Médio Oriente/Irã faz novos ataques após ameaça de Trump , gás e petróleo disparam
Bissau, 19 Mar 26 (ANG) - O presidente americano Donald Trump ameaçou nesta quinta-feira (19) atacar o campo de gás iraniano de South Pars caso Teerã mantenha seus ataques contra o Catar, segundo maior exportador de GNL (gás natural liquefeito).
Após a ofensiva iraniana contra o complexo de gás
qatari de Ras Laffan, nesta quarta-feira (18), o preço do gás europeu chegou a
mais de 35% e o do petróleo superou 10%.
O presidente americano confirmou que Israel atingiu, na
quarta-feira (18), a parte iraniana do campo de gás offshore no Golfo Pérsico,
compartilhado com o Catar. Os EUA “não sabiam de nada” sobre esse ataque,
garantiu Trump.
Em represália, os
iranianos atacaram o complexo de gás qatari de Ras Laffan, o maior local de
produção de GNL do mundo. A estatal QatarEnergy relatou “danos consideráveis”
no local ao amanhecer, mas não houve vítimas. Os incêndios provocados pela
ofensiva foram controlados no início da manhã, segundo o Ministério do
Interior.
O Catar é o segundo maior exportador mundial de GNL, atrás dos
EUA, e Ras Laffan é seu principal centro de produção. Nos Emirados Árabes
Unidos, Abu Dhabi fechou um complexo de gás após a queda de destroços de
mísseis interceptados. O Ministério das Relações Exteriores do Catar lamentou
que os ataques na região “tenham ultrapassado todos os limites ao visar civis e
instalações civis e vitais”. O ataque voltou a elevar o preço do petróleo, e o
barril de Brent ultrapassou US$ 112.
A
ameaça de Trump envolvendo o campo de gás de South Pars e os ataques iranianos
contra instalações de produção de hidrocarbonetos podem indicar uma nova fase
da guerra que começou no dia 28 de Fevereiro, com consequências econômicas
imprevisíveis para o Irã e outros países.
O campo é o maior do mundo, e cerca de
80% do gás iraniano é produzido no local. O complexo também produz 4 milhões de
litros de gás natural liquefeito, 3 milhões de litros de combustível para
aviões e outras substâncias.
O gás é usado por toda a população
iraniana para calefação ou cozinha, o que torna o fornecimento essencial para o
país. Além de South Pars, as refinarias iranianas de Bandar Abbas produzem
diariamente 43 milhões de litros de gasolina — cerca de 40% do consumo
nacional.
Ainda nesta quinta, uma refinaria
saudita em um porto estratégico do mar Vermelho e outras duas no Kuwait foram
atingidas por drones. “Um drone caiu sobre a refinaria saudita de Samref,
localizada na zona industrial de Yanbu, às margens do mar Vermelho”, informou o
Ministério da Defesa saudita. “A avaliação dos danos está em curso”,
acrescentou.
O ministério havia afirmado
anteriormente, no X, ter interceptado um míssil balístico que visava o porto de
Yanbu, que abriga a zona industrial e é uma importante rota de saída do
petróleo saudita desde a quase paralisação do Estreito de Ormuz.
A refinaria de Samref, pertencente ao
gigante petrolífero saudita Aramco e à Mobil Yanbu Refining Company Inc.,
subsidiária da ExxonMobil, tem capacidade de processamento de mais de 400 mil
barris de petróleo bruto por dia.
No Kuwait, as duas refinarias da
companhia petrolífera nacional — Mina Abdullah e Mina Al-Ahmadi — também foram
atingidas nesta quinta-feira de manhã, cada uma por um drone, provocando
incêndios nos dois locais.
A Kuwait National Petroleum Company
(KNPC) informou depois que os incêndios haviam sido controlados, sem deixar
vítimas. As duas refinarias têm capacidade combinada de 800 mil barris por dia.
A Arábia Saudita declarou que “se reserva o direito” de dar uma "resposta
militar" ao Irã, que atinge regularmente o país com drones e mísseis.
Segundo o Irã, caso haja represálias
e suas instalações sejam atacadas, todas as infraestruturas energéticas do
Golfo se tornarão alvos do país. O Irã também deixou claro que pretende
manter o controle do Estreito de Ormuz, mesmo após o fim do conflito, e impedir
a passagem de petróleo. Ao mesmo tempo em que atacava o Catar, a Guarda
Revolucionária impediu que um superpetroleiro de 160 mil toneladas, o Barbados,
atravessasse a passagem.
O bloqueio parcial iraniano do Estreito
de Ormuz, por onde circulam cerca de 20% do petróleo e do gás mundial, continua
no foco das preocupações. Ao sul da passagem, no Golfo de Omã, um navio foi
novamente atingido nesta quinta por um “projétil desconhecido”, segundo a
agência marítima britânica UKMTO, provocando um incêndio a bordo. Outro navio
foi atingido ao largo de Ras Laffan.
A Organização Marítima Internacional
(OMI) está reunida em caráter de emergência e deve pedir nesta quinta o
estabelecimento de um corredor marítimo seguro para evacuar navios bloqueados
no Golfo Pérsico. O órgão da ONU responsável pela segurança marítima estima que
20 mil marinheiros estão atualmente a bordo de 3.200 embarcações perto do
Estreito de Ormuz.
O aumento dos preços da energia também
deve dominar a reunião desta quinta do Banco Central Europeu (BCE), que teme
impactos na inflação e no crescimento. O presidente francês, Emmanuel Macron,
pediu nesta quinta uma moratória sobre “as infraestruturas civis”,
especialmente energéticas, após conversar com Trump e o emir do Catar, xeque
Tamim ben Hamad al-Thani.
“As
populações civis e suas necessidades essenciais, assim como a segurança do
abastecimento energético, devem ser preservadas da escalada militar”, afirmou.
Em quase três semanas, a guerra no Oriente Médio já deixou mais de 2.200
mortos, segundo autoridades, principalmente no Irã e no
Líbano —
segundo principal front do conflito —, onde o movimento xiita pró-Irã Hezbollah
enfrenta Israel. ANG/RFI/Com agências

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