terça-feira, 1 de setembro de 2026

Política/CNT exige provas que sustentam que a participação no Referendo ê inferior à cinco por cento

Bissau, 01 Set 26(ANG) - O Conselho Nacional de Transição (CNT) exige que todas as entidades que divulgaram números sobre a participação no Referendo Constitucional, realizado a 30 de Agosto, apresentem provas, dados e metodologias capazes de sustentar as suas estimativas.

Numa segunda conferência de imprensa realizada hoje sobre o processo, o vice- presidente da Comissão Técnica do Referendo do CNT, Rui Alberto Pinto Pereira,  alertou para a necessidade de distinguir factos comprovados, estimativas, declarações políticas e propaganda.

Aquele responsável considera contraditórios os números divulgados após a votação.

“Enquanto responsáveis da Comissão Nacional de Eleições (CNE) apontam para uma participação superior a 50 por cento, dirigentes e estruturas da oposição defenderam uma participação inferior a 5 por cento ou um boicote superior a 90 por cento”, referiu.

Perante a diferença entre as estimativas, o CNT questiona a metodologia utilizada para chegar à essas percentagens e exige que sejam tornados públicos os elementos que sustentam os números apresentados.

Entre os dados que, segundo Alberto Pinto Pereira, devem ser esclarecidos, estão o número de mesas de voto observadas, a cobertura territorial, a identificação dos observadores envolvidos, os dados recolhidos e o método utilizado para produzir uma estimativa a nível nacional.

O Conselho Nacional de Transição chama ainda a atenção para a diferença entre abstenção e boicote, considerando incorreto atribuir automaticamente uma motivação política à todos os cidadãos que não participaram na votação.

Aquele responsável disse que, mesmo depois da divulgação da taxa oficial de abstenção, não será metodologicamente correto concluir que todos os eleitores ausentes das urnas aderiram ao boicote.

Rui Pinto Pereira disse que, o CNT defende, por isso, que a avaliação definitiva da participação no referendo seja feita com base  em dados oficiais, verificáveis e devidamente documentados.

Afirmou que,  a verdade sobre a participação e os resultados do Referendo deve resultar do apuramento oficial, e não de estimativas ou declarações influenciadas por interesses políticos. ANG/AC//SG

 

Cooperação/Guiné-Bissau defende OCI mais eficaz orientada para resultados em prol do desenvolvimento dos Estados membros

Bissau, 01 Set 26 (ANG) - A Guiné-Bissau defendeu uma Organização de Conferência Islâmica (OCI) mais coesa, eficaz e orientada para resultados, em prol de desenvolvimento dos Estados membros.

A posição guineense foi apresentada pela ministra dos Negócios Estrangeiros, da Cooperação Internacional e das Comunidades, Fatumata Jau, durante a 23.ª Sessão Extraordinária do Conselho de Ministros dos Negócios Estrangeiros da organização, realizada no dia 27 de Agosto, em Djeddah, na Arábia Saudita.

De acordo com a página do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Cooperação Internacional e das Comunidades, na facebook, a governante guineense apelou a uma OCI mais próxima das prioridades dos seus Estados-membros e capaz de transformar as decisões tomadas em resultados concretos.

Na sua intervenção, Fatumata Jau  saudou a eleição, por unanimidade, do diplomata mauritano Ismaïl Ould Cheikh Ahmed para o cargo de secretário-geral da organização, sucedendo ao chadiano Hissein Brahim Taha, que terminou o mandato.

A questão da Palestina também esteve entre os principais temas abordados na cimeira, tendo, Fatumata Jau reafirmado o compromisso da Guiné-Bissau com o Direito Internacional, a proteção dos civis, o diálogo e a busca da paz.

A reunião discutiu a situação nos territórios palestinianos ocupados e culminou com a adoção de uma resolução especial sobre a Palestina e Al-Quds Al-Sharif.

À margem da reunião ministerial, a ministra guineense manteve encontros  com o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Arábia Saudita, Waleed bin Abdulkarim Al-Khuraiji, e com o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros do Kuwait, Hamad Sulaiman Al-Mashaan, entre outros interlocutores.

As conversações centraram-se no reforço das relações bilaterais, no aprofundamento da cooperação e na identificação de novas oportunidades de interesse comum entre a Guiné-Bissau e os países envolvidos.

A 23.ª Sessão Extraordinária do Conselho de Ministros dos Negócios Estrangeiros da OCI foi antecedida por uma reunião preparatória realizada no dia 26 de Agosto.

O encontro contou com a participação de delegações de vários Estados-membros, incluindo Senegal, Guiné-Bissau, Iraque, Azerbaijão e Argélia. ANG/MI/ÂC//SG

 

Regiões/Administradora de Fulacunda pede apoios para melhorar as condições do mercado local

Quinará, 01 Set 26 (ANG) - A administradora de Fulacunda apela às autoridades competentes para reforçarem o apoio ao setor, principalmente para a  melhoria das condições do mercado e das infraestruturas públicas.

Segundo a TVBts, o apelo de Kadiatu Sow foi feito segunda-feira em entrevista a esta estação televisiva .

A administradora disse que os comerciantes se deparam agora com muitas dificuldades devido as más condições do mercado local.

Kadiatu Sow lamentou por outro lado as condições precárias em que se encontram os edifícios públicos de Fulacunda e a estrada que liga Fulacunda à seção de Gâ-para. “Tudo isso acaba por afetar a mobilidade de bens e da população”, disse

A administradora ainda criticou sem identificar os visados que muitas promessas destinadas a  apoiar as populações haviam sido feitas  mas que até presentemente nada de concreto se fez em cumprimento dessas promessas.

ANG/AALS/ÂC//SG

 

 

 

Sociedade/WANEP-GB participa na Reunião Trimestral de Avaliação das Iniciativas de Empoderamento de Mulheres e Jovens vítimas de roubo de gado

Bissau, 01 Set 26 (ANG) – A  Rede Oeste Africana para a Edificação da Paz na Guiné-Bissau (WANEP-GB), participou recentemente na Reunião Trimestral de Avaliação das Iniciativas de Empoderamento de Mulheres e Jovens Vítimas de Roubo de Gado através do seu gestor de projectos, Suleimane Baio.

Esta participação foi divulgada pela página de Facebook da organização, segundo a qual o encontro decorreu entre 27 e 29 de Agosto, abrangendo a secção de Canhamina, na região de Bafatá, e o setor de Farim, na região de Oio, tendo sido concluído na secção de Ingoré, região de Cacheu.

As reuniões tiveram como principal objetivo identificar as necessidades dos beneficiários das Atividades Geradoras de Rendimento (AGR), bem como proceder à elaboração dos relatórios relacionados com os processos de financiamento e acompanhamento das iniciativas em curso.

A atividade contou com a participação dos beneficiários previamente mapeados nas três regiões de implementação do projeto, Bafatá, Oio e Cacheu, e a formação foi ministrada pelo consultor em Atividades Geradoras de Rendimento, Bacary Mané, e do Gestor de Projeto da WANEP-GB, Suleimane Baio.

 Esta iniciativa se enquadra no projeto de luta contra o roubo transfronteiriço de gado entre o Senegal e a Guiné-Bissau, financiado pela Cooperação Austríaca para o Desenvolvimento (ADA) e implementado pelo consórcio formado pela WANEP Guiné-Bissau e WANEP-Senegal.

A rede WANEP-GB pretende com estas acções reforçar a resiliência  a resiliência socioeconómica das comunidades afetadas pelo roubo de gado, promovendo oportunidades de geração de rendimento e contribuindo para a consolidação da paz e  segurança nas zonas fronteiriças. ANG/JD/ÂC//SG

 

 

Argentina/Messi anuncia aposentadoria da seleção  e encerra trajetória histórica

Bissau, 01 Set 26 (ANG) - A lenda do futebol Lionel Messi anunciou  segunda-feira (31) sua aposentadoria da seleção argentina.

O anúncio acontece poucas semanas após a derrota da Albiceleste na final da Copa do Mundo e a morte de seu pai e agente, Jorge Messi.

"O tempo passou desde a final e, depois de muito refletir, quero anunciar a todos vocês que estou me aposentando da seleção. É uma decisão (...) que ainda dói lá no fundo, mas entendo que chegou a hora", escreveu o vencedor de oito Bolas de Ouro em sua conta no Instagram.

"Não me resta muito tempo; a vida é feita de etapas, e esta dói profundamente. Amo, amei e sempre amarei a seleção. Dei tudo de mim; não tenho mais nada a oferecer. Há jovens jogadores muito bons surgindo que merecem seu espaço", acrescentou.

Maior artilheiro da história da Argentina, com 125 golos em pouco mais de 200 partidas pela seleção, mesmo aos 39 anos, o camisa 10 segue em atividade pelo Inter Miami, dos Estados Unidos.

Esta não é a primeira vez que ele se despede da equipe nacional.

Em 2016, após uma derrota na final da Copa América, anunciou sua saída da seleção, mas voltou atrás e retornou para disputar a Copa do Mundo de 2018. Quatro anos depois, conquistou o título mundial no Catar.

Nas últimas semanas, o argentino enfrentou dois momentos difíceis. Além da derrota para a Espanha por 1 a 0, na prorrogação da final disputada em 19 de Julho, em Nova York, Messi foi abalado pela morte de seu pai, Jorge Messi, aos 68 anos. Em meados de agosto, ele já havia admitido que não se imaginava jogando por "muito mais tempo".

Em sua última competição internacional, o ex-craque do Barcelona foi o principal destaque da campanha argentina rumo à decisão, com oito gols marcados, incluindo um hat-trick. Na final, porém, teve atuação discreta e não conseguiu evitar a derrota para os espanhóis.

Messi também havia ficado com o vice-campeonato mundial em 2014, quando a Argentina perdeu para a Alemanha por 1 a 0 na prorrogação.

Além do título da Copa do Mundo, sua trajetória com a camisa albiceleste inclui duas Copas América (2021 e 2024), a medalha de ouro olímpica conquistada em Pequim-2008, a Finalíssima de 2022 e o Mundial Sub-20 de 2005.

As conquistas pela seleção consolidaram Messi entre os maiores jogadores da história do futebol argentino, ao lado do ídolo Diego Maradona.

O astro tem contrato com o Inter Miami até o fim da temporada de 2028.ANG/RFI

 

 

Moçambique/ ONG exige a verdade sore o desaparecimento de dois jornalistas

Bissau, 01 Set 26 (ANG) - A Rede Moçambicana de Defensores dos Direitos H
umanos (RMDDH) solicitou às autoridades esclarecimentos sobre o desaparecimento de dois jornalistas em Cabo Delgado, província do norte do país assolada por uma insurreição armada desde 2017.

Em comunicado divulgado por ocasião do Dia Internacional das Vítimas de Desaparecimentos Forçados, celebrado todos os anos a 30 de agosto, a ONG afirmou estar "profundamente preocupada" com os casos dos dois jornalistas, Ibraimo Mbaruco e Arlindo Chissale, que desapareceram em Cabo Delgado.

Ela pediu investigações independentes, a publicação de suas conclusões e que a justiça seja feita para as famílias das vítimas, exigindo também esclarecimentos sobre o destino delas e as circunstâncias de seu desaparecimento.

Segundo a ONG, Ibraimo Mbaruco, jornalista e apresentador da Rádio Comunitária de Palma, desapareceu em 7 de abril de 2020. Pouco antes de seu desaparecimento, ele havia dito a um colega que estava "cercado por soldados".

Desde então, sua família não recebeu nenhuma informação sobre seu paradeiro e, apesar das investigações realizadas, nenhuma resposta foi dada que explique de forma convincente o que aconteceu com o jornalista.

Em agosto de 2024, a Procuradoria-Geral da República decidiu arquivar o caso, decisão criticada pelo Centro para a Democracia e os Direitos Humanos (CDD), que a descreveu como "uma continuação da negação do acesso à justiça" para jornalistas considerados defensores da verdade, da justiça, da democracia e do Estado de Direito.

O desaparecimento de Mbaruco também provocou reações de organizações como a Amnistia Internacional, a Human Rights Watch e a União Europeia.

A emissora também mencionou o caso de Arlindo Chissale, jornalista e editor do portal de notícias online Pinnacle News, que desapareceu em 7 de janeiro de 2025.

"Segundo depoimentos, ele foi retirado de um veículo por homens, alguns dos quais vestiam uniformes militares, antes de ser levado em outro veículo. Desde então, seu local de detenção e seu paradeiro permanecem desconhecidos", afirmou a organização.

Em abril de 2025, o Procurador-Geral anunciou a abertura de uma investigação sobre o desaparecimento de Chissale, que abrangia questões relacionadas à insurgência armada no norte do país.

O desaparecimento de Chissale ocorreu em meio a protestos contra os resultados das eleições gerais de outubro de 2024 e à violência pós-eleitoral, durante a qual o partido Podemos relatou dezenas de mortes entre seus membros e apoiantes. ANG/Faapa

 

Espanha/Crise migratória em Ceuta leva Itália e Espanha a prolongar controlos nas fronteiras do Espaço Schengen

Bissau, 01 Set 26 (ANG) - A Espanha e a Itália decidiram,  segunda-feira (31), prolongar por mais 15 dias os controles instaurados entre os dois países, suspendendo parcialmente as regras de livre circulação do Espaço Schengen, em meio às consequências da crise migratória em Ceuta.

Ao mesmo tempo, o governo espanhol investiga uma campanha de desinformação que poderia ter sido amplificada por redes russas e israelenses e contribuído para incentivar a chegada em massa de migrantes ao enclave espanhol no norte da África. 

O governo italiano informou que a decisão foi tomada devido à permanência das condições que motivaram a reintrodução dos controles em 1º de Agosto. Em resposta, Madri anunciou a extensão dos controles para passageiros que chegam da Itália por via marítima e aérea. 

Embora a maior parte dos migrantes tenha deixado Ceuta nas semanas seguintes à crise, milhares de pessoas continuam concentradas no pequeno território espanhol, que faz fronteira com o Marrocos. 

Os enclaves espanhóis de Ceuta e Melilla formam as únicas fronteiras terrestres da União Europeia com o continente africano. As duas cidades têm umregime especial dentro do Espaço Schengen, que impede automaticamente que os migrantes que chegam à região se desloquem livremente para a Espanha continental. 

Segundo as autoridades espanholas, mais de72 mil migrantes tentaram entrar em Ceuta a partir do Marrocos nos dias 30 e 31 de julho. A travessia deixou ao menos cem mortos. 

A crise provocou repercussões políticas na Europa. Diante da chegada em massa de migrantes, o governo da primeira-ministra italiana Giorgia Meloni chegou a defender o fechamento do Espaço Schengen para a Espanha. 

O prolongamento dos controles fronteiriços também contribuiu para aumentar as tensões diplomáticas entre Roma e Madri. Críticos do governo italiano afirmam que a medida tem efeito principalmente simbólico e responde à pressão interna sobre Meloni na questão migratória. 

A coalizão conservadora no poder enfrenta ainda a concorrência do partido de extrema direita Futuro Nazionale, liderado pelo ex-general Roberto Vannacci, que tem conquistado apoio com um discurso mais duro contra a imigração irregular. 

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, afirmou nesta segunda-feira que uma campanha de desinformação contribuiu para agravar a crise em Ceuta.  

Segundo o chefe de governo, investigações baseadas em análises do Serviço Europeu para a Ação Externa (SEAE), braço diplomático da União Europeia, indicam que redes russas e israelenses teriam ajudado a difundir conteúdos falsos sobre a situação no enclave espanhol.

Vídeos publicados nas redes sociais afirmavam, de forma enganosa, que os migrantes que chegassem a Ceuta poderiam permanecer na Espanha, incentivando novas travessias. 

Sánchez declarou ser "evidente" que Moscou e Tel Aviv aproveitaram a situação para tentar enfraquecer o governo espanhol por causa das posições adotadas por Madri em relação às guerras na Ucrânia e no Oriente Médio.

O premiê, porém, não apresentou provas públicas da participação dos dois países. 

O governo espanhol também descartou, por ora, qualquer evidência que comprove envolvimento das autoridades marroquinas na chegada em massa de migrantes, apesar das acusações feitas por setores da oposição e por organizações de defesa dos direitos humanos. 

Israel acusa Pedro Sanchéz de “mentira descarada” após as declarações do premiê sobre Ceuta.

Cerca de 5 mil migrantes continuam em Ceuta, incluindo pessoas que solicitaram asilo. A permanência dessas pessoas tem provocado protestos frequentes de moradores, que criticam a gestão da crise pelo governo central. 

A polícia local relatou ataques esporádicos contra um acampamento improvisado instalado na praia de El Trampolín. No domingo, três cidadãos marroquinos foram presos sob suspeita de lançar garrafas contendo líquido corrosivo contra agentes de segurança. Ninguém ficou ferido. 

Para tentar aliviar a situação, Pedro Sánchez anunciou um fundo emergencial de € 168 milhões para apoiar a economia local. O valor se soma aos 180 milhões de euros anunciados pelo governo espanhol na semana passada. 

ANG/RFI/Com agências

 


EUA/Comité da ONU defende reparações por escravidão e colonização da África

Bissau, 01 Set 26 (ANG) - O Comité para a Eliminação da Discriminação Racial (CERD
) da ONU afirmou nesta segunda-feira (31) que Estados que participaram do tráfico transatlântico de pessoas escravizadas e da colonização da África devem adotar medidas reparatórias, incluindo compensação financeira, para enfrentar os danos decorrentes.

A posição consta de diretrizes emitidas pelo CERD, órgão composto por 18 especialistas independentes responsável por monitorar a implementação da Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial.

O texto, aprovado na semana passada e publicado apenas nesta segunda-feira, pode constituir uma nova ferramenta para embasar reivindicações de reparação. Trata-se de "um momento decisivo", disse à AFP Pela Boker-Wilson, membro do comité.

Responsável por monitorar a implementação da Convenção sobre Discriminação Racial pelos 182 Estados-Partes, o CERD propôs uma nova interpretação desse tratado.

Entre os signatários da convenção estão Estados Unidos, Reino Unido, França, Portugal e outros países envolvidos no tráfico de escravizados. O Brasil a assinou em 7 de março de 1966 e a ratificou em 27 de março de 1968.

Segundo a ONU, cerca de 15 milhões de africanos foram levados à força para as Américas entre os séculos XVI e XIX, e seus descendentes ainda enfrentam desigualdades e discriminação.

"Enfrentar a justiça histórica não pode ser dissociado da luta contra a discriminação racial contemporânea", afirmou Boker-Wilson, advogada liberiana especializada em direitos humanos que participou do comité e da elaboração do documento.

Ela acredita que a nova interpretação introduz "uma mudança de paradigma" na forma como a justiça restaurativa é concebida, transformando-a de uma simples responsabilidade histórica em uma obrigação jurídica.

Essa nova análise surge após a Assembleia Geral da ONU ter adotado, em março, uma resolução histórica que reconhece o tráfico transatlântico de escravizados como “o crime mais grave contra a humanidade” , apesar da oposição dos Estados Unidos e de alguns países europeus.

O tráfico transatlântico de escravizados "distorceu as relações económicas globais ao distribuir riquezas acumuladas injustamente entre sociedades e fronteiras, criando uma responsabilidade compartilhada por seus efeitos duradouros", afirma o documento.

O texto lembra que os Estados estão obrigados pela convenção a "adotar medidas especiais para eliminar o racismo estrutural e as desigualdades decorrentes do tráfico transatlântico de escravizados".

Também ressalta a obrigação dos Estados de garantir que "tribunais nacionais competentes e outras instituições estatais possam conceder e fazer cumprir formas adequadas de reparação e que pessoas de ascendência africana tenham acesso efetivo aos procedimentos pertinentes".

Do ensino fundamental à universidade, o documento recomenda "investigar o tráfico transatlântico de escravizados e revelar toda a verdade".

A questão da reparação às vítimas da escravidão é polémica. Embora a maioria dos Estados envolvidos concorde com medidas simbólicas ou comemorativas, eles relutam em abordar a delicada questão das reparações financeiras ou materiais.

A pesquisadora, professora e especialista brasileira em tráfico negreiro no oceano Atlântico Ana Lúcia Araújo ressalta que "nenhuma antiga sociedade escravista pagou reparações às pessoas anteriormente escravizadas nas décadas seguintes à emancipação (...) Pelo contrário, quase todas pagaram indenizações aos antigos proprietários de escravizados".

O Haiti oferece um exemplo notável. Em troca do reconhecimento de sua independência pelo rei Carlos X, a antiga colónia francesa concordou, em 1825, em pagar uma indemnização de 150 milhões de francos-ouro aos antigos proprietários de terras e de escravizados.

A quantia acabou sendo reduzida para 90 milhões. Para cumprir essa obrigação, a jovem república caribenha, fundada por ex-escravizados, teve de se endividar com bancos franceses, e a quitação dessa "dívida dupla" levaria várias décadas.

Em 2025, o presidente francês Emmanuel Macron iniciou um processo de memória em relação a essa questão, embora sem abordar claramente a possibilidade de reparações financeiras.

No final de 2022, o então primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, seguido pelo rei Willem-Alexander, pediu desculpas pelo papel de seu país na escravidão. Também foi anunciado um fundo plurianual de 200 milhões de euros destinado a iniciativas sociais.

Na ausência de compromissos concretos por parte dos Estados, várias instituições e organizações estão tomando a iniciativa.

A Igreja da Inglaterra pediu desculpas por seus vínculos históricos com a escravidão e comprometeu-se, em 2023, a criar um fundo plurianual de 100 milhões de libras esterlinas (aproximadamente 116 milhões de euros) para investir em comunidades afetadas pelo legado da escravidão. O projeto ainda está em fase de desenvolvimento.

O mercado de seguros Lloyd's of London comprometeu-se, em 2023, a investir 52 milhões de libras (60 milhões de euros) ao longo de pelo menos dez anos para combater a desigualdade racial.

Nos Estados Unidos, a cidade de Evanston, em Illinois, optou por abordar a questão das reparações por meio do combate à discriminação habitacional contra sua população negra.

Segundo a imprensa local, mais de US$ 6 milhões (5,3 milhões de euros) foram distribuídos a moradores elegíveis desde 2021 como parte desse projeto que, embora enfrente desafios jurídicos, continua em andamento. ANG/RFI/Com agências

 

 

            Botsuana/ONG denuncia a “escravidão” de médicos cubanos

Bissau, 01 Set 26 (ANG) - Uma ONG acusou Botsuana de apoiar conscientemente um sistema de "escravidão moderna" envolvendo profissionais de saúde cubanos destacados para o exterior como parte de programas gerenciados pelo Estado cubano.

O Botswana paga quase 55.000 pula (US$ 4.000) por mês a cada um dos médicos especialistas cubanos que trabalham no país, enquanto esses profissionais recebem apenas cerca de 13.400 pula (menos de US$ 1.000), de acordo com um relatório publicado esta semana pela organização de direitos humanos "Prisoners Defenders".

Segundo a ONG, um acordo concluído em 2024 entre Botsuana e Cuba prevê que Gaborone pague US$ 4.094,65 por mês para cada médico especialista cubano, mas os médicos receberiam apenas US$ 1.000, sendo o restante pago ao governo cubano.

"O profissional cubano recebe apenas US$ 1.000 (24,42%)", enfatiza o relatório, que considera essa remuneração como prova da existência de "salários de escravidão".

A organização observa que esse mecanismo permite ao Estado cubano capturar a maior parte do valor económico gerado por esses profissionais de saúde.

Segundo ela, aproximadamente 75,6% do valor estipulado no contrato seria retido das quantias destinadas aos médicos.

A organização estima que um contingente de 90 profissionais de saúde cubanos custaria ao Botswana aproximadamente 350.500 dólares americanos por mês e 4,2 milhões de dólares americanos por ano.

O relatório considera que o Botswana não pode ignorar a forma como os fundos são alocados, uma vez que o acordo estipula que as faturas devem distinguir entre as quantias destinadas aos próprios profissionais e as transferidas para o Estado cubano.

Ele também cita documentos parlamentares de Abril de 2025, segundo os quais o Botswana pagava 3.500 euros por mês para cada médico especialista cubano e 2.800 euros para pessoal médico auxiliar.

No entanto, a organização acredita que as informações fornecidas ao Parlamento não esclareceram suficientemente que esses valores não constituíam salários pagos diretamente aos médicos.

O relatório indica que os médicos especialistas cubanos receberam aproximadamente US$ 800 por mês em 2020, em comparação com quase US$ 1.000 em 2026, enquanto Botsuana pagou mais de US$ 4.000 por especialista durante o último período.

Com base nesses números, a organização estima que o valor anual estipulado em contrato para cada médico seja de aproximadamente US$ 49.136, enquanto o profissional receberia apenas cerca de US$ 12.000.

A diferença, estimada em US$ 37.136 por médico por ano, seria retida pelo Estado cubano, observa o relatório, acrescentando que alguns médicos teriam declarado trabalhar entre 56 e 64 horas por semana, com uma média de 57,6 horas.ANG/Faapa

 

Gâmbia/ Embaixada de Turquia em Banjul comemora a vitória da Batalha de Dumlupınar

Bissau, 01 Set 26 (ANG) – A Embaixada de Turquia na República da Gâmbia, assinalou no dia 30 de Agosto,  a vitória decisiva na Batalha de Dumlupınar, travada em 1922 sob a liderança do marechal Mustafa Kemal Atatürk.

Esse efeméride marcou o desfecho vitorioso da Guerra para a independência que abriu o caminho para a fundação da República moderna da Turquia em 1923.

segundo uma nota da Embaixada da República da Guiné-Bissau na Gâmbia, à que a ANG teve acesso, a data  reveste-se de “profundo significado histórico” para o povo turco.

O Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da República da Guiné-Bissau na Gâmbia, Luís Camará de Barros, marcou presença na cerimónia comemorativa alusiva à celebração do Dia da Vitória da República da Turquia, organizada pela missão diplomática turca acreditada em Banjul.

Segundo a nota, a participação do Chefe da Missão diplomática guineense testemunha os laços de amizade e cooperação que unem Bissau e Ancara.

Refere que ao longo dos últimos anos, as relações bilaterais entre a Guiné-Bissau e a República da Turquia têm conhecido uma dinâmica crescente de fortalecimento mútuo, sustentada por instrumentos e parcerias em sectores estratégicos.

O evento reuniu membros do corpo diplomático acreditado em Banjul, representantes do Governo gambiano e distintas personalidades internacionais, constituindo um espaço de diálogo, exaltação dos valores da paz e reiteração do compromisso partilhado em prol do multilateralismo e da solidariedade entre os Estados.
ANG/LPG/ÂC//SG

Torneio UFOA/ Primeiro-ministro promete 150 milhões de fcfa à selecção nacional de futebol de sub-17 caso vença o torneio no Senegal

Bissau, 01 Set 26 (ANG) – O Primeiro-ministro de Transição  Ilídio Vieira Té prometeu a selecção nacional de futebol de sub-17 um prémio de 150 milhões de francos cfa, caso vença o torneio em que deve participar no Senegal.

O anúncio do prémio foi feito segunda-feira numa receção da selecção e equipa técnica de sub-17 na “Primatura”.

Vieira Té manifestou os seus desejos de êxitos  aos jogadores e a equipa técnica da Seleção Nacional de Futebol Sub-17, que deve representar a Guiné-Bissau no Torneio Internacional da União das Federações Oeste Africana
de Futebol (UFOA) 2026, a realizar-se no Senegal.

O Chefe do Governo salientou  que a obtenção de um bom resultado constituiria motivo de orgulho para todo o país.

Ilídio Vieira Té sublinhou que, para além do desempenho desportivo, será ainda mais importante que os jovens atletas mantenham uma conduta exemplar, pautada pela disciplina, pelo respeito,  espírito de equipa e  sentido de responsabilidade.

“Um bom resultado honra o país, mas um comportamento digno, dentro e fora do campo, valoriza e prestigia ainda mais a Guiné-Bissau”, afirmou o Primeiro-ministro.

Sublinhou que  durante a competição, cada um deles será um verdadeiro embaixador da Nação, transportando consigo as cores, a identidade e  esperança do povo guineense.

O Chefe do Governo encorajou, por isso, os jovens atletas a competirem com coragem, determinação e espírito patriótico, desejando-lhes uma excelente participação e um regresso honroso ao país.

Por sua vez, o selecionador nacional adjunto sub- 17, Romualdo da Silva, garantiu que o grupo está determinado e preparado para fazer uma boa campanha na competição.

O técnico manifestou a ambição de levar os Djurtus mais longe na prova, apontando a qualificação para a final do torneio como seu objectivo.

ANG/LPG/ÂC//SG

China/Xi disse que espera uma base mais sólida para relações China/Rússia

Bissau, 01 Set 26(ANG) - O presidente chinês, Xi Jinping, disse , segunda-feira, que, sob a orientação estratégica dele e do presidente russo, Vladimir Putin, e por meio dos esforços conjuntos de ambos os lados, a base das relações China-Rússia se tornará cada vez mais sólida, seu progresso cada vez mais estável e seu futuro cada vez mais promissor.

Xi fez essas declarações  numa reunião com Putin, à margem da Cúpula 2026 da Organização de Cooperação de Shanghai (OCS), em Bishkek, no Quirguistão.

Xi disse que, durante a bem-sucedida visita de Estado de Putin à China em Maio, ele e Putin estabeleceram acordos para orientar as relações bilaterais rumo a um desenvolvimento de maior qualidade e nível, a partir de uma perspectiva estratégica e de longo prazo, e chegaram à um consenso sobre o aprofundamento da cooperação China-Rússia, em diversos setores, sob as novas circunstâncias.

“As autoridades competentes dos dois países estão implementando ativamente esse consenso, com resultados substanciais já alcançados, disse Xi, acrescentando que os intercâmbios e a cooperação entre os dois lados mantêm um forte ímpeto.

Xi considerou que o cenário internacional  testemunha um aumento significativo de incerteza e imprevisibilidade, tendo como pano de fundo mudanças profundas e aceleradas, não vistas em um século.

Disse que a busca das pessoas em todo o mundo pela paz, pelo desenvolvimento, pela cooperação e por resultados mutuamente benéficos permanece inalterada.

“A OCS assume a importante responsabilidade de salvaguardar a estabilidade regional e promove o desenvolvimento regional”, destacou ele.

A China, segundo Xi Jinping , está pronta para trabalhar com a Rússia e outras partes para traçar conjuntamente o rumo do desenvolvimento da OCS, ajudar a garantir seu progresso estável , sustentar e fortalecer a força motriz para a reforma da governança global e o avanço de um mundo multipolar igualitário e ordenado.ANG/ Xinhua

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

China/Xi diz que cooperação “China-Quirguistã” está num  "período dourado" de rápido desenvolvimento

Bissau,31 Ago 26(ANG) -  A cooperação China-Quirguistão entrou num "período dourado" de rápido desenvolvimento, diz o presidente chinês, Xi Jinping, no domingo, ao chegar a Bishkek para a Cúpula 2026 da Organização de Cooperação de Shanghai (OCS) e para uma visita de Estado ao Quirguistão.

Logo após à chegada, o presidente quirguiz, Sadyr Japarov, e sua esposa receberam Xi e sua esposa, Peng Liyuan, no Aeroporto Internacional de Manas.

Num discurso  escrito Xi transmitiu “saudações sinceras e melhores votos” ao Japarov e  povo do Quirguistão em nome do governo e do povo da China.

Considerando  que a China e o Quirguistão compartilham uma amizade tradicional de longa data, Xi ressaltou que a majestosa Cordilheira Tianshan é testemunha dos milênios de intercâmbios amigáveis entre dois povos.

Xi destacou que ao longo dos 34 anos, desde o estabelecimento das relações diplomáticas, as relações China-Quirguistão resistiram ao teste de um cenário internacional em constante mudança, mantiveram um desenvolvimento saudável e estável durante todo esse período e alcançaram o alto nível de uma parceria estratégica abrangente para uma nova era.

Disse que  nos últimos anos, o volume do comércio bilateral e  intercâmbios interpessoais atingiram novos recordes, e que  grandes projetos, incluindo a ligação ferroviária  China-Quirguistão-Uzbequistão, foram implementados com sucesso, e que os resultados tangíveis da cooperação mutuamente benéfica têm beneficiado amplamente os dois povos.

Segundo o presidente chinês , durante a visita vai haver  trocas de pontos de vista aprofundadas com Japarov sobre as relações China-Quirguistão, a cooperação entre os dois países em diversos campos e questões internacionais e regionais de interesse comum, além de definição de  um novo plano para a construção de uma comunidade com um futuro compartilhado China-Quirguistão.

"Estou esperando para participar da Cúpula da OCS em Bishkek, trabalhar com todas as partes para reavaliar os 25 anos de experiência de desenvolvimento da OCS, discutir, em conjunto, planos de cooperação, moldar o futuro da organização e promover seu novo desenvolvimento contínuo", disse Xi. ANG/Xinhua

 

Referendo 30 de Agosto/”A ausência de eleitores nas Mesas de Voto juridicamente não põe em causa o processo”, diz  Conselheiro do CNT

Bissau, 31 Ago 26 (ANG) – O Conselheiro do Conselho Nacional de Transição (CNT), declarou hoje que, juridicamente, a ausência de eleitores nas Assembleias de Voto não vai pôr em causa o processo de aprovação da nova Constituição da República (CR).

Rui Alberto Pinto Pereira que falava hoje, em conferência de imprensa, destacou que, segundo as normas do Referendo, o Art:88 defende que, “A maioria é eficácia vinculativa”, acrescentando  que, o ponto Nº 1 da mesma lei, esclarece que, “É aprovado a questão submetida ao Referendo, desde que é obtido a maioria dos votos afirmativos”.

“O ponto Nº2 nos diz claro que, os resultados do Referendo alcançado no ponto Nº 1, tem eficácia vinculativa”, assegurou o Conselheiro do CNT.

Para o mesmo, o boicote ao referendo, é uma falha de estratégia, porque quem não votar, não significa que a sua posição vai contra a aprovação da nova constituição.

“De acordo com as leis do referendo, os que tomaram a decisão de boicotar o Referendo, deram vantagem aos que pretendem a mudança da Constituição da República (CR), porque a ausência destes eleitores nas assembleias de voto, será revertida no voto a favor a alteração da Constituição”, sustentou Alberto Pinto Pereira.

Realçou por outro lado que o resultado final será anunciado em breve, e para Rui Alberto Pinto Pereira, há provas de que houve participação dos eleitores nas urnas, frisando que será conhecida através de divulgação dos resultados finais pelo órgão competente.

Segundo Rui Pereira, o Partido Africano da Independência de Guiné e Cabo Verde (PAIGC), foi uma desilusão e muito infeliz, ao aconselhar o povo para boicotar o processo.

“Não digo que o PAIGC não tem direito de mostrar a sua discordância perante a mudança de Constituição, mas penso que, sendo assim, apontava em que ponto discordou, trazendo a solução da sua discordância para ser discutida, mas cometeu erro ao mobilizar os cidadãos para boicotar o Referendo Popular”, disse Pinto Pereira.

Aquele responsável sustentou ainda que, depois da divulgação dos resultados do Referendo obtidos nas urnas, os  derrotados devem reconhecer que foram superados por votos “Sim”.

Os eleitores guineenses votaram no domingo no âmbito de um referendo popular para a entrada em vigor de nova Constituição da República, elaborada e aprovada pelo Conselho Nacional de Transição, órgão parlamentar criado na  sequência do golpe de Estado de Novembro de 2025, e que integra militares e civis designados para o efeito.

Segundo a Comissão Nacional de Eleições, os resultados provisórios do referendo serão conhecidos na terça-feira.. ANG/LLA/ÂC//SG

Irã/ Governo diz agir em ‘legítima defesa’ e amplia tensão com ataques a alvos americanos no Golfo

Bissau, 31 Ago 26 (ANG) - O Irã afirmou nesta segunda-feira (31) ter atacado, em "legítima defesa", alvos militares americanos na Jordânia e nos Emirados Árabes Unidos, em resposta a bombardeios realizados pelos Estados Unidos.

Os últimos ataques americanos contra o Irã haviam ocorrido no fim de Julho, quando Washington afirmou estar reagindo a ações iranianas.

O conflito entra em seu sétimo mês e os esforços diplomáticos para encerrá-lo seguem sem avanços. Os novos ataques contrastam com declarações recentes do governo de Donald Trump, que dizia priorizar a pressão económica sobre Teerã.

Após o anúncio dos novos bombardeios, os preços do petróleo voltaram a subir. O barril do Brent, referência internacional, ultrapassou a marca simbólica de US$ 90.

“As forças americanas atingiram dois lançadores iranianos na ilha de Larak”, localizada no estratégico Estreito de Ormuz, declarou Tim Hawkins, porta-voz do Comando Militar dos Estados Unidos para o Oriente Médio (Centcom), em comunicado enviado à AFP

Segundo ele, os ataques ocorreram após “forças da Guarda Revolucionária Islâmica terem sido observadas em preparação para lançar foguetes carregados com minas marítimas” no Estreito de Ormuz. 

O ataque americano deixou dois mortos e dois feridos, de acordo com a agência de notícias iraniana Tasnim. 

Em represália, a Guarda Revolucionária, força militar iraniana, afirmou ter atacado instalações do Exército americano em duas bases aéreas na Jordânia com mísseis balísticos e drones. 

As Forças Armadas jordanianas informaram ter interceptado oito mísseis que entraram em seu espaço aéreo, sem especificar a origem dos projéteis. 

Teerã afirmou ainda ter atacado com drones uma base nos Emirados Árabes Unidos, “onde estão estacionados helicópteros e tropas americanas”, e disse ter derrubado um drone dos Estados Unidos no Estreito de Ormuz.

 

Os Emirados Árabes Unidos confirmaram ter “reagido” a um drone proveniente do Irã detectado sobre suas águas territoriais após Teerã declarar ter atacado uma base utilizada pelos Estados Unidos no país. Mas o Ministério da Defesa emiradense negou que tenha havido ataque com mísseis contra a base aérea de Al-Minhad.

Nas últimas semanas, o Oriente Médio vivia um período de relativa calma, embora disparos esporádicos continuassem sendo registados, principalmente no Estreito de Ormuz e em suas proximidades.

Essa passagem marítima, por onde normalmente transitava cerca de um quinto dos hidrocarbonetos consumidos no mundo, está no centro do conflito. Desde o início da guerra, desencadeada por um ataque israelense-americano contra o Irã em 28 de Fevereiro, Teerã tem restringido quase continuamente a navegação na região.

Em resposta, os EUA impuseram um bloqueio aos portos iranianos e afirmam estar prontos para “proteger a livre circulação do comércio”.

O Centcom declarou ter “concluído a remoção de minas das rotas marítimas internacionais”.

No entanto, nesta segunda-feira, a Marinha da Guarda Revolucionária afirmou que um “superpetroleiro fora da lei” atingiu duas minas navais ao tentar atravessar o estreito de forma “ilegal”, provocando um incêndio a bordo.

As negociações para encerrar o conflito permanecem em impasse após o fracasso de um protocolo de acordo firmado em junho.

“Não buscamos a guerra”, declarou o presidente iraniano, Massoud Pezeshkian. “No entanto, diante de qualquer agressão, jamais ficaremos de braços cruzados”, acrescentou, segundo a imprensa estatal, antes de embarcar para o Quirguistão.

Pezeshkian participará de uma cúpula da Organização para Cooperação de Xangai (OCX), que também deverá reunir o presidente chinês, Xi Jinping, o presidente russo, Vladimir Putin, e o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif. O Paquistão tem atuado como mediador no conflito.

Diante da impopularidade da guerra e da proximidade das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, o governo Trump vinha afirmando que privilegiaria a “guerra económica” contra o Irã, país já submetido a sanções internacionais.

Umnovo pacote de sanções “secundárias” foi apresentado. As medidas não atingem diretamente o Irã, mas seus parceiros comerciais, abrangendo setores como ouro, tecnologia, ativos digitais, aviação e transporte marítimo.

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, presidirá nesta segunda e terça-feira uma reunião com seus homólogos dos países do G20.

Entre eles está a China, principal parceiro económico de Teerã, que já declarou a intenção de defender “firmemente” seus interesses e sua cooperação com o Irã. ANG/RFI/AFP