Sudão/Leão XIV pede corredores humanitários e cessar-fogo imediato no Sudão
Bissau, 10 Ago 26(ANG) - O Papa Leão XIV apelou este domingo, 9 de Agosto, à abertura de corredores humanitários no Sudão e pediu à comunidade internacional que defensa um cessar-fogo imediato.
O chefe da Igreja Católica manifestou preocupação
com El Obeid, no Cordofão do Norte, onde a intensificação dos ataques com
drones agrava uma crise que já provocou dezenas de milhares de mortos e milhões
de deslocados.
Leão XIV lançou
o apelo no Vaticano, no final da oração do Angelus, ao dizer que acompanha "com
preocupação" a deterioração da situação no Sudão. O pontífice
destacou em particular El Obeid, capital do Cordofão do Norte e um dos
principais centros urbanos do país, que nas últimas semanas tem sido alvo de
ataques intensos num momento em que a guerra se desloca cada vez mais para a
região do Cordofão.
"Renovo
o meu apelo às autoridades para garantirem corredores humanitários
para a população civil", apelou
o Papa, que pediu uma intervenção mais determinada da comunidade
internacional. "Exorto a comunidade internacional a apoiar os
esforços destinados a estabelecer um cessar-fogo imediato", acrescentou.
A intervenção de
Leão XIV acontece perante o agravamento de uma guerra iniciada em Abril de 2023
entre as Forças Armadas Sudanesas, comandadas pelo general Abdel Fattah
al-Burhan, e as paramilitares Forças de Apoio Rápido (FSR), lideradas por
Mohamed Hamdan Dagalo, conhecido como Hemedti. O confronto entre duas forças
militares, que anteriormente partilharam o poder, mergulhou o Sudão numa
fragmentação territorial e numa das mais graves emergências humanitárias.
El Obeid
adquiriu uma importância no conflito devido à sua posição estratégica
entre Cartum, Darfur e outras zonas do centro e oeste do país. O avanço das
Forças de Apoio Rápido e a multiplicação dos ataques na região fizeram aumentar
os receios de que a população civil fique cercada entre as forças beligerantes,
com acessos cada vez mais limitados a alimentos, medicamentos e assistência
humanitária.
A utilização de
drones tornou-se, entretanto, uma componente cada vez mais presente da guerra.
Segundo dados das Nações Unidas citados nas informações disponíveis, mais de
1.000 civis morreram em ataques deste tipo durante os primeiros cinco meses de
2026. A crescente capacidade das partes para atingir cidades e infra-estruturas
longe das linhas tradicionais de combate está a ampliar os riscos para
populações que já enfrentam deslocações sucessivas e escassez de bens
essenciais.
As Nações Unidas
têm advertido para o perigo de atrocidades em grande escala no Cordofão e
para as consequências de novos cercos a centros populacionais. A guerra já
obrigou milhões de pessoas a deixar as suas casas e destruiu redes de saúde,
abastecimento e distribuição alimentar, dificultando a chegada de ajuda às
comunidades mais vulneráveis.ANG/RFI

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