Coreia do Sul/ Ex-presidente condenado à prisão perpétua por tentativa de golpe em 2024
Bissau, 19 Fev 26 (ANG) - O ex-presidente sul-coreano Yoon Suk-yeol foi condenado nesta quinta-feira (19) à prisão perpétua pela tentativa de golpe de Estado no final de 2024.
Considerado culpado
de liderar uma insurreição, ao suspender o governo civil na noite de 3 para 4
de dezembro de 2024, o ex-líder conservador escapou da pena de morte, que a
promotoria havia solicitado.
"Em relação ao
réu Yoon Suk-yeol, o crime de liderar uma insurreição está comprovado",
disse o juiz Ji Gwi-yeon, do Tribunal Distrital Central de Seul, ao ler o
veredicto. "O tribunal acredita que a intenção era paralisar a Câmara dos
Deputados por um período considerável", continuou o magistrado.
Segundo ele, "a
proclamação da lei marcial resultou em enormes custos sociais, e é difícil
encontrar qualquer evidência de que o acusado tenha expressado remorso por
isso". Invocando a ameaça de "forças hostis ao Estado", Yoon
anunciou inesperadamente essa medida na televisão, enviando o exército ao
Parlamento para silenciá-lo. A tomada de poder, entretanto, durou apenas seis
horas.
No meio da noite,
alguns membros do Parlamento escalaram a cerca que delimitava o perímetro e
conseguiram entrar na Câmara em número suficiente para frustrar os planos do
presidente.
A tentativa de golpe
trouxe à tona memórias dolorosas de ditaduras na Coreia do Sul. Os eventos
abalaram os mercados, chocaram o mundo e desencadearam uma profunda crise
política interna.
Yoon foi preso, sofreu impeachment na Assembleia Nacional e seu rival
de esquerda, Lee Jae-myung venceu a eleição presidencial antecipada em
junho de 2025. Neste período, os sul-coreanos promoveram grandes manifestações
em defesa e contra Yoon Suk-yeol.
Nesta quinta-feira, milhares de seus apoiadores se reuniram em frente ao tribunal, exigindo a retirada das acusações. Alguns caíram em lágrimas ao ouvir o veredicto, enquanto outros reagiram com raiva, segundo imagens da AFP.
Os advogados do
ex-presidente de 65 anos, por sua vez, argumentaram que a sentença significava
"o colapso do Estado de Direito". "Por que tivemos julgamentos
se foi apenas para seguir a conclusão predeterminada pelos promotores?",
perguntou Yoon Gap-geun aos repórteres. "Estou começando a me perguntar se
devemos recorrer", acrescentou, especificando que a decisão seria tomada
após consultar seu cliente.
Entre os opositores
de Yoon, o resultado também deixou alguns frustrados. "É claro que
esperávamos a pena de morte, então estamos muito decepcionados com a sentença
de prisão perpétua", disse Lim Choon-hee, de 60 anos, à AFP. Nenhuma
execução ocorreu no país desde 1997.
Yoon, que compareceu ao tribunal sob custódia, é alvo de vários outros
processos criminais. Ele sempre negou qualquer irregularidade, alegando que
agiu para “preservar a liberdade” e restaurar a ordem constitucional contra o
que chamou de “ditadura legislativa” da oposição, que domina o Parlamento e
bloqueava suas propostas, segundo ele.
Yoon Suk-yeol já havia sido condenado a cinco anos de prisão por delitos menos graves relacionados à sua tentativa de golpe. Ex-aliados que estavam em cargos públicos na época também receberam penas de prisão ou aguardam julgamento. O Tribunal Distrital Central de Seul também considerou o ex-ministro da Defesa Kim Yong-hyun culpado e o condenou a 30 anos de prisão.
Por seus respectivos
papéis no escândalo, o ex-primeiro-ministro Han Duck-soo foi condenado a 23
anos de prisão no final de Janeiro, e o então ministro do Interior Lee
Sang-min recebeu uma sentença de sete anos na semana passada. ANG/RFI/AFP

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