Suíça/Torcedores processam FIFA em pressão contra preços abusivos para a Copa de 2026
Bissau, 25 Mar 26 (ANG) - A Associação Europeia de Torcedores de Futebol (Football Supporters Europe, FSE) apresentou terça-feira (24) uma ação formal à Comissão Europeia contra a FIFA, acusando a entidade de impor preços exorbitantes para os ingressos da Copa do Mundo de 2026, que será realizada na América do Norte, e de adotar procedimentos de compra pouco transparentes e desleais.
Segundo a denúncia, apresentada juntamente com o grupo Euroconsumers, a FIFA estaria abusando de sua posição monopolista ao impor valores e condições que não existiriam em um mercado competitivo, ocultando informações relevantes para os consumidores e pressionando compradores com mecanismos que criam urgência artificial.A
iniciativa judicial aprofunda uma crise que já vinha ganhando força desde o fim
de 2025, quando federações nacionais divulgaram listas internas com os valores
reais dos ingressos enviados pela FIFA. A publicação desses dados revelou que
bilhetes para partidas da fase de grupos custavam entre US$ 180 e US$ 700
(entre R$ 950 e R$ 3.695), muito acima dos US$ 60 (R$ 316) amplamente divulgados pela entidade. Já os ingressos para a final
começavam em US$ 4.185 e chegavam a US$ 8.680, cifras que superam em até sete
vezes as cobradas na edição anterior no Catar.
O
contraste entre os preços efetivos e as promessas feitas durante a candidatura
– quando os Estados Unidos asseguraram que disponibilizariam centenas de
milhares de ingressos a partir de US$ 21 (cerca de R$ 110) – ampliou
a percepção de que o Mundial de 2026 se distancia de seu caráter
popular.
Torcedores passaram a acusar a FIFA de
transformar o evento em um produto voltado a consumidores de alto poder
aquisitivo, excluindo justamente aqueles que tradicionalmente compõem o núcleo
mais engajado das arquibancadas.
A própria FSE, agora responsável pela
ação formal, já havia liderado protestos e críticas públicas, classificando os
preços como extorsivos e denunciando o que chamou de traição monumental ao
espírito da Copa do Mundo. A organização pediu que as vendas fossem suspensas
até que a FIFA revisasse suas práticas e restabelecesse parâmetros mais
transparentes e acessíveis. Várias federações nacionais confirmaram que
torcedores que desejassem acompanhar suas seleções até o fim da competição
poderiam gastar mais de US$ 7 mil apenas em ingressos, reforçando a dimensão do
problema.
Outro tema que alimentou a indignação é
a adoção inédita da precificação dinâmica, modelo que ajusta automaticamente os
valores conforme a demanda. Segundo grupos de torcedores, a falta de clareza
sobre os critérios que determinam a atratividade das partidas e as oscilações
de preço tornam o processo imprevisível e favorecem aumentos abruptos. Críticos
também afirmam que a escassez de ingressos anunciados como baratos sugere
publicidade enganosa e dificulta o planejamento dos fãs, que entram muitas
vezes no sistema sem saber ao certo quanto pagarão.
A ação apresentada hoje consolida a
insatisfação que vinha se acumulando ao longo dos últimos meses e eleva o
conflito para o campo institucional, colocando a FIFA sob escrutínio das
autoridades europeias. Para os torcedores, o caso simboliza uma disputa mais
ampla sobre o futuro da Copa do Mundo: se continuará sendo um evento global e
acessível ou se caminhará para um modelo cada vez mais restrito e
comercializado.
ANG/RFI/Com agências

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