Irã /Governo alerta que vai se desvincular de acordo com
EUA se país mantiver ataques, mas mantém negociações
Bissau, 13 Jul 26 (ANG) - O Irã anunciou nesta
segunda-feira (13) que não estará mais vinculado ao memorando de entendimento
concluído em Junho com os Estados Unidos caso o país não respeite os
compromissos assumidos para pôr fim à guerra no Oriente Médio e mantenha os
ataques contra o território iraniano.
Donald
Trump declarou na quarta-feira (8) que o acordo provisório de cessar-fogo assinado
em junho entre os dois países estava “encerrado”. O presidente americano, que
alternou comentários otimistas e ameaças desde o início do conflito, em Fevereiro,
deu a entender que poderia manter as negociações.
O Irã
também garantiu, nesta segunda, que mantém negociações diplomáticas com Qatar,
Paquistão e Omã, países que atuam como mediadores. Segundo o porta-voz da
diplomacia iranania, Esmail Baghai, Teerã tem mantido contatos nos últimos dias
com os três países.
Em meio à retomada das tensões, a Guarda
Revolucionária iraniana reivindicou nesta segunda novos ataques contra
instalações americanas localizadas em Omã e no Bahrein, de acordo com comunicado
publicado no site da organização.
“Além de atingir instalações e
infraestruturas do Exército americano em Juffair, no Bahrein, onde incêndios
estão em curso, a Marinha da Guarda Revolucionária atacou e destruiu” radares,
incluindo um sistema de detecção de embarcações em Omã, de acordo com texto
divulgado pela agência Sepah News.
Os Estados Unidos voltaram a bombardear
o Irã neste fim de semana. Esses são os maiores ataques desde o cessar-fogo de
8 de Abril e a ofensiva ocorreu após a decisão de Teerã de fechar novamente o
Estreito de Ormuz, estratégico para o comércio mundial de hidrocarbonetos.
O
acordo assinado em 17 de Junho entre Irã e EUA, previa a reabertura do
estreito, mas Teerã autoriza apenas um único corredor de navegação ao longo de
seu litoral, ameaçando embarcações que se desviem dessa rota. O país também
reivindica o direito de impor taxas de passagem.
Após a assinatura do protocolo, o
tráfego marítimo havia alcançado seu nível mais alto desde o fim de Fevereiro.
“Essa passagem estratégica é mais importante do que dezenas de bombas atómicas,
e a República Islâmica do Irã a protegerá”, advertiu Mohsen Rezai, conselheiro
militar do líder supremo iraniano, citado pela agência Isna. Por sua vez, o
Centcom (Comando Central dos Estados Unidos para o Oriente Médio) afirmou que a
via marítima continua aberta e que "o Irã não controla o estreito.”
Desde
os ataques iranianos de terça-feira (7) contra navios que tentavam
atravessar Ormuz, os combates recomeçaram com intensidade inédita em várias
semanas. Neste fim de semana, as forças americanas “atingiram sistemas
iranianos de defesa aérea, radares costeiros, capacidades de mísseis e drones,
bem como pequenas embarcações”, informou o Centcom na rede X.
Segundo meios de comunicação estatais
iranianos, os bombardeios americanos atingiram extensas áreas do oeste e do sul
do Irã, incluindo a ilha de Qeshm e Bandar Abbas, na região de Ormuz, além da
província de Khuzistão, na fronteira com o Iraque.
Em Mahshahr, no sudoeste do país, um
ataque americano matou ao menos uma pessoa e deixou quatro feridos, segundo uma
autoridade local citada pela agência oficial Irna. No domingo à noite, a mesma
agência havia informado uma morte e dois feridos na ilha de Farur, no Golfo
Pérsico.
O objetivo de Washington é o mesmo de
domingo: tentar impedir que Teerã “ataque tripulações civis e navios
comerciais” no Estreito de Ormuz, segundo o Centcom.
Os
Estados Unidos acusam o Irã de ter atingido durante o fim de semana o GFS
Galaxy, um navio porta-contêineres de bandeira cipriota, no estreito. Vinte e
três tripulantes foram resgatados e outro continua desaparecido, anunciou no
domingo o sultanato de Omã, que prossegue com as buscas.
Em represália, a Guarda Revolucionária
afirmou ter bombardeado bases militares no Golfo utilizadas pelo Exército
americano, localizadas na Jordânia, no Bahrein e no Kuwait. O Exército
jordaniano anunciou ter abatido quatro mísseis iranianos sobre o território do
país, acrescentando que não houve feridos nem danos materiais.
O Bahrein ativou, como já havia feito no
domingo, as sirenes de alerta aéreo. No domingo, o governo do Kuwait já havia
relatado um ataque contra três postos fronteiriços e uma plataforma petrolífera
marítima, sem atribuir oficialmente a autoria.
Mais cedo, o secretário-geral da ONU,
António Guterres, pediu a Washington e Teerã à “máxima contenção” e à retomada
urgente das negociações.
Já o
ministro francês das Relações Exteriores disse nesta segunda que o fim das
sanções europeias contra o Irã não ocorrerá enquanto o país não renunciar a seu
programa nuclear e às ações consideradas desestabilizadoras na região.
“Não haverá nenhum levantamento das
sanções contra o regime iraniano enquanto ele não renunciar ao seu programa nuclear,
ao seu projeto revolucionário que desestabiliza a região e ao seu programa de
mísseis balísticos, alguns dos quais poderão um dia ter capacidade de atingir a
Europa”, declarou Jean-Noël Barrot à BFMTV/RMC.
“E enquanto não devolver ao povo
iraniano a liberdade de construir o seu próprio futuro”, acrescentou.
Questionado sobre o aumento das tensões entre o Irã e os Estados Unidos, o
ministro francês evitou afirmar que a guerra foi retomada.
“Existe um acordo que foi alcançado e
que permite coisas muito simples, ou seja, o fim dos combates, a reabertura do
Estreito de Ormuz e o início de uma negociação para enquadrar o programa
nuclear iraniano”, afirmou. Ele voltou a pedir a todas as partes que retornem
“ao protocolo de negociação estabelecido por esse acordo porque elas não têm
nenhum interesse numa escalada” do conflito. ANG/RFI/com agências