Espanha/Governo fechou espaço aéreo à todos os voos envolvidos em ataques ao Irão
Bissau, 30 Mar 26 (ANG) - A Espanha fechou o espaço aéreo a todos os voos envolvidos nos ataques ao Irão, além de ter recusado a utilização de duas bases militares pelos EUA, disseram o Governo e as forças armadas espanholas.
"Não só não permite o uso das bases de Rota (Càdiz e
Morón de la Frontera (Sevilha) por parte de aviões e combate ou reabastecimento
em voo que cooperam no ataque, como também não autoriza o uso do seu espaço
aéreo às aeronaves norte-americanas destacas em terceiros países, como Reino
Unido ou França", noticiou hoje o jornal El Pais, que cita fontes
militares.
A informação, avançada por este jornal, foi entretanto confirmada por fontes do Governo espanhol citadas por outros meios de comunicação social, como a agência de notícias Europa Press.
O primeiro-ministro
de Espanha, Pedro Sánchez, disse na semana passada no parlamento que o Governo
que lidera recusou aos Estados Unidos "a utilização das bases de Rota e de
Morón para esta guerra ilegal".
"Todos os
planos de voo que contemplam ações relacionadas com a operação no Irão foram
recusados. Todos incluídos os de aviões de reabastecimento", disse
Sánchez.
O primeiro-ministro
espanhol assumiu que esta recusa "não foi fácil".
"Mas fizemo-lo
porque assim o permite o acordo bilateral para a utilização
das bases e porque somos um país soberano que não quer participar em guerras
ilegais", afirmou.
Segundo escreve
hoje o El Pais, nas semanas anteriores aos primeiros ataques dos EUA e Israel
ao Irão, em 28 de fevereiro, houve "intensas negociações entre Madrid e
Washington sobre o papel de Espanha" e das bases militares espanholas
usadas pelos EUA "no dispositivo militar norte-americano", que
culminaram com o veto do Governo de Sánchez.
O líder do Governo
espanhol condenou desde o primeiro momento os ataques ao Irão, assim como,
posteriormente, a resposta do regime de Teerão, que tem bombardeado alvos em
diversos países.
Sánchez considera
que a guerra foi iniciada de forma ilegal, à margem de todas as normas do
direito internacional, e defendeu, na mesma intervenção no parlamento espanhol
na semana passada, que o mundo assiste a um "desastre absoluto", com
um cenário "muito pior" do que o de 2003, com o Iraque.
O líder do Governo
espanhol sublinhou que o Irão, ao contrário do Iraque, é uma "potência
militar" e tem um poder económico várias vezes superior, com impacto a
nível mundial, e considerou que a guerra atual, além de ter sido iniciada
sem qualquer consulta ou aviso por parte dos EUA aos aliados
ou "amparo legal", não tem também um "objetivo
definido".
Sánchez lembrou que
os ataques ocorrerem poucos dias depois de notícias que davam conta de avanços
em negociações com o regime de Teerão e quando até cargos norte-americanos
confirmam que não existia uma ameaça nuclear iminente.
Para o líder do
Governo espanhol, a guerra está só a destruir a legalidade internacional, a
desestabilizar o Médio Oriente ou "a enterrar Gaza nos escombros do
esquecimento e da indiferença" e aquilo que conseguiu até agora foi
substituir uma liderança iraniana por outra "ainda mais
sanguinária", beneficiar a Rússia e enfraquecer a Ucrânia, com o
Moscovo a beneficiar do levantamento de sanções, e perturbar a economia
mundial. ANG/Lusa

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