quinta-feira, 9 de julho de 2015

São Tomé e Príncipe




Instabilidade política prejudica governação

Bissau, 09 Jul 15(ANG) - O processo democrático em São Tomé e Príncipe ainda não está consolidado e a instabilidade política prejudica a governação, principalmente na aplicação efetiva e completa de programas do governo.

A conclusão é da coordenadora adjunta do Observatório dos Países de Língua Oficial Portuguesa (OPLOP), um centro de pesquisa ligado à Universidade Federal Fluminense (UFF), no Rio de Janeiro, Naiara Alves. 

“A governabilidade do país fica muito prejudicada por conta desta fragilidade do que seriam procedimentos naturais da democracia, que é um regime que pressupõe conflitos de ideias e a resolução destes no momento do processo decisório”, disse a investigadora à Lusa.

Naiara Alves destacou que mesmo após a democratização do país, em 1990, São Tomé e Príncipe já sofreu duas tentativas de golpe militar (em 1995 e em 2003).

O regime monopartidário, subordinado ao Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP), que se instalou em 1975 após a independência de Portugal, só deu lugar ao multipartidarismo na década de 1990.

Para a investigadora, os 40 anos pós-independência são ainda um período muito curto em termos de experiência política, o que resulta na fragilidade das instituições públicas e do processo democrático, referindo-se também ao excesso de poder que o Presidente da República possui neste regime semipresidencialista e os conflitos que já gerou no panorama político são-tomense.

“A estrutura autoritária do pós-independência, do período de 1975, na verdade não se rompeu a partir do momento em que é promulgada a Constituição de 1990”, disse a académica, licenciada em Ciências Políticas.

“O processo de conflitos políticos, que num primeiro momento encontrava-se completamente sufocado dentro da esfera do Estado-partido, continuou nesta fase do multipartidarismo e perdura até hoje”, disse.

A investigadora sublinhou ainda que esta fragilidade no processo democrático reflete-se também na queda sucessiva de governos após 1990, pois nenhum deles conseguiu cumprir o seu mandato por completo. 

Sobre a eleição do atual primeiro-ministro, Patrice Trovoada, líder da Acção Democrática Independente (ADI), então na oposição, em outubro de 2014, com maioria absoluta no parlamento, Naira Alves disse que “este é um primeiro passo para um começo de estabilidade em termos de sucessão de mandatos”. 

Segundo a coordenadora adjunta do OPLOP, as políticas públicas, principalmente aquelas de combate ao subdesenvolvimento e à pobreza, ficam muito prejudicadas com esta fragilidade democrática, pois nunca são aplicadas na sua totalidade.

“São Tomé e Príncipe, de acordo com os institutos internacionais, tem um índice de pobreza muito elevado e a pobreza grave gira em torno dos 10%, segundo o relatório de 2011 sobre o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU”, referiu.

Segundo a investigadora, “no primeiro momento da independência de São Tomé e Príncipe não havia uma agenda clara e concreta para resolver os problemas do subdesenvolvimento”.

“No momento da independência, a estrutura de produção económica da época colonial se manteve. A produção agrícola, fundamentada sobretudo na cultura de cacau, manteve-se. A diferença é que o Estado passou a ser o gestor”, afirmou.

Daí que conclua que “a economia de São Tomé é marcada também por este primeiro vazio de resoluções, do vazio de possíveis caminhos diferenciados para fortalecer a economia".

“Em 25 anos de democracia, tivemos vários governos. A democracia foi profundamente marcada pela instabilidade política e isto influenciou o próprio desenvolvimento do país”, também avaliou Eduardo Elba, secretário permanente da Federação de Organizações Não-Governamentais em São Tomé e Príncipe (FONG-STP).

Embora reconheça que se registaram melhorias em vários setores da sociedade, persistem “grandes desafios para o futuro”.

“Há coisas por melhorar, como o acesso à água potável, acesso à energia, à habitação condigna. Creio que os nossos dirigentes devem colocar estes temas e ainda outros na sua agenda para o futuro”, concluiu.

ANG/LUSA

Infraestruturas




Porto de Bissau  procura parceria privada

Bissau, 09 Jul 15(ANG) - O Governo  abriu o concurso de concessão da gestão do porto comercial de Bissau para encontrar um parceiro que ajude a financiar a requalificação da estrutura, disse quarta-feira  à Lusa o Secretário de Estado dos Transportes e Comunicações, João Bernardo Vieira.

A administração dos Portos de Bissau "não tem capacidade de autofinanciamento daí a necessidade de avançar com essa parceria para fazer a dragagem e sinalização do porto", entre outras obras, referiu.

João Bernardo Vieira acrescenta que "não é uma decisão fácil".

O Porto de Bissau é a principal porta de entrada de mercadorias na Guiné-Bissau e uma das maiores empresas públicas do país.

No entanto, a falta de obras está a condicionar o seu funcionamento, a entrada de cargueiros e a gestão de contentores.

"Corríamos o risco de fechar se não avançássemos com esta parceria", sublinhou o governante, referindo que a decisão de avançar para a concessão surge após "um ano de avaliação" e "vários relatórios do Banco Mundial e outros organismos institucionais".

Na análise à situação, as organizações externas são unânimes: "há mais de 10 anos que indicam que o caminho certo é a parceria público-privada".

O processo irá permitir que o porto comercial de Bissau "seja tão competitivo como o de Banjul e de Dacar", concluiu João Bernardo Vieira.

De acordo com o anúncio do concurso público internacional, as propostas devem ser entregues até 10 de Agosto, sendo abertas no mesmo dia.
 
ANG/Lusa


Saúde




DG da OOAS pede maior prevenção contra epidemias nos países membros

Bissau, 09 Jul 15 (ANG) - O Director-Geral da Organização Oeste Africana de Saúde (OOAS) exortou hoje as populações dos Estados membros a adoptarem medidas preventivas contra as epidemias, recomendadas pelas respectivas autoridades sanitárias.

Xavier Crespin discursava por ocasião da comemoração hoje, dia 9,  do 28º  aniversário desta organização sob o lema, “A Contribuição do Telefone Móvel na Gestão das Epidemias a Nível Comunitário”.

Crespin chamou a atenção das populações dos Estados membros e da Comunidade Internacional sobre a importância de utilização das Novas Tecnologias da Informação e Comunicação, em particular, o telefone móvel, na mobilização para a prevenção e a resposta às epidemias.

Este responsável acrescentou que, de acordo com um estudo realizado em 2013, a telefonia móvel permite levar múltiplos serviços, no domínio da saúde, às populações, das quais mais de 60 por cento vivem nas zonas rurais, onde mais 73 por cento possuem este instrumento de comunicação.

Por isso, Xavier Crespin apela aos países membros da OOAS para implementarem estratégias apropriadas, em matéria de comunicação, para facilitar a circulação de informações sanitárias, visando o melhoramento da saúde das pessoas, no espaço da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, CEDEAO.

Em relação aos constrangimentos, este responsável sanitário afirmou que, apesar de várias acções realizadas em prol da melhoria da saúde das populações da África de Oeste, a OOAS enfrenta “múltiplos desafios” nomeadamente, a fraqueza dos sistemas de saúde, as fortes taxas de mortalidades materna, neonatal e infanto-juvenil, a fraqueza da preparação e da resposta às situações de urgência, tais como as epidemias e a insuficiências de parcerias estratégicas de coordenação e avaliação.

E sobre a preparação e resposta às epidemias, Xavier Crespin disse que, nos últimos anos, milhares de pessoas, na África de Oeste, “continuam a ser atingidas pelas epidemias, tais como a  cólera, meningite,  rubéola,  ferve lassa,  febre-amarela,  e, desde Março de 2014, a epidemia do ébola”.

A morbidade e a mortalidade delas resultantes, segundo Crespin, “são muito importantes” e estariam ligadas “particularmente ao fraco envolvimento das comunidades, mas também e sobretudo à fragilidade dos sistemas de saúde e a insuficiência da comunicação para a adopção de comportamentos positivos”.

Por isso, o Director-geral da OOAS chama a atenção para a necessidade duma estratégia de comunicação “eficaz” que mobilize as comunidades à aderirem a luta contra as epidemias no espaço dos Estados membros.

Tendo a sua principal sede em Wagadogou, Burkina-Fasó, a Organização Oeste Africana de Saúde foi criada há 28 anos pelos Chefes de Estado e de Governo da CEDEAO, como uma Agência Especializada sub-regional para oferecer o nível mais elevado de prestação de serviço de saúde às populações desse subcontinente.

ANG/QC/JAM/SG

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Infra-estruturas




Inaugurado centro de processamento de mel em Bula

Bissau, 08 Jul15 (ANG) – Um centro de processamento de mel e derivados de apicultura foi inaugurado dia 3, na tabanca de Igat, no sector de Bula, Norte da Guiné-Bissau..

A infraestrutura, segundo o jornal Nô Pintcha, na sua edição de 7 de Julho, contou com o financiamento da Fundação Suíça para a Cooperação e Desenvolvimento (SWISSAID), num montante não revelado.

O representante da SWISSAID em Bissau, Alfredo Handen disse que a inauguração ocorre  num momento de grandes desafios para a Guiné-Bissau, em que é fundamental  a concentração em  acções que contribuam para o crescimento económico do país e que possam trazer mais-valia para as populações.

 Handen salientou que as sinergias institucionais podem beneficiar a luta das comunidades para o bem-estar social.

Aquele responsável realçou a importância da floresta e da biodiversidade na criação de riquezas, na luta contra a pobreza no meio rural e no aumento de rendimento económico dos cidadãos e das famílias.

Falando da essência desse produto, Alfredo Handen explicou que o mel é um produto comercial e nutricional de grande importância para a vida humana, mas também para o equilíbrio ecológico da vida na fauna.

“O Mel e seus derivados da Apicultura quando foram bem aproveitados podem representar uma grande economia para as populações e para o país, porque é um produto extremamente importante e caro,” afirmou representante de SWISSAID.

A SWISSAID opera  na região de Cacheu desde 2000, com  vários projectos em execução e em diversas localidades, nomeadamente  em Bula, Tchur-Brick, Calequisse, Pecixe, Cacheu, Bachil e Caió.

Handen revelou que na região de Cacheu a SWISSAID apoia na produção de sal, óleo de palma e mel sendo este último a actividade que mais  rendimentos tem dado   à Associação dos Apicultores da Região de Cacheu (APIRCA), gestor  do centro inaugurado, em colaboração com a federação das associações de Bula. 

ANG/JD/JAM/SG