França/Doenças cardiovasculares,
respiratórias e mutações ligadas ao câncer: especialistas da França alertam
para os perigos do "vape"
Bissau, 04 Fev 26 (ANG) - A Agência Nacional de
Segurança Sanitária da França (Anses) publica nesta quarta-feira (4) a primeira
grande análise na França sobre os riscos relacionados ao cigarro eletrónico. O
"vape" é usado por cerca de três milhões de pessoas na França.
"Cigarro eletrónico: perigoso ou não?": essa é a
manchete do jornal Libération,
que estampa sua capa com a foto de um fumante atrás da densa nuvem de vapor
produzida pelo vape. O diário destaca que em 2024 cerca de 8% dos indivíduos de
18 a 79 anos reconheciam usar o dispositivo, mais de 6% de forma cotidiana.
Especialistas da Anses
se apoiaram em cerca de três mil publicações científicas sobre o cigarro eletrónico
para esta vasta análise. Eles são categóricos em afirmar que o “vape”
suscita riscos à saúde com prováveis danos cardiovasculares, sobretudo
resultando no aumento da pressão arterial e da frequência cardíaca.
No que diz respeito aos
efeitos respiratórios, os especialistas são ainda mais pessimistas, e apontam a
probabilidade de desenvolvimento de bronquite pulmonar crônica obstrutiva, uma
doença progressiva e incurável. Nas mulheres grávidas, o vape pode afetar o
coração, os vasos sanguíneos e o aparelho respiratório do feto. A Anses ainda
destaca que algumas publicações científicas apontam uma relação entre o cigarro
eletrónico e certas mutações biológicas que favorecem as primeiras etapas
de um câncer.
Mesmo que o usuário opte pelo "juice" - como é chamado
o líquido do vape, sem nicotina - os riscos existem. O "vape" é menos
nocivo que o cigarro convencional por não produzir nem monóxido de carbono nem
alcatrão. Mas é falso afirmar que o cigarro eletrónico não apresenta nenhum
perigo para a saúde, reitera o jornal Le
Parisien, ainda que o vape seja usado algumas vezes por dia e em
curtos períodos.
Por outro lado, há poucas evidências quanto ao uso passivo do
vape e aos possíveis danos de quem esteja nos arredores e inale o vapor exalado
por estes aparelhos. Por medida de precaução, médicos entrevistados pelo Le Parisien desaconselham
fumar cigarros eletrónicos perto de crianças por falta de estudos suficientes
até o momento sobre o tema.ANG/RFI

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