Bissau,
04 Fev 26 (ANG) – Portugal enfrenta hoje a chegada de uma nova tempestade,
ainda com populações privadas de eletricidade e a precisar de ajuda, após uma
semana de chuva intensa e ventos fortes que causaram dez mortes e deixaram 68
concelhos em calamidade.
Os
autarcas dão conta das necessidades da população em sucessivos apelos para a
reconstrução de casas e infraestruturas, que exigem materiais e mão-de-obra
qualificada.
A
Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da
depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima
mortal, a que se somaram depois quatro óbitos registados por quedas de
telhados, durante reparações, ou intoxicação com origem num gerador.
Os
estragos estão ainda a ser contabilizados, desde a destruição total ou parcial
de casas, redes de abastecimento de energia e comunicações, num momento em que
se teme o agravamento das condições meteorológicas e uma nova subida das águas
dos rios, já a transbordar.
O
rasto da tempestade afetou fortemente as vias de comunicação, estradas,
caminhos-de-ferro, escolas, deixando populações isoladas e pessoas desalojadas.
Os
feridos contabilizam-se em centenas.
Leiria,
Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.
Escolas
encerradas na quarta-feira da semana passada deverão começar hoje a reabrir,
mas algumas só abrem portas na segunda-feira.
Mas
noutras zonas do país, como no distrito de Castelo Branco, há ainda municípios
sem comunicações móveis ou com instabilidade nas redes. Mais de 70% do concelho
de Oleiros estava nesta situação na terça-feira, à medida que diminuía o número
de pessoas sem energia elétrica.
Em
Vila Velha de Ródão, Castelo Branco, também ainda havia freguesias sem
comunicações na terça-feira e na sede do concelho apenas um operador tinha
reposto o serviço.
Na
Marinha Grande, o fornecimento de energia elétrica foi restabelecido em metade
do concelho, enquanto as comunicações apenas foram repostas no centro da
cidade, de acordo com a informação disponível na terça-feira.
As
Forças Armadas foram envolvidas no socorro à população, mas a ajuda demorou a
chegar ao terreno e continua a ser solicitada para ajudar a reconstruir
telhados levados pelo vento e outras ações para repor a normalidade possível.
O
Governo determinou, entretanto, a isenção de portagens, durante uma semana,
para facilitar a mobilidade nas zonas mais afetadas pela depressão Kristin, em
quatro troços com origem e destino em nós das autoestradas 8, 17, 14 e 19.
A
Kristin provocou danos em mais de 50 monumentos nacionais, estimando o Governo
que sejam necessários cerca de 20 milhões de euros para intervenções de
recuperação.
A
quem contava com as verbas do Plano de Recuperação e Resiliência, o presidente
da Comissão de Auditoria e Controlo do PRR já avisou que não é possível “contar
com o dinheiro” do plano para acudir ao impacto causado pelo mau tempo.
O
país mobiliza-se para enviar ajuda às populações mais afetadas, organizando
grupos de voluntários para recolha de bens e limpeza de vias, com muitas
estradas cortadas pela queda de árvores ou inundações.
Com
as barragens na capacidade máxima, os solos saturados e a previsão de
continuação de chuva, esperam-se cheias junto aos rios, nomeadamente o Douro,
na Régua, mas também noutros locais.
A
Comissão Europeia manifestou solidariedade com Portugal, face aos impactos do
mau tempo, defendendo uma resposta articulada, recurso ao fundo de
solidariedade e investimento em redes elétricas mais resilientes.
A
passagem da depressão Kristin, na madrugada do dia 27 de janeiro, deixou
inoperacionais 774 quilómetros (7%) de linhas de muita alta tensão e derrubou
61 postes.
Cerca
de 1,7 milhões de clientes ficaram sem energia elétrica, em consequência das
condições meteorológicas adversas que se fizeram sentir durante aquela noite,
de acordo com a E-Redes, do grupo EDP.
Desde
terça-feira, vários distritos do continente e os arquipélagos da Madeira e dos
Açores mantém-se sob aviso devido ao vento, chuva, agitação marítima e queda de
neve.
A
depressão Leonardo começa a atingir Portugal continental com aproximação ao
Baixo Alentejo e Algarve, com chuva persistente e rajadas de vento que podem
atingir os 75 quilómetros por hora no litoral a sul do Cabo Mondego e 95
quilómetros/hora nas terras altas, de acordo com a previsão do Instituto
Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
Estima-se
que o vento possa ter atingido velocidades superiores a 200 quilómetros por
hora, durante a passagem da Kristin por Portugal.
Na
base área de Monte Real, foi registada uma rajada de 178 KM/hora. ANG/Inforpress/Lusa