quarta-feira, 25 de março de 2026

Médio Oriente/Irã nega negociações com os EUA e diz ter “aliviado pressão” no Estreito de Ormuz

Bissau, 25 Mar 26 (ANG) - O Irã afirmou ter reduzido a pressão sobre o Estreito de Ormuz e autorizado a passagem de “embarcações não hostis”, segundo comunicado enviado por Teerã à Organização Marítima Internacional.

A flexibilização no controle da estratégica rota marítima teria relação com um plano de 15 pontos proposto pelos Estados Unidos para encerrar o atual conflito, de acordo com meios de comunicação americanos e israelenses.

Segundo essas publicações, a abertura do Estreito é um dos itens do pacote apresentado por Washington à República Islâmica. O plano incluiria ainda um cessar-fogo de um mês e exigências ligadas ao programa nuclear iraniano, bem como à retirada do apoio a aliados regionais de Teerã, como Hezbollah e Hamas. Em contrapartida, o Irã receberia alívio das sanções internacionais e apoio ao seu programa nuclear civil.

O presidente americano, Donald Trump, afirmou na segunda-feira que negociações com o Irã haviam começado. Três fontes ouvidas pelo Canal 12 da televisão israelense confirmaram que autoridades iranianas estariam avaliando a proposta.

A simples notícia de uma possível abertura diplomática provocou reação imediata nos mercados: nesta quarta-feira (25), os preços do petróleo recuam e as bolsas asiáticas e europeias registraram recuperação. 

O preço do barril de Brent, referência global, recuava 6,3%, a US$ 97,90, nesta quarta-feira. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, caía 5,2%, para US$ 87,52.

A Agência Internacional de Energia (AIE) afirmou que está “preparada” para liberar novas reservas de petróleo, caso necessário, segundo seu diretor, Fatih Birol, em resposta a um pedido da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi.

Apesar das informações divulgadas pela imprensa dos EUA e de Israel, o governo iraniano nega categoricamente que haja negociações em curso com Washington.

O porta-voz do Comando Central das Forças Armadas do Irã, Ebrahim Zolfaqari, rejeitou publicamente a possibilidade de um entendimento com os americanos. “Jamais chegaremos a um acordo com os Estados Unidos”, declarou, contrariando diretamente a versão difundida pelo governo Trump.

Enquanto os rumores diplomáticos circulam, a guerra no Oriente Médio se aprofunda. A Guarda Revolucionária Islâmica anunciou ataques contra o norte e o centro de Israel – incluindo a região de Tel Aviv – e contra bases militares americanas no Kuwait, na Jordânia e no Bahrein.

De acordo com serviços de emergência israelenses, 12 pessoas ficaram feridas na noite de terça-feira (24) nos arredores de Tel Aviv. No Kuwait, um ataque com drone provocou um incêndio em um tanque de combustível no aeroporto internacional, segundo a Autoridade de Aviação Civil, que não registou vítimas.

Israel, por sua vez, manteve as operações aéreas no Líbano e em território iraniano. Nove pessoas morreram em bombardeios israelenses na madrugada de quarta-feira em cidades do sul do Líbano, consideradas redutos do movimento Hezbollah, segundo a mídia estatal libanesa.

As Forças de Defesa de Israel informaram ter “desmantelado centros de comando” do Hezbollah e destruído um depósito de armas, matando combatentes do grupo.

O Hezbollah, por sua vez, afirmou ter atacado um tanque israelense e lançado uma “chuva de foguetes” contra Kiryat Shmona, no norte de Israel, acionando sirenes de alerta. Não houve registo de vítimas.

No Iraque, um novo ataque aéreo atingiu uma posição das Forças de Mobilização Popular (Hashd al-Shaabi), coalizão de ex-paramilitares que reúne grupos pró-iranianos.

O ataque ocorreu um dia após um bombardeio que deixou 15 mortos entre membros da milícia.

O conflito, iniciado no fim de Fevereiro com uma ofensiva conjunta dos Estados Unidos e de Israel — que matou o líder supremo iraniano, Aiatolá Ali Khamenei —, rapidamente se expandiu pela região, envolvendo também o Iraque e países do Golfo. Em resposta, o Irã tem atacado alvos considerados aliados de Washington.

Mesmo com a possibilidade de negociações, os Estados Unidos avaliam enviar mais de 3.000 soldados ao Médio Oriente, indicando que a tensão permanece elevada. Líderes internacionais, como o presidente francês, Emmanuel Macron, pediram que o Irã participe das negociações “de boa-fé”.ANG/RFI/Com agências

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