França/Crise no Golfo dispara preço dos combustíveis
nos postos e pressiona países a reagir
Bissau, 10 Mar 26 (ANG) - Enquanto
os ataques não cessam no Irã e em outros países do Golfo, o mundo já sente as
consequências de uma nova crise energética provocada pela diminuição da
produção e exportação de petróleo.
Os combustíveis já estão mais
caros na bomba em diversos países, que implementam estratégias para amortecer o
choque.
O fechamento do
Estreito de Ormuz, por onde circulam 20% da oferta mundial de petróleo e gás,
além da ofensiva iraniana contra diversos países produtores, fez os estoques
diminuírem e os preços dispararem. Na segunda-feira (9), o barril de petróleo
bruto do tipo Brent, negociado na Bolsa e referência mundial, chegou a US$ 119,
um nível jamais visto desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022. O WTI,
seu equivalente americano, teve alta de 31% em um dia, uma alta histórica.
“A crise do petróleo se materializa”, destaca o jornal francês Le
Figaro, ressaltando que, além da escassez do produto e das dificuldades de
transporte, o pessimismo crescente com a indicação do novo líder iraniano, da
mesma linha conservadora de seu antecessor, não permite acreditar que o fim da
guerra esteja próximo. O texto acrescenta que o aumento dos preços dos
hidrocarbonetos significa inflação alta.
O jornal Le
Monde traz um levantamento dos estragos provocados pela guerra e que
têm impacto direto na crise: no Iraque, a produção já diminuiu 60%, enquanto o
Kuwait e os Emirados Árabes Unidos também tiveram que reduzir a cadência de
suas refinarias.
A Arábia Saudita
tenta contornar os obstáculos utilizando seus oleodutos para levar o petróleo
até o Mar Vermelho, no porto de Yanbu, na costa oeste, mas a capacidade de
embarque não é suficiente para suprir toda a demanda.
O jornal Libération explica
que os ataques iranianos ameaçam a economia mundial e fragilizam o presidente
dos Estados Unidos, Donald Trump, já bastante impopular, a oito meses das
eleições de meio de mandato.
Muitos países já são
obrigados a contornar a crise: a Tailândia e a Coreia do Sul implementaram
congelamento de preços, a China proibiu as exportações, e Mianmar e Bangladesh
impuseram racionamento.
Os preços dos
combustíveis nas bombas também aumentaram significativamente na Espanha, desde
o início dos ataques norte‑americanos e israelenses contra o Irã. A alta
ultrapassa 22% no valor do diesel, segundo dados do Ministério da Transição
Ecológica do país.
Nos postos da França,
o diesel ultrapassou na segunda‑feira a barreira simbólica de € 2 por litro.
Por isso o governo francês multiplica iniciativas e organiza nesta terça‑feira
um “G7 da Energia”. O encontro, que reunirá os ministros de Energia dos países
do G7, deve permitir discussões sobre “os impactos da situação atual para o
setor energético mundial”, os desafios de abastecimento de petróleo e gás e
“suas consequências sobre os preços”, informou o Ministério francês da
Economia.
Para o Libé,
a “bomba energética se mostra mais perigosa do que o arsenal militar iraniano”.
ANG/RFI

Sem comentários:
Enviar um comentário