Médio
Oriente/Israel, Irã e
países do Golfo impõem restrições à imprensa em meio à guerra
Bissau, 11 Mar 26 (ANG) - O conflito no Oriente Médio e o aumento das tensões regionais desencadearam uma onda de censura em países da região. Israel, Irã e monarquias do Golfo impõem restrições cada vez mais severas ao trabalho jornalístico e criminalizam a divulgação de imagens dos ataques.
Desde
junho de 2025, a censura militar israelense exige autorização por escrito
para qualquer reportagem sobre zonas de conflito, sob alegação de que a mídia
forneceria inadvertidamente informações a Teerã.
Com aumento dos lançamentos de mísseis iranianos, as regras para as coberturas foram drasticamente endurecidas. Além disso, as exigências agora são acompanhadas por ameaças de prisão e por um clima de extrema tensão para jornalistas.
Qualquer reportagem em áreas de impacto ou combate deve ser aprovada previamente por escrito. A censura ameaça processar criminalmente qualquer pessoa que documente os danos, enquanto uma lei de emergência em Israel prevê até cinco anos de prisão para a publicação de vídeos não autorizados, especialmente nas redes sociais.
O objetivo declarado do Exército
israelense é técnico: impedir transmissões ao vivo, sobretudo por meio de câmaras
fixas de agências de notícias. As imagens poderiam ser utilizadas em tempo real
pelos serviços de inteligência iranianos para “corrigir os tiros”, alegam os
militares.
Na prática, porém, o resultado é mais
severo. Os israelenses recebem apenas informações altamente filtradas sobre os
danos reais causados pelos ataques do Irã ou do Líbano. O bloqueio vem
acompanhado de um ambiente cada vez mais hostil para os repórteres.
As autoridades já não são as únicas que
impedem a liberdade de expressão. Militantes de extrema direita atacam
fisicamente equipes de jornalistas em locais onde ocorreram impactos de mísseis
na região de Tel Aviv.
A
censura não dificulta o trabalho jornalístico apenas em Israel. No Irã, o
Ministério da Cultura e orientação Islâmica controla a imprensa e qualquer
cobertura precisa passar por sua aprovação. Mesmo com permissões, jornalistas
correm o risco de detenção. Muitos já foram presos e interrogados pelas forças
de segurança.
A mídia estatal iraniana concentra as
notícias em vítimas civis e danos materiais, evitando relatar perdas militares.
O Ministério da Inteligência proibiu a divulgação de fotos de locais sensíveis,
prédios e áreas atingidas. O governo pediu ainda que a população denuncie
qualquer pessoa que fotografe essas áreas, e advertiu que os infratores podem
ser classificados como “inimigos americano-sionistas”.
Por isso, grande parte das imagens
produzidas por agências em Teerã mostra apenas colunas de fumaça vistas à
distância. Além da censura, os bombardeios constantes têm impactos físicos e
psicológicos sobre os jornalistas, cujo sono é interrompido repetidamente por
ataques aéreos noturnos.
As monarquias do Golfo também impuseram
limitações severas ao trabalho da imprensa. No Catar, mais de 300 pessoas foram
presas por publicar ou compartilhar imagens e “informações enganosas” durante
os ataques iranianos. “Elas filmaram e divulgaram vídeos e publicaram
informações enganosas e boatos”, declarou o Ministério do Interior.
Nos Emirados Árabes Unidos, o
procurador-geral Hamad Saif Al Shamsi alertou contra fotografar, publicar ou
divulgar imagens dos danos causados por quedas de bombas ou destroços.
“Divulgar esse tipo de conteúdo ou
informações imprecisas pode criar pânico e dar uma falsa impressão da situação
real do país”, afirmou.
As autoridades também expressaram
preocupação com imagens geradas por inteligência artificial e alertaram que
quem divulgar esse tipo de material será punido “sem clemência”.
Na Arábia Saudita, a filmagem de
instalações de energia e áreas diplomáticas — principais alvos dos ataques
iranianos — já era rigidamente restringida mesmo em tempos de normalidade. A
guerra intensificou ainda mais essas limitações. As autoridades costumam se
recusar a comentar qualquer assunto além de comunicados oficiais. A assessoria
de imprensa do tribunal saudita chegou a pressionar jornalistas a revelar a
identidade de suas fontes.ANG/RFI

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