segunda-feira, 1 de junho de 2026

Marrocos/ Produções cinematográficas africanas postas à prova por plataformas de distribuição digital

Bissau, 01 Jun 26 (ANG) – Os desafios relacionados à ascensão das plataformas de transmissão digital e seu impacto nos modos de produção, distribuição e consumo de obras cinematográficas africanas foram o tema central de um simpósio organizado no domingo em Khouribga,(Marrocos), como parte da 26ª edição do Festival Internacional de Cinema Africano de Khouribga (FICAK).

Realizado sob o tema "Produções cinematográficas africanas postas à prova pelas plataformas de distribuição digital", este encontro reuniu pesquisadores, críticos, diretores, produtores e profissionais do setor de diferentes países africanos e de outros lugares, para discutir as mudanças que a indústria cinematográfica está vivenciando hoje diante da ascensão das plataformas digitais, bem como as mudanças radicais que essas plataformas induzem nos modos de produção, distribuição e consumo da obra cinematográfica.

Em seu discurso no evento, o produtor marroquino Abdelssalam Meftahi enfatizou que a questão das plataformas digitais é um tema complexo e multidimensional, lembrando que o cinema não pode ser reduzido a meras considerações comerciais devido ao seu alcance cultural, simbólico e civilizacional.

A este respeito, ele sublinhou a necessidade de considerar o financiamento de produções cinematográficas como um investimento estratégico na cultura e na memória coletiva.

O Sr. Meftahi também destacou as transformações aceleradas impostas pelas plataformas digitais globais, acreditando que a sustentabilidade das produções cinematográficas nesse ambiente depende agora da inovação contínua, tanto em termos de criação quanto de distribuição.

Ele também acreditava que o cinema africano era chamado a transcender seu status de mero produto cultural ou entretenimento para se estabelecer como um vetor duradouro de memória e influência civilizatória, enfatizando a importância de produzir obras capazes de preservar as histórias, os imaginários e o patrimônio do continente, acompanhando as mudanças trazidas pelos novos modos de distribuição.

Por sua vez, o produtor e crítico burquinense Victor Kabré observou que o surgimento das plataformas digitais transformou profundamente a indústria cinematográfica, abrindo novas perspectivas para os criadores africanos e facilitando o acesso às suas obras por um público mais amplo.

Ele explicou que essa evolução não diz respeito apenas aos mecanismos de produção e distribuição, mas também afeta os modos de recepção das obras, em um contexto marcado por uma transformação contínua dos meios de comunicação e dos usos relacionados à imagem cinematográfica.

A este respeito, ele lembrou que as produções africanas têm sido historicamente construídas na encruzilhada das técnicas cinematográficas modernas e do património cultural do continente, salientando que os novos canais digitais não podem alterar esta especificidade.

Segundo ele, a herança africana permanece fortemente presente nas obras cinematográficas, apesar da evolução dos meios de comunicação e dos modos de consumo de imagens.

O Sr. Kabré também apelou aos cineastas africanos para que apoiem esta dinâmica de transformação, investindo mais nas oportunidades oferecidas pelo ambiente digital, de forma a contribuir para o desenvolvimento das práticas audiovisuais e a renovação das formas de expressão no cinema africano.

O FICAK 2026 continua com a exibição de diversas obras em competição nas categorias de longas e curtas-metragens, representando diferentes cinematografias africanas.

O programa desta 26ª edição inclui ainda oficinas para crianças, bem como uma série de encontros e conferências dedicados aos desafios do cinema africano, em particular em torno dos temas "Escritos africanos e narrativas audiovisuais: entre a roteirização e a visualidade" e "O papel do psiconarrador na escrita de roteiros", entre outros eventos dedicados à reflexão sobre a evolução do cinema africano.ANG/Faapa

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