Equador/Luta contra narcotráfico
eleva a tensão entre Equador e Colômbia
Bissau, 18 Mar 26 (ANG) - O presidente equatoriano,
Daniel Noboa, diz serem "falsas" as acusações feitas por seu homólogo
da Colômbia, Gustavo Petro, segundo as quais o Equador foi atingido por um bombardeio
a partir da fronteira equatoriana, onde operam guerrilheiros e
narcotraficantes.
A tensão entre os dois países cresce enquanto
aproximadamente 75.000 soldados e policiais são mobilizados em quatro
províncias costeiras do Equador para combater traficantes de drogas e gangues
armadas.
A operação foi lançada na madrugada de
segunda-feira (16), com o apoio dos Estados Unidos, nas províncias de El Oro,
Guayas, Los Ríos e Santo Domingo, onde foi imposto um toque de recolher das 23h
às 5h.
Enquanto isso, o presidente colombiano,
Gustavo Petro, acusou o país vizinho de bombardear um setor de seu território
sob o pretexto de combater o narcotráfico.
"Eles estão nos bombardeando do
Equador", declarou Gustavo Petro na segunda-feira, acusando seu vizinho,
que está envolvido em uma operação de grande escala contra o narcotráfico.
O líder colombiano afirmou que seu
governo tinha provas de que uma "bomba" havia sido lançada de um
avião equatoriano em território nacional.
O presidente de esquerda afirmou ter
pedido ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que intercedesse junto
ao presidente equatoriano, Daniel Noboa, sobre o assunto. "Pedi a ele que
ligasse para o presidente do Equador porque não queremos entrar em
guerra", disse, sem especificar quando fez o pedido.
Em 6 de
Março, o Equador anunciou ter bombardeado um campo de treinamento de um grupo
guerrilheiro suspeito de tráfico de drogas que atuava na fronteira com a
Colômbia, como parte de uma operação apoiada pelos Estados Unidos. No domingo
(15), o Equador anunciou o início de uma nova operação antidrogas de duas
semanas, novamente com apoio americano.
Quito
aderiu ao programa "Escudo das Américas", uma aliança de 17 países do
continente criada por Donald Trump, da qual a Colômbia, juntamente com outras
nações de esquerda, foi excluída. Há muito criticado por Trump, o presidente
Gustavo Petro iniciou uma reaproximação com ele e foi recebido na Casa Branca
em 3 de Fevereiro.
Colômbia e Equador estão envolvidos em
uma guerra comercial desde Fevereiro, quando Daniel Noboa, aliado do presidente
americano, impôs tarifas ao seu vizinho, acusando Petro de não fazer o
suficiente para combater o narcotráfico.
Outra operação apoiada pelos EUA foi
lançada no domingo nas regiões equatorianas mais afetadas pela violência. A
"ofensiva muito forte" lançada por Quito, com duração prevista de duas
semanas, inclui toque de recolher das 23h às 5h, postos de controle e o
destacamento de 75.000 soldados e policiais fortemente armados. O governo
relata resultados positivos no primeiro dia, embora muitos especialistas tenham
dúvidas.
Além de capturar um dos criminosos mais
procurados do país, diversas bases de Grupos Armados Organizados (GAO) foram
tomadas pelas autoridades. Duzentas e cinquenta e três pessoas foram presas,
principalmente por violarem o toque de recolher.
A jornalista especializada em crime
organizado, Maria Belén Arroyo, questiona a eficácia da operação em territórios
dominados pela máfia, como o cantão de El Triunfo, próximo a Guayaquil.
"Grande parte do cantão era controlada pelo grupo Águias e pelo homem que
se autodenominava 'Junior', amigo do traficante local. Todo Natal, ele gastava
US$ 64 mil em brinquedos e eletrónicos, e as pessoas faziam fila... E então o
Exército chega por 15 dias, e depois?", questiona ela.
Após a morte de Junior em 2023, duas de
suas esposas assumiram as operações em um ciclo aparentemente interminável. “As
estruturas criminosas estão em constante mudança, muito mais rápido do que os
serviços de inteligência conseguem detectar. Esta operação terá um efeito
midiático, mas não consequências duradouras no terreno”, acrescenta Maria Belén
Arroyo.
O ministro do Interior, Jan Reinberg,
indicou que o Estado busca retomar o controle “total” de áreas estratégicas,
como Puerto Bolívar, perto de Machala.
Aproximadamente 70% da cocaína produzida
em seus vizinhos, Colômbia (ao norte) e Peru (ao sul), os maiores produtores
mundiais, transita pelo Equador para exportação através de seus portos no
Pacífico. ANG/RFI