meninos das aulas por causa da campanha de caju ou para trabalho  agrícola. ANG/MSC/ÂC//SG


segunda-feira, 13 de abril de 2026

Vaticano/Após críticas de Trump, Papa Leão XIV devolve: "Não tenho medo"

Bissau, 13 Abr 26 (ANG) - Papa Leão XIV lamentou a forma como Donald Trump reagiu à sua mensagem sobre a paz e diz a sua reação prova que não percebeu "a mensagem do Evangelho".

Papa Leão XIV já respondeu às criticas de Donald Trump que o acusou, no domingo (madrugada de segunda-feira em Lisboa), de ser "fraco" em relação a políticas externas.

O Sumo Pontífice lamentou a forma como o presidente dos Estados Unidos da América encarou as suas palavras sobre a necessidade de paz, mas disse não tencionar envolver-se em debates com o mesmo.

"Colocar a minha mensagem no mesmo plano que aquilo que o presidente tentou fazer aqui, penso que é não compreender qual é a mensagem do Evangelho", começou por afirmar à Associated Press a bordo do avião papal, esta manhã, atirando depois: "não tenho medo da administração Trump". 

"Lamento, mas vou continuar a fazer o que acredito ser a missão da Igreja no mundo de hoje", disse, referindo ainda que não tenciona entrar em debates com o presidente dos EUA.

"Não sou político, não tenho qualquer intenção de entrar em debate com ele. A mensagem é sempre a mesma: promover a paz", argumentou o Papa em declarações aos jornalistas que o estão a acompanhar na sua visita a Argélia.

Recorde-se que no sábado, no Vaticano, o Papa apelou aos governantes do mundo para conterem toda a "demonstração de força" e "sentarem-se à mesa do diálogo e da mediação", e embora não tenha mencionado casos concretos, essa mensagem coincidiu com as negociações entre os Estados Unidos e o Irão no Paquistão.

O presidente dos Estados Unidos afirmou que o papa é "terrível em política externa", aludindo às críticas de Leão XIV sobre o Irão e a Venezuela, e instou-o a "deixar de agradar à esquerda radical". "O Papa Leão é FRACO em relação ao crime e péssimo em política externa", escreveu no domingo à noite (hoje em Lisboa) Donald Trump na rede Truth Social, da qual é proprietário, numa longa mensagem em que insta o religioso a "concentrar-se em ser um grande Papa, não um político", porque "está a prejudicar a Igreja Católica".

"Não quero um Papa que ache que está bem o Irão ter uma arma nuclear. Não quero um Papa que considere terrível que os Estados Unidos tenham atacado a Venezuela (...). E não quero um Papa que critique o presidente dos Estados Unidos quando estou a fazer exatamente aquilo para que fui eleito", declarou.

Além disso, Trump sugeriu que Leão XIV foi eleito Papa "porque era norte-americano, e pensaram que seria a melhor forma de lidar" com o republicano, e instou-o a "estar grato". "Se eu não estivesse na Casa Branca, Leão não estaria no Vaticano", atirou. ANG/Lusa

 

Vaticano/Argélia, Camarões, Angola, Guiné Equatorial: a primeira viagem do Papa Leão XIV a África

Bissau, 13 Abr 26 (ANG)  - O Papa Leão XIV efectua, de 13 a 23 de Abril, a sua primeira grande digressão internacional por quatro países de África: Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial.

Diálogo com o islão, paz, respeito pelos recursos naturais, combate às desigualdades, direitos humanos: a viagem, muito aguardada, abordará temas variados, num contexto internacional marcado pela guerra no Médio Oriente, onde a Santa Sé tenta influenciar a cena diplomática.

Com cerca de 18.000 quilómetros, 11 discursos, sete missas e uma dezena de cidades visitadas, esta digressão a um ritmo frenético tem contornos de maratona para o Papa norte-americano de 70 anos.

África é o continente que regista o maior crescimento de católicos no mundo, com 280 milhões de fiéis e uma forte dinâmica espiritual. Mas a Igreja Católica enfrenta a concorrência das igrejas pentecostais e de evangélicas. Trata-se de um continente rico em recursos naturais, marcado por tensões e desigualdades políticas e económicas. Um tema caro a Leão XIV, muito ligado à justiça social.

Em primeiro lugar, a Argélia (13-15 de Abril), um país 99% muçulmano que recebe um Papa pela primeira vez. Leão XIV irá encontrar-se com a pequena comunidade católica do país.

O diálogo inter-religioso estará no centro desta etapa: Leão XIV visitará, nomeadamente, a Grande Mesquita de Argel, prestará homenagem a figuras da memória argelina e reunir-se-á com o presidente Abdelmadjid Tebboune.

Leão XIV deslocar-se-á também a Annaba (leste), antiga Hipona, nos passos de Santo Agostinho, grande pensador da cristandade cujo legado espiritual alimenta o seu pontificado.

O Sumo Pontífice vai, igualmente, recolher-se em privado na capela dos 19 “mártires da Argélia”, padres e religiosas assassinados durante a guerra civil (1992-2002), nomeadamente os monges de Tibhirine.

Em entrevista à RFI, Dom José Manuel Imbamba, arcebispo de Saurimo (leste de Angola) e presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé e Príncipe (CEAST), sublinhou que a Igreja Católica assume uma dimensão universal e inclusiva. “A Igreja Católica é universal. A Igreja Católica é para todos e está aberta a todos”, destacando que o diálogo entre religiões faz parte da própria identidade da Igreja: “este diálogo inter-religioso é um caminho que a Igreja nunca desperdiçou e nunca pôs de lado”.

A visita à Argélia ganha, segundo o arcebispo de Saurimo, um significado adicional pela ligação histórica e espiritual a Santo Agostinho de Hipona, figura central do pensamento cristão e referência para a ordem agostiniana a que o Papa pertence. “É uma das cidades que o Papa logicamente visitará para realimentar-se da espiritualidade daquele santo e assim poder animar o seu pastoreio”.

Para Dom José Manuel Imbamba, esta ligação histórica reforça a dimensão espiritual da deslocação e sublinha a continuidade da tradição cristã no território argelino. Ao mesmo tempo, a presença do Papa num país de maioria muçulmana é vista como um gesto de abertura e aproximação entre religiões. “A Igreja não esquece as minorias. A Igreja está sempre pelas minorias, pelos mais desfavorecidos”.

Nos Camarões (15-18 de Abril), país bilingue e multiconfessional de maioria cristã, que já recebeu três visitas papais, o Papa Leão XIV coloca a sua viagem pastoral sob o signo da paz e da reconciliação, sobretudo em Bamenda, uma das regiões anglófonas onde o conflito entre separatistas e o Estado dura há 10 anos.

A etapa mais simbólica terá lugar a 16 de Abril, com a deslocação sob forte segurança a Bamenda, onde Leão XIV irà proferir um discurso e celebrar uma missa.

Neste país onde cerca de 37% dos 30 milhões de habitantes são católicos, a Igreja desempenha um papel de mediação e gere uma vasta rede de hospitais, escolas e obras de caridade, uma alavanca de influência que a Santa Sé pretende consolidar.

Antes de celebrar uma missa no estádio de Douala, capital económica, bem como na capital Yaoundé, Leão XIV será recebido pelo presidente Paul Biya, de 93 anos, um dos mais antigos chefes de Estado do mundo.

O clero camaronês, que goza de alguma influência na cena política, tem-se mostrado por vezes muito crítico em relação ao presidente, no poder desde 1982.

Em Angola (18-21 de Abril), país lusófono onde o catolicismo está profundamente enraizado, a visita deverá pôr em evidência as temáticas sociais defendidas por Leão XIV: um país rico em petróleo e minerais, mas marcado por profundas desigualdades, onde cerca de um terço da população vive abaixo do limiar internacional de pobreza. Leão XIV deverá insistir na gestão equitativa dos recursos e no combate à corrupção.

O Papa deslocar-se-á à capital Luanda, nas margens do Oceano Atlântico, símbolo de contrastes onde coexistem bairros de luxo e bairros de lata, bem como ao santuário mariano de Muxima, principal local de peregrinação nacional, e ainda a Saurimo (leste).

Em entrevista à RFI, o analista político Osvaldo Mboco, sublinha que a deslocação do Papa Leão XIV a Angola, com passagem por Saurimo, leste do país, é vista como um momento de forte simbolismo social e político, para além da dimensão religiosa.

Nós sabemos que a Igreja tem um papel muito importante, que é primeiro, da pacificação dos espíritos e também um papel importante na defesa dos pobres e dos oprimidos.

A visita do Papa surge, assim, como uma oportunidade para reforçar essa missão, sobretudo em territórios onde o desenvolvimento económico não se traduz necessariamente em melhores condições de vida para as populações. “É claro que o nível de desenvolvimento de Saurimo inspira cuidado e que nos remete a uma reflexão da necessidade de continuarmos a trabalhar”, afirmou.

Segundo Osvaldo Mboco, este problema não é isolado. “Esta realidade não é simplesmente ao nível de Saurimo, mas também em outras províncias, como Cabinda, por exemplo, que é uma das localidades onde mais se extrai petróleo”.

Para o analista, a presença do Papa nestas zonas tem também um significado político e institucional. “A ida do Papa à Saurimo, para além da comunidade católica que lá reside, também passa essa mensagem da necessidade de melhor se trabalhar e melhor se estabelecer algumas metas para o desenvolvimento e crescimento dessa mesma província.

Por fim, na Guiné Equatorial (21-23 de Abril), que conta com cerca de 90% de católicos, o Papa pretende apoiar os fiéis sem, no entanto, legitimar o regime autoritário e repressivo no poder desde 1979.

Quarenta e quatro anos depois, Leão XIV seguirá os passos de João Paulo II, o único Papa a ter pisado o solo deste pequeno país da África Central, governado por Teodoro Obiang Nguema. Aqui o Papa terá de manter um equilíbrio delicado: apoiar os fiéis sem, contudo, ser visto como um apoio ao regime, frequentemente acusado de derivas autoritárias.

Na antiga capital Malabo, na ilha de Bioko, Leão XIV encontrará representantes do mundo da cultura, bem como pessoal e doentes de um hospital psiquiátrico. Deslocar-se-á igualmente ao reduto natal do presidente Obiang, em Mongomo (leste).ANG/RFI