sexta-feira, 8 de maio de 2026

Regiões /Projeto de Gestão, Supervisão e Eficácia do sistema educativo nacional e o Instituto da Educação da Universidade de Lisboa diagnosticam necessidades da região de Cacheu

Cacheu, 08 Mai 26(ANG) – Uma delegação do Projeto de Gestão, Supervisão e Eficácia do sistema educativo guineense e o Instituto da Educação da Universidade de Lisboa realizaram , quarta-feira, uma visita de trabalho à Direção Regional da Educação de Cacheu no âmbito do diagnóstico nacional do sistema do ensino da Guiné-Bissau.

Segundo o despacho do Correspondente da ANG na Região de Cacheu, à  saída do encontro com o Diretor Regional da Educação de Cacheu, Inspectores escolares e diretores das escolas públicas, a professora do Instituto da Educação da Universidade de Lisboa Marta Mateus D´almeida declarou que o diagnóstico permitirá sustentar propostas de formação continua dos inspectores escolares e a revisão dos respetivos instrumentos de trabalho.

Marta D´almeida, acrescentou que após o levantamento de dados nas 11 regiões do país, será possível identificar as necessidades específicas da cada zona para apoiar a melhoria do sistema educativo nacional.

As visitas conjuntas às regiões das duas delegações têm como finalidade  a recolha de  informações sobre a realidade e o contexto do sistema educativo nas escolas e direções regionais de educação do país.

Segundo o Inspector Coordenador da Educação de Cacheu, Apio Octaviano Bomba Gomes, na reunião havida entre as duas delegações  foram identificadas várias necessidades, nomeadamente de formação contínua para os inspectores, disponibilização de equipamentos informáticos às escolas e armários para arquivos.

A Região de Cacheu é a quarrta abrangida pela visita , após  Bubaque, Bissau e Biombo.

O projeto de Gestão, Supervisão e Eficácia do Sistema Educativo Nacional é financiado pela União Europeia e gerido pelo Camões- Instituto da Cooperação da Língua.

ANG/AG/LPG//SG

Saúde/Representante do Programa Nacional de Luta Contra o Paludismo anuncia inicio de distribuição de mosquiteiros para 4 e 9 de Junho

Bissau, 08 Mai 26 (ANG) – A Representante do Programa de Luta Contra o Paludismo na Guiné-Bissau, anunciou hoje o início da nova campanha de distribuição de mosquiteiros para os dias 4 e 9 de Junho.

Em declarações à imprensa, Banumia Pires Gonçalves  disse que  a entrega das senhas para o levantamento dos mosquiteiros será feita de 22 à 31 deste mês.

“O Ministério da Saúde Pública (MSP), tem desenvolvido várias campanhas de sensibilização  das comunidades sobre como evitar a doença, mas as orientações deixadas pelos nossos técnicos não são acatadas a 100 por cento pelas comunidades”, disse a Representante do Programa Nacional de Luta Contra o Paludismo.

 Banumia disse que os habitantes de Bissau são os mais incumpridores das medidas de prevenção do paludismo, e que a doença ainda causa “muita  preocupação”  ao Ministério da Saúde Pública.

Defendeu que  é preciso trabalhar na base de união, para estancar a problemática do paludismo no país, cumprindo as orientações de técnicos de saúde sobre recomendações para se evitar águas paradas e lixos acumulados perto das habitações e todas as outras práticas que facilitam a reprodução de mosquitos.

Aquela responsável apelou o uso adequado dos mosquiteiros para se proteger das picadas dos mosquitos.

“Temos  informações  de que as tendas que distribuímos para a população são aproveitadas pelas nossas mães e irmãs para a protecção de  produtos cultivados nas hortas. Isso não ajuda os trabalhos de prevenção que temos feito a nível nacional”, disse Banumia  Pires Gonçalves. ANG/LLA//SG 

  

 

Dia Mundial de Segurança Social/ INSS reitera necessidade de alargamento da proteção social aos trabalhadores informais

Bissau, 8 Mai 26(ANG) – O Instituto Nacional de Segurança Social(INSS), celebrou hoje o Dia Mundial da Segurança Social, numa cerimónia marcada por reflexões sobre os desafios do sistema nacional de proteção social e a necessidade de alargamento da cobertura aos trabalhadores do setor informal.

A data é celebrada sob o lema: “Cada cidadão dibidi protegi si cabeça na segurança social sobre doenças, acidente na si cau di tarbadju ku Bedjisa”

As celebrações da data ,organizadas pelo Instituto Nacional de Segurança Social,  coincidiram com o encerramento das Jornada Africana de Prevenção de Riscos nos Locais de Trabalho.

Na ocasião, a ministra da Administração Pública, Trabalho, Emprego e Segurança Social, Assucénia Donate de Barros afirmou que a celebração da data não deve limitar-se à simples evocação da existência do serviço, mas servir como momento de reflexão sobre os diferentes sistemas de segurança social e os desafios específicos da Guiné-Bissau.

Assuncénia  de Barros  reconheceu que o país continua distante da realidade internacional em matéria de cobertura social, estimada em pouco mais de três por cento da população, mas reiterou  que o Governo mantem  o alargamento da proteção social  nas suas prioridades.

“A segurança social é uma questão de dignidade humana e os trabalhadores devem ter garantias em situações de acidente de trabalho, doença, reforma ou morte”, salientou a governante.

Defendeu igualmente que o sistema não deve ser encarado apenas como um mecanismo financeiro ou administrativo, mas sim como um instrumento de proteção social baseado na solidariedade interjecional
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A ministra recomendou o reforço das campanhas de sensibilização, sobretudo junto da juventude, para que os cidadãos compreendam a importância de contribuir para o sistema desde cedo.

Assuncénia Donate de Barros  destacou  que o novo Código de Trabalho passou a incluir os trabalhadores domésticos no regime contributivo, garantindo-lhes direitos semelhantes aos de outros trabalhadores.

Na ocasião, o Diretor-geral do Instituto Nacional de Segurança Social (INSS), Bamba Coté, alertou para a fraca cobertura da segurança social no país, revelando que menos de quatro por cento da população ativa beneficia atualmente do sistema.

Segundo o responsável, a situação exige  esforços na mobilização e sensibilização da população para aderir ao sistema contributivo.

Bamba Coté explicou que a maioria dos cidadãos exerce atividades no setor informal e  que, por isso, permanece fora do sistema de proteção social.

Para inverter este cenário, Coté anunciou a realização de campanhas de sensibilização, a revisão dos textos legais sobre segurança social e a organização, em breve, de um Fórum Internacional destinado à formulação de uma política nacional de proteção social mais abrangente.

Segundo José António Mendes Pereira,   do Gabinete Jurídico do INSS, a Organização Internacional do Trabalho instituiu o dia 8 de Maio como data de reflexão para todas as instituições responsáveis pela administração dos sistemas de proteção social.

“A previdência social se dirige, essencialmente, à um grupo específico de trabalhadores contribuintes, enquanto que a segurança social possui um alcance mais amplo, permitindo ao Estado apoiar também os cidadãos sem capacidade contributiva, mas que necessitam de proteção social”, disse José António Mendes Pereira. ANG/LPG/ÂC//SG

Obituário/Governo lamenta  em comunicado que acolheu com “profunda dor e tristeza” a notícia da morte do ex-Secretário de Estado do Tesouro

Bissau, 08 Mai 26(ANG) – O Governo lamenta, em comunicado,  que acolheu com “profunda dor e tristeza”, a notícia de falecimento do ex-Secretário de Estado do Tesouro, Mamadú Baldé, ocorrido no  dia 07 de Maio, em Lisboa(Portugal).

 “Nesta hora de dor e de consternação, o Governo aproveita a circunstância para endereçar as suas mais sentidas condolências aos familiares do malogrado”, lê-se no comunicado do  Executivo assinado pelo ministro da Presidência do Conselho de Ministros e dos Assuntos Parlamentares, Usna António Quadé.

O comunicado destaca que em vida e enquanto membro do Governo, o malogrado  sempre procurou dar o melhor de si, revelando-se um servidor aplicado na prossecução dos objectivos da governação do país, particularmente no sector das Finanças Públicas.

Tendo em conta as funções desempenhadas ao longo do percurso da sua vida política nacional, dedicada à gestão das Finanças Públicas, o Governo delibera, nos termos da alínea c) do número 1 do artigo 12º do Decreco-Lei número 1/2020, de 27 de agosto, que o funeral de Mamadú Baldé seja realizado com honras fúnebres de Estado.

Formado em Finanças e Gestão, Mamadu Baldé foi quadro sénior do Banco Central dos Estados da África Ocidental (BCEAO), instituição onde desempenhou diversas funções de relevo. Mais tarde, foi chamado a colaborar na estruturação da Empresa de Electricidade e Águas da Guiné-Bissau (EAGB), durante o período em que João Aladje Mamadu Fadia esteve à frente do Ministério das Finanças Públicas, entre 2020 e 2022.

Licenciado em Contabilidade pelo Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Lisboa (ISCAL).Baldé Iniciou a sua carreira como técnico profissional no Banco Central da Guiné-Bissau (BCGB), onde exerceu várias funções, destacando-se como diretor de Estrangeiro.

Integrou o Conselho de Administração do BCEAO e o Conselho de Orientação da Agência UMOA. Foi igualmente Assessor do Ministro das Finanças para Assuntos Bancários, cargo que deixou para assumir a Direção-Geral do Tesouro e da Contabilidade Pública.

Exerceu ainda as funções de diretor-geral da EAGB. Entre julho de 2022 e agosto de 2023, e o cargo de Secretário de Estado do Tesouro, função que voltou a assumir no atual governo.ANG/ÂC//SG

 

Regiões/ Esquadra da Polícia de Ordem Pública de Prábis beneficia de uma viatura Todo-terreno

Prábis, 08 Mai 26(ANG) – A Esquadra de Polícia de ordem Pública do setor de Prábis, Região de Biombo recebeu quinta-feira uma viatura Todo-terreno de marca Ford FX4 para minimização das suas dificuldades de movimentação.

A entrega do móvel foi feita pelo Administrador de setor de Prábis,Mamadú Turé, que na ocasião disse que esse gesto das autoridades regionais vai minimizar as dificuldades de deslocação que aquela instância policial enfrenta no cumprimento da sua missão de garantir segurança à população.

A POP de Prábis, segundo Turé, nunca teve uma viatura à disposição, para realização dos seus movimentos  diários.

Turé agradeceu a colaboraçao dos moradores de Prábis com a polícia local,e disse que tem  ajudado  muito na redução da delinquência juvenil  e da  criminalidade naquela localidade..

 Por sua vez, o representante do Comissário Nacional da Policia de Ordem Pública (POP), o Superintendente Adilson Soares Sambú, agradeceu ao governo regional  pela oferta dessa viatutra, tendo almejado que haja mais apoios à esta Esquadra para fazer face às inúmeras dificuldades que enfrenta.


Sambú, apelou o bom uso da viatura e diz que vai ser muito útil para o combate  à criminalidade que tem sido verificado no setor de Prábis.

 O Chefe de Tabanca, Feliciano Doutor Salavano também agradeceu o gesto do administrador, e elogiou a decisão do novo Comandante da POP, Victor Cá, que depois de uma reunião com a comunidade local,  proibiu a circulação de menores nas ruas depois das 22H00. ANG/MN/JD/ÂC//SG

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Religião/ Alto Comissário para Peregrinação pede aos peregrinos guineenses para rezarem pela paz no país 

Bissau, 08 Mai 26(ANG) - O Alto Comissário  para a Peregrinação à Cidade Santa de Meca apelou, quinta-feira, aos mais de 600 peregrinos guineenses para rezarem pela paz, estabilidade e tranquilidade no país durante a peregrinação islâmica deste ano.

Infali Conté fez o  apelo  na cerimónia de encerramento dos trabalhos de  formação destinados  aos fiéis inscritos para o Hajj 2026.

Coté disse aos candidatos à peregrinação à cidade Santa de Meca  que os seus comportamentos vão refletir   a imagem da Guiné-Bissau no estrangeiro, pelo que devem demonstrar  uma postura baseada no espírito religioso, disciplina e respeito durante toda a estadia na Arábia Saudita.

Por sua vez, o médico ao serviço do Alto Comissariado para a Peregrinação, Tumane Baldé, garantiu que os problemas de saúde registados entre os peregrinos são, na sua maioria, ligeiros.

Baldé disse que  os casos mais frequentes estão relacionados com a hipertensão arterial, mas que a situação clínica geral dos participantes é estável.

Dados apresentados durante a formação revelam  que mais de  300 mulheres integram o grupo de guineenses inscritos para viajar à Cidade Santa de Meca, representando a maioria dos participantes.

A formação organizada pelo Alto Comissariado teve como objetivo preparar os peregrinos sobre questões religiosas, sanitárias e comportamentais antes da partida para a Arábia Saudita.

A partida para a Meca está prevista para o dia 10 de Maio e regresso à Bissau para o dia 01 de Junho de 2026.ANG/ÂC//SG

 

 

 

Sociedade/Governo procede a entrega de “cesta básica” à mais 900 pessoas necessitadas

Bissau, 08 Mai 26(ANG) - A ministra da Mulher e Solidariedade Social, Khady Florence Dabó Correia presidiu quinta-feira, em Bissau, o ato oficial de entrega de “cesta básica” à mais de 900 pessoas em situação de vulnerabilidade.

De acordo com a página do Ministério da Mulher e Solidariedade Social no Facebook, a iniciativa foi promovida pelo Governo guineense, com o apoio da Liga Mundial Islâmica, e envolveu  diversas entidades religiosas, o Embaixador da Guiné-Bissau na Arábia Saudita, Dino Seide, e o Representante da Liga Mundial Islâmica, Abdullah Khaled Alotheimin.

Na sua intervenção, Khady Correia  destacou que a ação representa uma resposta concreta às dificuldades de  muitas famílias, sobretudo no Sector Autónomo de Bissau, de acesso à bens alimentares essenciais.

Sublinhou  que a iniciativa vai além do apoio imediato, contribuindo diretamente para a redução da vulnerabilidade social e para o reforço da coesão comunitária.

A governante apresentou  à Liga Mundial Islâmica o agradecimento  do Governo pelo apoio dado aos necessitados  e pelo papel desta instituição na promoção de ações humanitárias no país ao longo dos anos.

Khady Florence Dabó Correia reafirmou o empenho do Governo na promoção de  políticas sociais inclusivas, com foco na proteção dos grupos mais vulneráveis, nomeadamente mulheres, crianças, idosos e pessoas em situação de risco.

A cesta básica é constituída de 25 kg de arroz, cinco quilos de açucar e cinco litros de óleo alimentar. ANG/ÂC//SG

 


Suíça
/Surto de Hantavírus "não é o início de uma epidemia, nem de uma pandemia" – OMS

 

Bissau, 08 Mai 26(ANG) - A Organização Mundial da Saúde (OMS) assegurou quinta-feira que o surto de hantavírus registado num navio de cruzeiro, que já causou três mortes, não constitui neste momento o início de uma epidemia, nem de uma pandemia.

 

"Não é o início de uma epidemia. Não é o início de uma pandemia, mas é a ocasião ideal para recordar que os investimentos na investigação sobre agentes patogénicos como este são essenciais, pois os tratamentos, os testes de rastreio e as vacinas salvam vidas", afirmou a diretora interina de Prevenção e Preparação para Epidemias e Pandemias da OMS, Maria Van Kerkhove.

 

Em declarações à imprensa em Genebra, Maria Van Kerkhove afirmou que o hantavírus não é um coronavírus: "É um vírus muito diferente, que já existe há bastante tempo, nós conhecemo-lo. Por isso, quero ser clara: isto não é o início de uma pandemia como a da covid-19".

 

"Trata-se de um surto num navio, num espaço confinado, com cinco casos confirmados até ao momento", acrescentou.

O diretor de operações de alerta e resposta a emergências sanitárias, Abdi Rahman Mahamud, acrescentou que as autoridades estão convictas de que o surto "permanecerá contido se as medidas de saúde pública forem aplicadas e se todos os países demonstrarem solidariedade".

 

Os dois especialistas falavam na primeira conferência de imprensa organizada pela OMS desde o início desta crise.

 

 

"Até ao momento, foram notificados oito casos, incluindo três óbitos. Cinco desses oito casos foram confirmados como sendo causados pelo hantavírus, enquanto os outros três são considerados suspeitos", tinha declarado anteriormente o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

 

Tedros Adhanom Ghebreyesus sublinhou que, "tendo em conta o período de incubação do vírus (da estirpe dos) Andes, que pode atingir seis semanas, é possível que sejam notificados mais casos", acrescentou.

 

Não existe vacina nem tratamento específico contra este vírus, que pode ser contraído através do contacto com roedores e cuja estirpe dos Andes, detetada em passageiros infetados, é a única conhecida por casos de transmissão entre humanos.

 

O cruzeiro onde foram registados os casos e as mortes zarpou de Ushuaia, na Patagónia, a 01 de Abril, com destino a Cabo Verde pelo que os investigadores querem determinar se o contágio aconteceu em terra (na Argentina, Chile ou Uruguai) através de roedores ou já a bordo.

 

O primeiro passageiro a apresentar sintomas (febre, dor de cabeça e diarreia ligeira) foi um holandês de 70 anos que adoeceu a 06 de abril e é considerado o paciente zero. O homem morreu a bordo do navio no dia 11 de abril.

 

Treze dias depois, o seu corpo foi desembarcado em Santa Helena (ilha remota no Oceano Atlântico sul que faz parte do território britânico), juntamente com o da sua mulher, uma holandesa de 69 anos.

 

A mulher também apresentou sintomas, mas voou para Joanesburgo, África do Sul, a 25 de Abril, onde ia embarcar num voo para os Países Baixos. Morreu no dia seguinte e a sua infeção por hantavírus foi confirmada a 04 de Maio.

Segundo a empresa de navegação, um total de 30 passageiros - incluindo o corpo do paciente zero - desembarcou do navio de cruzeiro em Santa Helena.

 

Entretanto, a 02 de Maio, um cidadão alemão morreu a bordo após ter apresentado os primeiros sintomas a 28 de Abril e um outro passageiro suíço, que também desembarcou em Santa Helena, foi hospitalizado em Zurique e testou positivo.

 

Mais três casos suspeitos foram desembarcados na quarta-feira do navio 'MV Hondius' em Cabo Verde - dois tripulantes britânicos e holandeses que estavam doentes e um caso de contacto assintomático - e transferidos por voos médicos que partiram de Praia.

 

Os hantavírus são transmitidos aos humanos através de roedores selvagens infetados que excretam o vírus na saliva, urina e fezes.

ANG/Inforpress/Lusa

 

 

EUA/Trump diz que reunião com Lula foi 'muito boa' e promete novos encontros bilaterais

 

Bissau, 08 Mai 26 (ANG) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu nesta quinta-feira (7) com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, em Washington, com quem abordou temas como comércio, segurança e cooperação econômica entre os dois países.

O encontro, seguido de um almoço, durou cerca de três horas e foi definido por Trump como “muito bom”.

“Acabo de concluir minha reunião com Luiz Inácio Lula da Silva, o muito dinâmico presidente do Brasil. Discutimos muitos temas, incluindo comércio e, especificamente, tarifas. A reunião foi muito boa”, escreveu o presidente americano, na sua rede Truth Social.

Trump também afirmou que representantes dos dois governos voltarão a se reunir para discutir pontos considerados estratégicos nas negociações bilaterais. “Nossos representantes devem se reunir para discutir alguns elementos-chave.

 

Novos encontros serão agendados nos próximos meses, se necessário”, acrescentou o republicano, que pousou sorridente para as fotos ao lado do líder brasileiro.

 

A reunião começou por volta de 11h30, no horário local, e Lula deixou a Casa Branca cerca de três horas depois. Ele concederia uma entrevista coletiva na embaixada do Brasil em Washington, antes de voltar a Brasília.

Participaram da reunião, do lado brasileiro, o presidente Lula, os ministros da Fazenda, Dario Durigan; de Minas e Energia, Alexandre Silveira; das Relações Exteriores, Mauro Vieira; da Justiça e Segurança Pública, Wellington César, e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa.

Do lado americano, estiveram presentes Donald Trump, a chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, o vice-presidente, JD Vance, o secretário de Comércio, Howard Lutnick, e a representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer.

Segundo integrantes da comitiva, a reunião durou cerca de uma hora e vinte minutos. O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, faz parte da comitiva brasileira, mas não participou dos encontros na Casa Branca.

Após a conversa no Salão Oval, Lula e Trump seguiram diretamente para um almoço bilateral, iniciado às 12h40. O encontro reservado reuniu apenas seis participantes e durou quase uma hora e meia.

Essa é a sexta vez que o presidente Lula visita a Casa Branca ao longo de seus mandatos. O encontro desta quinta-feira ocorre poucos dias depois de uma conversa telefónica entre Lula e Trump, realizada na última sexta-feira (1º). ANG/RFI

 

 

Quénia/Governo prevê início de produção comercial de petróleo até para final de 2026

Bissau, 08 Mai 26 (ANG) – O Quénia planeja iniciar oficialmente sua produção comercial de petróleo até o final de 2026, anunciou na quarta-feira o Secretário de Estado de Energia e Petróleo, Opiyo Wandayi.


Em discurso perante o Senado queniano, o Sr. Wandayi destacou que esta medida representa um grande avanço para o país da África Oriental, que busca fortalecer sua independência energética e reduzir sua dependência das importações de combustível.

O funcionário do governo indicou que o projeto petrolífero de South Lokichar, no condado de Turkana (noroeste do Quénia), deverá começar com uma capacidade de produção de cerca de 20.000 barris por dia, antes de atingir gradualmente 50.000 barris por dia, observando que esses volumes ainda são insuficientes para garantir a rentabilidade de uma refinaria comercial de grande escala por si só.

“Os parâmetros económicos do setor petrolífero mostram que uma refinaria viável requer uma produção entre 300.000 e 500.000 barris por dia”, afirmou o Sr. Wandayi, enfatizando que o Quénia está priorizando uma abordagem regional para o refino de petróleo bruto, a fim de otimizar custos.

O ministro defendeu, portanto, o projeto de construção de uma refinaria regional em Tanga, na Tanzânia, por acreditar que essa opção oferece maiores perspectivas económicas.

As autoridades quenianas consideram esta iniciativa uma alavanca estratégica para estimular a industrialização e fortalecer a segurança energética em toda a África Oriental. ANG/Faapa

 

Alemanha/Oceanos alcançam segunda temperatura mais alta da história em Abril

 

Bissau, 08 Mai 26(ANG) - Os oceanos fora dos círculos polares registaram em Abril a segunda maior temperatura desde que há registos, a que se acrecenta previsões favoráveis ao surgimento do fenómeno El Niño, informou o Serviço de Mudança Climática de Copernicus (C3S).

 

Segundo um relatório publicado na quinta-feira pelo C3S, a temperatura média da superfície do mar (TSM) em Abril de 2026 em águas oceânicas fora dos círculos polares, entre os 60° de latitude sul e os 60° de latitude norte, atingiu os 21 graus, o segundo valor mais alto historicamente registado para esse mês.

 

A TSM mais elevada em abril foi registada em 2024, durante o último fenómeno de El Niño, indicou o relatório da entidade gerida pelo Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF na sua sigla inglesa).

 

Abril também foi marcado por fenómenos meteorológicos extremos, como ciclones tropicais no Pacífico, inundações no Médio Oriente e no centro-sul da Ásia, e secas que afetaram o sul de África.

 

Cheias repentinas atingiram grande parte da península Arábica, enquanto zonas do Irão, Afeganistão, Arábia Saudita e Síria sofreram inundações generalizadas e deslizamentos de terra, que provocaram vítimas mortais.

 

“Abril de 2026 reforça o sinal claro de um aquecimento global sustentado. As temperaturas da superfície do mar atingiram níveis quase recorde”, afirmou Samantha Burgess, responsável estratégica de clima no ECMWF.

 

Segundo Burgess, este aumento gerou “ondas de calor marinhas generalizadas”, com o gelo marinho do Ártico a níveis muito abaixo da média, e a Europa a registar “fortes contrastes de temperatura e precipitação”, tudo indicadores de um clima “cada vez mais marcado pelos extremos”.

 

O mês passado foi o terceiro Abril mais quente a nível mundial, com uma temperatura média do ar à superfície de 14,89 graus, 0,52 graus acima da média de abril do período 1991-2020, segundo o conjunto de dados ERA5.

 

O Abril mais quente registado foi em 2024 e o segundo mais quente em 2025. ANG/Inforpress/Lusa

 

Brasil/Lula diz sair ‘muito otimista’ de conversa com Trump na Casa Branca

Bissau, 08 Mai 26 (ANG) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que não discutirá sobre as eleições de 2026 com líderes estrangeiros, propôs 30 dias para resolver impasse comercial com os EUA e disse ter tido “química” com Donald Trump, durante reunião na Casa Branca na quinta-feira (7).

Após o encontro em Washington, Lula disse que saiu “muito otimista” da reunião e avaliou que houve uma conexão positiva entre os dois líderes. Em uma coletiva de imprensa realizada na embaixada brasileira, o presidente brincou ao definir a relação construída com Trump como um caso de “amor à primeira vista”. Houve “aquele negócio da química” entre os dois, disse.

Segundo o líder brasileiro, apesar das diferenças políticas e comerciais, o foco das conversas foi encontrar caminhos práticos para avançar em temas considerados prioritários para os dois países. “O importante é o principal, o resto é secundário”, disse.

Boa parte da conversa foi dedicada às tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos, especialmente diante da investigação aberta por Washington com base na chamada Seção 301, mecanismo legal que pode resultar em novas tarifas contra produtos brasileiros.

Lula reconheceu que houve divergências entre as equipes ministeriais dos dois países, mas afirmou ter proposto um prazo de 30 dias para que os ministros tentem encontrar uma solução técnica antes de uma nova conversa presidencial.

Segundo o presidente, os americanos apresentaram questionamentos sobre práticas comerciais e tributárias brasileiras, mas o governo brasileiro considera que parte das acusações “não tem procedência”.

Lula afirmou que prefere resolver o impasse pela negociação e disse ter saído confiante de que os dois governos conseguirão avançar.

Questionado por um jornalista do Washington Post sobre possíveis tentativas de interferência estrangeira nas eleições brasileiras, Lula respondeu de forma direta. “Se ele tentou interferir nas eleições brasileiras, ele perdeu, porque eu ganhei as eleições”, afirmou.

 

O presidente disse considerar inadequado que líderes estrangeiros tentem influenciar processos eleitorais em outros países, que representa, segundo ele, uma ameaça à soberania nacional. As eleições brasileiras são um “assunto brasileiro”, alegou, e não serão discutidas com presidentes estrangeiros.

“Quem vai decidir a eleição brasileira é o povo brasileiro”, reiterou.

O presidente também afirmou que apresentou a Trump propostas brasileiras para cooperação internacional no combate ao crime organizado e ao tráfico de armas e drogas.

Segundo Lula, o governo brasileiro lançará já na próxima semana um novo plano nacional de segurança pública, focado principalmente no enfraquecimento financeiro das organizações criminosas. Ao comentar o avanço das facções, Lula argumentou que grupos criminosos passaram a atuar como grandes estruturas internacionais.

“Eles hoje viraram, em alguns casos, empresas multinacionais”, explicou.

O presidente também defendeu a retomada territorial pelo Estado e afirmou que “o território de uma cidade, de um bairro, é do povo, não é de crime organizado, não é de facção criminosa”.

Lula revelou ainda que propôs uma maior integração regional no combate ao crime organizado, incluindo a criação de uma base em Manaus voltada ao enfrentamento do tráfico nas fronteiras amazônicas.

Questionado sobre a possibilidade de os Estados Unidos classificarem o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, Lula garantiu que o tema não foi discutido durante a reunião com Trump.

Na coletiva, Lula voltou a defender a diplomacia como principal ferramenta para resolver conflitos internacionais e reforçou sua oposição a soluções militares. O presidente frisou que acredita “muito mais no diálogo do que na guerra” e declarou que não possui “vocação belicista”, mas sim “vocação de diálogo”.

Lula afirmou que deixou claro para Trump que os dois têm visões diferentes sobre conflitos internacionais, especialmente em relação ao Irã. “Olha, o Trump não vai mudar o jeito dele ser por causa de uma reunião que durou três horas comigo.”

Segundo o presidente brasileiro, ele alertou o americano de que uma escalada militar contra o Irã poderia gerar consequências maiores do que Washington imagina. Ele comentou, ainda, que Trump demonstra acreditar que “a guerra já acabou”. “Não é o real. Mas ele acha”, declarou.

Ele também afirmou estar "disposto" a discutir temas como Irã, Cuba e Venezuela com os Estados Unidos. Lula relatou ter colocado o Brasil à disposição para atuar como mediador em conflitos internacionais e entregado a Trump uma cópia do acordo negociado em 2010 entre Brasil, Turquia e Irã sobre o programa nuclear iraniano. 

Lula também comentou o interesse americano em minerais críticos e terras raras brasileiras, mas afirmou que o país não pretende repetir o modelo histórico de exportar apenas matéria-prima.

“O Brasil não quer repetir o que aconteceu com a prata, com o ouro, com minério de ferro”, disse.

Segundo o presidente, o Brasil está aberto a parcerias internacionais, inclusive com os Estados Unidos, desde que os investimentos incluam processamento industrial e geração de riqueza dentro do território brasileiro.

O líder petista voltou a defender uma reforma no Conselho de Segurança da ONU, alegando que a estrutura atual, em que apenas os cinco membros permanentes têm poder efetivo de decisão sobre guerras e conflitos internacionais, não representa mais a geopolítica mundial.

“A geopolítica de 2026 não é a geopolítica de 1945. O mundo é outro”, sublinhou.

Ele criticou o poder de veto exercido pelos membros permanentes do Conselho e comentou que, desta forma, países como o Brasil acabam limitados a discursos sem capacidade real de decisão.

“O Brasil só pode gritar. O Brasil só pode fazer discurso”, declarou, ao comentar os impasses diplomáticos envolvendo conflitos internacionais e a guerra em Gaza.

“Os Estados Unidos vetam. A China veta. A Rússia veta. Então, é preciso que eles se coloquem de acordo para a gente mudar”, acrescentou. ANG/RFI