Médio
Oriente/EUA ampliam
ação militar contra o Irã e Congresso cobra explicações sobre estratégia de
guerra
Bissau, 04 Mar 26 (ANG) - A mobilização militar dos
Estados Unidos contra o Irã atingiu uma escala que autoridades americanas
descrevem como a maior no Oriente Médio em uma geração, em meio a sinais de que
o conflito pode avançar para uma nova fase e aumentar ainda mais o envolvimento
das Forças Armadas na região.
Mais de 50 mil militares americanos, cerca de 200 aeronaves de
combate, dois porta-aviões e bombardeiros estratégicos já participam das
operações, segundo o almirante Brad Cooper, chefe do Comando Central das Forças
Armadas dos Estados Unidos.
O aumento rápido da
presença militar ocorre poucos dias depois dos ataques coordenados realizados
no sábado (28) por forças americanas e sraelenses contra alvos estratégicos no
Irã, que abriram uma nova etapa na escalada bélica entre os países. Segundo
Cooper, o deslocamento representa o maior reforço de efetivos americanos no
Oriente Médio em décadas.
“Em termos simples, estamos focados em neutralizar tudo o que
pode disparar contra nós”, afirmou o comandante.
De acordo com Cooper, as unidades dos
EUA já destruíram pelo menos 17 embarcações iranianas, incluindo um submarino,
considerado um dos mais operacionais da marinha do país.
Os Estados Unidos também mantêm
investidas contínuas contra alvos iranianos “24 horas por dia”, em operações
que combinam ações militares “do fundo do mar ao espaço e ao ciberespaço”,
disse o almirante.
Apesar da intensidade da ofensiva,
parlamentares em Washington dizem que ainda não receberam explicações claras
sobre os objetivos estratégicos da campanha.
Nesta terça-feira (3), integrantes do
alto escalão do governo participaram de encontros fechados com membros do
Congresso para discutir a ofensiva contra o Irã. O secretário de Estado
americano, Marco Rubio, realizou um briefing com senadores e também se reuniu
com deputados da Câmara dos Representantes.
Após o encontro, parlamentares
democratas disseram que o governo não apresentou um plano claro sobre a duração
da guerra ou sobre quais seriam os objetivos finais da operação. O senador
democrata Ed Markey afirmou que a reunião apenas reforçou preocupações já
existentes no Congresso.
“Donald Trump está travando uma guerra
ilegal e não tem um plano para encerrá-la”, escreveu o senador nas redes
sociais.
“Eu já estava preocupada antes, mas agora estou
ainda mais apreensiva", disse a senadora democrata Elizabeth Warren em um
vídeo após participar da reunião.
Nos
bastidores do Capitólio até mesmo alguns republicanos demonstram inquietação com
o rumo do conflito. Um parlamentar ouvido pela imprensa americana comparou a
justificativa apresentada pela Casa Branca com a retórica usada pelo
ex-presidente Lyndon Johnson durante a escalada da guerra do Vietnã nos anos
1960. Congressistas também avaliam que o governo poderá solicitar recursos
emergenciais para financiar as operações militares.
Autoridades do Pentágono trabalham em um pedido de orçamento suplementar que pode chegar a US$ 50 bilhões, destinado a recompor estoques de armas utilizados em missões recentes. Paralelamente às operações aéreas e navais, surgem sinais de que o conflito pode abrir uma nova frente terrestre.
Segundo informações divulgadas pela CNN,
a CIA estaria trabalhando para armar forças curdas opositoras ao regime
iraniano, que poderiam participar de uma operação no oeste do país nos próximos
dias com apoio americano e israelense.
A estratégia teria como objetivo ampliar
a pressão militar sobre Teerã e estimular um levante interno contra o governo
iraniano. A Casa Branca não comentou oficialmente as informações.
O Pentágono deve realizar um novo
briefing público nesta quarta-feira (4), quando autoridades militares devem
apresentar atualizações sobre a ofensiva e responder a questionamentos sobre a
dimensão da mobilização militar americana e os próximos passos da operação.
Antes do início da operação, entre 20% e
25% dos americanos aprovavam os ataques. Essa proporção subiu para quase 40% na
última pesquisa da CNN, realizada após o anúncio da morte do líder supremo do
Irã, Ali Khamenei. O resultado está em consonância com a popularidade de Trump.
Cerca de seis em cada dez americanos se opõem aos ataques, e um número semelhante acredita que o governo não tem um objetivo claro em relação ao Irã e que o presidente deveria buscar a aprovação do Congresso para continuar as operações. Apenas 12% apoiam o envio de tropas terrestres, mas a maioria dos americanos se resigna à possibilidade de outro conflito interminável, com 56% acreditando que o resultado mais provável é uma guerra prolongada.ANG/RFI

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