França/Países reagem a novas tarifas
de Trump
Bissau,
24 Jul 26 (ANG) - As novas tarifas impostas pelos Estados
Unidos a cerca de 60 países, já a partir desta sexta-feira (24), geram reações
dos parceiros comerciais dos americanos no mundo.
A China declarou “ser contra qualquer forma de medidas
tarifárias unilaterais”, mas a União Europeia não escondeu o alívio pelo fato
de a taxa aplicada aos produtos europeus não ser a mais alta.
O
anúncio de Washington ocorreu no mesmo dia em que a gigante americana Google
foi alvo de uma pesada multa no continente europeu. "A UE saúda o fato de
que esse desfecho é consistente com os compromissos dos EUA em relação às
tarifas", estabelecidos no acordo comercial firmado no ano passado entre
Bruxelas e Washington, disse Olof Gill, porta-voz da Comissão Europeia.
A UE recebeu uma alíquota tarifária
global de 10%, com isenções tarifárias adicionais para certos produtos, como
cortiça e diamantes, que se somam a mercadorias já isentas, a exemplo de
aeronaves e suas peças de reposição e medicamentos genéricos.
Para Bruxelas, isso cria uma
"dinâmica positiva" para as discussões transatlânticas sobre diversos
temas, que vão desde matérias-primas estratégicas até inteligência artificial,
salientou Olof Gill.
O anúncio de Washington ocorreu poucas
horas depois de a UE decidir multar o Google em € 890 milhões por práticas
anticompetitivas no setor digital. A decisão contra a gigante de tecnologia
americana havia suscitado temores de uma retaliação por parte de Washington, já
que o governo de Donald Trump costuma acusar o bloco europeu de atingir
injustamente empresas americanas por meio de suas regulamentações digitais.
Cerca de 60 economias enfrentam novas
tarifas a partir da meia-noite e um minuto desta sexta-feira (24), em
substituição às taxas temporárias implementadas em Fevereiro por Donald Trump.
Essas tarifas temporárias haviam sido adotadas após uma decisão da Suprema
Corte de anular a maioria das sobretaxas estabelecidas desde o retorno de Trump
ao poder.
Agora,
uma série de produtos que entram nos Estados Unidos vindos de uma longa lista
de países passa a estar sujeita a impostos de importação de 10% ou 12,5%.
União Europeia, Reino Unido, México e Canadá, alguns dos parceiros comerciais
mais importantes dos Estados Unidos, serão alvo de 10% de sobretaxa.
O
Brasil, já taxado em 25 por cento na semana passada, recebeu uma nova rodada de
12, 5 por cento, resultado da investigação do Escritório do Representante do
Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) sobre falhas no combate à
importação de 3 mil itens acusados de serem feitos com o uso de trabalho
forçado.
"Na ausência de base legal interna
para sustentar sua política comercial protecionista, o USTR optou por manipular
tema caro aos direitos humanos e à luta dos trabalhadores e trabalhadoras em
todo o mundo para acusar 59 países e a União Europeia de práticas desleais",
denuncia uma nota oficial do governo brasileiro sobre o assunto.
O governo Lula decidiu que vai usar a
Lei da Reciprocidade como forma de pressão, mas não vai deixar a mesa de
negociações com o governo de Donald Trump.
Na
Ásia, a China declarou que as novas tarifas de 12,5% contra os produtos
chineses “não atendem aos interesses de nenhuma das partes".
"Somos contra qualquer forma de medidas tarifárias unilaterais",
disse Lin Jian, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China.
Apesar da rivalidade, a China e os
Estados Unidos haviam chegado a uma trégua comercial em outubro. No entanto, as
disputas persistem: Pequim critica Washington por restrições a tecnologias que
podem ser exportadas para empresas chinesas.
As Filipinas, que, como os demais
países, também são visadas com o argumento de uso de trabalho forçado,
expressaram "profunda preocupação". "Estamos muito preocupados e
surpresos com essa nova taxa de 12,5%, que é muito alta", disse George
Barcelon, presidente da Câmara de Comércio e Indústria das Filipinas (PCCI), à
AFP na sexta-feira. "Isso tornará as indústrias menos competitivas",
alertou ele.
A secretária de Comércio das Filipinas,
Christina Roque, disse que o país possui uma "política firme contra o
trabalho forçado, em conformidade com várias convenções da Organização
Internacional do Trabalho (OIT)".
Mesmo antes da entrada em vigor da nova
rodada tarifária de 12,5%, Austrália, Japão e Nova Zelândia, aliados dos EUA na
Ásia, criticaram duramente as barreiras. Canberra as considera "injustificadas",
Wellington as acha "extremamente decepcionantes" e Tóquio as
"lamenta".
Em meados de Março, o representante de
Comércio dos EUA (USTR), Jamieson Greer, iniciou uma investigação para
determinar se os parceiros comerciais dos EUA haviam eliminado completamente de
suas cadeias de suprimentos produtos fabricados com mão de obra forçada.
"Buscamos acabar com o comércio
desse tipo de produto", explicou Greer à CNN. "Se você permite a
importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado, cria-se uma
concorrência desleal para os seus próprios produtos. Queremos que todos os
países tenham o mesmo tipo de proteção", acrescentou.
Segundo Greta Peisch, advogada
especializada em comércio internacional, o objetivo é "manter poder de
negociação e continuar pressionando para que os países continuem a honrar os
acordos comerciais que assinaram e, talvez, negociem outros no futuro".
"Há um fio condutor, mesmo que as alíquotas tarifárias variem
significativamente e as justificativas para elas mudem com o tempo",
acrescentou ela.
"O presidente reconheceu que o
mercado dos EUA é um ativo importante que ele pode usar como alavanca junto a
esses países para alcançar os objetivos desejados", admitiu uma autoridade
americana à imprensa.
A Casa Branca espera que essa nova
sobretaxa não tenha o mesmo destino daquela implementada no ano passado. Para
garantir a viabilidade jurídica, o USTR baseou-se na mesma legislação utilizada
anteriormente para justificar tarifas setoriais específicas – como o aço, o alumínio,
o cobre, a madeira e automóveis —, que não haviam sido anuladas pela Suprema
Corte. Várias outras investigações também estão em andamento com base nesse
mesmo texto, particularmente no que diz respeito a uma possível capacidade
industrial excedente. ANG/RFI/AFP