segunda-feira, 7 de julho de 2025

                Sudão do Sul/ONU lança alimentos do ar para evitar  catástrofe

Bissau, 07 Jul 25 (ANG) - Programa  Alimentar Mundial das Nações Unidas (PAM) começou a lançar ajuda alimentar de emergência do ar para milhares de famílias no estado do Alto Nilo, no Sudão do Sul, anunciou hoje aquela agência da ONU.

Esta é a primeira vez em mais de quatro meses que o PAM consegue "fornecer assistência alimentar e nutricional vital a mais de 40.000 pessoas que enfrentam uma fome catastrófica nas partes mais remotas dos condados de Nasir e Ulang, áreas que só podem ser acedidas por via aérea", indicou a agência em comunicado.

Mais de um milhão de pessoas no Alto Nilo enfrentam fome aguda, incluindo mais de 32.000 que já experimentam níveis extremos de fome (IPC5), o nível mais alto de insegurança alimentar, de acordo com a ONU.

Esse número triplicou desde o início do conflito armado em março, provocando deslocamentos em massa, inclusive através da fronteira com a Etiópia, onde o PAM fornece ajuda alimentar vital a cerca de 50.000 pessoas que fugiram do Alto Nilo em busca de alimentos e segurança, explica.

"A ligação entre o conflito e a fome é tragicamente evidente no Sudão do Sul, e temos visto isso nos últimos meses no Alto Nilo", afirmou Mary-Ellen McGroarty, diretora do PAM no Sudão do Sul.

"Sem um aumento significativo da assistência, os condados de Nasir e Ulang correm o risco de cair numa fome generalizada. Precisamos urgentemente de levar alimentos a estas famílias e estamos a fazer tudo o que está ao nosso alcance para chegar àqueles que mais precisam antes que a situação se agrave", acrescentou McGroarty na nota.

O PAM pretende chegar a 470.000 pessoas no Alto Nilo e no norte de Jonglei durante a época de escassez --- a época de maior fome do ano, que se estende até agosto ---, mas os combates contínuos e as limitações logísticas têm dificultado o acesso e uma resposta abrangente. Até agora, só foi possível chegar a 300.000 pessoas no Alto Nilo.

"As principais rotas fluviais que conduzem ao estado devem ser reabertas com urgência para prestar apoio humanitário contínuo às famílias necessitadas", uma vez que se trata das rotas mais adequadas para chegar a vastas zonas dos estados do Alto Nilo e do norte de Jonglei, mas que estão bloqueadas devido aos combates ativos desde meados de abril, indica-se no comunicado.

O PAM tem 1.500 toneladas métricas de alimentos prontas para serem transportadas assim que as rotas fluviais voltarem a funcionar, explicou a agência da ONU.

"Onde conseguimos fazer entregas de forma constante, vimos um progresso real", disse McGroarty, acrescentando que, no entanto, se não conseguirem fazer com que os alimentos cheguem às pessoas "a fome agravar-se-á e tornar-se-á uma ameaça real e presente".

O Sudão do Sul é palco de tensões crescentes que se agravaram em março passado com a detenção de várias figuras-chave do principal partido da oposição, o Movimento de Libertação do Povo do Sudão na Oposição (SPLM-IO, na sigla em inglês), liderado pelo primeiro vice-Presidente do país, Riek Machar, que se encontra em prisão domiciliária.

O país africano sofreu uma guerra de cinco anos que matou cerca de 400.000 pessoas e terminou com o acordo de paz de 2018, que estipulava um acordo de partilha de poder entre o Governo e a oposição, mas cujas principais disposições nunca foram aplicadas.ANG/Lusa

 

Saúde pública/Um  hospital para   23 ilhas habitadas do Arquipélago de Bijagós

Bissau, 07 Jul 25(ANG) - O Arquipélago de Bijagós com cerca de 33 mil pessoas divididas por 23 ilhas habitadas, conta com um único hospital, instalado em Bubaque, salientou à Lusa Élcio Marques Vieira, enfermeiro na ilha de Formosa.

Élcio e dois outros enfermeiros trabalham no centro de saúde de Formosa, mas deviam atender de forma regular as populações das ilhas vizinhas de Tchedignha, Nghago e Maio, o que nem sempre conseguem devido à falta de meios de transporte.


Mesmo para casos graves de crianças ou grávidas, Élcio e a sua equipa sentem "muitas dificuldades" para transportar os doentes para o hospital de Bubaque, contou à Lusa.

"Somos um centro de saúde tipo C para cuidados primários. Recebemos o doente e damos assistência durante três dias, se não melhorar teremos de o levar para Bubaque, onde existe um hospital regional", explicou.

Para estas e outras deslocações, a equipa de Élcio acaba por recorrer às canoas de pescadores, mesmo sabendo que "não têm as mínimas condições" para transportar doentes ou medicamentos em condições de segurança.

"Por exemplo, neste momento, não temos paracetamol em xarope, só vamos ter isso talvez para a semana", observou.

O enfermeiro gostava que o Governo ampliasse o centro de saúde de Formosa para albergar mais técnicos que atualmente praticamente partilham o mesmo espaço.

"É preciso ampliar o centro para criar uma pequena pediatria e também separar as salas de consultas para adultos e para crianças", defendeu Élcio Marques Vieira, que trabalha nas ilhas Bijagós há cerca de dez anos.

Antes de chegar ao centro de saúde de Formosa, Élcio trabalhou nas ilhas de Unhocume e Sogá.

A enfermeira Tamara Fernandes Monteiro Sá trabalhou nas ilhas de Caravela, Bubaque e Uno entre 2014 e 2020, até regressar ao Hospital Nacional Simão Mendes, em Bissau, mas não se esqueceu das dificuldades experimentadas para "resolver os problemas dos doentes, sobretudo das grávidas".

"Há ilhas perto de Bubaque às quais  não é fácil aceder, a não ser que a pessoa venha até Bissau e apanhar uma piroga", exemplificou Tamara Sá, enaltecendo os apoios que recebia de um projeto das Organizações Não Governamentais (ONG) que trabalham na zona.

A enfermeira considera as ilhas Bijagós como zona rica, mas onde existe "pouca produtividade" e "falta de tudo", nomeadamente transportes e agências de transferência de dinheiro, o que acaba por encarecer os produtos de primeira necessidade.

O arroz, base da dieta alimentar dos guineenses, é vendido quase ao dobro do preço em relação à zona continental do país, disse Tamara Sá, salientando que o produto vem de Bissau.

"Digamos que não há dinheiro em circulação nas ilhas" Bijagós, observou a enfermeira.

O pescador Ibraima Barros, baseado na ilha de João Vieira Poilão, está contente que o arquipélago dos Bijagós seja considerado Património Mundial Natural pela UNESCO, mas já vê com maus olhos a possibilidade de aumentar o interesse de mais visitantes à região.

"Haverá grande vantagem para o Estado da Guiné-Bissau, mas desde que não traga restrições na zona de pesca, porque isso poderá impactar negativamente nas nossas atividades", afirmou Ibraima Barros.

O jornalista da rádio comunitária Okimka Pampa, na ilha de Orango Grande, Domingos Alves não tem dúvidas sobre "a bondade" do reconhecimento para o arquipélago das Bijagós, mas já não tem certeza sobre se o Estado da Guiné-Bissau terá a capacidade para fiscalizar as atividades de pesca na zona envolvida, ilhas de João Vieira Poilão, Orango e Formosa.

Domingos Alves apontou como estratégia "a sensibilização contínua" das populações do arquipélago de Bijagós.

As ilhas, consideradas um tesouro natural e cultural, fazem parte da lista de 32 sítios de todo o mundo candidatos à Património Mundial, que vão conhecer a decisão da UNESCO, a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, a 11 de Julho, em França.

A 47.ª reunião do Comité do Património Mundial decorre até 16 de Julho, na sede da UNESCO em Paris, França.ANG/Lusa

 

França/Bijagós e Parque Nacional de Maputo na corrida a Património Mundial da UNESCO

Bissau, 07 Jul 25 (ANG) - Arranque este domingo, 06 de Julho, A 47.ª reunião do Comité do Património Mundial decorre desde domingo, na sede da UNESCO em Paris, França.

Em cima da mesa a decisão sobre as candidaturas de locais que esperam ser reconhecidos como Património Mundial.

Na lista está o arquipélago dos Bijagós, na Guiné-Bissau, e o Parque Nacional de Maputo, em Moçambique. A decisão está prevista para o dia 11 de Julho.

Até ao dia 16 de Julho, o Comité do Património Mundial da UNESCO reúne-se, em Paris, para analisar as candidaturas de locais que esperam ser reconhecidos como Património Mundial. Entre os 32 dossiers provenientes de todo o mundo, estão as candidaturas do arquipélago dos Bijagós, na Guiné-Bissau, e do Parque Nacional de Maputo, em Moçambique.

Há mais de uma década que a Guiné-Bissau tenta elevar as ilhas dos Bijagós a Património MundialAo confirmar-se essa conquista, será o primeiro do país reconhecido com o estatuto mundial.

O relatório da União Internacional para a Conservação da Natureza sublinha que o arquipélago é “provavelmente o mais importante local em África e um dos mais importantes do mundo em termos de ninhos de tartarugas marinhas, e o segundo mais importante de recolha de comida em África para a rota de migração do Atlântico Este, que é de importância global para as aves migratórias”, avança a agência de notícias Lusa.

O Instituto da Biodiversidade e das Áreas Protegidas, organismo público guineense que coordenou a candidatura, assegura que “o estatuto de Património Mundial não impede o desenvolvimento.”

A candidatura do “Ecossistema Marinho e Costeiro do Arquipélago dos Bijagós – OMATÍ MINHÕ” não abrange todas as ilhas, foca-se nos seguintes pontos: Parque Natural das Ilhas de Orango, Parque Nacional Marinho João Vieira e Poilão e a Área Marinha Protegida Comunitária das Ilhas Urok e a ligação entre esses três parques.

O Governo da Guiné-Bissau está confiante nesta elevação das ilhas Bijagós a Património Natural Mundial. Citado pela agência Lusa, o ministro do Ambiente, Biodiversidade e Acção Climática, Viriato Cassamá, que chefia a delegação guineense na 47.ª reunião do Comité do Património Mundial, disse acreditar que a declaração das Bijagós como Património Natural Mundial “trará muita mais-valia às comunidade Bijagós, porque irá ser uma porta de entrada de financiamento para conservação da biodiversidade e também a implementação de alguns projectos, ambientais, sociais, culturais”.

A decisão da UNESCO, a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, está prevista para o dia 11 de Julho.

Moçambique submeteu a candidatura do Parque Nacional de Maputo ao estatuto de Património MundialEsta área faz fronteira com o parque das Zonas Húmidas de iSimangaliso, na África do Sul, que já foi reconhecido pela UNESCO.

Caso a candidatura moçambicana seja aprovada, os dois países poderão avançar com um modelo de gestão conjunta, centrado na protecção da biodiversidade e na circulação das espécies entre os dois territórios. ANG/RFI

         Nigéria/Acidente de viação no norte do país faz pelo menos 21 mortos

Bissau, 07 Jul 25 (ANG) - Pelo menos 21 pessoas morreram num acidente rodoviário entre um camião pesado e um veículo comercial que transportava passageiros no estado de Kano, no noroeste da Nigéria, anunciaram hoje as autoridades.


De acordo com a agência espanhola de notícias, a Efe, o Corpo Federal de Segurança Rodoviária informou que um camião pesado e um veículo comercial que transportava passageiros colidiram no domingo na autoestrada entre Zaria e Kano, uma importante estrada que liga as duas cidades na região norte do país.

Em comunicado, as autoridades disseram que a investigação preliminar revelou que o motorista do veículo comercial "violou as regras de trânsito estabelecidas, dirigiu em contramão, resultando numa colisão frontal fatal com o camião que vinha em sentido contrário".

Apenas três pessoas sobreviveram ao acidente com ferimentos, enquanto 19 homens e duas mulheres morreram, acrescenta-se ainda no comunicado.

Os acidentes são comuns nas principais vias da Nigéria, muitas vezes resultando em perda de vidas.

No ano passado, 5.421 pessoas morreram em todo o país em 9.570 acidentes, de acordo com dados das autoridades citados pela Efe. ANG/Lusa

 

Moçambique/Norte do país regista crise humanitária "cada vez mais profunda"

Bissau, 07 Jul 25 (ANG) - A ONU alerta que o norte de Moçambique registou, em junho, uma crise humanitária "cada vez mais profunda", causada pela escassez de financiamento, desastres naturais e escalada de violência armada na província de Cabo Delgado.


A escalada da violência por parte dos grupos armados não estatais continuou a provocar novas deslocações, a perturbar os serviços essenciais, a restringir severamente os movimentos, a exacerbar a insegurança alimentar e a impedir a prestação de assistência vital", refere-se no relatório do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA, na sigla em inglês).

A província de Cabo Delgado, situada no norte do país, rica em gás, enfrenta desde 2017 uma rebelião armada, que provocou milhares de mortos e uma crise humanitária, com mais de um milhão de pessoas deslocadas.

As novas movimentações de extremistas no norte de Moçambique incluem Niassa, província vizinha de Cabo Delgado, onde, desde a sua eclosão em 29 de abril, provocaram pelo menos duas mortes: dois guardas florestais decapitados.

De acordo com o OCHA, em 24 de junho, 568 pessoas, incluindo 324 crianças, fugiram dos ataques de grupos armados na aldeia de Quinto Congresso, no distrito de Macomia, em direção "à já sobrelotada" sede distrital, elevando o número total de deslocados pelo conflito para 48 mil desde um de janeiro, muitos necessitando urgentemente de alimentos, abrigo, bens de primeira necessidade e água potável.

"O conflito continua a ter impacto nas necessidades de proteção das pessoas. No início de 2025, Cabo Delgado viu um aumento de 22% nos casos de violência baseada no género relatados em comparação com 2024, devido à melhoria das denúncias e à crescente consciencialização, mas também ressalta o impacto do conflito específico de género", explica.

O documento acrescenta que o Governo facilitou o regresso das populações às suas zonas de origem nos distritos de Macomia, Metuge e Montepuez, em Cabo Delgado, e recentemente em Mecula, no Niassa, "em grande parte devido à inadequada assistência humanitária e à sobrelotação dos locais de deslocação".

Segundo o OCHA, a população que regressa não encontra nada nas suas áreas de origem, "uma vez que as suas casas, parcelas agrícolas e meios de subsistência foram destruídos e os serviços básicos não foram restaurados", e os que optaram pela reinstalação "verificaram que os locais propostos não dispunham de serviços essenciais".

A agência das Nações Unidas apontou ainda para a persistência das "necessidades e lacunas" pós-ciclone, explicando que, com as restrições de financiamento, as pessoas afetadas pelos três ciclones, que, além da destruição de milhares de casas e infraestruturas, provocaram cerca de 175 mortos, no norte e centro do país, "não receberam assistência adequada".

"As primeiras avaliações realizadas desde março nos distritos de Lalaua e Muecate em Nampula revelaram que um total de 70 mil pessoas foram afetadas pelos ciclones mas não receberam assistência desde março", avança.

Outro problema apontado pelo OCHA refere-se ao declínio em cerca de 26% no financiamento humanitário entre 2024 e 2025, caindo de 74 milhões de dólares (62,8 milhões de euros), para 55 milhões de dólares (46,7 milhões de euros).

"Como resultado, cerca de 260 mil pessoas ficaram sem acesso a serviços de higiene, enquanto 200 mil pessoas continuam sem abrigo adequado (..). Além disso, o programa de recolha de amostras laboratoriais, que servia 25 mil pessoas por mês, principalmente pessoas com VIH e tuberculose, foi abruptamente interrompido", acrescenta.ANG/Lusa

China/ Governo apela aos BRICS para liderarem reforma da governação global

Bissau,07 Jul 25 (ANG) - O primeiro-ministro chinês, Li Qiang, defendeu hoje que os países do bloco de economias emergentes BRICS devem assumir a liderança na reforma do sistema de governação global, e apelou à resolução pacífica de conflitos.




As leis e a ordem internacionais enfrentam "sérios riscos" num cenário global marcado por "mudanças sem precedentes em mais de um século" e por uma crescente ineficácia das instituições multilaterais, afirmou Li, representante da China na 17ª cimeira de chefes de Estado e de Governo do grupo.

Perante este contexto, o chefe do Governo chinês destacou o "valor contemporâneo" da visão de governação global proposta pelo Presidente chinês, Xi Jinping, ausente pela primeira vez de uma cimeira dos BRICS.

"Perante conflitos e divergências crescentes, é necessário reforçar o diálogo com base na igualdade e no respeito mútuo. E face a interesses comuns profundamente entrelaçados, é preciso procurar contributos conjuntos através da solidariedade", afirmou Li.

O dirigente chinês apelou ao bloco de economias emergentes para que defenda a independência, demonstre sentido de responsabilidade e desempenhe um papel mais ativo na construção de consensos internacionais, sublinhando a importância de agir "com base na moral e na justiça".

Li considerou ainda que os países dos BRICS devem estar na "linha da frente da cooperação para o desenvolvimento".

O governante chinês anunciou a criação este ano de um centro de investigação China -- BRICS, que será dedicado às "novas forças produtivas de qualidade", bem como um programa de bolsas para atrair talento em setores como a indústria e as telecomunicações.

"É essencial que os nossos países promovam a inclusão, o intercâmbio e a aprendizagem mútua entre civilizações", acrescentou.

Li reiterou que a China está pronta para trabalhar com os restantes membros do grupo, no sentido de alcançar uma governação global mais justa, equitativa e eficiente.

Este domingo, o primeiro de dois dias da cimeira, marcada pelas ausências de Xi Jinping e do Presidente russo, Vladimir Putin, terminou com uma declaração de 126 pontos, abordando temas como a guerra comercial desencadeada pelo Presidente dos EUA, Donald Trump, a escalada de violência no Médio Oriente e a necessidade "urgente" de reformar as Nações Unidas, o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional.ANG/Lusa

sexta-feira, 4 de julho de 2025

Diplomacia/Presidente da República analisa com Donald Trump possibilidades de investimento e cooperação

Bissau, 04 Jul 25(ANG) - O Presidente da República (PR) Umaro Sissoco Embaló, vai reunir na próxima quarta-feira, (9), com o  Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington, para discutir possibilidades  de investimento e cooperação económica.



Segundo a Lusa, fontes governamentais em Bissau adiantaram quinta-feira  que Sissoco Embaló será recebido por Trump juntamente com os Presidentes do Gabão, da Mauritânia e do Senegal. Está igualmente previsto um almoço entre o chefe de Estado norte-americano e os quatro líderes africanos.

Segundo as mesmas fontes, o Presidente guineense, que se encontra de passagem por Portugal, deverá seguir viagem para os Estados Unidos no domingo, 6 de julho.

Os Estados Unidos encerraram a sua embaixada em Bissau na sequência do conflito político-militar de 1998. Desde então, as autoridades guineenses têm vindo a manifestar interesse na reabertura da missão diplomática norte-americana na capital.

Antes de partir para os Estados Unidos, Umaro Sissoco Embaló deverá marcar presença, este sábado, 5 de julho, nas celebrações do 50.º aniversário da independência de Cabo Verde, onde está previsto que intervenha na cerimónia solene. ANG/Lusa

 

Política/Estada em Lisboa do Presidente da República Umaro Sissoco Embalo marcada por incidentes entre a sua comitiva e ativistas

Bissau, 04 jul 25(ANG) - A estada na capital portuguesa (Lisboa),  a título privado, do Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, foi marcada na quinta-feira (03.07) por incidentes em Lisboa entre um grupo de ativistas e a comitiva presidencial.

Fonte da Polícia de Segurança Pública (PSP) disse à agência de notícias Lusa que os incidentes ocorreram ao final da tarde de quinta-feira (03.07) junto a uma unidade hoteleira e que um dos ativistas ficou com ferimentos ligeiros.

A PSP foi alertada pelas 19:15, local, 18,15 de Bissau, para a ocorrência e agentes policiais deslocaram-se ao hotel para recolha de depoimentos.

A fonte da PSP acrescentou à Lusa que vai relatar o sucedido ao Ministério Público.

Em dezembro passado, num encontro com a comunidade guineense na capital francesa, o corpo de segurança de Sissoco Embaló teve de o proteger "perante ameaças de violência", confirmou o próprio à chegada a Bissau.

Um grupo de cidadãos guineenses apresentou uma queixa à polícia francesa contra alguns elementos da Presidência da República da Guiné-Bissau, que acusaram de os terem agredido num encontro que Embaló realizou com a comunidade guineense em Paris durante uma visita à capital francesa no início de dezembro de 2024.

Umaro Sissoco Embaló tem previsto viajar para Washington onde tem agendado, dia 9, um encontro com o Presidente Donald Trump, para conversações sobre oportunidades de negócios, disse hoje à Lusa fonte do Governo em Bissau.

De acordo com a mesma fonte, Sissoco Embaló será recebido por Trump juntamente com os Presidentes do Gabão, Mauritânia e do Senegal.

Antes de seguir para os Estados Unidos, o Presidente guineense irá participar, sábado, nas festividades do 50.º aniversário da independência de Cabo Verde.

O chefe de Estado guineense encontra-se em viagem ao estrangeiro desde segunda-feira (30.06), dia em que discursou na abertura da quarta conferência da ONU sobre o financiamento do desenvolvimento que decorreu em Sevilha(Espanha).ANG/DW/Lusa

Desporto Futebol/FFGB endereça condolência à Federação Portuguesa de Futebol pela morte “drástica” do Diogo Jota e irmão
André Silva

Bissau, 04 Jul 25(ANG) – A Federação de Futebol da Guiné-Bissau (FFGB),  endereçou, quinta-feira, a sua condolência e total solidariedade à Federação Portuguesa de Futebol (FPF), pela morte “drástica” do futebolista português que atuava no Liverpool FC da Primeira Liga Inglesa, Diogo Jota,  e do seu irmão mais novo André Silva, vitimas de acidente de viação.

Em nota à imprensa à que a Agência de Notícias da Guiné (ANG), teve acesso, assinada pelo seu Presidente Carlos Alberto Teixeira.

“ Com muita tristeza que tomamos conhecimento da notícia da morte trágica dos futebolistas portugueses “Diogo Jota” e o seu irmão “André Silva”, na manhã de quinta-feira em Espanha”, refere a Nota que acrescenta que  o desporto português e mundial, estão de luto com este funesto acontecimento.

Neste sentido, a Instituição que gere o futebol nacional, vem por este meio prestar solidariedade à Federação Portuguesa de Futebol (FPF), a qual estende ao Liverpool FC e ao Futebol Clube de Penafiel.

De acordo com o documento, a FFGB pediu ainda à Federação Portuguesa de Futebol (FPF), que transmita esta nota de pesar à família dos dois irmãos futebolistas malogrados

O internacional português Diogo Jota, que até antes do seu falecimento representava a equipa inglesa de Liverpool FC, sofreu “brutal” acidente de viação na madrugada de quinta-feira,  com o seu irmão mais novo André Silva, e os dois não resistiram ao incidente e acabaram por falecer. ANG/LLA/ÂC//SG  

Saúde/Hospital Nacional Simão Mendes regista aumento de casos de intoxicação por drogas entre jovens

Bissau, 04 Jul 25(ANG) - O Hospital Nacional “Simão Mendes” (HNSM) tem recebido, diariamente,  número considerável de adolescentes e jovens com elevadas quantidades de drogas no organismo, havendo igualmente registo de casos envolvendo adultos.

A informação foi avançada recentemente  pelo diretor clínico do serviço de Urgência do HNSM, Bubacar Sissé, na sequência de  crescentes denúncias sobre a venda e o consumo descontrolado de diferentes tipos de drogas no país, sobretudo entre a juventude, mas também entre alguns adultos.

Em entrevista à Rádio Sol Mansi, Bubacar Sissé alertou ainda que os números tendem a aumentar nos fins de semana e em dias de espetáculos musicais, o que agrava a preocupação das autoridades de saúde.

" (…) Recebemos jovens com drogas no corpo e que chegam em estados graves com manifestações desta substância no corpo", explica.

O médico enfatizou os perigos associados ao consumo dessas substâncias, destacando que elas são extremamente prejudiciais à saúde humana.

Bubacar alerta que entre os efeitos estão ansiedade, câncer nos pulmões, hipertensão, distúrbios mentais, problemas no fígado e até ataques cardíacos.

"Estas drogas afetam o nosso cérebro, o nosso sono, afeta a apetite, alucinação, falhas na memória e alguns têm comportamentos mais agressivos e existem casos de pessoas com comportamentos mais lentos. Isso muda totalmente a personalidade das pessoas", avisa.

O médico advertiu que muitos jovens correm o risco de desenvolver dependência total dessas substâncias.

A situação, considerada alarmante e preocupante, segundo o médico, ocorre diante do silêncio das autoridades. Os casos mais graves, segundo relatos, são registrados durante concertos musicais, em que  o consumo parece intensificar-se.

Bubacar Sissé pede a atuação urgente das  autoridades competentes  para travar o mal que diz estar a afetar gravemente a sociedade.

"Que controlem a fonte desta droga, porque, caso contrário,  vai continuar a ser expandida no país", exorta.

Para melhor compreender os efeitos das drogas, a Rádio Sol Mansi entrevistou também o diretor do Centro de Saúde Mental de Quinhamel.

De acordo com Domingos Té, a instituição acolhe atualmente mais de 50 pacientes, sendo a maioria jovens entre os 18 e  25 anos, já toxicodependentes.

O diretor, que também é pastor, descreveu a situação como extremamente preocupante.

"Esta é uma situação muito preocupante e cada vez mais o nível dos problemas de transtornos mentais está a aumentar", lamenta.

Segundo o pastor, essa “doença” afeta principalmente a camada juvenil, e por isso, considera que as famílias devem assumir um papel mais ativo e responsável no combate à esse flagelo.

O pastor diz temer  que  o país venha a ter, num futuro próximo, uma juventude gravemente afetada pelo consumo de drogas, tendo em conta  o uso excessivo dessas substâncias no dia a dia dos jovens.

Nos últimos tempos, a sociedade guineense tem sido confrontada com comportamentos negativos por parte da juventude, associados ao consumo de drogas, algumas das quais injetáveis e sintéticas. Muitas dessas substâncias são comercializadas sob nomes disfarçados, como “Mário Dias”, “Seco Tidjane”, “KÚS”, “MD”, “Blota” e “AX”, e muitas vezes o seu uso está associado ao consumo de bebidas alcoólicas.

Relatos indicam que os efeitos de algumas dessas drogas podem durar até três dias, provocando alucinações, alterações psicológicas e até picos anormais de adrenalina no corpo. ANG/RSM

Energia/CMB e EAGB assinam Memorando de Entendimento para recolocação e manutenção de postes de iluminação nas vias públicas da capital

Bissau, 04 Jul 25 (ANG) – A Câmara Municipal de Bissau (CMB) e a Empresa de Eletricidade e Águas da Guiné-Bissau (EAGB), assinaram, quarta-feira, em Bissau, um Memorando de Entendimento para recolocação e manutenção de postes de iluminação nas vias públicas da capital Bissau, com objetivo de melhorar progressivamente a qualidade de vida dos munícipes.

O acto foi testemunhado pelos ministros que tutelam as duas instituições nomeadamente o  da Administração do Território e Poder Local, Aristides Ocante da Silva e da Energia, José Carlos Varela Casimiro.

Em declarações à  imprensa, Aristides Ocante explicou que o documento  assinado incide sobre a iluminação  das principais artérias da cidade de Bissau.

 “Constatamos que várias artérias da cidade de Bissau estão completamente às escuras e agora temos a energia da OMVG que vem da central hidroelétrica de Caleta na República da Guiné. Por isso, as nossas instituições devem trabalhar de mãos dadas para oferecer uma certa qualidade de vida as nossas populações e isso passa pela iluminação pública da cidade. Esta ação veio para durar”, explicou.

Ocante da Silva salientou que quer-se fazer de Bissau uma cidade luz para bem dos munícipes, contribuindo  igualmente para a  segurança pública e redução dos  efeitos até da delinquência e  criminalidade.

 José Carlos Varela Casimiro, por seu lado,  reafirmou que a situação da iluminação na cidade de Bissau tem vindo a melhorar nos últimos tempos, significativamente, graças a intervenção da EAGB e diz  “ainda se pode dar um salto qualitativo”.

Varela Casimiro acrescenta que é nessa perspectiva que foi assinado o Memorando de Entendimento.

Disse que outro elemento importante na origem da iniciativa , tem a ver com a realização da Cimeira de Chefes de Estado e de Governo dos Países de Língua Portuguesa(CPLP) , prevista para este mês.

“Comprometemos aqui, enquanto tutela da EAGB, dar todo o apoio necessário para implementação prática deste documento”, garantiu.

O Presidente da CMB, José Medina Lobato, disse que se pretende com o acto dar um grande salto qualitativo para a melhoria de segurança de vida das pessoas, em termos de iluminação, casos de alunos que estudam a noite, turistas que devem andar nas ruas com segurança, realçando que o primeiro passo foi dado no dia 02 de julho e vai durar até 31 de Dezembro nesta primeira fase.

“Depois vamos fazer um balanço e de lá assinar outro documento com maior dilatação. No tempo colonial a tarefa de iluminar a cidade era da CMB, bem como manutenção das estradas. Estamos a caminhar para as autarquias e trabalhar com espirito de cidadania, uma vez que é possível”, disse.ANG/MSC/ÂC//SG

Cabo Verde/Amílcar Cabral e luta de libertação longe do consenso em Cabo Verde

Bissau, 04 Jul 25 (ANG) - Os investigadores portugueses Inês Nascimento Rodrigues e Miguel Cardina defendem que a memória da luta de libertação e de Amílcar Cabral está longe de ser consensual em Cabo Verde 50 anos depois da independência.


"Aluta e Cabral são ainda hoje objeto de disputas memoriais acesas", disse hoje à agência Lusa Miguel Cardina, que, tal como a sua colega, se encontra na antiga colónia para participar em atividades evocativas do meio século de emancipação política do arquipélago africano.

Inês Nascimento Rodrigues vê também "como a memória da luta de libertação em Cabo Verde está longe de ser consensual".

"A figura de Cabral pode funcionar, por um lado, como símbolo identitário e força agregadora. Por outro, como ponto de fricção e debate político-partidário", declarou à Lusa.

Os dois investigadores do Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra intervieram esta semana, na capital cabo-verdiana, Praia, em realizações académicas evocativas dos 50 anos da independência do país, organizadas pela Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), em parceria com o CES.

Na sequência da revolução do 25 de Abril de 1974, chegou a verificar-se no país de Cabral, líder do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), uma "mobilização de setores adeptos de uma qualquer manutenção da relação política com Portugal", recordou Miguel Cardina.

"Cinquenta anos depois, Cabo Verde está pacificado com a ideia de ser um estado independente. Algo que não foi consensual nas elites de então, na década de 1970", quando "setores claramente pró-independência e envolvidos na luta" contaram com "a adesão popular ao ideário da independência", referiu.

Segundo o historiador, "se hoje a independência é um dado inquestionável e valorizado, não é tão consensual assim a evidência histórica de que a independência resulta de um processo ancorado na luta de libertação".

"A luta de libertação -- e a própria figura de Cabral -- nem sempre é equacionada de forma consequente com o papel histórico que efetivamente tiveram", admitiu.

Miguel Cardina e Inês Nascimento Rodrigues são autores do livro "O dispositivo mnemónico. Uma história da memória da luta de libertação em Cabo Verde", editado em Portugal, em 2023, pela Imprensa da Universidade de Coimbra.

"Há quem celebre esse passado como um marco identitário incontornável e quem, embora em menor escala, o procure desvalorizar ou relativizar. O mesmo acontece com Amílcar Cabral: continua presente, mas de formas muito diversas e por vezes contraditórias", enfatizou a investigadora do CES.

Em Cabo Verde, a luta de libertação e a independência nacional "continuam a ser evocadas de várias formas, muitas vezes atravessadas por lógicas político-partidárias" e "ainda hoje há monumentos, discursos e até performances populares que o homenageiam, mas também há silêncios, omissões e leituras críticas", ressalvou Inês Nascimento Rodrigues.

Amílcar Cabral, assassinado em Conacri, em 1973, "continua a ser apropriado de muitas maneiras", desde "a figura quase mítica que circulava no meio rural ainda em tempos coloniais", passando pela sua "presença em práticas religiosas contemporâneas" e pelas "críticas mais duras que o classificam como uma figura ultrapassada ou uma fraude", acrescentou.

"Ao mesmo tempo, há setores jovens e da diáspora que o reinventam, como se vê, por exemplo, na Marxa Cabral [desfile em homenagem do cofundador e líder do PAIGC], usando o seu legado como ferramenta crítica para pensar as injustiças do presente", salientou a investigadora de Coimbra.

Na Cidade da Praia, o programa comemorativo na Uni-CV incluiu a exibição de três documentários da autoria da jornalista portuguesa Diana Andringa.

Um acordo entre Portugal e o PAIGC, assinado em 1974, permitiu a instalação de um governo de transição em Cabo Verde, seguido da eleição da Assembleia Nacional Popular que proclamou a independência, em 05 de julho de 1975.ANG/Lusa

 

Turquia/Erdogan acusa Netanyahu de transformar região num banho de sangue

Bissau, 04 Jul 25 (ANG) - O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, acusou hoje o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, de ter transformado o Médio Oriente num "banho de sangue" com os seus ataques a Gaza, Síria, Líbano e Irão.


"Não podemos abandonar a causa palestiniana e nem permanecer em silêncio enquanto Netanyahu e o seu Governo transformam a nossa região num banho de sangue", afirmou o presidente turco sobre o primeiro-ministro israelita.

O presidente turco está no Azerbaijão para participar na 17ª Cimeira da Organização de Cooperação Económica (OCE), na cidade de Khankendi, e dedicou parte da sua primeira intervenção a condenar mais uma vez as "políticas agressivas de Israel" que "ameaçam a paz e a estabilidade em toda a região" do Médio Oriente.

Erdogan afirmou que a intenção final dos ataques regionais lançados por Israel é "forçar o povo palestiniano a ajoelhar-se" numa "política de subjugação".

"Continuaremos a falar a verdade com coragem e a manter-nos firmes ao lado dos oprimidos e contra os opressores", acrescentou o Presidente turco durante o seu discurso.

Israel iniciou a guerra na Faixa de Gaza após os ataques liderados pelo grupo islamita palestiniano Hamas ao território israelita em 07 de outubro de 2023. Mais de 1.200 pessoas morreram nestes ataques a Israel e cerca de 250 foram sequestradas. Em Gaza, a guerra contra o Hamas já matou mais de 57 mil pessoas.

Os israelitas também têm atacado o sul do Líbano, onde está o grupo xiita libanês Hezbollah, que apoia o Hamas. Outro alvo de ataques israelitas é a Síria e Israel também promoveu uma campanha de bombardeamentos, há algumas semanas, contra instalações nucleares do Irão.ANG/Lusa