França/Autarca recém-eleito apresenta queixa contra canal de televisão por racismo
Bissau, 30 Mar 26 (ANG) - Bally Bagayoko, o novo autarca da cidade de Saint-Denis, junto a Paris, diz que vai avançar com uma queixa crime contra um canal de televisão tradicionalmente posicionado à direita por insultos racistas.
Uma das surpresas destas eleições autárquicas em França foi a
eleição de Bally Bagayoko, candidato da França Insubmissa, que logo na primeira
volta ganhou uma das cidades mais importantes da periferia de
Paris. Bagayoko nasceu nos arredores de Paris, tem origens malianas e
desde o início dos anos 2000 está envolvido na política local de Saint-Denis,
que conta com quase 150 mil habitantes.
Desde a sua eleição que Bally Bagayoko se tornou uma figura
da política nacional, recebendo uma grande atenção dos meios de comunicação
franceses. Um dos meios que mais tem falado dele é a televisão CNews,
especialmente depois de o autarca ter anunciado que vai retirar as armas aos
polícias municipais para que se tornem uma polícia de proximidade.
Numa das emissões deste canal que tem afinidades com a direita e
com a extrema-direita francesas, um psicólogo disse que Bally Bagayoko
estava a tentar impor-se como acontece "entre homo sapiens, que pertecem à família dos grandes macacos" e isso acontece "em todas as colectividades, todas as tribos".
Mais tarde, noutro programa, o filósofo Michel Onfray disse
que Bagayoko tinha uma atitude "tribal" e de "macho dominante".
Rapidamente, várias figuras de esquerda condenaram estas
declarações dizendo que estas comparações aconteciam devido à cor da pele do
novo autarca de Saint-Denis. No sábado, o autarca anunciou que vai apresentar
queixa contra a CNews e que vai organizar "um grande encontro contra o racismo e contra o fascismo". Já o canal de televisão fala de
"uma polémica infundada".
O canal de televisão CNews, que pertence ao milionário conservador Vincent Bolloré e é hoje o canal mais visto em França, já se viu envolvido em várias polémicas. Em Fevereiro pagou cerca de 100 mil euros de multa devido a duas emissões difundidas no Verão de 2025 em que houve discriminação contra muçulmanos e contra argelinos.ANG/Lusa

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