EUA/ONU negocia com EUA o envio de combustível a Cuba com fins humanitários
Bissau, 10 Mar 26 (ANG) - A ONU está negociando com o governo dos Estados Unidos a autorização de entrada de combustível em Cuba para fins humanitários, em meio ao embargo de petróleo imposto por Washington à ilha.
A informação foi revelada nesta
segunda-feira (9) pelo representante da ONU em Havana, Francisco Pichón.
Os Estados Unidos não
escondem o desejo de ver uma mudança de regime em Cuba e não relaxam sua
pressão sobre Havana. Devido ao embargo de Washington, nenhum navio carregado
de combustível entrou oficialmente em Cuba nos últimos dois meses.
"Há discussões
em andamento entre nossos colegas do Escritório de Coordenação de Assuntos
Humanitários e o governo dos Estados Unidos para garantir o acesso a
combustível para fins humanitários", declarou Pichón com exclusividade à
agência AFP.
Ele detalhou que,
quando fala em fins humanitários, está se referindo à entrega de combustível
para nossas operações de resposta a emergências (...) e para garantir serviços
vitais nesses centros de atendimento a pessoas e grupos vulneráveis. O
representante das Nações Unidas em Havana enfatizou que o acesso ao produto
pelas agências da ONU está fortemente racionado devido à crise.
"A viabilidade
operacional da nossa resposta enquanto sistema das Nações Unidas depende do
acesso à energia e ao combustível e, neste momento, está comprometida",
salientou.
Segundo ele, as
visitas no terreno são raras. Outro problema é a menor disponibilidade de
transporte de carga na ilha, cujos serviços sofrem aumentos de preços devido à
escassez. Consequentemente, há muita restrição para transferir a ajuda
humanitária que chega aos aeroportos e portos do país para as províncias.
A crise energética na ilha de 9,6 milhões de habitantes se
agravou após a captura, por forças americanas, do presidente venezuelano,
Nicolás Maduro, em janeiro. A prisão de Maduro provocou a interrupção
abrupta dos envios de combustível de Caracas, principal fornecedor de
combustível da ilha nos últimos 25 anos.
Os Estados Unidos
justificam a pressão máxima que exercem contra Havana pela ameaça excepcional
representada pela ilha comunista, localizada a 150 quilômetros da costa da
Flórida.
Diante da crise energética, o governo cubano implementou um pacote de
medidas emergenciais, que incluem uma drástica restrição à venda de
combustível. Mas a crise se intensifica a cada dia no país, que vem enfrentando
uma série de apagões.
Na última quinta-feira, dois terços do território, incluindo Havana,
ficaram sem energia. O corte, que deixou 1,7 milhão de habitantes sem luz, foi
causado por uma desconexão parcial da rede devido a uma falha inesperada na
usina Antonio Guiteras, a principal geradora do país.
O governo cubano
autorizou a associação entre empresas públicas e privadas pela primeira vez em
quase 60 anos, uma alternativa para tentar superar as dificuldades. O monopólio
estatal nos setores de saúde, educação e defesa foi mantido.
Havana acusa Donald
Trump de querer sufocar a economia da ilha comunista, que está sob embargo dos
EUA desde 1962 e sofreu com o endurecimento das sanções americanas nos últimos
anos. ANG/RFI/AFP

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