quinta-feira, 7 de maio de 2026

Sociedade/Governo e a UNICEF promovem debate sobre a proteção das Crianças e Meninas Adolecentes no país

Bissau, 07 Mai 26 (ANG) – O Governo e o Fundo das Nações Unidas para Infância (UNICEF), promoveram hoje, um encontro de alto nível com os parceiros, para reforçarem, as normas que protegem as crianças e meninas adolescentes.

O evento, acontece depois do país ter participado, na recente Cimeira de Dakar “para a Proteção das Meninas Adolescentes na África Ocidental e Central”.

Ao presidir a cerimónia de abertura do referido encontro, a ministra da Mulher e Solidariedade Social (MMSS) Kady Florence Dabo Correia, comprometeu que o Governo irá engajar na criação de políticas e espaços de concertações, para garantir segurança, saúde e a educação, para as meninas adolescentes da Guiné-Bissau.

Segundo a ministra, o mesmo será feito com os rapazes, para permiti-los a ter uma masculinidade positiva, acompanhado do mesmo nível da informação fornecidas as meninas, realçando
que só assim, o combate a violência do género pode ser vencida.

“Apesar de já havia existido leis que protegem os menores, recentemente, também foi criado um Código de Proteção Integral da Criança, e esse Código será submetido a sua apreciação e aprovação no Conselho de Ministros, e a partir da sua aprovação, passará a ser um documento real, que possui normas que protege as crianças guineenses”, informou a ministra.

De acordo com a governante, o novo Código possui um artigo que defenderá, os procedimentos admitidas para a adoção de uma crianças guineenses no exterior, e segundo a ministra, é um dos importantes ponto acrescentando neste novo Código.

Em representação dos participantes de Cimeira de Dakar, que visa adotar medidas para a proteção das Meninas na África Ocidental e Central, Nhamana Juoquim Sobana descreveu que, de acordo com a experiência adquirida na Cimeira que juntou 24 países da África Ocidental e Central, recomendaram o Governo a fazer da educação, assim como do uso de tecnologia de forma adequada, o bem estar das crianças guineense, como prioridades das prioridades.

“Porque acreditamos que investir nas meninas, é investir no futuro de um país, razão pela qual, depois do nosso regresso de Dakar, criamos um projeto que denominamos “MEDELÉ” que já iniciou os seus trabalhos no domínio de empreendedorismo, porque achamos que quando uma menina comece a empreender, não beneficia somente do aumento económico de si próprio, mas sim, contribui também para o aumento económico do seu país”, defendeu Nhamana.

Para o representante do Fundo das Nações Unidas para Infância na Guiné-Bissau (UNICEF) Inoussa Kabore, muitas raparigas adolescentes no país e assim como na Sub-região, continuam a enfrentar desafios insignificativo, nomeadamente o acesso limitado à educação, aos serviço de saúde e de protecção, e bem como a oportunidade para desenvolverem as competências necessárias para prosperar.

No seu ponto de vista, estes desafios, não só afetam apenas as raparigas, também têm impacto nas famílias, nas comunidades e no desenvolvimento nacional como um todo.ANG/LLA/ÂC


Pescas/ “Período de Repouso Biológico de 2026 foi mais rentável comparativamente aos anos anteriores”, diz DG do INFISCAP-IP

Bissau, 07 Mai 26(ANG) – O Diretor-geral do Instituto Nacional de Fiscalização e Controlo das Actividades de Pescas(INFISCAP-IP), considerou o “Período de Repouso Biológico” deste ano mais  rentável em termos de apreensão de navios e pirogas, em comparação com os anos anteriores.

Em entrevista exclusiva  hoje à ANG, Braima Baldé  afirmou que as operações de fiscalização das águas territoriais do país, durante o “Período de Repouso Biológico”, resultou na apreensão de seis navios e vários pirogas que tentaram violar o processo do fecho do mar, nos três Postos de Fiscalização, instalados nas zonas Norte, Centro e Sul.

Aquele responsável frisou que a falta de meios financeiros constitui uma das maiores dificuldades com que se depara o INFISCAP, para responder as demandas e despesas de operações de fiscalização.

“O INFISCAP é uma instituição meramente operacional, porque, de um momento para outro, pode receber informações da existência de navios piratas no alto mar e sem meios não pode enviar os seus operativos para colmatar a situação”, salientou.

Em termos de recursos humanos,  Braima Baldé disse que o INFISCAP está bem servido porque dispõe de operativos com muita experiência no sector de fiscalização marítima.

Perguntado sobre quantas vedetas de fiscalização dispõe atualmente o INFISCAP, conformou a existência de três em estado operacional, nomeadamente Ocante Bnum, Ndjamba Mané e Okimka Pampa.

Disse que, para além das três vedetas dispõe ainda de cinco botes, sendo que  um foi colocado no Posto de Cacheu, um em Cacine e os restantes três estão aqui em Bissau.

O Período de Repouso Biológico decorreu entre 01 e 31 de Janeiro deste ano, e cada vez que é declarado o  mar é  interditado à prática pesqueira industrial. ANG/ÂC//SG

 

Colômbia/ Embaixador de Marrocos na ONU reafirma compromisso do seu pais com cooperação Sul-Sul e triangular

Bissau, 07 Mai 26 (ANG) - O Embaixador e Representante Permanente de Marrocos junto às Nações Unidas, Omar Hilale, reafirmou, quarta-feira, em Santa Marta, Colômbia, o forte e duradouro compromisso do Reino com a cooperação Sul-Sul e triangular, que  descreveu como um “componente essencial da diplomacia real”.

Ao discursar na abertura da reunião ampliada da Mesa do Comité de Alto Nível das Nações Unidas sobre Cooperação Sul-Sul, presidida por Marrocos, o Sr. Hilale destacou que a estratégia de cooperação Sul-Sul de Marrocos, iniciada pelo Rei Mohammed VI, constitui "um ato de constante solidariedade" com os países do Sul Global.

Nesse contexto, ele especificou que "Marrocos há muito defende uma estratégia de cooperação Sul-Sul orientada para a ação, baseada na solidariedade, particularmente com seus irmãos africanos e com os países da América Latina, do Caribe e do Pacífico, notadamente por meio da atuação da Agência Marroquina de Cooperação Internacional".

À este respeito, o embaixador destacou a centralidade da cooperação Sul-Sul e triangular quatro anos antes do prazo da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, num contexto global marcado por tensões geopolíticas, riscos climáticos crescentes e diminuição da ajuda oficial ao desenvolvimento.

Além disso, o diplomata marroquino observou que o comércio Sul-Sul representa agora mais de um terço do comércio mundial e está crescendo mais rapidamente do que o comércio Norte-Sul.

Este encontro de três dias, a convite da Agência de Cooperação Presidencial da Colômbia, do Escritório das Nações Unidas para a Cooperação Sul-Sul e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) neste país latino-americano, constitui uma importante oportunidade para fortalecer o papel da cooperação Sul-Sul e triangular na arquitetura global do desenvolvimento.

Os trabalhos desta conferência se concentrarão, em particular, no projeto de uma Aliança Global para a Cooperação Sul-Sul e Triangular, sob a égide do Escritório das Nações Unidas para a Cooperação Sul-Sul, apresentado como um passo importante para fortalecer a coordenação internacional. ANG/Faapa

 

               Zimbábue/ Acidente de ónibus deixa pelo menos 17 mortos

Bissau,, 07 Mai 26 (ANG) - O número de mortos no acidente na estrada Harare-Nyamapanda, envolvendo um ônibus que fazia o trajeto da Cidade do Cabo, na África do Sul, com destino ao Malawi, subiu para 17.

Segundo o porta-voz da polícia do Zimbábue, Paul Nyathi, cerca de 45 outros feridos permanecem hospitalizados em hospitais provinciais, onde foram internados para receber os cuidados necessários.

Ele garantiu que as autoridades estão agora trabalhando com o governo do Malawi para identificar as vítimas e repatriar os corpos, aguardando a identificação e os exames post-mortem.

O ônibus transportava 63 passageiros no momento do acidente, que está sendo investigado.

Os relatórios preliminares indicam que o ônibus, que viajava em alta velocidade em condições de baixa visibilidade, saiu de uma estrada mal conservada e capotou várias vezes até parar completamente. ANG/Faapa

         Economia / FMI desembolsa 1,6 milhões de dólares à Guiné-Bissau

Bissau, 07 Mai 26 (ANG) – O Fundo Monetário Internacional (FMI), prevê o desembolso de 1,6 milhões de dólares para a Guiné-Bissau, no âmbito da 11ª revisão do acordo de concessão de crédito celebrado em Janeiro de 2023 e que se prolonga até ao final de 2026.

Segundo o comunicado da organização citado pelo Gabinete de Assessoria de Imprensa do Primeiro-ministro, a decisão de desembolso resultou dos trabalhos de avaliação que uma missão  do Fundo Monetário Internacional, liderada por Niko Hobdri, realizou,  em Bissau, de 21 a 29 de Abril, sobre as políticas macroeconómicas para a 11ª revisão do acordo.

“O Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Guiné-Bissau chegaram ao acordo sobre as medidas a adotar pelo país para o desembolso de mais 1,6 milhões de dólares ( 1,37 milhões de euros)”, refere o comunicado.

Após a aprovação pelo Conselho Executivo do (FMI), a Guiné-Bissau terá acesso a esse montante (1,6 milhões de dólares), elevando para 58,8 milhões de dólares o total de desembolso previsto ao abrigo do acordo, desde 2023.

O FMI explica no comunicado que o acordo alcançado para a 11ª revisão “reflete “forte desempenho” do programa e o compromisso contínuo das autoridades com politicas macroeconómicas prudentes, disciplina fiscal e reformas estruturais voltadas para preservar a estabilidade macroeconómica e apoiar o crescimento inclusivo.

Refere  que a equipa do Fundo que esteve em Bissau concluiu que “todas as metas do programa para o final de Março de 2026 foram alcançadas”, especificando que as autoridades guineenses “atenderam à todos os critérios quantitativos de desempenho, metas indicativas, marcos estruturais, bem como todos os critérios de desempenho contínuo até agora, refletindo o compromisso com a agenda de reformas.

O FMI estima que o crescimento económico do país em 2025 tenha permanecido  em 5,8 por cento, apoiado por uma “produção agrícola robusta”, especialmente exportações de caju, e “sólidos investimentos privados”. ANG/LPG//SG

Religião/Alto-Comissariado para Peregrinação e  Ecobank formalizam parceria que permita disponibilização de cartão multibanco pré-pago aos  peregrinos guineenses

Bissau, 07 Mai 26 (ANG) - O Alto-Comissariado para a Peregrinação (ACP) e o Banco Ecobank na Guiné-Bissau formalizaram uma parceria estratégica para a disponibilização de cartões multibanco pré-pagos aos peregrinos guineenses que vão para a Cidade Santa de Meca com a finalidade de cumprir o 5º pilar do islão.

"Com o cartão pré-pago, os peregrinos poderão gerir os seus gastos com autonomia, aceder ao seu dinheiro de forma segura e, acima de tudo, concentrar-se totalmente na dimensão espiritual da sua jornada", afirmou Idrissa sebre, quem representou a directoria-geral da Ecobenk na cerimónia.

Idrissa Sebre reiterou o apoio da instituição bancária ao sucesso da edição 1447/2026 do Hajj.

Para activar o cartão, cada peregrino deverá despender no  mínimo  150 mil francos CFA.

Trata-se do 2º ano que os peregrinos vêm facilitados as suas preocupações

relacionadas ao  pagamento das despesas na Arábia Saudita.

O Alto Comissário para a Peregrinação Cheick Infali Cotê, disse entretanto que a introdução destes cartões reflecte o empenho da organização para modernizar,  simplificar e conferir maior segurança às transações financeiras dos peregrinos durante a estadia na Arábia Saudita.

O Alto Comissariado para a Peregrinação, informou que, dos 751 lugares disponíveis, correspondentes à quota da Guiné-Bissau, mais de 85 por cento dos candidatos já cumpriram todas as condições necessárias para a viagem.

ANG/AALS/ÂC//SG

 

Agricultura/Produção de castanha de caju em queda devido ao envelhecimento dos pomares

Bissau,07    Mai 26(ANG) – O Engenheiro Florestal Constantino Correia disse, em entrevista a Radiodifusão Nacional que a  produção de castanha de caju está  em queda devido ao envelhecimento dos pomares, e cita o    ciclo produtivo prolongado das plantas e stress hídrico como estando na origem da situação.

Constantino Correia abordava os principais desafios que afetam um dos sectores mais relevantes da economia nacional, a produção de castanha de caju, sendo que uma parte significativa dos cajueiros se encontra em fase avançada do seu ciclo produtivo, o  que , segundo o técnico está a comprometer os níveis de rendimento.

Correia  afirmou ainda que a situação é agravada pela irregularidade das chuvas, factor que contribui para o aumento do stress hídrico e a consequente redução da produtividade.

Perante este cenário, Constantino Correia defende uma intervenção mais activa do Instituto de Investigação Agrária, sublinhando que a instituição poderá desempenhar um papel determinante na mitigação dos impactos.

Para tal, considera fundamental que a instituição passasse a beneficiar, de fato, de fundos de repartição de rendimentos do sector, conforme previsto, para poder   reforçar a investigação e o apoio técnico aos produtores.

Também em declarações à emissora pública-RDN, Jaime Boles, presidente da Associação Nacional dos Agricultores alertou para o desaparecimento progressivo de cajueiros, atribuindo o fenómeno à descontinuidade na implementação das orientações estabelecidas no antigo projecto de reorganização dos pomares de caju. ANG/JD/ÂC//SG



 

Brasil/ Justiça da Inglaterra nega último recurso de mineradora BHP e abre caminho para indemnizações

Bissau, 07 Mai 26 (ANG) - O Tribunal de Apelação da Inglaterra decidiu  quarta-feira (6) negar mais um recurso apresentado pela BHP contra a condenação que a responsabiliza pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG),no Brasil,  ocorrido em 2015

Com essa decisão, o processo avança para a etapa de definição das indemnizações às vítimas do maior desastre ambiental da história do Brasil.

É a segunda vez que a mineradora anglo-australiana tem um pedido de recurso rejeitado e, na prática, trata-se do último caminho regular para tentar derrubar a decisão na Justiça britânica.

Ao negar esse novo pedido, a Justiça mantém o entendimento de que a BHP,a ccionista da Samarco ao lado da Vale, tem responsabilidade pelo desastre que matou 19 pessoas, devastou comunidades inteiras e contaminou a bacia do rio Doce até o Oceano Atlântico.

A condenação da BHP foi estabelecida em novembro de 2025, ao final de um longo julgamento conduzido pelo Tribunal Superior da Inglaterra entre outubro de 2024 e março de 2025. Naquela ocasião, aJustiça britânica concluiu que a mineradora tinha conhecimento dos riscos associados à barragem e falhou em agir para evitá-los.

Segundo a decisão, o rompimento da estrutura era previsível e evitável. O tribunal considerou que a empresa atuou com negligência e imprudência.

Ao analisar o pedido de apelação, o Tribunal foi categórico ao afirmar que os argumentos apresentados pela BHP não tinham chance real de êxito. O juiz Peter Fraser, relator da decisão, afirmou que não há base razoável para questionar a forma como a juíza de primeira instância avaliou as alegações da mineradora.

“Não aceito que qualquer dos fundamentos relativos à responsabilidade da BHP pelo rompimento da barragem seja razoavelmente defensável”, escreveu o magistrado, afastando a possibilidade de que o caso justifique uma nova análise.

Com o encerramento da discussão sobre a responsabilidade da empresa, o processo entra agora na chamada Fase 2. Nessa etapa, o foco passa a ser a avaliação das perdas sofridas por indivíduos, comunidades, empresas e municípios atingidos, além da quantificação das indemnizações devidas.

A audiência dessa fase está marcada para começar em abril de 2027. Estão em jogo reparações para centenas de milhares de vítimas.

“Nossos clientes esperaram mais de uma década por justiça, enquanto a BHP buscou todas as vias processuais para evitar a responsabilização; essas vias agora estão fechadas”, declarou, em comunicado, o advogado Jonathan Wheeler, sócio do escritório Pogust Goodhead, que defende o caso Mariana na Inglaterra. “Estamos focados em garantir a indemnização a que centenas de milhares de brasileiros têm direito há muito tempo”, afirmou.

O rompimento da barragem de Fundão, em 5 de Novembro de 2015, liberou cerca de 40 milhões de metros cúbicos de lama e rejeitos de mineração. Além das mortes confirmadas, o desastre teve efeitos sociais, ambientais e económicos profundos e prolongados em dezenas de municípios de Minas Gerais e do Espírito.  Santo.ANG/RFI

 

Coreia do Norte/ Governo abandona reunificação na Constituição e oficializa ruptura histórica com o Sul

Bissau, 07 Mai 26 (ANG) - A Coreia do Norte formalizou uma mudança profunda e inédita em sua estratégia de Estado ao eliminar da Constituição qualquer referência à reunificação com a Coreia do Sul e redefinir juridicamente sua relação com o vizinho como uma fronteira entre países distintos.

A revisão, divulgada por Seul na quarta-feira (6), consolida anos de endurecimento político sob Kim Jong‑un e inscreve na lei fundamental do regime a doutrina de dois Estados hostis. O texto também reforça o papel central do arsenal nuclear e redefine o poder do líder, enquanto o diálogo intercoreano permanece bloqueado. 

A nova Constituição norte‑coreana deixa de mencionar a cláusula segundo a qual o país tinha como objetivo “alcançar a unificação da pátria”, que durante décadas expressou a narrativa oficial de que as duas Coreias compartilhariam uma mesma nação dividida artificialmente..

O documento, divulgado pelo Ministério da Unificação da Coreia do Sul, confirma que essa referência desapareceu da versão revisada, aprovada em Março de 2026 durante uma reunião da Assembleia Popular Suprema.

Em substituição, o texto introduz pela primeira vez uma cláusula territorial explícita. O novo artigo 2 estabelece que o território da Coreia do Norte inclui as terras “limítrofes à República Popular da China e à Federação da Rússia ao norte, bem como à República da Coreia ao sul”, utilizando, de maneira significativa, o nome oficial do Estado sul‑coreano.

 

O dispositivo inclui ainda as águas territoriais e o espaço aéreo correspondentes, e determina que o país “não tolerará jamais qualquer violação de seu território”, embora não delimite com precisão a fronteira com o sul nem mencione as disputas marítimas existentes.

Segundo o professor Lee Jung‑chul, da Universidade Nacional de Seul, essa é a primeira vez que a Constituição norte‑coreana incorpora formalmente uma cláusula territorial, o que representa uma mudança estrutural na forma como o regime define sua soberania.

A eliminação da referência à reunificação não ocorre isoladamente. Ela se articula com a linha política adotada por Kim Jong‑un, que ao longo de 2024 e 2026 passou a classificar a Coreia do Sul como “Estado hostil” e, mais recentemente, como o “inimigo mais hostil”.

Em Janeiro de 2024, o líder já havia defendido a alteração da Constituição para definir o Sul como “inimigo principal e imutável” e para afirmar que os territórios dos dois países são distintos. A revisão de 2026 transforma essa posição política em norma constitucional.

Especialistas citados por autoridades sul‑coreanas indicam que a ausência de uma delimitação precisa da fronteira pode refletir uma estratégia deliberada: evitar a criação imediata de novos pontos de tensão formal, ao mesmo tempo em que se consolida juridicamente a separação definitiva entre os dois Estados.

A Constituição revisada também altera a definição institucional do poder de Kim Jong‑un. O texto passa a descrevê‑lo oficialmente como “presidente da Comissão de Assuntos de Estado”, substituindo a formulação anterior que o qualificava como líder supremo representante do Estado.

Mais do que uma mudança terminológica, a revisão atribui explicitamente a esse cargo o comando das forças nucleares do país, estabelecendo de forma direta que o controle do arsenal nuclear está concentrado na figura de Kim.

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Uma cláusula específica sobre defesa classifica a Coreia do Norte como um “Estado dotado de armas nucleares responsável” e afirma que o país continuará desenvolvendo seu arsenal para garantir sua sobrevivência, seus direitos de desenvolvimento, dissuadir conflitos e proteger a estabilidade regional e global.

A redefinição constitucional ocorre em um contexto em que as duas Coreias continuam tecnicamente em guerra. O conflito iniciado na década de 1950 foi encerrado apenas por um armistício em 1953, sem tratado de paz definitivo.

Nos últimos anos, a tensão voltou a crescer de forma consistente. Entre 2022 e 2025, durante o governo do presidente sul‑coreano Yoon Suk‑yeol, que adotou uma linha dura em relação ao Norte, Pyongyang tomou medidas concretas de separação física, incluindo a demolição de estradas e ferrovias que ligavam os dois países e a construção de barreiras próximas à fronteira.

O atual presidente sul‑coreano, Lee Jae‑myung, tem adotado estratégia oposta, multiplicando apelos para retomar o diálogo e oferecendo negociações sem condições prévias.

Essas iniciativas, no entanto, não produziram resultados. A Coreia do Norte rejeita sistematicamente as tentativas de aproximação, e a nova linha constitucional reforça institucionalmente essa recusa.

Em Fevereiro, Kim Jong‑un declarou que o país “não tem absolutamente nada a ver com a Coreia do Sul” e afirmou que, enquanto o Sul permanecer ligado a essa realidade geopolítica, a única forma de garantir sua segurança seria abandonar qualquer relação com o Norte e deixá‑lo em paz.

O endurecimento político é acompanhado por intensificação militar. A Coreia do Norte realizou quatro testes de mísseis apenas no mês de abril e prometeu dar continuidade ao fortalecimento do seu arsenal nuclear.

Esse movimento se insere na nova formulação constitucional que legitima explicitamente o desenvolvimento contínuo dessas capacidades como elemento central da estratégia de sobrevivência do regime.

Paralelamente à ruptura com Seul, Pyongyang aprofundou sua cooperação com a Rússia, fornecendo tropas e equipamentos no contexto da guerra na Ucrânia. Em troca, recebe assistência económica e técnica, consolidando uma reorientação estratégica que afasta ainda mais a possibilidade de integração com a Coreia do Sul. RFI/ AFP

 

EUA/Marco Rubio em visita à Itália para reconciliar laços com Vaticano e governo Meloni

Bissau, 07 Mai 26 (ANG) - O Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, se encontra desde  quarta-feira (6) em Itália, onde permanecerá até o dia 8 de Maio, em meio a mais um ataque de Donald Trump ao papa.

Nesta quinta-feira ele será recebido no Vaticano por Leão XIV. Na sexta-feira se reunirá com a primeira-ministra Giorgia Meloni. Estão previstos também encontros com os ministros das Relações Exteriores, Antonio Tajani, e da Defesa, Guido Crosetto.

O principal objetivo de Marco Rubio é “reconciliar os laços” com o papa após os ataques de Donald Trump a Leão XIV. Mas o presidente dos Estados Unidos não está facilitando a missão do Secretário de Estado.

Dois dias atrás,  em entrevista ao Salem News Channel – uma rede conservadora de base cristã – Trump afirmou que o papa “está colocando muitos católicos e muitas pessoas em perigo”, insinuando que Leão XIV é favorável a um possível arsenal nuclear para Teerã.

O presidente disse: “Imagino que, se dependesse dele, seria perfeitamente aceitável que o Irã possuísse uma arma nuclear”.

Leão XIV não tardou a responder. Sem citar o nome do presidente, o papa disse: “Se alguém quiser me criticar por pregar o Evangelho, que o faça com a verdade. A Igreja se manifesta contra todas as armas nucleares há anos, portanto, não há dúvidas quanto a isso”, declarou o pontífice na terça-feira (5) no encontro com os jornalistas em frente do Castel Gandolfo, nos arredores de Roma. O papa enfatizou que “a missão da Igreja é pregar o Evangelho, pregar a paz”. Ele concluiu: “Espero simplesmente ser ouvido pelo valor da palavra de Deus”.

Na manhã de quarta-feira (6) durante a audiência geral na Praça de São Pedro, Leão XIV disse que a Igreja Católica “deseja instaurar o seu Reino de justiça, amor e paz para toda a humanidade”.

O secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, também reagiu às declarações de Trump, sublinhando que o Papa mantém a sua linha de atuação centrada na mensagem evangélica e na promoção da paz.

“O Papa segue o seu caminho, no sentido de pregar o Evangelho, de pregar a paz”, afirmou ontem o cardeal Parolin, acrescentando que essa missão se mantém independentemente das críticas.

No mês passado, Trump chamou o primeiro papa americano na história da Igreja de “fraco” e “terrível em política exterior” porque Leão XIV criticou a guerra no Irã. Depois das investidas, o pontífice respondeu que não tinha medo do governo Trump.

Estes ataques têm afastado grande parte do eleitorado católico americano do presidente. Os eleitores republicanos católicos representam cerca de 20% e podem lhe virar as costas nas eleições de meio de mandato em Novembro.

Batizado católico logo após seu nascimento - e não convertido ao catolicismo na vida adulta como o vice-presidente J.D. Vance - Marco Rubio vai tentar remediar a crise provocada por Trump.

Leão XIV completa nesta sexta-feira (8) seu primeiro ano como líder da Igreja Católica, que conta com 1,4 bilhão de fiéis. Ele manteve um perfil relativamente discreto no cenário global nos primeiros meses de seu papado, mas emergiu nas últimas semanas como um crítico declarado da guerra dos EUA e Israel contra o Irã.

Após a audiência com Leão XIV, no Palácio Apostólico, no Vaticano, o chefe da diplomacia dos Estados Unidos encontrará o Secretário de Estado da Santa Sé, cardeal Pietro Parolin.

Segundo o porta-voz do Departamento de Estado americano, Tommy Pigott, “o secretário Rubio se reunirá com a liderança da Santa Sé para discutir a situação no Oriente Médio e os interesses mútuos no Hemisfério Ocidental”, mas as tensões entre os EUA e Cuba poderão fazer parte das conversações de Rubio com o papa.

Leão XIV também desaprovou as políticas anti-imigração do governo Trump e pediu diálogo entre os EUA e Cuba, país de maioria católica.

Em Fevereiro, quando o governo Trump intensificou o bloqueio ao fornecimento de petróleo a Cuba, o sumo pontífice disse estar profundamente preocupado com as tensões entre os dois países.

O Vaticano tem agido como mediador e canal de diálogo entre os dois países, e teve um papel-chave no degelo das relações entre Cuba e Estados Unidos em 2015 promovido pelo Papa Francisco. Graças a um acordo com a Santa Sé, Cuba libertou 51 prisioneiros no último mês de Março, num gesto que classificou como “espírito de boa vontade”.

No ano passado, o governo cubano libertou 553 prisioneiros devido a um acordo com o Vaticano, após o ex-presidente Joe Biden anunciar a retirada de Cuba da lista americana de “Estados patrocinadores do terrorismo”.

Trump rescindiu o acordo de Biden ao assumir o cargo, colocando o país caribenho novamente na lista, aplicando novas sanções à ilha.

Marco Rubio é filho de imigrantes cubanos nos EUA. Ele já havia se encontrado com o pontífice, nascido em Chicago, durante a Missa que marcou o início de seu papado. Naquela ocasião, também estava presente o vice-presidente Vance. No dia seguinte, 19 de maio, foi realizado um encontro bilateral entre Leão XIV, Vance e Rubio.

O ataque do presidente dos Estados Unidos ao papa também desencadeou uma crise diplomática com a primeira-ministra Giorgia Meloni. Até então a primeira-ministra, líder do partido de extrema-direita Irmãos da Itália (Fratelli d'Italia) era considerada por Trump como uma grande aliada europeia.

No entanto, a guerra no Irã iniciada pelos Estados Unidos e Israel, com os danos económicos do conflito, causou desaprovação no eleitorado conservador italiano. Por consequência, Meloni acabou se distanciando das posições do presidente americano.

Diante das agressões de Trump a Leão XIV, a primeira-ministra chamou as palavras do presidente de “inaceitáveis”. O resultado é a Itália acabou na lista dos “vilões”. Trump acusou Meloni de  “falta de coragem”.

“Não estou feliz com a Itália, ela não nos ajudou, acha que está tudo bem o Irã ter armas nucleares”, atacou o presidente, usando as mesmas palavras que também dirigiu à Espanha.

Enquanto isso, na Alemanha, depois que o chanceler Friedrich Merz falou que os Estados Unidos estão sendo “humilhados” pelo Irã, o Pentágono anunciou a retirada de 5.000 soldados das bases no país. A Itália quer evitar que o governo de Trump decida aplicar uma medida semelhante e remover militares das bases estadunidenses na península que atualmente, conta com a presença de cerca de 12 mil militares americanos.

O comunicado do Departamento de Estado dos EUA enfatiza que as reuniões com as autoridades italianas se concentrarão nos “interesses de segurança compartilhados e alinhamento estratégico” dos dois países. Isso significa que discutirão sobre a Otan e as bases militares americanas na Itália.

Em Março deste ano, a Itália impediu os Estados Unidos de usarem a base aérea de Sigonella, na Sicília, para uma operação no Oriente Médio porque aviões americanos planejavam pousar sem autorização nem consulta prévia. Após verificar que não eram voos rotineiros, o chefe do Estado-Maior informou o ministro da Defesa, Guido Crosetto, que ordenou negar o pouso.

Entre outros temas na agenda está o Líbano — tendo em vista um possível encontro em Washington, no dia 11 de maio, entre o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e o presidente libanês Josef Aoun, ainda a ser confirmado por ambas as partes.

Além disso, o papel da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL) liderada pelo general italiano Diodato Abagnara. A retomada das tarifas também está na pauta, após o anúncio do presidente dos EUA, em 1º de maio, de um possível aumento de 25% nas tarifas sobre carros e caminhões provenientes da União Europeia. ANG/RFI

 

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Regiões/Casal morre carbonizado  após explosão de um recipiente com gasolina em  arredores de Fulacunda  

Fulacunda, 06 Mai 26 (ANG) - Um casal morreu carbonizado na madrugada do dia 04 do corrente mês, na aldeia de Alto Bani, arredores do setor de Fulacunda, na região de Quinará, no Sul do país, deixando dois filhos menores após a explosão de um recipiente com gasolina.

Segundo o  Correspondente da ANG na Região de Quinará, que cita um dos membros da  aldeia de Alto Bani Abdul Carim Sanhá , o incidente ocorreu por volta de 00 horas, quando o homem que se dedicava a venda de gasolina estava a transferir o combustível para outro recipiente ao pé de uma fogueira que estava a ser utilizada para preparação de  chá (warga).

“As  vítimas foram identificadas como Marcelo Nanque, de 33 anos e a sua esposa de 30 anos, ambos são originários da secção de Bijimita, Região de Biombo, no Norte do país”, contou Abdul Carim Sanhá.

Disse que  a proximidade do combustível com o fogo acabou por provocar uma explosão,  o que provocou um incêndio de grandes proporções.

Segundo Abdul Sanhá , a porta do quarto onde o casal morto se encontrava, estava fechada e por isso não conseguiram sair do quarto.

 “O incêndio destruiu os bens que estavam no quarto das vítimas. Mas felizmente outros familiares e hóspedes que se encontrava nos compartimentos vizinhos conseguiram sair ilesos, incluindo os filhos das vítimas”, informou Sanhá.

Aquele membro disse  que, tanto as autoridades regionais, bem como os serviços dos Bombeiros e da Guarda Nacional foram informados  e se deslocaram ao local para proceder ao levantamento da ocorrência.

ANG/RC/AALS/ÂC//SG

 

 

 

 

Desporto-futebol/Flamengo de Pefine vence FC Cuntum no fecho da 17.ª jornada

Bissau, 06 Mai 26 (ANG) - O Flamengo de Pefine venceu, terça-feira, o FC Cuntum por 3-2, no jogo que encerrou a 17.ª jornada do Campeonato Nacional da Primeira Divisão da Guiné-Bissau.


A partida foi disputada no relvado sintético do Estádio Lino Correia, em Bissau.

No confronto entre equipas que lutam na parte inferior da tabela classificativa, os “rubro-negros” de Pefine levaram a melhor e somaram a sua terceira vitória na competição.

Com este resultado, o FC Cuntum mantém-se na 15.ª posição, com 16 pontos, enquanto o Flamengo de Pefine continua no último lugar, agora com 13 pontos.

Eis os resultados da 17.ª jornada:

Massaf de Cacine 2-0 Hafia FC de Bafatá

FC Cumura 1-2 Tigres de Fronteira de São Domingos

Arados FC de Nhacra 1-2 Sport Bissau e Benfica

FC Pelundo 1-1 Balantas de Mansoa

UDIB 0-1 Desportivo de Gabú

Portos de Bissau 0-0 Cupelum FC

Sporting Clube da Guiné-Bissau 0-1 FC Canchungo

FC Cuntum 2-3 Flamengo de Pefine

ANG/CFM

Torneio UFOA/Técnico da Seleção Feminina de futebol Sub-20 da Guiné-Bissau admite falhas na derrota de 2-0 contra a Libéria

Bissau, 06 Mai 26 (ANG) – O selecionador nacional da Seleção Feminina de futebol Sub-20 da Guiné-Bissau admitiu, terça-feira, que a equipa cometeu muitos erros defensivos e ofensivos durante o primeiro tempo do jogo contra a sua congénere da Libéria.


João Domingos Loua Nafatcha falava em conferência de imprensa, após a derrota em casa de 2-0 contra a sua congénere da Libéria, no jogo inaugural do Torneio da União das Federações Oeste Africana (UFOA).

Disse  que a sua equipa não esteve no seu melhor durante a primeira parte do jogo, e que  os golos sofridosforam consentidos, por falta de marcação e falhas táticas.

“Assumo que originamos muitos erros e sofremos no primeiro tempo, e já na segunda parte entramos e tentamos ver se conseguiríamos  fazer e reviravolta do jogo, pena que não conseguimos. A  grande verdade é que tivemos muita baixa, a grande maioria dos jogadores titulares, ficou fora dos convocados, por motivo de lesão e razões alheios”, disse o técnico.

Nafatcha  parabenizou  a equipa da Libéria, por serem mais eficazes durante o primeiro tempo do jogo.“É a regra do futebol, quem não marca sofre", disse.

Para o próximo jogo da mesma prova , o técnico nacional Loua Nafatcha, prometeu trabalhar intenso com a equipa, para evitar  os erros cometidos contra a Libéria, e de seguida, lutar para alcançar os pontos perdidos.

A Seleção Feminina de futebol Sub-20 da Guiné-Bissau defronta a sua congénere do Mali no próximo dia 08 do corrente mês.ANG/LLA/ÂC//SG


       

Torneio UFOA SUB-20 Feminino/Guiné-Bissau perde com Libéria no jogo inaugural

Bissau, 06 Mai 26(ANG) - A seleção feminina sub-20 da Guiné-Bissau estreou-se com derrota, terça-feira , ao perder por 0-2, frente à Libéria, no jogo inaugural do torneio da União das Federações Oeste Africana (UFOA).

Num encontro disputado no Estádio Nacional 24 de Setembro, em Bissau, a formação liberiana entrou melhor e inaugurou o marcador logo aos três minutos, aproveitando a passividade da defensiva guineense. Makasian Saryon não desperdiçou a oportunidade e colocou a sua equipa em vantagem.

A reação da Guiné-Bissau não tardou, com a equipa a assumir as despesas do jogo e a pressionar o adversário. Contudo, a organização defensiva da Libéria mostrou-se segura e, aos 35 minutos, ampliou a vantagem por intermédio de Olive Nyumah.

A melhor ocasião da primeira parte para a turma orientada por Na Fatcha surgiu aos 40 minutos, quando Rosalina Cutobó Djombaté rematou com perigo, fazendo a bola passar muito perto do poste esquerdo da guardiã Makula Konneh.

No segundo tempo, a Guiné-Bissau entrou mais determinada e dominadora, criando várias situações de perigo junto da área contrária. No entanto, a falta de eficácia na finalização era evidente.

Apesar da maior iniciativa das anfitriãs, a Libéria continuou a mostrar-se mais perigosa nas transições e acabou por segurar a vantagem até ao apito final.

Com este resultado, a Guiné-Bissau inicia a competição com uma derrota, enquanto a Libéria entra com o pé direito no torneio.

Num outro jogo, a seleção feminina sub-20 do Senegal venceu, na noite de terça-feira, no Estádio Nacional 24 de Setembro, a sua congénere da Gâmbia por duas bolas sem resposta (2-0), em partida referente à primeira jornada do Torneio das Federações Oeste Africana (UFOA), que se disputa, em Bissau. ANG/Fut245

 

Marrocos/ Continente africano instado a retomar o controle do financiamento da saúde

Bissau, 06 Mai 26 (ANG) – A ex-ministra da Saúde francesa, Agnès Buzyn, fez um apelo aos estados africanos em Casablanca, Marrocos, na segunda-feira, para que retomem o controle do financiamento da saúde, a fim de tornar os sistemas de saúde resilientes em um contexto marcado pela diminuição da ajuda externa.


“A África deve aproveitar este desafio da diminuição da ajuda externa no setor da saúde como uma oportunidade”, afirmou ela.

Ela participava do painel sobre o tema “Assim como os contratos de ajuda tradicionais, chegou a hora de a África criar ecossistemas financeiros sustentáveis, ao mesmo tempo que oferece assistência consistente. Estamos analisando os instrumentos”.

Este painel foi realizado como parte da GITEX Future Health Africa, a primeira edição da Exposição Internacional sobre o Futuro da Saúde na África, que foi inaugurada no mesmo dia e estará em cartaz até 6 de maio.

A Sra. Buzyn observou que a média dos orçamentos destinados à saúde pelos países membros da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) é de 9,9%.

“Precisamos de um sistema soberano e baseado na solidariedade”, disse ela, falando sobre a importância de retomar o controle do financiamento da saúde.

Segundo a Sra. Buzyn, “os países africanos beneficiários entrarão num período de grande vulnerabilidade e risco, com uma lacuna real de financiamento”.

Daí a importância, segundo o ex-ministro da Saúde francês, de se ter um plano de transição sequencial tendo em vista a redução do financiamento.

“O capital nacional, os fundos soberanos e as parcerias público-privadas baseadas em resultados garantem que os profissionais clínicos recebam o apoio necessário para que as instalações continuem a ser mantidas e os serviços essenciais não sejam interrompidos.”

Ela relatou um risco de desigualdades na oferta e no acesso aos cuidados de saúde. Agnés Buzyn recomenda que os Estados desempenhem um papel de coordenação para lidar com essa situação, acreditando que o sistema de saúde deve ser pensado em termos de universalidade.

“É necessária uma visibilidade plurianual para a projeção e a compreensão do futuro, com uma visão horizontal que leve em conta a atenção primária e a gestão hospitalar”, recomendou o ex-ministro francês.

“A África deve aproveitar este desafio da diminuição da ajuda externa no setor da saúde como uma oportunidade. A forma como financiamos o sistema, os sistemas de seguros, está a migrar para espaços digitais”, sublinhou a Sra. Buzyn.

Ela observa que as fragilidades na capacidade de vincular o financiamento aos resultados de saúde precisam ser abordadas, enfatizando "como financiamos e o impacto no atendimento às necessidades das populações".

“A tecnologia digital é importante quando torna o sistema eficiente. Ela precisa ser posicionada no lugar certo, pois não pode substituir a gestão em saúde”, concluiu. ANG/Faapa