sexta-feira, 19 de junho de 2026

                       Caju/País já exportou 37 mil toneladas de castanha

Bissau, 19 Jun 26 (ANG) – O Presidente da Associação dos Intermediários de Negócios da Guiné-Bissau(AIN-GB) disse hoje  que, até ao momento  em que falava , a Guiné-Bissau já havia exportado 37 mil toneladas da castanha de caju, das 200 mil já armazenadas em Bissau.

Lassana Sambú forneceu estes dados à imprensa  num encontro de avaliação do andamento da Campanha de Caju 2026.

Aquele responsável disse que, até ao momento, já foram declaradas 70 mil toneladas prontas para a exportação, realçando que a previsão total de exportação para a campanha 2026 é de 200 mil toneladas.

“De acordo com os dados das Delegacias Regionais do Comércio,   foram registadas cerca de 25 mil toneladas da castanha nos armazéns nas regiões e apesar do medo de haver pouca produção este ano registado no iniciou  da campanha, em certas zonas já ultrapassamos a espectativas do Governo”, disse.

O presidente da Associação dos Intermediários de Negócios admite que, mesmo com a queda de produção , o país vai  atingir uma quantidade superior aos  200 mil toneladas. ”Isso significa que quando houver boa produção, a capacidade produtiva pode atingir 400 mil toneladas”, disse.

Sambú pede ao Governo para cumprir na íntegra  os diplomas que regulamentam atividades de comercialização deste produto estratégico.

Por seu turno, o ministro do Comércio e Indústria,  Jaimentino Có realçou a importância do encontro que visa entre outros objetivos, harmonizar os dados  das diferentes instituições que trabalham na fileira de caju, durante o processo da campanha, nomeadamente, o Ministério do Comércio, das Finanças, da Agricultura e outras.

Có disse que a campanha está a correr muito bem até ao momento,  apesar de reconhecer a necessidade de se melhorar alguns aspectos  sobretudo a fiscalização junto às fronteiras terrestres, para estancar a fuga da castanha para os países vizinhos.

“Há fenómenos que fujam ao nosso controlo: casos da má colheita, alterações climáticas e outros. Mas o que podemos fazer, casos de contrabando e  outros comportamentos que vão pôr em causa as metas estipuladas, temos que atuar com mão dura”, disse o ministro.

Jaimentino Có declarou  que não há marcha atrás no processo da castanha, e segundo explicou, as castanhas que estão nos armazéns, por exemplo, em Bula, não podem ser retiradas para Ingoré, São Domingos, frisando que, quem desafiar, será punido conforme a lei, e os meios de transporte que utilizou para contrabando  será confiscado. ANG/MSC/ÂC//SG

Justiça/PNUD e União Europeia lançamTerceira Edição da ‘Candonga di Justiça’ 2026

Bissau, 19 Jun 26(ANG) – O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e a União Europeia, lançam a Terceira Edição da ‘Candonga di Justiça’ 2026, que decorrerá entre os dias 22 e 29 de Junho nas  províncias Norte e Leste do país.

De acordo com o Comunicado à Imprensa da União Europeia, enviado hoje à ANG, o evento tem como objetivo  aproximar os serviços de justiça das populações, especialmente das comunidades mais afastadas dos serviços públicos.

“A Caravana Candonga di Justiça 2026 abrangerá 16 comunidades das regiões de Cacheu, Oio, Bafatá e Gabu”, refere o comunicado.

Em Cacheu, contempla os sectores de São Domingos e Bigene, onde serão abrangidas Varela, Suzana, Gã Jandi e Tareiro.

 Em Oio, no setor de Farim, Binar, Cuféu, Sansancutotó/Banhima e Sancutó/Ioncoia.

Em Bafatá, Tendito, Cuntuba, Cambesse e Gã Samba, e em Gabu, Sitchã Arafam, Canquelifá, Darsalam e Bufati.

As principais atividades programadas são: os Serviços de Registo de Nascimento, utilizando o sistema de registo digital SIREC, em que as  crianças dos 0 aos 07 anos de idade serão registadas, garantindo o seu acesso à identidade legal.

A caravana candonga de Justiça ainda prevê assessoria jurídica gratuíta, em que as equipas dos CAJ e parceiros da justiça formal prestarão apoio jurídico,  e sensibilizarão as comunidades, em colaboração com organizações da sociedade civil, sobre os  direitos humanos, o acesso à justiça e a prevenção da violência baseada no género.

“Com esta 3ª edição, espera-se o aumento do número de crianças registadas à nascença, reforço da procura pelos Centros de Acesso à Justiça e promoção de uma cidadania mais ativa, informada e participativa”, refere o comunicado. ANG/ÂC//SG

Sociedade/Comerciantes retalhistas elogiam Governo e apelam ao respeito pelas novas regras no Mercado de Bandim

Bissau, 19 Jun 26(ANG) - O presidente da Associação Nacional dos Retalhistas, Aliu Seide, apelou  quinta-feira aos vendedores para respeitarem as orientações das autoridades e evitarem a ocupação dos passeios com as suas atividades comerciais.

Falando durante uma conferência de imprensa realizada no Mercado de Bandim, em Bissau, Aliu Seide louvou o empenho do Governo de Transição na resolução do impasse entre os retalhistas e a Câmara Municipal de Bissau.

Segundo disse, a intervenção do Primeiro-ministro de Transição permitiu a retoma das atividades comerciais no local, desde que os vendedores respeitem uma distância mínima de dois metros dos passeios.

O responsável defendeu ainda que os retalhistas devem colaborar com as autoridades para garantir uma melhor organização do mercado e contribuir para a segurança e mobilidade dos cidadãos.

Em representação das mulheres vendedoras, Jóia Nunes disse que não são contra as medidas de reorganização da cidade promovidas pela Câmara Municipal de Bissau.

Disse que antes  da retirada dos vendedores dos passeios, as autoridades deviam criar espaços alternativos para acolher as pessoas que dependem do pequeno comércio para sustentar as suas famílias.

Por sua vez, Caramó Suaré Cassamá defendeu que a organização urbana da capital não deve limitar-se ao Mercado de Bandim.

Cassamá aponta que  vários bairros da cidade de Bissau enfrentam problemas de urbanização e necessitam igualmente de intervenções para melhorar as condições de vida da população.

Os retalhistas reagiram, segunda-feira, à decisão da Câmara Municipal de Bissau de retirar os vendedores instalados ao longo da principal avenida do Mercado de Bandim, uma medida justificada pela necessidade de melhorar a segurança rodoviária e facilitar a circulação de peões e veículos.


Descontentes , os vendedores recorreram ao
  Primeiro-ministro de Transição, Ilídio Vieira Té, e conseguiram a autorização  para voltar a vender os seus produtos nos passeios do mercado de bandim mas, respeitando a distancia de dois metros da estrada. ANG/RSM


 

Suíça/Confirmada adiamento de conversações de paz entre EUA, Irão e mediadores

 

Bissau, 19 Jun 26 (ANG) - O governo suíço confirmou hoje o adiamento da reunião entre os Estados Unidos, o Irão e os mediadores, Qatar e Paquistão, para negociações de paz na cidade alpina de Bürgenstock.

 

O ministério dos Negócios Estrangeiros suíço indicou que, apesar do contratempo, “os trabalhos preparatórios em Bürgenstock continuam” e o país segue totalmente preparado para acolher e facilitar as negociações.

 

Antes, a Casa Branca anunciou que, devido a problemas logísticos, a delegação norte-americana, liderada pelo vice-presidente J.D. Vance, já não partiria para a Suíça para se reunir com os negociadores iranianos.

 

Numa declaração anterior, Vance tinha indicado que existia a possibilidade de viajar este fim de semana para a Suíça para participar no início das conversações técnicas com o Irão, no âmbito de um processo ainda em fase de organização.

 

As autoridades suiças garantiram um plano robusto para assegurar a segurança dos negociadores e mediadores em Bürgenstock, uma estância de montanha isolada, situado acima do lago Lucerna.

 

Além da exclusividade, a localização oferece uma vantagem de segurança única: o acesso pode ser completamente bloqueado, fechando a única estrada existente e suspendendo o serviço do teleférico histórico que liga à margem do Lucerna.

 

A polícia local já tinha tomado ambas as medidas: estabelecido um posto de controlo para filtrar a entrada e impedir o acesso de qualquer pessoa que não estivesse hospedada em Bürgenstock, além de destacar pessoal de segurança adicional.

 

Este mesmo complexo turístico sediou a cimeira da paz para a Ucrânia de 2024, que contou com a presença de diversos chefes de governo e delegações de 92 países, nas discussões sobre a sua reconstrução, após o eventual fim da guerra com a Rússia.

 

No memorando de entendimento já assinado no domingo pelos Estados Unidos e Irão, é estabelecido, a partir de quinta-feira, um prazo de 60 dias para a negociação de um acordo de paz definitivo, que deverá ser ratificado através de uma resolução vinculativa do Conselho de Segurança da ONU.

ANG/Inforpress/Lusa

 

         
         Marrocos
/Inaugurada sede das capitais Africanas da Cultura

Bissau, 19 Jun 26 (ANG) – A sede das Capitais Africanas da Cultura (CAC) foi inaugurada na quinta-feira em Rabat, na presença de diversas personalidades dos círculos culturais e diplomáticos.

A criação desta instituição continental na capital do Reino reflete o compromisso constante de Marrocos com a cooperação africana, o diálogo intercultural e a promoção da cultura como alavanca para o desenvolvimento, em consonância com a visão iluminista de Sua Majestade o Rei Mohammed VI para uma África unida, criativa e aberta.

Também consagra o compromisso partilhado dos estados, cidades e instituições africanas em fazer da cultura um pilar essencial do desenvolvimento sustentável, inclusivo e pluralista do continente.

A cerimónia de inauguração contou com a presença, entre outros, do Presidente do Comité das Capitais Africanas da Cultura, Adama Traoré, do Secretário-Geral interino do Departamento de Cultura do Ministério da Juventude, Cultura e Comunicação, Salah-Eddine Abkari, bem como de numerosos embaixadores de países africanos acreditados em Marrocos.

Em um discurso lido em seu nome, o Ministro da Juventude, Cultura e Comunicação, Mohamed Mehdi Bensaid, destacou a excepcional riqueza da África, um continente de diversidade cultural e pluralidade linguística por excelência.

Ao sediar a sede do CAC, Rabat se une a essa grande ambição continental de fazer da cultura a base dos modelos africanos de desenvolvimento sustentável, inclusivo e pluralista, enfatizou ele.

Sob a liderança visionária do Rei Mohammed VI, Marrocos está consolidando sua posição no contexto africano, fortalecendo suas raízes culturais e históricas e colocando a cultura e o capital humano no centro de todos os processos de progresso, observou o ministro.

Observando que as políticas culturais africanas tendem a construir um espaço continental integrado, o Sr. Bensaid indicou que a riqueza cultural do continente continua a enfrentar uma "fuga de imaginações", o que ainda leva muitos artistas, criadores e produtores africanos a alimentar indústrias culturais importadas.

A este respeito, ele salientou que a África possui um potencial considerável no campo das indústrias culturais e criativas, impulsionado em particular por uma juventude mais bem educada, mais conectada e altamente criativa.

De acordo com o Sr. Bensaid, o programa Capitais Africanas da Cultura visa ser um vetor desse desenvolvimento futuro e da construção de um espaço de intercâmbio transafricano, capaz de fornecer aos países do continente instrumentos de soberania cultural, mediática e digital para enfrentar os grandes desafios do século.

Por sua vez, o Sr. Traoré destacou que esta inauguração consagra uma aventura pan-africana que nasceu em Marrakech em 2018, durante a Cúpula Africities, e que foi impulsionada pela convicção de que a África só poderá construir plenamente o seu futuro apoiando-se na sua cultura, na sua criatividade, na sua juventude, no seu património e na riqueza da sua imaginação.

A cultura africana não é simplesmente um "suplemento para a alma", mas um motor de transformação, inovação, coesão social e desenvolvimento econômico, afirmou ele.

Ele acrescentou que a nova sede da CAC em Rabat vai além da dimensão de um simples edifício, tornando-se uma “Casa Comum”, um espaço para diálogo, reflexão e cooperação, onde as cidades africanas podem compartilhar suas experiências e desenvolver projetos sustentáveis.

Referindo-se à expansão continental do programa após a edição inaugural em Rabat, em 2022, o Sr. Traoré contextualizou o próximo grande passo planejado para 2028 em Cabo Verde, com Praia como cidade anfitriã, o que abrirá uma nova geografia africana atlântica, crioula e diaspória.

A este respeito, ele lembrou que a África cultural também é concebida a partir de suas ilhas, suas circulações e suas múltiplas extensões pelo mundo.

A sede das Capitais Africanas da Cultura acolherá reuniões dos órgãos do programa, apoiará futuras cidades-sede e promoverá o intercâmbio entre atores culturais africanos, autoridades locais, artistas, pesquisadores e agentes culturais.

As Capitais Africanas da Cultura têm como objetivo promover a cultura como pilar do desenvolvimento sustentável, fortalecer as indústrias culturais e criativas, apoiar a mobilidade dos artistas e valorizar o património material e imaterial do continente.

O programa CAC também contribui para a implementação da Agenda 2063 da União Africana e participa na construção de um espaço cultural africano dinâmico, inovador e unido. ANG/Faapa

 

Cuba/Parlamento  aprova por unanimidade programa económico que marca viragem histórica

 

Bissau, 19 Jun 26(ANG) - O Parlamento cubano aprovou na quinta-feira, por unanimidade, um extenso programa de reformas a favor da economia de mercado, marcando uma viragem histórica para a ilha comunista, mergulhada numa profunda crise económica e sob pressão de Washington.

 

Mais de 400 deputados da Assembleia Nacional do Poder Popular foram chamados a pronunciar-se sobre 176 propostas que abrangem inúmeros setores da economia, apresentadas pouco antes pelo primeiro-ministro, Manuel Marrero.

 

As reformas foram aprovadas por unanimidade através de votação por braço no ar, de acordo com imagens transmitidas pela televisão estatal.

 

As medidas dizem respeito, nomeadamente, à organização das empresas privadas e estatais, bancos, turismo, agricultura, investimentos estrangeiros, impostos, salários e mercado cambial.

 

“Trata-se do programa de reforma económica mais profundo anunciado nos últimos 70 anos da história económica do país, desde a vitória da revolução de 1959”, afirmou à AFP o economista cubano Daniel Torralbas, radicado em Londres.

 

Nos anos que se seguiram à revolução liderada por Fidel Castro em 1959, as grandes empresas privadas, cubanas ou estrangeiras, foram nacionalizadas, assim como os pequenos comércios e empresas familiares.

 

O dogma da economia socialista sofreu ao longo do tempo alguns abalos, mas sem nunca pôr em causa os fundamentos de uma economia amplamente planificada e centralizada.

 

Em 2021, porém, pela primeira vez em meio século, foram autorizadas pequenas e médias empresas, com capacidade para empregar até 100 trabalhadores, para fazer face à crise e ao descontentamento social. Hoje, são mais de 10.000 e empregam um terço da população ativa.

 

Entre as reformas aprovadas na quinta-feira destacam-se, nomeadamente, a transformação das empresas estatais em sociedades comerciais “por ações ou com participação”, a autorização de empresas privadas com mais de 100 trabalhadores, a participação de capitais estrangeiros no setor privado e a abertura de contas em moeda estrangeira para particulares.

 

A agricultura, turismo, setor bancário e mercado cambial estarão doravante abertos ao investimento privado, nacional ou estrangeiro. Até então, este último era canalizado a favor das empresas estatais.

 

Os cubanos poderão também possuir mais do que uma empresa privada e participações noutras sociedades. Serão permitidas negociações salariais no seio das empresas.

 

“A maior parte das transformações propostas visa alargar o papel do setor privado na economia cubana (…) e trata-se de mudanças drásticas; não estamos a falar de meros retoques superficiais”, sublinhou Torralbas.

 

Ainda não foi, porém, anunciado qualquer calendário, nem se colocou em causa o sistema político, dominado exclusivamente pelo Partido Comunista Cubano (PCC).

 

“Trata-se de transformações destinadas a corrigir os erros, mas sempre com o objetivo de defender o socialismo”, declarou o Presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, após a votação dos deputados.

 

 

Na quarta-feira, durante uma sessão extraordinária, o Comité Central do PCC, instância máxima do partido, deu ‘luz verde’ a este pacote de reformas no sentido de uma maior liberalização da economia, cujos detalhes não tinham sido divulgados.

 

“Algumas não serão objeto de um consenso absoluto, mas é impossível adiá-las”, declarou então o chefe de Estado cubano. O ex-líder Raúl Castro, com 95 anos, deu também a entender que aprova as mudanças.

 

Estas reformas surgem num momento em que o Presidente norte-americano,

 

Donald Trump, aplica uma política de pressão máxima sobre a ilha, submetida há quase cinco meses a um bloqueio petrolífero, que levou a economia cubana – já sujeita a um embargo desde 1962 – à beira do colapso, provocando cortes generalizados de energia, escassez de alimentos, combustível, água potável e medicamentos.

 

Washington não esconde o desejo de ver uma mudança de modelo económico, ou mesmo de regime, na ilha situada a cerca de 150 quilómetros da costa da Flórida.

 

“Se tomarem decisões inteligentes, teremos uma relação muito melhor com esta ilha”, reagiu o vice-presidente norte-americano JD Vance, questionado na Casa Branca sobre uma possível intervenção militar em Cuba, após a assinatura, na quarta-feira, de um acordo entre Washington e Teerão.

ANG/Inforpress/Lusa

 

Moçambique/ Governo  repatria 201 malauianos vítimas de xenofobia na África do Sul

 

Bissau, 19 Jun 26(ANG) – Moçambique repatriou um total de 201 cidadãos malauianos que entraram ao país de forma ilegal após serem vítimas de ataques xenófobos na vizinha África do Sul, anunciou hoje o Serviço Nacional de Migração (Senami).

 

“Hoje mesmo tivemos a informação dos colegas que estavam em plantão que os últimos 11 já seguiram viagem para o Maláui e o que o Senami faz ou está a fazer neste momento é que entrarmos em contacto com os nossos colegas nos controlos fixos para poderem fazer o acompanhamento destes nossos concidadãos, dar o acolhimento necessário e dar o acompanhamento até chegarem ao Maláui”, disse o porta-voz daquele organismo, Juca Bata, em conferência de imprensa, em Maputo.

 

Segundo o responsável, os 201 cidadãos malauianos entraram através do posto de travessia da Ponta de Ouro, na província de Maputo, que liga Moçambique à África do Sul, esclarecendo que foram retidos pelas autoridades por “violação da linha de fronteira”, tendo sido posteriormente transportados para o terminal rodoviário da Junta, na cidade de Maputo, onde seguiram viagem até Tete, no centro, que faz fronteira com o Maláui, para o repatriamento.

 

“Feita a triagem destes cidadãos e dos documentos apresentados, houve registo de 135 cidadãos do sexo masculino, 38 do sexo feminino e 28 menores, com idades compreendidas entre 3 meses e 46 anos, sendo que 44 portavam consigo os seus passaportes e 157 em situação de indocumentados”, explicou Juca Bata.

 

 

 

O repatriamento destes cidadãos foi feito a partir dos contactos com a representação diplomática do Maláui em Moçambique e a partir dos contactos de familiares das vítimas, com o Governo agora atento face à violação das linhas de fronteira para travar a entrada ilegal de estrangeiros no país.

 

Em 12 de junho, a Lusa noticiou que um total de 980 cidadãos malauianos estavam a ser repatriados da África do Sul devido à mais recente vaga de ataques xenófobos que assola o país, comunicou o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Maláui.

 

Saíram da África do Sul 14 autocarros com os cidadãos malauianos que estavam retidos no Centro de Detenção de Lindela, na província sul-africana de Gauteng, por incumprimento de normas migratórias, segundo um comunicado do Governo do Maláui.

 

As tensões xenófobas são um problema recorrente na África do Sul. Inúmeras comunidades de imigrantes foram repatriadas pelos próprios países, como Moçambique ou a Nigéria, e a África do Sul foi alvo de críticas internacionais por xenofobia. Os incidentes mais graves dos últimos tempos ocorreram no final de 2019, com 18 estrangeiros mortos, segundo dados da organização Human Rights Watch.

 

Manifestantes anti-imigração sul-africanos deram até 30 de Junho para todos os estrangeiros abandonarem o país e o Governo da África do Sul anunciou nos últimos dias restrições às políticas migratórias.

 

Mais de 700 cidadãos nacionais já foram repatriados da vizinha África do Sul, após mais de 800 residentes na cidade de Mossel Bay, na província sul-africana de Cabo Ocidental, terem sido vítimas de ações de xenofobia, em 29 de Maio, que já mataram nove moçambicanos.

 

 

Em 09 de Junho, o Governo moçambicano admitiu preocupação com o “recrudescimento do discurso anti-imigração” na vizinha África do Sul, receando o agravamento da situação até final do mês, após o regresso de 714 cidadãos ao país nos últimos dias.

 

Já na quarta-feira, o Congresso Nacional Africano (ANC, na sigla em inglês), partido no poder na África do Sul, distanciou-se, em Maputo, capital moçambicana, dos recentes ataques xenófobos "desumanos" no seu país, assegurando trabalhar numa resposta legal para travar a crise.

 

Moçambique tem cerca de 300.000 cidadãos residentes na África do Sul. A Presidência indicou, em comunicado, que “milhares” já regressaram ao país face à violência. ANG/Inforpress/Lusa

 

Bélgica/Europa tenta se proteger da ‘enxurrada’ de produtos chineses e evitar guerra comercial

Bissau, 19 Jun 26 (ANG) - Mais de € 1 bilhão por dia, em média. Esse é o déficit colossal registado pelos países da União Europeia em relação à China. Um déficit que afeta a indústria europeia e preocupa os líderes políticos da UE.

Esse será um dos principais temas do Conselho Europeu que começa na noite desta quinta-feira (18), em Bruxelas.

Em Abril, o déficit comercial com a China ultrapassou a marca de € 30 bilhões.Um nível considerado insustentável pela própria Comissão Europeia, que propõe dotar a União de instrumentos para reequilibrar sua relação comercial com Pequim.

Entre as medidas estudadas está um mecanismo que excluiria determinados produtos dos mercados públicos europeus e limitaria a aquisição de empresas europeias por grupos chineses.

A França, em particular, defende a criação de um equivalente europeu da “Seção 301” dos Estados Unidos, que permite impor sobretaxas direcionadas a produtos de países acusados de práticas comerciais desleais.

“Devemos assumir medidas de defesa”, argumentou o presidente francês, Emmanuel Macron, afirmando que os europeus têm o direito de reagir “quando nossa soberania está em jogo”.

Desde 2024, com a imposição de tarifas adicionais sobre os carros eléctricos chineses, a relação comercial entre a UE e a China tornou-se um tema extremamente sensível. Alguns países europeus temem o início de uma guerra comercial cujas consequências para a UE são incertas.

Após as sobretaxas europeias sobre os veículos elétricos chineses, Pequim respondeu atingindo setores como o conhaque, a produção suína e os produtos lácteos europeus.

Outra grande preocupação é a forte dependência da UE em relação à China, que detém terras raras e matérias-primas estratégicas, essenciais para as indústrias de alta tecnologia. As restrições impostas por Pequim no ano passado a determinadas exportações serviram como um alerta aos europeus.

“Isso mostra o quanto é importante diversificar nossas fontes de abastecimento”, declarou Ursula von der Leyen durante a cúpula do G7 em Évian.

Há ainda um novo elemento a ser considerado: a Alemanha, que tradicionalmente resistia à ideia de uma política comercial mais agressiva em relação à China, está começando a mudar de posição.

Prova disso foram as declarações feitas na semana passada por Friedrich Merz. Sem citar diretamente a China, o chanceler alemão criticou a passividade diante de países que não respeitam as regras comuns em matéria de indústria e comércio.

Essa evolução é acompanhada de perto por Paris. Do lado francês, celebra-se uma crescente convergência com a Alemanha, embora Berlim continue insistindo na necessidade de não apontar oficialmente um país específico.

Para os europeus, o desafio é encontrar um equilíbrio delicado: proteger-se melhor contra os subsídios e os excessos de capacidade produtiva chineses sem chegar a uma ruptura econômica com Pequim.

“Desvincular nossas economias não é desejável nem realista”, lembrou o comissário europeu do Comércio, Maroš Šefčovič, diante dos eurodeputados. O objetivo declarado é, antes, “reequilibrar” as trocas comerciais e restabelecer condições de concorrência justas.

O debate promete ser intenso em Bruxelas. Embora uma maioria dos Estados-membros pareça agora favorável a um endurecimento da política comercial europeia, a UE continua exposta a possíveis represálias chinesas. Entre a defesa de sua indústria, a dependência de matérias-primas estratégicas e o receio de uma guerra comercial, a Europa ainda busca a resposta adequada para lidar com a crescente potência económica chinesa. ANG/RFI

 

Etiópia/ Treze milhões de pessoas afectadas por eventos climáticos extremos em África até 2025

Bissau, 19 Jun 26 (ANG) – Pelo menos 13 milhões de pessoas na África foram afetadas por eventos climáticos extremos em 2025, de acordo com um novo relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM), divulgado em Adis Abeba.

Esses fenómenos causaram mais de 3.000 mortes no continente, com repercussões em cascata em todos os setores económicos e sociais, enfatiza o relatório.

O documento observa que a África ainda está lutando para lidar com a magnitude desses impactos, apontando que apenas 40% dos países do continente possuem sistemas de alerta precoce para múltiplos riscos, que são essenciais para salvar vidas e preservar os meios de subsistência.

O relatório, no entanto, destaca sinais encorajadores, incluindo uma melhor colaboração entre os serviços meteorológicos, as agências de gestão de desastres e as autoridades locais, bem como progressos nos serviços climatológicos, incluindo previsões sazonais, que ajudam a fortalecer as capacidades de preparação e resposta.

Segundo a OMM (Organização Meteorológica Mundial), o continente africano está aquecendo mais rapidamente do que a média global, sendo a taxa de aquecimento observada desde 1991 significativamente superior à registada em cada um dos trinta anos anteriores.

“Os sinais das mudanças climáticas são visíveis em toda a África, desde o aumento das temperaturas e do nível do mar até inundações e secas devastadoras”, disse a Secretária-Geral da OMM, Celeste Saulo.

Este relatório destaca não apenas a dimensão dos riscos climáticos que o continente enfrenta, mas também a crescente importância dos alertas precoces, dos serviços climáticos e da ação coordenada para proteger vidas e meios de subsistência, enfatizou ela. ANG/Faapa

    

 

Alemanha/Antes da COP31, crise energética fortalece argumento económico da urgência da ação climática

Bissau, 19 Jun 26 (ANG) - Foram dez dias de negociações intensas, mas o clima da SB64 – a última grande reunião técnica antes da próxima COP31, concluída nesta quinta-feira (18) – foi mais calmo do que o do ano passado, apesar de a geopolítica fora das salas de reunião, em Bonn, na Alemanha, estar mais turbulenta do que nunca.

A sensação geral é a de que os quase 200 países presentes entenderam que o momentum já está dado e que, diante da crise energética global sem precedentes e da pressão que ela exerce sobre a inflação, os juros e o endividamento, cresce também entre a população a percepção de que é preciso reduzir a dependência dos combustíveis fósseis.

Para o secretário-executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), Simon Stiell, nada disso significa que as diferenças tenham sido resolvidas. Ainda há muito o que discutir até lá, e a polarização continua enorme.

“E simplesmente não podemos nos dar ao luxo de reabrir decisões anteriores, renegociar metas existentes ou retroceder”, afirmou no último dia do encontro, sob um calor de rachar na Alemanha e em boa parte da Europa, que está sob alerta de onda de calor extremo.

Stiell afirmou que todas as partes devem se sentir confortáveis e confiantes para reafirmar os compromissos globais já assumidos, sem selecionar apenas aqueles que lhes convêm taticamente em determinado momento.

“Compromissos assumidos no primeiro Balanço Global; compromissos que respondem à ciência e ao limite de 1,5 grau; sobre Perdas e Danos; sobre os US$ 300 bilhões; sobre os US$ 1,3 trilhão; sobre triplicar o financiamento para adaptação; e muito mais. Estas são as bases”, disse ele.

O secretário-executivo destacou ainda que tem insistido com a presidência turca da COP31 e com a presidência australiana do processo negociador para que tragam ministros para as discussões entre agora e a cúpula de Antália, na Turquia, onde será realizada a próxima edição da conferência.

Em novembro, o bastão da presidência será passado do Brasil para essa dupla liderança. O modelo de condução do regime climático internacional será diferente a partir daí, com dois países compartilhando a responsabilidade pela coordenação do processo.

Stiell afirmou com todas as letras que astensões geopolíticas do momento atravessaram as salas de negociação. E isso ficou claro para quem circulou pelos corredores do World Conference Center Bonn, onde negociadores e técnicos do mundo inteiro – com exceção da representação oficial dos Estados Unidos – estiveram reunidos.

Os americanos já não estiveram presentes formalmente no ano passado, desde que seu presidente, Donald Trump, anunciou que, mais uma vez, retiraria o país do Acordo de Paris. Também não estiveram representados oficialmente na COP30, em Belém.

Mas não é inteiramente correto dizer que os Estados Unidos não participaram dos debates em Bonn. Cerca de 75% do PIB americano esteve representado na SB64 por governos estaduais, empresas e organizações da sociedade civil.

O grupo America Is All In, que representa 25 estados, 300 grandes empresas e mais de 3.000 organizações – responsáveis, segundo seus próprios cálculos, por uma economia maior do que a da China – reuniu-se com negociadores à margem das reuniões formais. O objetivo foi acompanhar o andamento das discussões e mostrar o que continua sendo feito nos Estados Unidos, apesar dos esforços do governo federal em direção contrária.

Em suas palavras finais, no encerramento do encontro em Bonn, Simon Stiell disse que é preciso evitar o que percebeu em algumas salas de negociação: uma tendência recorrente ao individualismo, ou ao que chamou de “primeirismo”.

“Grupos se recusando a cumprir compromissos ou permitir que o processo avance, a menos que outros o façam primeiro”, explicou.

Essa é, segundo ele, uma receita para o impasse, justamente quando é fundamental que todas as frentes de negociação avancem rapidamente.

Ainda há muito a ser negociado até a COP31, e nada estará acertado até que tudo esteja acertado, como repetem os interlocutores em Bonn. Mas o que tem oferecido uma dose de confiança aos participantes é a percepção de que, se no ano passado prevaleceram a urgência climática, a necessidade de encontrar caminhos comuns e o argumento moral para agir, neste ano, diante do agravamento da conjuntura internacional – em níveis que muitos sequer imaginavam possíveis –, os argumentos económicos e de segurança passaram a falar ainda mais alto.

Isso reforça a ideia de que o momento para agir é agora.

“Sob pena de perder-se de vez o momentum”, resumiu uma fonte do UNFCCC.

ANG/RFI