China/”China tem sido um dos principais parceiros de
desenvolvimento de Cabo Verde”, diz
José Maria Neves
Bissau, 01 Jun 26(ANG) - O presidente
de Cabo Verde, José Maria Neves, disse que a China tem sido um dos principais
parceiros de desenvolvimento de Cabo Verde, com a cooperação bilateral
continuando a se expandir e a dar um contributo de valor para o crescimento
económico, o desenvolvimento social e o fortalecimento da capacidade
institucional do país.
Em recente entrevista exclusiva à agência de Notícias da República Popular da
China-Xinhua na Praia, capital de Cabo Verde, Neves disse que, nos últimos 50
anos, desde o estabelecimento das relações diplomáticas entre os dois países, a
China tem sido um dos principais parceiros de desenvolvimento de Cabo Verde e
tem contribuído em áreas muito sensíveis para o desenvolvimento do país.
Olhando para trás sobre o
desenvolvimento dos laços bilaterais, Neves afirmou que a China "sempre
esteve presente" nos momentos cruciais do desenvolvimento de Cabo Verde.
Disse que, a cooperação com a China
teve um impacto positivo em áreas como educação e formação, saúde, agricultura,
desenvolvimento dos recursos hídricos e construção de infraestruturas, disse
ele.
“Centenas de funcionários e
profissionais cabo-verdianos receberam formação na China, enquanto médicos e
especialistas técnicos chineses trabalham, há muito tempo, em Cabo Verde, no
âmbito de programas de cooperação”, observou.
Entre os muitos projetos de
infraestrutura construídos com assistência chinesa em Cabo Verde, Neves
destacou a Barragem do Poilão, assinalando que se trata de um projeto de
referência para o desenvolvimento da agricultura, pecuária e indústria agroalimentar.
"Pela primeira vez mostramos que
é possível mobilizar águas superficiais aqui em Cabo Verde", expressou,
acrescentando que, desde então, o país construiu várias outras barragens.
Em 2024, as relações entre a China e
Cabo Verde foram elevadas a uma parceria estratégica. Ao falar sobre a
cooperação futura, Neves ressaltou que as duas partes devem continuar a
expandir a cooperação para novas áreas.
A economia azul é o futuro de Cabo
Verde, explicou ele, observando que os dois países poderiam reforçar a
cooperação nos setores de transportes, pescas, dessalinização, indústrias
farmacêuticas e alimentares.
Ele também enfatizou que Cabo Verde
espera aprofundar a cooperação prática com a China em áreas como transição
digital, turismo, agricultura e pecuária, e energias renováveis, especialmente
energia eólica e solar.
Ao falar sobre o Ano de Intercâmbios
Interpessoais China-África 2026, Neves disse que os intercâmbios com a China
têm sido muito úteis.
“A China é um país com uma longa
história e uma rica cultura, além de ser um país de grande diversidade”, disse.
Adiantou que a riqueza cultural da
China e seu patrimônio milenar, tanto material quanto imaterial, têm ajudado
grandemente ao enriquecimento cultural da humanidade.
Neves indicou que muitos
cabo-verdianos que estudaram ou visitaram a China ficaram profundamente
impressionados com as práticas chinesas em matéria de inovação, planejamento
urbano, desenvolvimento regional, conservação da natureza e ensino superior.
Segundo ele, esses intercâmbios podem
ajudar Cabo Verde a desenvolver o turismo, a cultura, educação e as indústrias criativas, ao mesmo
tempo que aproximam os povos dos dois países.
Desde 1º de Maio, a China implementou
integralmente uma política de tarifa zero para 53 países africanos com os quais
mantém relações diplomáticas.
Neves disse que, num contexto de
crescentes restrições ao comércio internacional, uma maior abertura da China
para a África é extremamente positiva para o crescimento económico do continente.
No que diz respeito à governança
global, destacou que "não se pode
esperar que se governe o mundo a uma só voz. É preciso ouvir todas as
vozes".
Ele manifestou que a Iniciativa de
Desenvolvimento Global, Iniciativa de
Segurança Global, Iniciativa de
Civilização Global e a Iniciativa de Governança Global propostas pela China
contribuem sempre para haver o diálogo e negociações e busca de soluções para
um mundo mais justo e mais equilibrado, e são muito importantes para uma melhor
governança global.
Sobre o papel que os países do Sul
Global podem desempenhar na ordem internacional e na governança global, Neves
sugeriu que os países africanos devem manter uma "neutralidade ativa"
e não devem se envolver em conflitos e guerras.
Ele destacou que é fundamental
defender o multilateralismo e promover o respeito pelo direito internacional,
bem como respeitar a soberania nacional e a integridade territorial, e resolver
os conflitos por meio do diálogo e da diplomacia.
"Temos de dar lugar à diplomacia
em vez da guerra", disse ele.ANG/
Xinhua