França/ Solicitada reunião no Conselho de Segurança
da ONU após morte de três capacetes azuis no Líbano
Bissau, 31 Mar 26 (ANG) - O
Conselho de Segurança da ONU se reúne em caráter de urgência nesta terça-feira
(31), após a morte de três capacetes azuis indonésios no sul do Líbano. Vários
soldados da Unifil também ficaram feridos em um ataque israelense na
véspera.
A reunião no Conselho
de Segurança da ONU foi solicitada pela França. Na rede social X, o ministro
francês das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot, denunciou "incidentes
gravíssimos", sofridos por um contigente francês no sul do Líbano, que
classificou de "intimidações da parte de soldados do exército
israelense".
Já a Força Interina
das Nações Unidas no Líbano (Unifil) informou que abriu uma investigação depois
que dois soldados indonésios foram mortos na segunda-feira (30) “por uma
explosão de origem desconhecida que destruiu seu veículo perto de Bani Hayyan”.
Um primeiro militar foi morto no domingo (29) na "explosão de um projétil
de origem ainda indeterminada", aponta um comunicado.
“Todas as partes
envolvidas no conflito são convocadas a respeitar o direito internacional
humanitário e a garantir a segurança do pessoal de manutenção da paz”, afirmou
o Ministério da Defesa da Indonésia nesta terça-feira.
Mais cedo, Israel anunciou a morte de quatro de seus soldados, elevando
para 10 o número de militares israelenses mortos desde a retoma das
hostilidades com o movimento pró-iraniano Hezbolahh, em 2 de Março, em paralelo
à guerra contra o Irã.
Israel afirma estar
investigando esses incidentes. No Telegram, o exército do país declarou que é
preciso determinar se essas violências "resultam de uma atividade do
Hezbollah ou das forças israelenses”.
O Hezbollah, por sua
vez, reivindicou ataques contra posições de Israel no sul do Líbano e afirmou
ter lançado mísseis contra uma base dos serviços de inteligência na periferia
de Tel Aviv.
A Unifil é formada
por cerca de 7.500 soldados, vindos de 48 países. O papel desta força, cujo
mandato termina no fim do ano, limita‑se a uma simples coordenação entre as
partes em conflito. Os capacetes azuis tentam garantir, por exemplo, a
segurança de trajetos para as ambulâncias da Cruz Vermelha e da Defesa Civil
libanesa que socorrem as vítimas dos bombardeios e dos confrontos nos vilarejos
do sul.
Mas desde a retomada das violências na Rregião, em 2 de março, os
militares da Unifil foram alvo de tiros e bombardeios em sete incidentes,
durante os combates entre o exército israelense — que tenta avançar em direção
ao rio Litani — e os combatentes do Hezbollah, que defendem os vilarejos do sul
do Líbano.
Nem mesmo o quartel‑general
da força da ONU, na estratégica localidade costeira de Naqoura, a um quilômetro
e meio da fronteira, é poupado. Várias de suas instalações foram atingidas por
balas e projéteis nas últimas semanas.
Para Daniel Meier,
professor da Sciences-Po Grenoble e especialista no conflito sul do Líbano, os
soldados da Unifil são vistos como "testemunhas inconvenientes".
"Os capacetes
azuis observam as violações cometidas no sul do Líbano. Mesmo como
observadores, são uma pedra no sapato, principalmente para Israel", avalia
Daniel Meier.
Segundo o
especialista, o fato de os capacetes azuis relatarem as violações e denunciarem
os massacres e a ocupação ilegal no sul do Líbano incomoda o governo
israelense. "Obviamente, Israel nega todas essas acusações",
ressalta. ANG/RFI

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