Rússia/Putin na China para reforçar a inabalável amizade entre Moscovo e Pequim
Bissau, 19 Mai 26(ANG) – O Presidente russo, Vladimir Putin, desloca-se à China entre os dias 19 e 20 do corrente mês, para se encontrar com o seu “bom amigo de longa data” Xi Jinping e reafirmar a solidez das relações sino-russas.
Uma visita que acontece poucos
dias depois da recepção do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em
Pequim.
Vladimir Putin e Xi
Jinping vão discutir formas de “reforçar”
a parceria estratégica bilateral e “trocar
opiniões sobre as grandes questões internacionais e regionais”,
segundo a presidência russa. Os dois dirigentes, de 73 e 72 anos, respectivamente,
devem ainda assinar uma declaração conjunta.
Os chefes de Estado
trocaram este domingo, 17 de Maio, “cartas
de felicitações” pelos 30 anos da parceria estratégica bilateral. Xi
Jinping elogiou uma cooperação que se tem “aprofundado continuamente”. Num vídeo dirigido “ao povo chinês” e divulgado esta
terça-feira,19 de Maio, Vladimir Putin afirmou que as relações atingiram “um nível verdadeiramente sem precedentes”
e desempenham “um papel importante
de estabilização à escala mundial”.
Durante a última visita
de Putin a Pequim, em Setembro de 2025, Xi Jinping chamou-lhe “velho amigo” - fórmula que não
utilizou para Donald Trump na semana passada. Vladimir Putin, que retribuiu
tratando Xi Jinping por “caro amigo”,
quer mostrar ao mundo que as relações sino-russas não foram afectadas pela
visita do multimilionário republicano.
A relação bilateral
aprofundou-se desde a invasão da Ucrânia em 2022. Isolada pelos países
ocidentais, a Rússia viu aumentar a sua dependência económica da China, que se
tornou o principal comprador do petróleo russo sujeito a sanções. Sobre a
Ucrânia, Pequim defende o respeito pela integridade territorial dos países e
uma resolução pacífica, mas nunca condenou Moscovo pela invasão.
A China e a Rússia,
em conjunto, representam quase um quinto da superfície terrestre emersa do
planeta. A China é a segunda maior economia mundial em termos de PIB, segundo o
Fundo Monetário Internacional. A Rússia era o terceiro maior produtor mundial
de petróleo e o segundo de gás em 2023, segundo a Agência Internacional da
Energia. China e Rússia possuem armas nucleares e são ambos membros permanentes
do Conselho de Segurança da ONU.
Os dois países
partilham mais de 4.000 km de fronteira e opõem-se a uma ordem mundial dominada
pelos Estados Unidos e pelo Ocidente. São também parceiros de longa data do
Irão e da Coreia do Norte.
Trump foi o primeiro
presidente norte-americano a visitar a China desde 2017. Mas, Vladimir Putin,
por seu lado, fará a sua 25.ª visita ao país, segundo o Ministério dos Negócios
russo. “Não há ligação entre as
visitas de Trump e de Putin”, afirmou um conselheiro de Putin, Iuri
Ushakov, sublinhando que a visita de Trump já estava prevista anteriormente e
que a de Putin foi coordenada com a China com antecedência. Mesmo assim, esta
sequência diplomática pode ser significativa, pois Xi poderá informar Putin
sobre o que resultou do encontro com Trump.
Alguns analistas
consideram que isto também serve para mostrar a Washington que a relação
sino-russa tem mais de 30 anos e é sólida.
Entretanto, poucas
horas antes da chegada do Presidente Vladimir Putin à China, o exército russo
iniciou três dias de exercícios e treino das suas forças nucleares, mobilizando
milhares de homens no país.
Ao longo da ofensiva
russa contra a Ucrânia, que dura há mais de quatro anos, Moscovo tem destacado
a potência do seu arsenal nuclear e ameaçado por várias vezes com a sua
utilização.
Este anúncio surge
também depois de a Rússia ter sofrido um dos ataques ucranianos mais fortes
desde o início do conflito em Fevereiro de 2022. Na noite de sábado para
domingo, Moscovo afirmou ter sido alvo de cerca de 600 drones, que provocaram
quatro mortos.
Os exercícios
envolvem mais de 65.000 militares e 7.800 equipamentos e sistemas de armamento,
incluindo mais de 200 lançadores de mísseis, segundo o Ministério da Defesa da
Rússia. Aviões, navios, submarinos e submarinos nucleares também participam.ANG/RFI

Sem comentários:
Enviar um comentário