Guiné
Conacri/Mamady Doumbouya eleito em escrutínio sem suspense
Bissau, 02 jan 26(ANG) - O general Mamady Doumbouya venceu as eleições
presidenciais com 86,72% dos votos, sem grande surpresa, num processo eleitoral
marcado pela ausência dos principais opositores políticos, muitos deles presos
ou no exílio.
Estas eleições assinalam o fim de quatro anos de
transição e consagram Doumbouya no poder, apesar de este ter prometido - quando
tomou o poder pela força em 2021 -devolver o controlo do país aos civis.
Os resultados
foram anunciados quarta-feira à noite, pelas 23 horas locais, num ambiente morno, sem entusiasmo. Em
Conacri, as ruas estavam vazias, como
é habitual ao final do dia durante a semana, descrevem os correspondentes da
RFI. Apenas uma dezena de apoiantes de Mamadi Doumbouya saiu brevemente para
celebrar a vitória.
Como esperado, os resultados (ainda
provisórios) atribuíram 86,72% dos
votos a Doumbouya, confirmando-o no poder, quatro anos depois de ter
protagonizado o golpe de Estado
que, em 2021, depôs o presidente Alpha Condé, actualmente exilado na
Turquia.
No momento do anúncio dos resultados,
quatro candidatos já tinham reconhecido a sua derrota e felicitado Mamadi
Doumbouya pelos resultados. Muito atrás, em segundo lugar ficou Abdoulaye Yero Baldé com
6,59% dos votos, seguido de Faya
Millimouno com 2,04%.
Com uma taxa oficial de participação de
80,95%, o escrutínio marca uma etapa no processo de transição na Guiné-Conacri,
mas uma etapa de mera formalidade, já que as grandes figuras da oposição estão
presas ou no exílio. O presidente da União das Forças Democráticas da Guiné (UFDG), Cellou Dalein Diallo, referiu-se
a este escrutínio como uma "farsa eleitoral" e apelou ao boicote.
As missões de observação da União
Africana e da CEDEAO apontaram a ausência
dos principais partidos da oposição, felicitando, no
entanto, as autoridades guineenses pela boa organização das eleições.
Mamadi Doumbouya, com 41 anos, reina
agora sobre o país para um mandato mandato presidencial, depois de quatro anos
de transição marcado pelo retrocesso das liberdades públicas no seu país.
O militar golpista prometeu "paz e estabilidade" aos cerca
de 13 milhões de guineenses no seu vídeo de campanha, a única
declaração pública do chefe da junta, que fez apenas uma breve aparição de uma
hora num comício no último dia da campanha eleitoral.
A União Africana apelou às autoridades
guineenses para que "lutem de forma mais eficaz contra os raptos e desaparecimentos de pessoas".
Várias personalidades públicas críticas do poder militar desapareceram durante
a transição, que chega agora ao fim.
Os resultados eleitorais devem ainda ser
validados pelo Supremo Tribunal de Justiça.ANG/RFI

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