União
Africana: “Só com
pan-africanismo poderemos defender os nossos interesses”
Bissau, 11 Fev 26 (ANG) - O ministro das Relações
Exteriores de Angola, Téte António, afirmou esta quarta-feira, em Addis Abeba,
que a 48.ª Sessão Ordinária do Conselho Executivo da União Africana (UA)
acontece “um momento crucial” para o futuro da organização.
“O Conselho Executivo ocupa um
lugar estratégico na arquitectura institucional
da União Africana. É neste órgão que se assegura a coerência das políticas
continentais, se harmonizam as posições comuns e se preparam decisões
estruturantes”, afirmou.
Téte António defendeu que o papel do Conselho é “decisivo para a credibilidade, eficácia e
relevância” da
organização, tanto no contexto africano como internacional, frisando que essa
visão orientou a actuação de Angola durante o seu mandato.
No plano do multilateralismo, o ministro salientou que Angola
promoveu uma diplomacia “activa
e construtiva”,
contribuindo para encontros ministeriais e cimeiras internacionais. Entre os
marcos referidos estiveram a cimeira realizada em Yokohama, no Japão, e a
sétima Cimeira União Africana-União Europeia, acolhida em Luanda.
Segundo o governante, estes eventos reforçaram a voz de África
nos fóruns globais e consolidaram parcerias estratégicas baseadas no respeito
mútuo e em interesses comuns.
No domínio da paz e segurança, Téte António destacou o
envolvimento angolano em várias frentes diplomáticas e políticas. Recordou o
mandato de dois anos de Angola no Conselho de Paz e Segurança da UA e o apoio à
designação de facilitadores e mediadores em regiões afectadas por conflitos,
incluindo o Sahel.
Angola mantém igualmente um papel activo na mediação do conflito
entre a República Democrática do Congo e o Ruanda, além de apoiar iniciativas
de estabilização e reconciliação em países como a República Centro-Africana, a
Somália, o Sudão, o Sudão do Sul e a Líbia.
“Estes esforços foram sempre
desenvolvidos em estreita colaboração com os Estados-membros, a Comissão da
União Africana e as Comunidades Económicas Regionais”, sublinhou.
Téte António reiterou a importância de os Estados-membros
apoiarem de forma inequívoca a organização, defendendo a adopção de uma nova
escala de avaliação das contribuições.
“A escala actualmente em vigor encontra-se totalmente desactualizada,
sendo necessária a adopção de um novo modelo assente nos princípios da
solidariedade, equidade e capacidade de pagamento”, afirmou.
O ministro reafirmou o compromisso de Angola com o
fortalecimento institucional da União Africana, defendendo uma organização mais
sustentável, solidária e capaz de responder às prioridades do continente.
No final da intervenção, Téte António apelou ao “engajamento
activo”, à flexibilidade e ao diálogo entre os Estados-membros, alertando para
a urgência das decisões.
“O mundo não vai esperar por nós. Perante a rapidez
das transformações globais, apenas com espírito de pan-africanismo poderemos
defender cabalmente os nossos interesses colectivos”, concluiu.
Esta quarta-feira, 11 de Fevereiro, em Addis Abeba, arrancou
48.º Conselho Executivo da União Africana (UA), reunião que junta os ministros
dos Negócios Estrangeiros dos Estados-membros para preparar a próxima cimeira
de chefes de Estado e de Governo, agendada para 14 e 15 de Fevereiro.
A próxima cimeira marca o fim da
presidência angolana da União Africana e o início do mandato do Burundi.
Évariste Ndayishimiye vai herdar do seu antecessor, João Lourenço, pastas como
o conflito entre a República Democrática do Congo e o
Ruanda. É a primeira vez que o pequeno país dos Grandes Lagos
assume a liderança da União Africana.
O conflito no Sudão é
um dos maiores desafios da cimeira. Segue-se o reconhecimento da Somalilândia por Israel, a 26 de Dezembro de 2026,
aumentando o risco de encorajar movimentos separatistas.
A situação política na Guiné-Bissau,
suspensa da União Africana na sequência da tomada do poder pelos militares,
também deverá ser debatida. Esta cimeira fica ainda marcada pelo fim da suspensão da Guiné-Conacri e do Gabão, que podem
assim regressar ao seio da organização.
Além disso, haverá tempo para o balanço do primeiro ano de mandato de Mahamoud Ali Youssouf à
frente da Comissão da União Africana.
A cimeira dos chefes de Estado ficará ainda marcada pela
presença da presidente do Conselho de Ministros de Itália. Giorgia Meloni
deverá discursar na sessão de abertura. A líder italiana desloca-se a Addis
Abeba para reforçar o Plano Mattei, destinado a fomentar o investimento em
África, lançado em Janeiro de 2024. Nesse sentido, no dia 13 de Fevereiro,
sexta-feira, decorre na capital etíope a segunda Cimeira Itália–África.ANG/RFI