Desporto/ Dirigentes e jogadores pedem afastamento de Caito Teixeira da FFGB por corrupção
Bissau, 16 Fev 26(ANG) - Um grupo de dirigentes, amantes do futebol e jogadores nacionais pediram, fim de semana, à FIFA — organismo que gere o futebol mundial — o afastamento de Carlos Mendes Teixeira, conhecido como “Caíto”, da presidência da Federação de Futebol da Guiné‑Bissau (FFGB), por alegada prática de corrupção e falta de transparência na gestão dos recursos financeiros.
Além do afastamento do presidente da FFGB, o grupo pede
a revisão dos estatutos da entidade máxima do futebol guineense e a instauração
de uma liderança inclusiva, democrática e competente da instituição.
“Para além das críticas à gestão danosa dos fundos,
pedimos, na missiva enviada à FIFA, o afastamento de Carlos Mendes Teixeira da
liderança da FFGB, a revisão dos estatutos e a criação de condições, num curto
espaço de tempo, para a eleição de uma nova liderança da Federação de futebol,
que deve ser inclusiva, democrática, competente e organizada. São requisitos
que o atual presidente não reúne, estando ainda associado a elevados níveis de
corrupção registados durante a sua gestão”, afirmou Saibana Baldé, porta‑voz do
grupo, numa conferência de imprensa realizada na sede do Ajuda Sport Clube, em
Bissau.
Aquele responsável diz acreditar que a FIFA dispõe de
elementos para afastar o atual
presidente da liderança da FFGB, porque não estão a falar apenas de verbas da
Guiné‑Bissau, mas também de fundos provenientes da FIFA.
“Temos à nossa disposição auditorias internas que
confirmam,claramente, desvios de fundos, irregularidades processuais e má
gestão. Acreditamos que, com base nesses elementos, as entidades competentes
irão exigir responsabilidades”, assegurou.
Segundo Baldé, a atual liderança da FFGB não
apresentou, para discussão e aprovação no Comité Executivo nem no Congresso da
Federação, relatórios de auditoria interna e externa da instituição.
“Há falta de prestação de contas relativamente às
receitas obtidas com a cedência temporária do Estádio Lino Correia, reabilitado
no âmbito dos programas da FIFA. Há também a não apresentação, até à presente
data, do terceiro autocarro adquirido pela FIFA no quadro do Projeto Forward
2.0, desde 2022”, denunciou.
Ladeado por quatro presidentes de clubes de futebol, o
porta‑voz do grupo denunciou igualmente a falta de transparência na
distribuição dos apoios financeiros aprovados em orçamento — 5.000.000 de
francos CFA para os clubes e 6.000.000 para as associações —, existindo clubes
que recebem valores diferenciados e outros que nada receberam, sem qualquer
explicação formal.
Para além das acusações de corrupção e falta de
transparência, o grupo denunciou ainda desorganização, má gestão e
interferências do presidente da FFGB na vida interna dos clubes, bem como
tentativas de controlo do futebol nacional.
De acordo com Baldé, o futebol nacional atravessa um
cenário complexo, marcado por dívidas avultadas aos árbitros, campeonatos de
formação praticamente inexistentes e competições nacionais desestruturadas, sem
calendários definidos, organizadas sob pressão e com problemas recorrentes no
pagamento de prémios.
“Há ainda a falta de equipamentos adequados para as
seleções nacionais, que utilizam os mesmos equipamentos, apesar dos fundos
recebidos da FIFA para esse fim. Esta realidade demonstra uma gestão incapaz de
assegurar o mínimo de organização, planeamento e respeito pelos atletas e
agentes desportivos”, sublinhou.
Relativamente às interferências nos assuntos internos
dos clubes, Baldé acusou a FFGB de não reconhecer assembleias eletivas, de
impor arbitrariamente presidentes e de não validar órgãos sociais eleitos por
comissões eleitorais legítimas.
Em nome dos clubes presentes na conferência de
imprensa, o presidente do Clube de Futebol Os Balantas de Mansoa, Alberto Quebá
Cassamá, manifestou preocupação com as denúncias de má gestão dos fundos
recebidos pela FFGB e apelou a uma maior transparência na utilização dos apoios
financeiros geridos pelo órgão desde que Carlos Mendes Teixeira assumiu a
presidência.
Também presente no encontro, o antigo diretor‑geral
dos Desportos, José da Cunha, afirmou que os clubes têm responsabilidade pelo
estado atual do futebol nacional. “É fundamental explicar que o órgão da FFGB é
uma emanação dos clubes; portanto, quem manda na federação são os clubes de
futebol. A FFGB não tem competência para se imiscuir nos assuntos internos dos
clubes, incluindo o próprio Governo”, declarou.
Sobre as denúncias de corrupção e má gestão dos
fundos, José da Cunha apelou à rápida intervenção do Ministério Público para
averiguar as acusações feitas por diferentes personalidades ligadas ao futebol,
ao longo do ano.
Além de José da Cunha, estiveram presentes na
conferência de imprensa Bonifácio Malam Sanhá, antigo vice‑presidente da FFGB;
Fernando Tavares, conhecido como “Bene”, antigo candidato à presidência da FFGB;
e Dembó Sissé, presidente de uma das alas da Liga Guineense dos Clubes de
Futebol (LGCF).
Segundo apurou a secção desportiva do Jornal O
Democrata, uma missiva formal do grupo, contendo as denúncias, já foi entregue
à FIFA, solicitando a sua intervenção e acompanhamento urgente da situação na
FFGB.
Conhecido no mundo do futebol como Caíto Teixeira,
Carlos Mendes Teixeira foi eleito presidente da FFGB em 2020, sucedendo a
Manuel de Nascimento Lopes, conhecido como “Manelinho”, que liderou o organismo
durante mais de oito anos. ANG/O
Democrata

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