segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Cultura


Diretor-geral afirma que pano de pente é de origem guineense 

Bissau, 13 Ago 18 (ANG) – O Diretor-geral da Cultura defendeu domingo que a autenticidade do Pano de Pente é da origem guineense contrariamente ao  que dizem  as repúblicas do Senegal e Cabo Verde.

Em declarações à  rádio Capital FM, João Cornélio Correia referiu que Senegal e Cabo Verde defendem autenticidade de pano de pente e de outros instrumentos tradicionais guineenses como sendo seus patrimónios.

Aquele responsável da cultura esclareceu que os dois países denominam pano de pente como “pano de terra” mas na verdade a sua origem é da Guiné-Bissau e que é usado nas cerimónias do empossamento de régulos.

Acrescentou ainda que muitos andam a dizer que o estilo da música “Gumbé” também não é de origem guineense, mas os mesmos deviam saber que o que define um género musical é uma célula rítmica, e pode-se usar muitos instrumentos na sua modernização mas tem a sua base que define a sua originalidade. Desafiou à todos os que têm certeza que o ritmo “Gumbé” pertence outra nação que o prove.

Afirmou que a sua instituição está a trabalhar no sentido de salvaguardar o património cultural da Guiné-Bissau,e destacou  que a maior riqueza de uma nação é o seu património cultural.

Cornélio Correia considera que o património cultural do país corre riscos, na medida que “tudo o que é de bom que o país possui pertence à outras nações e o que é mau pertence à Guiné-Bissau”.  

ANG/JD//SG


Recursos Naturais


Antigo MNE guineense diz que petróleo em negociações com o Senegal "é da Guiné-Bissau"

Bissau,13 Ago 18(ANG) - O antigo chefe da diplomacia guineense João "Huco" Monteiro defendeu que, "perante os dados novos", o petróleo que se está a negociar com o Senegal "é da Guiné-Bissau" e exortou os cidadãos a estarem todos do mesmo lado.

"Huco" Monteiro faz parte de um grupo de notáveis guineenses, entre académicos, ativistas sociais, ambientalistas e militares, que querem ver a Guiné-Bissau "a ter uma abordagem mais convincente" nas negociações com o Senegal sobre a partilha dos lucros do petróleo e gás que se acredita existirem "em grandes quantidades" numa zona marítima constituída pelos dois países.

A partilha que se fez de eventuais lucros dos dois recursos e que vigorou durante 20 anos, até que, em dezembro de 2014, o atual Presidente guineense, José Mário Vaz, denunciar o acordo sobre o qual assentava a divisão, previa 85% para o Senegal e 15% para a Guiné-Bissau.

As vozes da sociedade civil e o ex-chefe das Forças Armadas guineenses, almirante Zamora Induta, consideram aquela partilha de injusta e alegam agora que "na realidade o petróleo pertence por inteiro à Guiné-Bissau". 

"Os dados dizem-nos que o petróleo é nosso", disse, em entrevista à Lusa, "Huco" Monteiro, que, contudo, não quer que esta questão levante sentimentos de nacionalismos extremos nos dois lados. 

O antigo ministro dos Negócios Estrangeiros pretende ver os guineenses "todos unidos" para se constituírem "numa força de pressão para que as autoridades possam ter uma posição mais robusta" nas negociações com o Senegal sobre a nova partilha que deve ser feita, notou.

Os dois países vão encontrar-se no final deste mês em Bissau para mais uma ronda negocial sobre a nova partilha dos lucros do petróleo e gás que possam ser encontrados na zona de exploração conjunta, que comporta uma plataforma marítima de cerca de 25 quilómetros, sendo que a Guiné-Bissau disponibilizou 46% do seu território marítimo e o Senegal 54%.

Algumas vozes guineenses, com destaque para o almirante Zamora Induta, defendem que antes de se falar na partilha de lucros do petróleo, a Guiné-Bissau devia obrigar o Senegal a redefinir o traçado da fronteira marítima entre os dois países, para desta forma provar que a zona em questão pertence "por inteiro à Guiné-Bissau". 

O antigo chefe da diplomacia guineense admite "um traçado injusto da fronteira com o Senegal", mas considerou que neste momento o que está em discussão é a partilha dos lucros do petróleo e gás, embora não coloque de parte a possibilidade de a questão da divisão da fronteira ser discutida "um dia".

Para levar a que haja um "único posicionamento" e evitar "dispersão de opiniões" sobre o que deve ser o contributo da sociedade civil, "Huco" Monteiro pretende organizar na próxima semana, em Bissau, um encontro que junte todos os que têm algo a dizer sobre o assunto.

"Queremos apresentar ao Governo uma estratégia de apoio para influenciar o curso destas negociações", declarou Monteiro, sublinhando que o executivo e o Presidente José Mário Vaz teriam "muito a ganhar" se liderassem o debate nacional sobre a questão do petróleo e gás com o Senegal.

 ANG/Lusa