EUA/ONG Transparência Internacional aponta retrocesso global no combate à corrupção, sobretudo nos EUA
Bissau, 10 Fev 26 (ANG) - A ONG de combate à corrupção Transparência
Internacional (TI) alerta nesta terça-feira (10) para o agravamento da
corrupção nas democracias do mundo inteiro, atribuindo aos Estados Unidos seu
pior desempenho já medido.
O Brasil melhorou sua posição no ranking, mas enfrenta
problemas de infiltração do crime organizado no sistema político, segundo o
relatório da organização.
No relatório anual apresentando o índice
de percepção da corrupção de 2025, a ONG, com sede em Berlim, apresenta a média
global no nível mais baixo em mais de dez anos.
Nos Estados Unidos, a TI preocupa-se com
"ações que visam as vozes independentes e põem em perigo a independência
do Judiciário".
Desde seu retorno ao poder em Janeiro de
2025, o presidente Donald Trump intensificou a pressão sobre uma ampla gama de
instituições, desde universidades até o Federal Reserve (Fed), o banco central
americano.
O presidente do Fed, Jerome Powell, está
atualmente sob investigação do Ministério da Justiça após resistir às pressões
do presidente em favor de uma redução das taxas de juros.
"A suspensão temporária e o
relaxamento da aplicação da lei americana sobre práticas de corrupção no
exterior traduzem uma tolerância em relação a práticas comerciais
corrompidas", denunciou a ONG.
Ela estima, além disso, que a redução
drástica da ajuda externa pela administração Trump "fragilizou os esforços
de combate à corrupção em escala global".
O índice da ONG atribui uma nota entre
zero (muito corrompido) e 100 (muito íntegro), com base em dados provenientes
de avaliações de especialistas e de dirigentes de empresas.
Os Estados Unidos caem de 65 pontos para
64. O relatório destaca que o "clima político se deteriorou há mais de uma
década". Seu desempenho ainda estava em 76 pontos em 2015.
A nota média global se estabelece em 42,
o nível mais baixo em mais de 10 anos.
O
Brasil progrediu um ponto em relação ao ano anterior, mas continua com índice
baixo, de 35 pontos, ou seja, na posição 107 entre 185 países. A ONG
destaca que há anos a "corrupção tem permitido que o crime organizado se
infiltre na política do país", prejudicando a vida dos cidadãos.
"A grande maioria dos países não
consegue controlar a corrupção", indica o relatório, com 122 países dos
180 apresentando desempenhos inferiores a 50.
Entre as democracias, uma queda também é
observada no Reino Unido e na França.
Os dois países permanecem bem
classificados, mas "os riscos de corrupção aumentaram", devido ao
enfraquecimento dos controles independentes e da falta de legislações e sanções
eficazes, segundo a Transparência Internacional.
Dentro da União Europeia, os países com
piores desempenhos são a Bulgária e a Hungria, com nota de 40.
O relatório afirma que o governo do
primeiro-ministro nacionalista Viktor Orbán, da Hungria, no poder desde 2010 e
em plena batalha por sua reeleição em abril, "enfraqueceu sistematicamente
o Estado de direito, o espaço cívico e a integridade eleitoral há mais de 10
anos".
"Isso lhe permitiu desviar
impunemente bilhões de euros, inclusive provenientes de fundos da União
Europeia, e distribuí-los a seus apoiadores através de contratos públicos
desonestos", acrescenta o relatório.
A Transparência Internacional critica a
UE por ter "ficado de braços cruzados" diante do desmantelamento das
proteções democráticas em alguns Estados-membros, em vez de usar "os
instrumentos fortes de que dispõe em matéria de Estado de direito".
No seu
relatório de 2025, a ONG menciona a condenação de Nicolas Sarkosy como
"um raro exemplo europeu da aplicação do princípio de responsabilidade em
alto nível por falhas na integridade política".
O ex-presidente francês foi condenado no
final de setembro a cinco anos de prisão por associação criminosa, depois preso
em outubro, antes de ser libertado em 10 de novembro. Sua prisão de três
semanas foi um acontecimento inédito na história da França.
Pela oitava vez consecutiva, a Dinamarca
é o país melhor classificado, com uma nota de 89.
A Ucrâniafigura
entre as evoluções mais positivas observadas pelo relatório, apesar de uma nota
ainda baixa de 36.
“No país que enfrenta a invasão russa há
quatro anos, o governo do presidente Volodymyr Zelensky sofreu forte repúdio
público após acusações de corrupção envolvendo pessoas próximas a ele.”
Para a Transparência Internacional,
"o fato de que esses escândalos e muitos outros sejam revelados ao público
mostra que a nova arquitetura anticorrupção da Ucrânia está dando frutos".
O relatório elogia a "mobilização
da sociedade civil" que forçou Zelensky a desistir de um projeto que
limitava a independência dos organismos anticorrupção. ANG/RFI/AFP

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