Itália/ Abertura dos Jogos Paralímpicos de Inverno terá boicote de delegações e não contará com porta-bandeiras
Bissau, 06 Mar 26 (ANG) - Em meio à guerra na Ucrânia, a autorização para que atletas russos e bielorrussos compitam sob suas bandeiras gerou críticas.
O Comité Paralímpico Internacional
decidiu que voluntários irão carregar as bandeiras de todos os países durante o
desfile, justificando dificuldades de deslocamento entre as cidades dos Jogos.
O Brasil também não participará presencialmente da cerimónia de abertura, por
motivo de logística.
Mais de 600 atletas, de 57 países,
participam dos Jogos Paralímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026. Esta edição
marca os 50 anos da primeira Paralimpíada de Inverno. Assim como nas
Olimpíadas, as competições serão distribuídas entre diferentes cidades: Milão,
Cortina d’Ampezzo e Tesero.
Ao todo, são seis modalidades em
disputa, no entre elas esqui alpino, snowboard e hóquei no gelo. Em Milão, são
esperados cerca de 73 mil espectadores, segundo estimativa do Centro de Estudos
da Confcommercio Milano, Lodi, Monza e Brianza. Os preços dos ingressos
chamaram atenção por serem relativamente acessíveis: 89% dos bilhetes custam
menos de 35 euros (R$ 214).
Embora a abertura oficial esteja marcada
para esta sexta-feira (6), algumas competições já começaram. Na quarta-feira
(4) tiveram início as partidas de curling em cadeiras de rodas.
A cerimônia de abertura será realizada
na Arena de Verona, um anfiteatro romano do século I, considerado Patrimônio
Mundial da UNESCO. O local também recebeu a cerimônia de encerramento das
Olimpíadas. O tema será “Vida em Movimento”. O espetáculo busca destacar as
transformações constantes ao longo da vida, segundo o diretor artístico do
evento, Alfredo Accatino, em entrevista à agência italiana Adnkronos.
Entre os artistas confirmados estão
Stewart Copeland, baterista e um dos fundadores da banda The Police, e o DJ
italiano Miky Bionic, considerado o primeiro DJ do mundo a se apresentar usando
uma prótese robótica mioeletrônica, após perder o braço esquerdo em um
acidente.
Ao menos 13 países anunciaram um boicote
à cerimónia de abertura como forma de protesto, após o Comité Paralímpico
Internacional autorizar atletas da Rússia e de Belarus a competirem
representando seus países. Também está autorizado que o hino nacional seja
tocado em caso de vitória.
As delegações que anunciaram boicote
são: Ucrânia, Canadá, Croácia, República Tcheca, Estónia, Finlândia, Alemanha,
França, Letónia, Lituânia, Holanda, Reino Unido e Polónia. Alguns deles não
enviarão representantes do governo para a cerimónia e outros não terão atletas
participando do desfile.
Nos
Jogos de Inverno, participarão seis atletas russos e quatro bielorrussos. Desde
a invasão russa à Ucrânia, em 2022, atletas desses países só podem
competir como neutros.
Outra decisão também aumentou a tensão.
Atletas ucranianos foram proibidos de usar o uniforme do país que traz
estampado o mapa da Ucrânia, incluindo as regiões ocupadas pela Rússia. O
comité internacional considera que isso configura uma mensagem política, algo
proibido nos Jogos. A delegação ucraniana precisou alterar os uniformes às
pressas.
Em meio a todo esse impasse, o Comité
Paralímpico decidiu que voluntários carregarão as bandeiras dos países durante
o desfile de abertura. Segundo o comitê organizador, a decisão foi tomada
porque a distância entre Verona e os locais de competição dificultaria a
participação dos atletas. Ainda assim, imagens dos atletas com as bandeiras
foram gravadas nas vilas olímpicas e serão exibidas nos telões durante a cerimónia.
Por conta da distância, o Brasil também
não participará presencialmente da cerimônia de abertura. A delegação está concentrada
em Predazzo, no norte da Itália, e teria que se deslocar até Verona. O Comité
Paralímpico Brasileiro informou que a decisão foi tomada para preservar a
preparação dos atletas, já que alguns deles competem já no sábado (7).
Nesta quarta
participação em Jogos Paralímpicos de Inverno, o Brasil chega em um cenário
favorável para levar a primeira medalha. O país terá a maior delegação da
história. Serão nove atletas, que competirão em três modalidades: esqui
cross-country, snowboard e biatlo.
O favorito a medalha é Cristian Ribera, natural de Rondónia. Ele é campeão mundial da temporada 2024/2025 no esqui cross-country, na categoria para atletas cadeirantes ou com deficiência nas pernas. Cristian realizou o primeiro treino na pista de Tesero nesta semana. A primeira prova será na terça-feira (10), na disputa do sprint clássico. Depois, ele ainda participará da prova individual de 10km e de duas provas de revezamento misto.
Esta será a terceira participação de
Cristian em uma Paralimpíada. Ele nasceu com artrogripose, uma condição congénita
que limita a mobilidade das articulações. Como no Brasil não há neve, ele
começou a treinar utilizando esquis adaptados com rodas.
Outro destaque da delegação brasileira é a paranaense Aline Rocha, que vem se classificando entre as dez melhores nas competições de esqui cross-country nos últimos meses. Ela também competirá no biatlo. Aline foi a primeira mulher brasileira a disputar uma Paralimpíada de Inverno, em 2018. A atleta ficou paraplégica aos 15 anos, após um acidente de carro. ANG/RFI

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