quinta-feira, 19 de março de 2026

 

Segurança Marítima/PCA do IMP considera sinalização do Canal de Geba  um desafio da segurança marítima do país

Bissau 19 Mar 26 (ANG) – O Presidente do Conselho de Administração (PCA), do Instituto Marítimo Portuário (IMP), considerou hoje de um desafio para a segurança marítima do país a sinalização do Canal do Rio Geba, que banha o Porto de Bissau.

Igualdino Afonso Té fez estas afirmações em entrevista exclusiva à ANG, e disse que se trata  de um processo complexo, sobretudo quando se fala nas características geográficas e técnico operacional.

“No passado, a sinalização nas nossas águas foram feitas pelo Instituto Hidrográfico de Portugal, em conjunto com a antiga Marinha Mercante, disse.

Té disse  que já foram feitos levantamentos dos equipamentos que devem ser recolocados nas principais pontas do Canal de Geba, nomeadamente, Ponta Caió, Ponta Arlete na Ilha de Pecixe, Ponta Biombo e por último na Ilha dos Pássaros.

O PCA do IMP salientou que estes sinais são fundamentais para a navegação, sobretudo quando se trata de um país onde os transportes para as zonas insulares ainda se fazem com  meios artesanais, o que, durante a noite, torna muito difícil navegar, se não existissem pontos de referência.

Igualdino Té disse que o projecto para essa sinalização  já está orçado e vai integrar o plano de actividade deste ano da instituição .

Revelou que  no quadro do projecto foram feitas obras de reabilitação na  Ilha de Ponton, onde estão  instalados os pilotos que orientam navios que entram para o Porto de Bissau.

 Aquele responsável disse que só falta colocar os equipamentos, e que, na próxima semana, vão começar os trabalhos de reabilitação no Ilhéu dos Pássaros, e que ,com apoio do Instituto Português de Mar e Atmosfera, devem receber uma bóia oceanográfica que será ali colocada.

“Isso vai permitir fazer um monitoramento não só do tempo, mas também das condições físicas dos mares e vento, que nos permite ter informações e poder partilhar, não só com os serviços de meteorologia, mas com pescadores, embarcações de transportes marítimas entre outros”, informou Gualdino Té.

Afirmou que a maior dificuldade da instituição tem a ver com a falta de meios, principalmente financeiros, realçando que os trabalhos em algumas localidades estão a avançar com o apoio, não só do governo, mas também dos parceiros, casos de Bolama,Cacheu, Intchudé que receberão manutenção ainda no decorrer deste ano.

Igualdino Afonso Té lamentou o facto de a Ilha de Pecixe não poder receber navios de grande porte, devido o risco de se encalhar . ANG/MSC/ÂC//SG


 

 

                Saúde/CEDEAO lança Política Regional de Saúde Comunitária

Bissau, 19 Mar 26(ANG) - A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), através da Organização Oeste Africana da Saúde (OOAS),  lança, oficialmente, a Política Regional de Saúde Comunitária (RCHP) no próximo dia  24 de Março , em Cotonou, Benim.

Segundo  um comunicado   do Gabinete de Comunicação da CEDEAO, este evento de alto nível reunirá autoridades políticas e de saúde, representantes dos Estados-Membros da CEDEAO, parceiros técnicos e financeiros, bem como intervenientes da sociedade civil, do meio académico e do setor privado.

Este gabinete refere no comunicado que se trata de um marco importante no reforço dos sistemas de saúde comunitária na região.

A Política Regional de Saúde Comunitária, refere o comunicado, estabelece um quadro estratégico que visa aproximar os serviços de saúde das comunidades, com especial enfoque na prevenção, promoção da saúde, vigilância de base comunitária e participação ativa das comunidades.

“Esta iniciativa está plenamente alinhada com as orientações estratégicas adotadas na 26.ª Sessão Ordinária da Assembleia dos Ministros da Saúde da CEDEAO, realizada na cidade da Praia, em Cabo Verde, e que apelou ao reforço do investimento e das ações em saúde comunitária em toda a região”, salientou.

Através desta iniciativa, a CEDEAO, sob a liderança da OOAS, pretende impulsionar uma nova dinâmica regional em matéria de saúde comunitária, com vista a acelerar os progressos rumo à Cobertura Universal de Saúde na região da CEDEAO.

O lançamento oficial será precedido, no dia 23 de Março , por um workshop técnico que reunirá delegados dos Estados Membros, peritos regionais, parceiros técnicos e financeiros, bem como outros intervenientes multissetoriais relevantes.

O Gabinete de Comunicação da CEDEAO indica  que neste workshop será apresentada, de forma detalhada, a Política Regional de Saúde Comunitária, e vão ser analisadas  as modalidades práticas de sua implementação.

No encontro ainda deverá adoptado um  roteiro regional para a sua operacionalização, visando sua implementação coordenada e eficaz em todos os Estados-membros da  CEDEAO.

Este lançamento, segundo o comunicado, assinala o início de uma nova fase de compromisso regional no sentido de a região se dispor de sistemas de saúde mais resilientes, inclusivos e centrados nas comunidades, e qu contribuem  para acelerar os progressos rumo à Cobertura Universal de Saúde na região da CEDEAO.ANG/ÂC//SG

Cabo Verde/CEMFA alerta para fraca adesão ao serviço militar obrigatório e reforça desafios estruturais nas Forças Armadas

|Bissau, 19 Mar 26(ANG) - O Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas (CEMFA) afirmou hoje que a instituição enfrenta desafios ligados à fraca adesão ao serviço militar e à escassez de recursos, mas garantiu avanços na modernização de meios e capacidades operacionais.

Manuel Semedo fez este alerta em declarações à imprensa, à margem da reunião do Conselho Superior de Comandos Alargada aos Directores de Serviços e Equiparados realizada hoje na cidade da Praia.

De acordo com o responsável, as Forças Armadas de Cabo Verde enfrentam vários desafios com destaque para a fraca adesão dos jovens ao serviço militar obrigatório e a necessidade de renovação de equipamentos.

“Temos vários desafios, como já tinha dito anteriormente, desde a questão da pouca adesão do pessoal ao serviço militar obrigatório, mas também enormes desafios relativamente, sobretudo, aos equipamentos que temos que renovar”, afirmou.

Segundo o contra-almirante Manuel Semedo, as Forças Armadas enfrentam ainda limitações ao nível dos recursos disponíveis para responder às exigências actuais, incluindo a construção de novas capacidades, nomeadamente no combate a emergências e catástrofes naturais.

“Os meios precisam ser modernizados e os recursos não são suficientes para isso”, sublinhou.

Apesar dos constrangimentos, o chefe do Estado-Maior assegurou que estão em curso acções concretas para reforçar a operacionalidade, com destaque para a componente marítima e aérea.

“Estamos a dar passos nesse sentido, sobretudo com a aquisição de mais um navio-patrulha”, avançou, acrescentando que um navio-guardião se encontra em fase avançada de reparação, o que permitirá reforçar a defesa dos interesses do Estado no mar.

Na vertente aérea, o CEMFA indicou que a aeronave King Air da Guarda Costeira já se encontra operacional, contribuindo não só para a vigilância, mas também para transferência médicas.

No que se refere à fraca adesão ao serviço militar, Manuel Semedo considerou tratar-se de um fenómeno transversal no país, associado sobretudo à emigração jovem em busca de melhores condições de vida.

“Não é só um problema nosso, é um problema transversal a todas as instituições que fazem esse recrutamento do pessoal civil, estou a referir também à própria Polícia Nacional.

Muitas pessoas estão a imigrar (…) Nós sabemos que somos um povo de imigrantes, então é normal que isso aconteça nesse momento. As pessoas vão para fora, procuram ir em melhores condições de vida e são pessoas jovens que estão a partir”, explicou.

Para inverter este cenário, garantiu que as Forças Armadas estão a investir na valorização do serviço militar e na melhoria das condições oferecidas aos efectivos, embora reconheça a concorrência do mercado externo.

Relativamente à reunião em curso, o responsável indicou que o encontro visa fazer o balanço das actividades do ano anterior, identificar dificuldades e definir metas e perspectivas para o novo ano.

Quanto ao processo de reformas no sector, afastou a existência de resistências internas, sublinhando que se trata de um processo gradual e que as reformas normalmente não se constroem de um dia para o outro, mas que leva tempo e recursos”, concluiu. ANG/Inforpress

 

Médio Oriente/Impacto ambiental da guerra: ‘Não haverá nem vencedor, nem vencido: apenas vítimas da poluição’

Bissau, 19 Mar 26 (ANG) - Na medida em que o conflito no Oriente Médio se estende, desde o início dos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, aumentam também as preocupações sobre o impacto ambiental da guerra.

 As instalações de petróleo no Golfo têm sido um dos alvos prioritários de bombardeios, gerando uma chuva tóxica com efeitos ainda inestimados na região.

As “chuvas ácidas” ocorridas após a explosão de milhares de toneladas de óleo levaram a ONU a emitir um alerta sobre os riscos à saúde dos iranianos. Os poluentes como enxofre e compostos de nitrogênio, liberados na explosão, se dispersam na atmosfera.

Quando entram em contato com as partículas de água presentes no ar, esses químicos se transformam em ácidos tóxicos, como o sulfúrico e o nítrico. As precipitações levam os poluentes de volta para o solo e a água, causando danos prolongados à agricultura e à qualidade da água.

Jacky Bonnemains, diretor da organização ecologista francesa Robin des Bois, lembra que o Golfo Pérsico é um mar quase fechado, particularmente vulnerável à contaminação por vazamentos de petróleo e restos de navios militares ou petroleiros atacados.

 “As atividades dos pescadores artesanais, que são milhares na região e contribuem para a segurança alimentar de todos os países litorâneos, quaisquer que sejam os beligerantes, estarão condenadas por muito tempo”, comentou.   

 

“A biodiversidade, da qual tanto se fala em tempos de paz e tão pouco em tempos de guerra, também será prejudicada a longo prazo. São tartarugas marinhas, dugongos, baleias-jubarte, cachalotes, peixes, pepinos-do-mar. É uma verdadeira catástrofe ambiental e sanitária.”

No total, mais de 2.000 espécies marinhas vivem nessas águas quentes, às quais se somam 100 espécies de corais. Além disso, os manguezais e os prados marinhos da região são zonas de reprodução para peixes e crustáceos.

As aves marinhas também são ameaçadas: o óleo destrói a impermeabilidade de suas penas, provocando hipotermia e afogamentos. A migração delas também pode ser perturbada pelo ruído das explosões e pelas colunas de fumaça tóxica.

Kuwait, Catar, Emirados Árabes Unidos, Omã e Arábia Saudita – as consequências serão sentidas muito além do Irã, embora o país seja o mais diretamente atingido, explica Doug Weir, diretor da ONG britânica Observatório de Conflitos e Meio Ambiente (CEOBS). A entidade já identificou cerca de 300 incidentes envolvendo riscos ambientais desde o início da guerra.

“O Irã enfrenta uma seca prolongada há muitos anos. Já sofre forte estresse hídrico, portanto qualquer poluição adicional nos aquíferos e nos recursos hídricos iranianos é particularmente problemática, porque eles já são escassos”, ressaltou. “Outro ponto: grandes derramamentos de petróleo no Golfo Pérsico podem afetar as usinas de dessalinização de água — e cerca de 100 milhões de pessoas ao redor do Golfo dependem dessas usinas.”

As dezenas de navios bloqueados na região, carregando cerca de 21 bilhões de litros de petróleo, constituem uma "bomba-relógio ecológica" alertou a organização Greenpeace.

Nos bombardeios mais recentes,Washingtn visa a ilha de Kharg, terminal que concentra 90% das exportações de petróleo bruto iraniano. As infraestruturas foram preservadas até o momento, mas o cenário pode mudar de acordo com o andamento do conflito.

“Fala-se muito do balanço económico desta guerra, e muito pouco do balanço humano, que não conhecemos. Mas o despertar após o choque petrolífero será bastante violento, em relação às consequências ambientais”, insistiu Bonnemains. “Com o passar do tempo, não haverá nem vencedor, nem vencido: haverá apenas vítimas da poluição.”

A gestão desses danos é outro ponto de preocupação. A história mostra que, ao final de conflitos armados, a descontaminação das áreas atingidas fica longe do topo das prioridades.

“O que vemos na maioria das áreas afetadas por conflitos é que o dano ambiental muitas vezes não é tratado posteriormente. A recuperação ambiental é cara, e países que estão saindo de um conflito têm menos capacidade de proteger o meio ambiente”, observou Doug Weir.

“São necessários recursos e assistência técnica da comunidade internacional, o que nem sempre acontece. E, no caso do Irã, embora o país tenha enorme capacidade e expertise em questões ambientais, também possui um governo muito fechado e centralizado, que pode não ser particularmente transparente sobre a necessidade de limpar o ambiente ao redor desses locais”, frisou. ANG/RFI

Religião/Governo decreta feriado nacional a 20 de Março por ocasião do fim de Ramadão

Bissau, 19 Mar 26(ANG) - O Governo anunciou a declaração de feriado nacional para a próxima sexta-feira, dia 20 de Março, devido as celebrações da festa do Ramadão, que marca o fim do período de jejum muçulmano.

De acordo com um comunicado emitido pelo Ministério da Administração Pública, Reforma Administrativa, Emprego, Formação Profissional e Segurança Social, à que a ANG teve acesso, a decisão surge em cumprimento do disposto no artigo 1.º do Decreto n.º 1/2023, de 18 de Janeiro, que estabelece os feriados nacionais obrigatórios para os funcionários da Administração Pública.

O comunicado informa que o feriado implicará a suspensão total das atividades laborais, tanto no setor público como no setor privado, com exceção dos serviços cuja natureza não permita interrupções.

O Ramadão é o nono mês do calendário islâmico e um dos períodos mais importantes para os muçulmanos em todo o mundo.

Durante o Ramadão, os fiéis praticam o jejum diário, que começa ao nascer do sol e termina ao pôr do sol e nesse período evitam de comer, beber e fumar bem como relações íntimas.

O mês termina com uma grande celebração chamada Eid al-Fitr, muitas das vezes partilhada em família ou comunidade. ANG/ÂC//SG

 

Regiões/  Centro de Formação Juvenil de Quinhamel assina acordo de parceria com ONG Guinanos

Biombo, 19 Mar 26(ANG) -  O Centro de Formação Juvenil “Nino Vieira Ié” do sector de Quinhamel, região de Biombo, assinou, quarta-feira, um  acordo de parceria com a ONG Portuguesa Guinanos


E declarações ao Correspondente da ANG na Região de Biombo, a  Diretora  Administrativa do Centro disse que acordo visa, num futuro próximo,  apoiar o Centro na aquisição de bicicletas para os alunos que moram muito distante, para facilitar na mobilidade, de forma a puderem chegar à tempo para as aulas.

Aida Vieira  disse que  os  Guinanos ajudou muito o Centro,  em 2024, oferecendo a lâmina de painel solar, o que possibilitou a realização de aulas durante a noite, e ainda na   formação  regular dos  professores, nas disciplinas de matemática,  física e português.

Vieira disse que o Centro de Formação Juvenil se depara com dificuldades de falta de água , razão pela qual  os  alunos  percorrem  longas distância para poderem abastecer o centro. ANG/MN/JD/ÂC//SG

       Regiões/Diretor da Escola de Bissauzinho lamenta falta dos professores

Biombo, 19 Mar 26(ANG) -  O Diretor da Escola do Ensino Básico Unificado da secção de Bissauzinho, sector de Quinhamel, região de Biombo,  lamentou a  falta de professores nas disciplinas nucleares  naquele estabelecimento do ensino.

Em declarações ao Correspondente regional da  ANG  ,  Vitorino Gomes afirmou que tem escassez de professores nas disciplinas de  Física, Educação física, Matemática, e Inglês.

 Acrescentou que,  também se debatem com falta de meios materiais inclusive de  carteiras  para os alunos ,o que, segundo diz, obriga a direção a comprar cadeiras de plásticos  com os 40 por cento do dinheiro das  propinas pagas pelos alunos matriculados naquela escola.

Vitorino Gomes disse que a Direção da escola também contrata alguns professores com recursos interno para cobrir as vagas existentes.

Em relação aos  exames, disse que vão  iniciar  depois da reza  de Ramadão para alunos de 1º ao 3º ciclo respetivamente.

Gomes agradeceu a colaboração dos pais e  encarregados da  educação dos alunos pelo  pagamento atempado das propinas e no acompanhamento escolar  dos seus educandos. ANG/MN/JD/ÂC//SG

Médio Oriente/Irã faz novos ataques após ameaça de Trump , gás e petróleo disparam

Bissau, 19 Mar 26 (ANG) - O presidente americano Donald Trump ameaçou nesta quinta-feira (19) atacar o campo de gás iraniano de South Pars caso Teerã mantenha seus ataques contra o Catar, segundo maior exportador de GNL (gás natural liquefeito).

Após a ofensiva iraniana contra o complexo de gás qatari de Ras Laffan, nesta quarta-feira (18), o preço do gás europeu chegou a mais de 35% e o do petróleo superou 10%.

Caso o Irã “decida atacar um país inocente como o Catar”, então “os Estados Unidos, com ou sem a ajuda ou o consentimento de Israel, destruirão todo o campo de gás de South Pars com uma força e um poder que o Irã jamais viu ou conheceu antes”, escreveu Trump em sua rede Truth Social.

 

O presidente americano confirmou que Israel atingiu, na quarta-feira (18), a parte iraniana do campo de gás offshore no Golfo Pérsico, compartilhado com o Catar. Os EUA “não sabiam de nada” sobre esse ataque, garantiu Trump.

Em represália, os iranianos atacaram o complexo de gás qatari de Ras Laffan, o maior local de produção de GNL do mundo. A estatal QatarEnergy relatou “danos consideráveis” no local ao amanhecer, mas não houve vítimas. Os incêndios provocados pela ofensiva foram controlados no início da manhã, segundo o Ministério do Interior.

 

O Catar é o segundo maior exportador mundial de GNL, atrás dos EUA, e Ras Laffan é seu principal centro de produção. Nos Emirados Árabes Unidos, Abu Dhabi fechou um complexo de gás após a queda de destroços de mísseis interceptados. O Ministério das Relações Exteriores do Catar lamentou que os ataques na região “tenham ultrapassado todos os limites ao visar civis e instalações civis e vitais”. O ataque voltou a elevar o preço do petróleo, e o barril de Brent ultrapassou US$ 112.

A ameaça de Trump envolvendo o campo de gás de South Pars e os ataques iranianos contra instalações de produção de hidrocarbonetos podem indicar uma nova fase da guerra que começou no dia 28 de Fevereiro, com consequências econômicas imprevisíveis para o Irã e outros países.

 

O campo é o maior do mundo, e cerca de 80% do gás iraniano é produzido no local. O complexo também produz 4 milhões de litros de gás natural liquefeito, 3 milhões de litros de combustível para aviões e outras substâncias.

O gás é usado por toda a população iraniana para calefação ou cozinha, o que torna o fornecimento essencial para o país. Além de South Pars, as refinarias iranianas de Bandar Abbas produzem diariamente 43 milhões de litros de gasolina — cerca de 40% do consumo nacional.

Ainda nesta quinta, uma refinaria saudita em um porto estratégico do mar Vermelho e outras duas no Kuwait foram atingidas por drones. “Um drone caiu sobre a refinaria saudita de Samref, localizada na zona industrial de Yanbu, às margens do mar Vermelho”, informou o Ministério da Defesa saudita. “A avaliação dos danos está em curso”, acrescentou.

O ministério havia afirmado anteriormente, no X, ter interceptado um míssil balístico que visava o porto de Yanbu, que abriga a zona industrial e é uma importante rota de saída do petróleo saudita desde a quase paralisação do Estreito de Ormuz.

A refinaria de Samref, pertencente ao gigante petrolífero saudita Aramco e à Mobil Yanbu Refining Company Inc., subsidiária da ExxonMobil, tem capacidade de processamento de mais de 400 mil barris de petróleo bruto por dia.

No Kuwait, as duas refinarias da companhia petrolífera nacional — Mina Abdullah e Mina Al-Ahmadi — também foram atingidas nesta quinta-feira de manhã, cada uma por um drone, provocando incêndios nos dois locais.

A Kuwait National Petroleum Company (KNPC) informou depois que os incêndios haviam sido controlados, sem deixar vítimas. As duas refinarias têm capacidade combinada de 800 mil barris por dia. A Arábia Saudita declarou que “se reserva o direito” de dar uma "resposta militar" ao Irã, que atinge regularmente o país com drones e mísseis.

Segundo o Irã, caso haja represálias e suas instalações sejam atacadas, todas as infraestruturas energéticas do Golfo se tornarão alvos do país. O Irã também deixou claro que pretende manter o controle do Estreito de Ormuz, mesmo após o fim do conflito, e impedir a passagem de petróleo. Ao mesmo tempo em que atacava o Catar, a Guarda Revolucionária impediu que um superpetroleiro de 160 mil toneladas, o Barbados, atravessasse a passagem.

O bloqueio parcial iraniano do Estreito de Ormuz, por onde circulam cerca de 20% do petróleo e do gás mundial, continua no foco das preocupações. Ao sul da passagem, no Golfo de Omã, um navio foi novamente atingido nesta quinta por um “projétil desconhecido”, segundo a agência marítima britânica UKMTO, provocando um incêndio a bordo. Outro navio foi atingido ao largo de Ras Laffan.

A Organização Marítima Internacional (OMI) está reunida em caráter de emergência e deve pedir nesta quinta o estabelecimento de um corredor marítimo seguro para evacuar navios bloqueados no Golfo Pérsico. O órgão da ONU responsável pela segurança marítima estima que 20 mil marinheiros estão atualmente a bordo de 3.200 embarcações perto do Estreito de Ormuz.

O aumento dos preços da energia também deve dominar a reunião desta quinta do Banco Central Europeu (BCE), que teme impactos na inflação e no crescimento. O presidente francês, Emmanuel Macron, pediu nesta quinta uma moratória sobre “as infraestruturas civis”, especialmente energéticas, após conversar com Trump e o emir do Catar, xeque Tamim ben Hamad al-Thani.

“As populações civis e suas necessidades essenciais, assim como a segurança do abastecimento energético, devem ser preservadas da escalada militar”, afirmou. Em quase três semanas, a guerra no Oriente Médio já deixou mais de 2.200 mortos, segundo autoridades, principalmente no Irã   e no 

Líbano — segundo principal front do conflito —, onde o movimento xiita pró-Irã Hezbollah enfrenta Israel. ANG/RFI/Com agências

 

 

CAF/Patrice Motsepe afirma que nenhum país africano recebe tratamento preferencial

Bissau, 19 Mar 26 (ANG) – O presidente da Confederação Africana de Futebol (CAF), Patrice Motsepe, afirmou na quarta-feira que nenhum país africano recebe tratamento “mais privilegiado, mais vantajoso ou mais favorável”.


Em reação à decisão do Conselho de Apelações da CAF sobre a final da Copa Africana de Nações (CAN-2025), que declarou a seleção senegalesa derrota por WO e ratificou o resultado como vitória do Marrocos por 3 a 0, Motsepe enfatizou que os incidentes que mancharam esta final "minam o trabalho considerável realizado pela CAF ao longo de muitos anos para garantir a integridade, o respeito, a ética, a boa governança e a credibilidade dos resultados das partidas de futebol".

Em um vídeo publicado no site oficial da CAF, Motsepe disse: "Quando me tornei presidente, uma das principais preocupações era a imparcialidade, a independência e o respeito aos árbitros, bem como aos comissários de jogo, e muitos progressos importantes foram feitos" nesse sentido.

Referindo-se à decisão do Conselho de Apelações da CAF, Motsepe observou que a independência da entidade continental se reflete nas decisões tomadas por seus dois órgãos, o Conselho Disciplinar e o Conselho de Apelações, sobre a final da Copa Africana de Nações de 2025 entre Marrocos e Senegal.

"Enquanto o Comitê Disciplinar da CAF tomou uma decisão, o Comitê de Apelações adotou uma posição completamente diferente", insistiu ele.

"Na seleção dos membros de nossos órgãos judiciais, adotamos uma abordagem diferente, distinta da que prevalecia anteriormente", continuou ele, enfatizando que a CAF convidou cada associação membro, bem como cada uma das seis zonas regionais, a propor nomes de juízes reconhecidos e advogados respeitados.

Segundo ele, "é essencial que as decisões do Comitê Disciplinar da CAF, assim como as do Comitê de Apelações, sejam encaradas com o respeito e a integridade que são fundamentais para nós".

"Se você examinar a composição desses órgãos, verá que eles incluem alguns dos advogados e juízes mais respeitados do continente", disse o presidente da CAF.

“Estabelecemos padrões muito elevados para nós mesmos”, disse ele, acrescentando que “é essencial que os torcedores e espectadores comuns em cada um dos 54 países africanos, de acordo com seu próprio julgamento, e não o da CAF ou o meu, considerem as decisões de nossos órgãos judiciais justas, honestas e imparciais”. ANG/Faapa

 

quarta-feira, 18 de março de 2026

Cooperação/Governo e CEDEAO assinam acordo para instalação do Centro de Saúde Animal na Guiné-Bissau

Bissau, 18 Mar 26 (ANG) – O Governo de Transição e a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), assinaram esta quarta-feira o Acordo Sede, que estabelece as bases jurídicas e institucionais para a instalação do Centro Regional de Saúde Animal no país.

Segundo a Rádio Sol Mansi(RSM), o acordo foi assinado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Cooperação Internacional e das Comunidades, João Bernardo Vieira e da  representante da CEDEAO no país, Ngozi Ukaeje.

A instalação do referido Centro Animal em Bissau, segundo a RSM, representa um marco estratégico para o país, consolidando o seu papel como anfitrião e uma agencia especializada da CEDEAO.

A iniciativa se materializa  no quadro da  visão comum de promover a integração regional, a resiliência sanitária e  desenvolvimento sustentável dos Estados Membros. ANG/MSC/ÂC//SG

 

 

Senegal/ Federação de Futebol   contesta decisão da CAF de retirar seu título de campeão da Copa Africana

Bissau, 18 Mar 26 (ANG) - A Federação Senegalesa de Futebol (FSF) anunciou que vai recorrer ao Tribunal da Fifa para tentar reverter a decisão da Confederação Africana de Futebol.

A entidade resolveu retirar o título de campeão africano do Senegal em favor do Marrocos. 

"A Federação Senegalesa de Futebol denuncia uma decisão arbitrária, sem precedentes e inaceitável, que gera descrédito sobre o futebol africano", reagiu a FSF em um comunicado divulgado na noite de terça-feira (17). "Para defender seus direitos e os interesses do futebol senegalês, a Federação iniciará, o mais rapidamente possível, um processo de apelação junto ao Tribunal Arbitral do Esporte (TAS), em Lausanne", reitera a nota.

Dois meses depois da finalda Copa Africana de nações, em 18 de Janeiro, vencida pelo Senegal, o júri de apelação da Confederação Africana de Futebol resolveu retirar o título do Senegal. A decisão se baseou nos artigos 82 e 84 do regulamento da competição, que prevêem derrota e eliminação quando uma equipe abandona o campo antes do fim da partida.

 

Na final em Rabat, em Janeiro, os jogadores senegaleses deixaram o gramado por cerca de quinze minutos, em protesto contra um golo anulado e um penálti marcado para o Marrocos. Apesar disso, a partida foi retomada, o penálti marroquino foi desperdiçado e o Senegal venceu na prorrogação.

Mas o Marrocos recorreu, e o júri anunciou na terça-feira a nova decisão: desclassificação do Senegal e vitória marroquina por 3 a 0. Em comunicado, a Federação Marroquina de Futebol afirmou que sua iniciativa "nunca teve a intenção de questionar o desempenho esportivo das equipes participantes desta competição, mas apenas de solicitar a aplicação do regulamento".

No entanto, para a Federação Senegalesa de Futebol, qualificar como "abandono" ou "interrupção definitiva" a "suspensão temporária" decidida pelo treinador na noite da final é abusivo e viola tanto a soberania do árbitro quanto as regras do jogo. Para a FSF, os artigos 82 e 84 do regulamento não são aplicáveis no caso da final da CAN. 

A entidade argumenta que o jogo foi interrompido por 15 minutos antes de ser retomado. "O pênalti foi cobrado e o resultado foi confirmado ao término da prorrogação", diz a FSF carta enviada à CAF.

No Senegal, a reação é de incredulidade e desgosto após a decisão da CAF. A Federação Senegalesa de Futebol se descreve "atônita" diante da decisão. "O mundo vai nos ouvir", garantiu o secretário‑geral da FSF, Abdoulaye Saydou.

Em Dakar, torcedores entrevistados pela RFI não escondem a revolta. "Sinceramente, estou triste, triste, triste pelo futebol africano. Por trapaça ou seja lá o que for, tiram a Copa do Senegal. Eu não concordo", diz. 

"É inadmissível que hoje ganhemos uma final em campo e que duas ou três pessoas atrás de uma mesa decidam tirar de nós essa bela vitória", diz um outro cidadão. "É mais que loucura. O futebol não faz mais sentido hoje", reitera. 

Um outro torcedor senegalês classifica o caso de escândalo. "Isso quer dizer que podemos ganhar a Copa e, três meses depois, alguém liga para dizer: ‘Olha, vamos pegar a Copa de volta’. Com base em quê? Não dá para entender. Nós ganhamos a Copa!". ANG/RFI

 

Regiões/Liga dos Direitos Humanos de Oio denuncia 11 mortes nos últimos três meses naquela zona

Oio, 18 Mar 26 (ANG) – O representante da Liga dos Direitos Humanos na Região de Oio, norte do país, denunciou , terça-feira, que nos últimos três meses 11 pessoas foram mortas naquela zona.

Júlio Ribeiro Djata fez a revelação em entrevista ao Correspondente da ANG na Regão de Oio.

Disse que algumas das vítimas apresentavam sinais de agressão física e que as causas começam desde  disputas por posse de terra, desentendimento entre membros de uma família , havendo inclusive  confrontações entre elementos  de diferentes comunidades .

Djata salientou que há casos que ainda precisam ser investigados mais profundamente pelas autoridades competentes, para que os culpados sejam responsabilizados criminalmente, para desencorajar mais crimes a sangue frio impunes.

Este defensor dos direitos humanos sublinhou que um dos casos mais recentes, aconteceu na cidade de Mansoa e que envolve a morte de uma criança, quew terá sido,segundo suspeitas, espancada pela própria tia, e o processo já se encontro  sob alçada da justiça.

Além das mortes, Ribeiro Djata denunciou a circulação de armas de fogo nas mãos de civis naquela área, e diz  que algumas dessas armas são usadas nos assaltos, roubos de gados e outros crimes.

Diante deste cenário, Júlio Ribeiro Djata apelou ao Governo da Guiné-Bissau que faça uma operação de recolha de armas de fogo ilegal nas mãos dos populares da região de Oio, com o objetivo de reforçar a segurança e proteger os bens e as  comunidades. ANG/AD/MSC/ÂC//SG

 

Regiões/Tabanca de Madina Aladje, do sector de Gabu enfrenta crise estrutural de acesso à Água Potável desde a independência

Bissau, 18 Mar 26 (ANG) - A tabanca de Madina Aladje, situada nos arredores da cidade de Gabu, no leste do país, enfrenta, há mais de cinco décadas, uma persistente carência de água potável, configurando um dos mais duradouros desafios estruturais da comunidade desde a independência nacional, proclamada em 1973.

Em declarações ao TVBetegb, o chefe da localidade, Bubacar Baldé, disse que a população nunca beneficiou de instalação de uma infraestrutura básica de abastecimento de água,  uma bomba hidráulica, por exemplo.

O líder comunitário sublinhou que os residentes continuam a depender, exclusivamente, de poços não tratados, tais como poços tradicionais e águas superficiais provenientes de lagoas, para suprir as suas necessidades diárias.

“Apesar de múltiplas solicitações dirigidas às autoridades competentes ao longo dos anos, a comunidade permanece sem resposta efetiva”, afirmou Bubacar Baldé.

Informou que a escassez de água potável tem implicações diretas na saúde pública local, e diz que tem afectado  de forma desproporcional mulheres e crianças, principais responsáveis pela coleta de água.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o consumo de água não tratada está associado à propagação de doenças de origem hídrica, constituindo uma das principais causas de morbidade e mortalidade em países em desenvolvimento.

Para além da problemática sanitária, Bubacar Baldé destacou preocupações relacionadas com a educação infantil. O responsável comunitário alertou para a crescente tendência de abandono escolar durante o período da campanha agrícola do caju, e pede aos  encarregados de educação para priorizarem a permanência das crianças nas escolas.

“O rendimento da campanha não compensa os prejuízos a longo prazo causados pela falta de educação”, advertiu, sublinhando a necessidade de uma mudança de mentalidade no seio das famílias.

Face a esse cenário de de falta de água potável  e de abandono das aulas por crianças a mando dos seus encarregados de educação, que se repete anualmente, a comunidade de Madina Aladje pede  intervenção urgente  das autoridades governamentais e parceiros de desenvolvimento, no sentido de garantir o acesso  à água potável e o reforço das condições para a promoção da educação básica, elementos essenciais para o desenvolvimento local sustentável . ANG/JD/ÂC//SG


Regiões/Projeto Boa Governação reforça capacidades de membros do GAL sobre  gestão de conflitos

Canchungo, 18 Mar 26 (ANG) - O Projeto Boa Governação para o Desenvolvimento na Guiné-Bissau promoveu, nos dias 16 e 17 de Março, uma ação de capacitação destinada a 14 membros do Grupo de Ação Local (GAL) da cidade de Canchungo, na região de Cacheu, norte do país.

A formação abordou  matérias ligadas à gestão de conflitos, negociação, mediação e comunicação não violenta, com o objetivo de reforçar as competências dos participantes na resolução de problemas comunitários.

Segundo o despacho do Correspondente da ANG na Região de Cacheu, o consultor e formador do projeto, Fernando Mandinga da Fonseca, destacou a participação ativa, colaborativa e inclusiva dos membros do GAL ao longo dos dois dias de formação, sublinhando a partilha de experiências práticas relacionadas com a resolução de conflitos no quotidiano.

Na ocasião, o formador recomendou aos participantes a aplicação dos conhecimentos adquiridos no seio das famílias, no próprio GAL e nas organizações da sociedade civil, ainda o recurso ao  autoformação  contínuo através de manuais de apoio, redes sociais e internet.

O representante do Grupo de Ação Local de Canchungo, Leandro Pinto Júnior, assegurou que os formandos irão colocar em prática os ensinamentos recebidos, com vista a mitigação de conflitos comunitários, nomeadamente os relacionados com posse de terras, injustiças, roubo de gado, violência doméstica e discriminação racial.

O formando disse ainda que a iniciativa contribuirá para a promoção de um ambiente de harmonia entre a sociedade civil, o poder tradicional e as autoridades religiosas.

A ação de formação se enquadra no plano de atividades do Grupo de Ação Local de Canchungo, sendo financiada pelo Projeto Boa Governação par
a o Desenvolvimento na Guiné-Bissau.ANG/AG/MI/ÂC//SG

    Equador/Luta contra narcotráfico eleva a tensão entre Equador e Colômbia

Bissau, 18 Mar 26 (ANG) - O presidente equatoriano, Daniel Noboa, diz serem "falsas" as acusações feitas por seu homólogo da Colômbia, Gustavo Petro, segundo as quais o Equador foi atingido por  um bombardeio  a partir da fronteira equatoriana, onde operam guerrilheiros e narcotraficantes.

A tensão entre os dois países cresce enquanto aproximadamente 75.000 soldados e policiais são mobilizados em quatro províncias costeiras do Equador para combater traficantes de drogas e gangues armadas.

A operação foi lançada na madrugada de segunda-feira (16), com o apoio dos Estados Unidos, nas províncias de El Oro, Guayas, Los Ríos e Santo Domingo, onde foi imposto um toque de recolher das 23h às 5h.

Enquanto isso, o presidente colombiano, Gustavo Petro, acusou o país vizinho de bombardear um setor de seu território sob o pretexto de combater o narcotráfico.

"Eles estão nos bombardeando do Equador", declarou Gustavo Petro na segunda-feira, acusando seu vizinho, que está envolvido em uma operação de grande escala contra o narcotráfico.

O líder colombiano afirmou que seu governo tinha provas de que uma "bomba" havia sido lançada de um avião equatoriano em território nacional.

O presidente de esquerda afirmou ter pedido ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que intercedesse junto ao presidente equatoriano, Daniel Noboa, sobre o assunto. "Pedi a ele que ligasse para o presidente do Equador porque não queremos entrar em guerra", disse, sem especificar quando fez o pedido.

Em 6 de Março, o Equador anunciou ter bombardeado um campo de treinamento de um grupo guerrilheiro suspeito de tráfico de drogas que atuava na fronteira com a Colômbia, como parte de uma operação apoiada pelos Estados Unidos. No domingo (15), o Equador anunciou o início de uma nova operação antidrogas de duas semanas, novamente com apoio americano.

Quito aderiu ao programa "Escudo das Américas", uma aliança de 17 países do continente criada por Donald Trump, da qual a Colômbia, juntamente com outras nações de esquerda, foi excluída. Há muito criticado por Trump, o presidente Gustavo Petro iniciou uma reaproximação com ele e foi recebido na Casa Branca em 3 de Fevereiro.

Colômbia e Equador estão envolvidos em uma guerra comercial desde Fevereiro, quando Daniel Noboa, aliado do presidente americano, impôs tarifas ao seu vizinho, acusando Petro de não fazer o suficiente para combater o narcotráfico.

Outra operação apoiada pelos EUA foi lançada no domingo nas regiões equatorianas mais afetadas pela violência. A "ofensiva muito forte" lançada por Quito, com duração prevista de duas semanas, inclui toque de recolher das 23h às 5h, postos de controle e o destacamento de 75.000 soldados e policiais fortemente armados. O governo relata resultados positivos no primeiro dia, embora muitos especialistas tenham dúvidas.

Além de capturar um dos criminosos mais procurados do país, diversas bases de Grupos Armados Organizados (GAO) foram tomadas pelas autoridades. Duzentas e cinquenta e três pessoas foram presas, principalmente por violarem o toque de recolher.

A jornalista especializada em crime organizado, Maria Belén Arroyo, questiona a eficácia da operação em territórios dominados pela máfia, como o cantão de El Triunfo, próximo a Guayaquil. "Grande parte do cantão era controlada pelo grupo Águias e pelo homem que se autodenominava 'Junior', amigo do traficante local. Todo Natal, ele gastava US$ 64 mil em brinquedos e eletrónicos, e as pessoas faziam fila... E então o Exército chega por 15 dias, e depois?", questiona ela.

Após a morte de Junior em 2023, duas de suas esposas assumiram as operações em um ciclo aparentemente interminável. “As estruturas criminosas estão em constante mudança, muito mais rápido do que os serviços de inteligência conseguem detectar. Esta operação terá um efeito midiático, mas não consequências duradouras no terreno”, acrescenta Maria Belén Arroyo.

O ministro do Interior, Jan Reinberg, indicou que o Estado busca retomar o controle “total” de áreas estratégicas, como Puerto Bolívar, perto de Machala.

Aproximadamente 70% da cocaína produzida em seus vizinhos, Colômbia (ao norte) e Peru (ao sul), os maiores produtores mundiais, transita pelo Equador para exportação através de seus portos no Pacífico. ANG/RFI