Aquecimento
global/Europa Ocidental teve recorde de calor em Junho e Julho
Bissau, 10 Ago 26(ANG) - Num
cenário de ondas de calor repetidas, seca generalizada e incêndios
devastadores, os meses de Junho e Julho foram os mais quentes já registados na
história da Europa Ocidental, de acordo com o programa europeu Copernicus.
A Agência France Presse
alargou as contas a outras regiões do mundo e conclui que o mês de Julho foi o
mais quente de sempre para 900 milhões de pessoas no globo. Também os oceanos
atingiram em Julho as temperaturas "mais elevadas já registadas para este
mês".
Esta
segunda-feira, o Serviço de Alterações Climáticas Copernicus da União Europeia
anunciou que a Europa Ocidental "viveu o período de Junho e Julho
mais quente já registado", num cenário de ondas de calor repetidas,
seca generalizada e incêndios devastadores. A temperatura média combinada no
continente nestes dois meses atingiu 21,62°C, superando o recorde de 2022.
Em França, o
recorde está 3,8°C acima das temperaturas normais calculadas no período
1991-2020, as quais já eram mais elevadas que as temperaturas pré-industriais
(1850-1900). Esta semana, o país prepara-se para a quinta vaga de calor extremo
deste ano.
França e Espanha
também registaram níveis de seca recorde e viveram incêndios devastadores, como
o mega-incêndio de Gironde, no sudoeste francês, que destruiu 42.000 hectares e
obrigou à retirada de 220 mil pessoas, e como o maior incêndio da história
recente de Espanha que destruiu quase 44.000 hectares perto de Madrid.
A partir dos
dados do Copernicus, a Agência France Presse explica que 33 países bateram
recordes, não apenas na Europa Ocidental e nomeadamente em França, Espanha e Reino
Unido, mas também no Sahel e na América Latina. As regiões no planeta onde se
verificou um calor inédito em Julho são habitadas por cerca de 900 milhões de
pessoas e se na Europa Ocidental são cerca de 120 milhões, em África são 400
milhões.
No Sahel, dez
países atingiram temperaturas inéditas em Julho, da Mauritânia, Níger e Burkina
Faso, no oeste, ao Chade, Sudão, Quénia e Etiópia, no leste. Os países do
Sahel estão entre os mais vulneráveis à subida das temperaturas, além de
enfrentarem já uma forte pobreza, conflitos armados e insegurança alimentar.
Também na
América Central e no norte da América do Sul, as temperaturas inéditas foram
influenciadas pelo El Niño que começou em Junho e terá o seu pico no final do
ano. Nestas regiões, cerca de 100 milhões de pessoas viveram o mês de Julho
mais quente desde que há dados, nomeadamente no México, no norte do Brasil, em
El Salvador, Nicarágua e Honduras, o que faz temer um aumento da insegurança
alimentar.
Em outras
regiões do mundo mais dispersas, onde vivem mais de 250 milhões de pessoas,
também foram batidos recordes, como a província chinesa de Sichuan, os Estados
de Wyoming e do Colorado, nos Estados Unidos, e as ilhas de Sumatra e de
Bornéu, na Indonésia.
Por outro lado,
também em Julho, a temperatura da superfície do mar a nível global foi a mais
elevada alguma vez registada, atingindo no mês passado 20,96°C e batendo o
recorde anterior de 20,89°C medido em 2023.
As temperaturas
extremas também amplificaram as secas generalizadas. Na Europa, a precipitação
e a humidade do solo foram excepcionalmente baixas para este período em França,
Espanha, parte da Alemanha e no Reino Unido, com o caudal dos rios caiu muito
abaixo da média ou baixo, o que teve impacto no abastecimento de água, nas
regas e na produção de energia em vários países, repercutindo-se
particularmente no Sena, no Reno e no Danúbio.
Julho foi ainda
“testemunha de uma actividade de incêndios florestais excepcional na Europa
ocidental, em termos de área ardida e emissões”, de acordo com Laurence
Rouil, directora do Serviço de Monitorização da Atmosfera do Copernicus.ANG/RFI

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