Espanha/Nova 'Lei da Cidadania' de Barcelona multa quem circular sem camisa, cuspir e urinar na rua
Bissau, 16 Fev 26 (ANG) - A nova "Lei da Cidadania de Barcelona", que estabelece um conjunto renovado de regras sobre como se comportar como bom cidadão e também como bom turista , sob risco de multas pesadas, entrou em vigor domingo (15) , na segunda maior cidade da Espanha.
Entre as mudanças, quem circular de
torso nu fora das áreas de praia poderá receber uma multa de até € 300 (cerca
de R$ 1,8 mil).
O novo texto, que atualiza a lei vigente
há 20 anos, tem como meta preservar o espaço público como um lugar de
convivência cordial e respeito mútuo. E para isso, prevê cerca de 40 sanções
para promover a boa conduta, a limpeza da cidade e a tranquilidade entre os
moradores.
Urinar
em espaços públicos vai sair caro:: as multas vão de € 300 euros a até € 1.500
(cerca de R$ 9,2 mil), caso a infração ocorra em monumentos, prédios tombados
ou locais de grande movimento. Cuspir nas ruas também pode custar € 300 ao
infrator.
A partir de agora, os donos de pets que
circulam pelas ruas são obrigados por lei a levar garrafas de água para lavar a
urina dos animais. Quem descumprir a regra poderá ser multado em € 300. A única
exceção é para pessoas com deficiência visual que utilizam cães‑guia.
Jogar qualquer tipo de lixo em áreas
públicas – como papéis, embalagens, latas e garrafas - pode ser punido com
multas de até € 750 (mais de R$ 4.600)
A nova
lei também deve surpreender muitos turistas, acostumados a andar sem camisa nas
ruas durante os tórridos verões da Espanha.
“Está proibido circular ou permanecer em
espaços públicos sem camiseta, camisa ou outra peça de roupa que cubra o torso,
a menos que se esteja praticando alguma atividade física ou desportiva”, diz o
texto.
A lei acrescenta, porém, que os agentes
públicos só aplicarão a multa se, após uma primeira advertência, a pessoa
“persistir em sua atitude”. O valor da multa varia de € 120 a € 300.
Também fica proibido circular com roupas
de banho fora das zonas permitidas, como praias, piscinas ou ruas próximas ao
litoral.
No mesmo artigo 74 da nova lei, sob as
mesmas sanções, fica proibido usar em espaços públicos “indumentárias,
acessórios ou objetos que representem de forma explícita os genitais humanos,
ou que tenham um evidente caráter sexual” – uma referência à moda de usar
acessórios de formato fálico na cabeça durante despedidas de solteiro, por
exemplo. Já andar completamente desnudo implica em multa que pode chegar a €
500 (cerca de R$ 3.090).
O novo código de normas também prevê
sanções mais rígidas para infrações que já constavam da lei, e
transforma em obrigações legais práticas que anteriormente eram apenas
recomendações.
A
"Lei da Cidadania" mantém a pro+ibição de pichação em espaços
públicos sob pena de multas que variam entre € 100 (R$ 617) e € 600
(R$ 3.706) – e incorpora uma nova sanção: além de pagar multa, os
infratores terão que assumir ainda os custos de limpeza e reparação dos danos
causados.
A atividade de ambulantes ilegais em
espaços públicos será penalizada com multas que vão de € 100 a € 600. A compra
de produtos procedentes destes comerciantes também será punida.
A lei prevê ainda sanções para condutas
que perturbem o descanso dos moradores da cidade: música alta, gritos ou brigas
vão implicar em multas entre € 750 (R$ 4.633) e € 1.500 (R$ 9.266).
Outra novidade são as multas de até €
1.500 para os chamados botellóns – as festas em que jovens se
reúnem em praças ou ruas para consumir bebidas alcoólicas antes de irem para
clubes noturnos. E a punição chega a atingir € 3 mil (mais de R$ 18,5 mil)
para aqueles que promoverem as denominadas “rotas etílicas”, eventos programados
via internet para percorrer diferentes bares da cidade.
“A população deve ter consciência de que
o espaço público é de todos, que a cidade é nossa casa, e que devemos cuidar
dela, como fazem 95% dos cidadãos. Infelizmente, há cerca de 5% da população
que não tem essa consciência, e que portanto deve receber sanções”, disse o
prefeito de Barcelona, Jaume Collboni, em entrevista à rádio pública da
Catalunha. Ele destacou que a maioria dos que violam a Lei da Cidadania são
turistas.
Uma das principais mudanças afeta
justamente os infratores que não residem na cidade: com a entrada em vigor da
nova lei, a notificação e a cobrança da multa será feita no momento da infração
por agentes equipados com máquinas de cartão, a fim de garantir o pagamento e
evitar a impunidade.
Nas áreas verdes da cidade, alimentar
animais silvestres será punido com multa de até € 750. Caçar, pescar ou ferir
bichos terá pena de até € 3 mil.
Desde a aprovação da nova lei, em
dezembro passado, a prefeitura lançou uma campanha de informação sobre as novas
regras, com um total de 400 agentes públicos destacados nas áreas mais
movimentadas da cidade para distribuir folhetos informativos e explicar os
detalhes da reforma.
A comissária de Convivência da
Prefeitura de Barcelona, Montserrat Surroca, salientou que o propósito da nova
lei não é arrecadar verba. “O objetivo é passar uma mensagem de prevenção, para
que os cidadãos conheçam as normas e se tornem conscientes delas. O objetivo
fundamental é melhorar a convivência no espaço público”, disse ela em
declarações à mídia espanhola.
Para menores de idade e pessoas em
situação de vulnerabilidade, o novo texto permite substituir as multas por
trabalhos comunitários. “Pedimos aos cidadãos que se envolvam nos cuidados do
espaço público, porque esta é uma responsabilidade compartilhada”, ressaltou
Surroca.
O novo texto da Lei da Cidadana foi
aprovado com um amplo consenso político e social. A comissão técnica que
impulsionou a reforma foi criada em agosto de 2023, e trabalhou com um
abrangente processo participativo, durante o qual cidadãos, agentes sociais e
políticos puderam debater propostas e propor melhoras no texto final. O código
de normas atualizado incorporou 34% das emendas apresentadas durante a fase de
debate público.
O aumento das atividades urbanas e do
turismo, assim como um certo grau de sensibilidade social diante de
determinadas condutas, gerou o movimento pela reforma da lei. Um dos principais
focos é o funcionamento mais eficaz do sistema de sanções: as punições deverão
ser mais ágeis, efetivas e ter maior impacto dissuasório. ANG/RFI

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