México/Operação militar que matou poderoso chefe do
narcotráfico provoca onda de violência
Bissau, 23 fev 26 (ANG) - O exército mexicano anunciou no domingo (22) que matou o poderoso chefe do narcotráfico Nemesio "El Mencho" Oseguera em uma operação que abalou o estado de Jalisco e provocou uma onda de violência em várias partes do país.
O governo de Donald Trump
aplaudiu a ação.
"El
Mencho", líder do Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), era um dos chefes
mais procurados pelo México e pelos Estados Unidos, que ofereciam uma
recompensa de US$ 15 milhões (R$ 78 milhões), após a prisão dos fundadores do
cartel de Sinaloa, Joaquín "El Chapo" Guzmán e Ismael
"Mayo" Zambada, atualmente presos nos Estados Unidos.
O exército informou
em comunicado que "El Mencho", de 59 anos, ficou ferido em um
confronto com militares na localidade de Tapalpa, em Jalisco (oeste), e morreu
"durante seu traslado por via aérea à Cidade do México".
No total, sete
criminosos morreram e três militares ficaram feridos. Dois integrantes do CJNG
foram detidos e diversas armas foram apreendidas, como lançadores de foguetes
capazes de derrubar aeronaves e destruir veículos blindados, segundo a mesma
fonte.
A operação do
exército desencadeou uma onda de violência em vários estados. A presidente
Claudia Sheinbaum pediu à população que mantivesse a calma. "Existe
absoluta coordenação com os governos de todos os estados", disse na rede
X.
Homens armados
bloquearam com carros e caminhões incendiados diversas vias de Jalisco. À
tarde, eram visíveis restos de veículos carbonizados e outros ainda em chamas
em várias rodovias, em meio ao som das sirenes das forças de segurança.
Os bloqueios e a
queima de lojas e estabelecimentos também se estenderam ao balneário de Puerto
Vallarta, ao estado vizinho de Michoacán e aos estados de Puebla (centro),
Sinaloa (noroeste), Guanajuato (centro) e Guerrero (sul).
Partidas de futebol
dos campeonatos masculino e feminino e da segunda divisão foram suspensas, e
companhias aéreas do Canadá e dos Estados Unidos cancelaram dezenas de voos
para o México.
O Departamento de
Estado dos Estados Unidos fez um apelo para que seus cidadãos no México busquem
abrigo.
"Os bloqueios
afetaram as operações aéreas, e alguns voos nacionais e internacionais foram
cancelados tanto em Guadalajara quanto em Puerto Vallarta", afirmou um
comunicado da seção de Assuntos Consulares do Departamento, divulgado no X.
O exército mexicano
afirmou que, para a execução da operação, "além dos trabalhos de
inteligência militar central (...) foram usadas informações
complementares" por parte das autoridades americanas.
O governo de Donald
Trump aplaudiu a operação na qual Nemesio Oseguera foi abatido.
"Este é um
grande marco para o México, os Estados Unidos, a América Latina e o mundo
(...). Parabéns às forças da lei da grande nação mexicana", escreveu
Christopher Landau, subsecretário de Estado, no X.
A morte de "El
Mencho" ocorre em meio à pressão do presidente Trump para que o México
freie o envio de drogas, especialmente fentanil, para seu país.
Trump ameaçou em várias ocasiões impor tarifas às exportações mexicanas ao
afirmar que o governo da presidente Claudia Sheinbaum não fez o suficiente para
combater o narcotráfico.
O estado de Jalisco, que receberá quatro partidas da Copa do Mundo de
Futebol de 2026 determinou o cancelamento de eventos de grande porte neste
domingo e a suspensão das aulas presenciais na segunda-feira.
Em Guadalajara,
capital de Jalisco, diversos estabelecimentos, desde farmácias até lojas de
conveniência e postos de gasolina, fecharam as portas e as ruas estão
praticamente vazias, constatou a AFP.
"Chegaram alguns
homens armados, vi a arma e disseram para sairmos, nós saímos e eles tinham um
carro com as portas abertas. Pensei que iam nos sequestrar, corri para a
frente, até uma barraca de comida, e me abriguei com eles", disse à AFP
María Medina, que trabalha em uma loja de conveniência incendiada por homens
armados.
Nemesio Oseguera
Cervantes nasceu em uma família pobre no estado de Michoacán, no México, em
1966. Trabalhou por um tempo nas plantações de abacate, atividade comum em seu
meio social, antes de iniciar sua carreira criminosa ao vigiar campos de
papoula e maconha para cartéis durante a adolescência.
Ao se mudar para os
Estados Unidos, estabelecendo-se em São Francisco, envolveu-se no tráfico de
drogas com seu irmão, especialmente de heroína, na década de 1980. Foi preso
várias vezes antes de ser condenado a três anos de prisão no Texas. Após
cumprir a pena, foi deportado para o México, onde se tornou policial no estado
de Jalisco.
Posteriormente,
deixou as forças de segurança para retornar ao tráfico de drogas, integrando o
Cartel del Milenio como membro de um esquadrão de assassinos. Casou-se com
Rosalinda González Valencia, irmã de um dos chefes do cartel, o que fortaleceu
sua posição dentro da organização.
Na década de 2000,
após a prisão do então líder do cartel, Armando Valencia Cornelio, e com a
chegada do cartel rival Los Zetas, o Cartel del Milenio aliou-se ao Cartel de
Sinaloa, para o qual produzia metanfetamina e atuava como braço armado nos
estados de Colima e Jalisco.
Após a prisão de
Óscar Nava Valencia, em 2009, o Cartel del Milenio fragmentou-se em várias
facções, entre elas o Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG), inicialmente
conhecido como Los Mata Zetas. Liderado por Oseguera, conhecido como “El
Mencho”, o grupo começou como braço armado do Cartel de Sinaloa em sua guerra
contra os Zetas. O CJNG consolidou sua presença no estado de Jalisco e em
estados vizinhos ao longo da década de 2010.
Em agosto de 2012, El
Mencho foi preso, mas libertado poucas horas depois por ordem do então
governador de Jalisco, segundo investigação do jornal mexicano El
Universal. Em resposta, integrantes do cartel montaram cerca de 28
bloqueios na região de Guadalajara para intimidar as autoridades. O CJNG e El
Mencho romperam definitivamente a aliança com o Cartel de Sinaloa em fevereiro
de 2013, que ao longo dos anos se tornaria seu principal rival.
Sob seu comando, o
CJNG passou a ser conhecido tanto por sua extrema violência quanto por seu
armamento sofisticado, aproximando-se das capacidades de um exército
convencional. Em junho de 2020, o cartel foi acusado de atacar o então
secretário de Segurança Pública da Cidade do México, Omar García Harfuch, que
ficou ferido. Um mês depois, o grupo divulgou um vídeo no qual aparecia uma
centena de homens com trajes militares, armas automáticas e veículos blindados,
proclamando lealdade a El Mencho.
Nos últimos anos, o
CJNG consolidou-se como um dos maiores cartéis do México, operando em quase
todos os estados do país, além de expandir suas atividades para a Europa,
Austrália e Ásia. Oseguera teria se beneficiado da guerra interna no Cartel de
Sinaloa após a captura de Ismael Zambada García, conhecido como “El Mayo”, para
ampliar sua influência territorial.
Assim como o antigo
líder do Cartel de Sinaloa, Oseguera evitava se expor publicamente, e poucas
fotografias suas circulavam. Ainda assim, aquele que também era conhecido como
“El Señor de los Gallos” cultivava uma aura particular.
Alguns artistas
chegaram a lhe prestar homenagens públicas, como o grupo musical Los Alegres
del Barranco, que exibiu no palco, em 31 de março de 2025, um retrato gigante
de El Mencho. Na localidade de Tinaja de Vargas, festividades chamadas “El
Mencho Fest” foram organizadas em janeiro de 2025.
Diversos rumores já o deram como morto nos últimos anos, incluindo especulações de que sofreria de insuficiência renal. ANG/RFI/AFP

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