Conferência
de Tianjin/”Cooperação mineira entre China e
Guiné-Bissau ganha novo impulso ”, diz
Director-geral da Geologia e Minas
Bissau, 21 Set 26 ANG - O Diretor-geral
de Geologia e Minas do Ministério dos Recursos Naturais admite
que a cooperação entre a China e a Guiné-Bissau no setor mineiro poderá
entrar numa nova fase, com maior aposta no conhecimento geológico, na transferência
de tecnologia, formação de recursos
humanos e no desenvolvimento sustentável.
Hélder António Alfredo Mutna
fez estas observações em nota à imprensa
enviada à ANG.
Helder Mutna, representou o ministro de tutela, Júlio
Baldé na 28.ª Conferência e Exposição
Internacional de Mineração da China, realizada em Tianjin, de 10 à 12 de Setembro.
Sob o lema “Cooperação para benefícios
mútuos, desenvolvimento verde e inteligente”, a Conferência reuniu empresas,
especialistas e representantes de diferentes setores ligados à indústria
mineira, e abordou temas como inovação tecnológica, inteligência artificial,
legislação mineira, cooperação geocientífica, recuperação ecológica e minerais
associados às novas energias.
Segundo Mutna, a Conferência contou com 28 fóruns,
658
empresas expositoras e mais de 31 mil participantes., sublinhando que, a
experiência demonstrou a crescente integração de tecnologias como inteligência
artificial, Internet das Coisas, grandes volumes de dados e sistemas de gestão
digital na indústria mineira.
Informou que, durante a visita, a
delegação guineense participou também no Diálogo sobre Mineração Verde e
Cooperação Económica e Comercial Internacional de Minerais Verdes, realizado a
10 de Setembro na qual a Guiné-Bissau foi incluída na agenda do encontro como
futuro membro da Iniciativa Internacional sobre Mineração Verde e Minerais
Verdes.
“As discussões estiveram centradas no
investimento, comércio de minerais verdes, responsabilidade social,
transferência de tecnologia, capacitação, financiamento, criação de valor local
e construção de cadeias de abastecimento sustentáveis”, salientou.
Disse que a Guiné-Bissau dispõe de recursos minerais
identificados, entre os quais bauxite, fosfatos e areias pesadas, mas que grande parte do território ainda carece de
prospeção geológica sistemática e moderna.
O DG de Geologia e Minas aponta como
principais desafios desse processo de eventual exploração dos Recursos
Naturais, a organização, digitalização e atualização dos dados geológicos, a
modernização da gestão dos direitos mineiros, o reforço dos laboratórios e
equipamentos, a formação de técnicos especializados e o fortalecimento da
capacidade de fiscalização e regulação.
Para o Diretor-geral de Geologia e
Minas, o conhecimento dos recursos deve preceder a sua exploração, razão pela
qual considera que a experiência chinesa
em cartografia geológica, tecnologias de prospeção, digitalização e formação de
recursos humanos poderá constituir uma área importante de cooperação entre os
dois países.
“A experiência apresentada em Tianjin
reforçou igualmente a necessidade de a atividade mineira contribuir para outros
setores da economia nacional”, frisou.
No caso dos fosfatos, a nota aponta para a possibilidade de, a longo prazo
e dependendo das condições técnicas e económicas, desenvolver atividades de
transformação e produção de fertilizantes, criando ligações entre o setor
mineiro e a agricultura.
Quanto ao bauxite, a exploração deverá
ser articulada com os setores da energia, transportes e logística, enquanto as
areias pesadas poderão ser analisadas não apenas pela quantidade disponível,
mas também pelo potencial de processamento e pelas futuras cadeias industriais
e tecnológicas.
A visão defendida é de que a atividade
mineira deve gerar benefícios para além das próprias zonas de exploração,
através da construção de infraestruturas, criação de emprego, melhoria das
ligações rodoviárias, acesso à energia e fortalecimento da agricultura e do
comércio.
Com base na experiência adquirida na
China e nas necessidades identificadas na Guiné-Bissau, foram apontadas sete
áreas prioritárias para aprofundar a cooperação bilateral.
Entre elas estão o reforço do
conhecimento geocientífico do território, a modernização institucional e
digital do setor mineiro, a criação de um laboratório nacional, a formação de
recursos humanos e a transferência de tecnologia.
A lista inclui ainda a promoção de
investimentos mineiros responsáveis, a criação de emprego e de cadeias de
fornecimento nacionais e a articulação dos grandes projetos mineiros com o
desenvolvimento regional das áreas de energia, logística e comunidades locais.
O Diretor-Geral de Geologia e Minas
considera que a dimensão territorial da Guiné-Bissau pode permitir uma
modernização integrada e gradual do setor.
A perspetiva apresentada defende uma
parceria estruturada entre os dois países, combinando geociências, tecnologia,
investimento, reforço institucional, proteção ambiental, transformação
económica e desenvolvimento de recursos humanos.
O documento sublinha que a concretização
dessa cooperação dependerá de projetos concretos, objetivos mensuráveis,
mecanismos eficazes de transferência de conhecimento e sistemas transparentes
de acompanhamento e avaliação.
“A participação guineense na
Conferência Internacional de Mineração da China permitiu ainda observar a
transformação tecnológica e ambiental que atravessa atualmente a indústria
mineira deste país asiático”, disse.
Para a Guiné-Bissau, segundo o DG da
Geologia e Minas, a prioridade passa por transformar o potencial geológico em
conhecimento científico, investimento, produção e valor acrescentado, com
impacto no emprego, nas receitas públicas, nas infraestruturas, na qualificação
profissional e nas condições de vida da população.
“A cooperação com a China é apresentada,
assim, não apenas como uma oportunidade para desenvolver recursos minerais, mas
também como um instrumento para reforçar o conhecimento, as capacidades
técnicas e a criação de benefícios económicos e sociais duradouros para a
Guiné-Bissau”, afirmou. MutnaANG/MI/ÂC