segunda-feira, 9 de março de 2026

EUA/Novo líder do Irã não vai durar muito sem a aprovação dos EUA, adverte Trump

Bissau, 09 Mar 26 (ANG) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou neste domingo (8) que o novo líder supremo do Irã "não vai durar muito" se Teerã não obtiver sua aprovação.


Já o ministro das Relações Exteriores iraniano rebateu que a escolha do dirigente cabe “ao povo do país e não a Trump”. As declarações foram feitas após o anúncio da escolha do sucessor do aiatolá Ali Khamenei. 

A imprensa estatal iraniana informou neste domingo que o sucessor do líder supremo do Irã escolido pela Assembleia de Especialistas. O órgão clerical responsável pela eleição chegou a um consenso, mas o nome do novo guia supremo será anunciado em breve. Ali Khamenei foi morto no primeiro dia da ofensiva dos Estados Unidos e de Israel, em 28 de Fevereiro.

Em entrevista ao canal ABC News neste domingo, o presidente Donald Trump disse que o sucessor de Khamenei precisa obter “aprovação” dos Estados Unidos.

"Se ele não obtiver nossa aprovação, não vai durar muito", ameaçou o presidente americano.

Na quinta-feira, o republicano já havia afirmado que deveria participar da escolha do próximo líder supremo do Irã. Em reação, o chanceler iraniano reiterou neste domingo que “o povo de seu país, e não Trump, deve escolher seu novo líder”. Abbas Araghchi também exigiu em entrevista ao canal NBC um pedido de desculpas do presidente americano pelos assassinatos e pela destruição provocados pela guerra no Oriente Médio.

Araghchi não se pronunciou sobre quem seria o sucessor do líder supremo.

Integrantes da Assembleia de Especialistas sugeriram que o escolhido seria Mojtaba Khamenei, filho do líder morto. O nome dele já vinha sendo mencionado como possível sucessor. Trump antecipou que não aceitaria que o filho de Khamenei assumisse.

Além de Mojtaba Khamenei, considerado uma das personalidades mais influentes do país, Hassan Khomeini, neto do fundador da República Islâmica, o aiatolá Ruhollah Khomeini, também é cogitado.

A demora na divulgação do nome do novo líder supremo iraniano pode estar relacionada a questões de segurança. Na quarta-feira (4), o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, endureceu o tom e afirmou que qualquer novo líder escolhido pelo regime iraniano “será um alvo inequívoco para eliminação”.

Katz acrescentou que tanto ele quanto o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu ordenaram ao Exército que se prepare “para agir por todos os meios necessários” para cumprir essa missão.

O Irã continua enfrentando intensos bombardeios na capital Teerã e em outras cidades, como Isfahan e Yazd, no centro do país.

Uma espessa coluna de fumaça cobria Teerã neste domingo. Israel bombardeou quatro depósitos de petróleo na região da capital iraniana. Esse foi o primeiro ataque relatado contra instalações petrolíferas do país desde o início da guerra. Quatro pessoas morreram, incluindo dois motoristas de caminhões-tanque.

Segundo o balanço mais recente do Ministério da Saúde iraniano, mais de 1.200 pessoas morreram e mais de 10.000 civis ficaram feridos desde o início da guerra. A AFP não tem condições de verificar os números com fontes independentes.

O conflito desestabiliza todo o Oriente Médio e outras regiões, com a ameaça adicional de um impacto global na economia devido aos ataques iranianos a importantes países produtores de petróleo e gás, além da perturbação do abastecimento.

O Exército israelense também bombardeia o Líbano em represália a ataque do Hezbollah aliado do Irã. O balanço atualizado do Ministério da Saúde libanês indica que 394 pessoas, incluindo 83 crianças e 42 mulheres, morreram desde o início da ofensiva de Israel na segunda-feira.

Ao todo, o Exército israelense afirma que efetuou 3.400 ataques desde o início da guerra. Washington informou 3.000 operações.

O regime iraniano responde com o lançamento de mísseis e drones contra Israel e os Estados do Golfo que abrigam interesses americanos.

Ali Mohammad Naini, porta-voz da Guarda Revolucionária, disse que as "Forças Armadas são capazes de prosseguir por pelo menos seis meses de guerra intensa no ritmo atual das operações".

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, também fez um alerta. "Se o inimigo tentar utilizar o território de um país para lançar uma agressão contra o nosso território, seremos obrigados a responder", disse na televisão estatal.

O chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, Ali Larijani, afirmou que os Estados Unidos se enganaram ao prever uma resistência de curta duração. "Pensavam que seria como na Venezuela; atacariam, tomariam o controle e acabaria", afirmou.ANG/RFI/AFP

 

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